Com mercado aquecido, vendas crescem 1,1% em janeiro

09/02/2026
O aquecimento do mercado de trabalho e o ganho na renda da população seguem como pilares do consumo.

 

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) relatou que o setor registrou vendas de 5,3 milhões de toneladas em janeiro de 2026, um crescimento de 1,1% quando comparado ao mesmo mês do último ano e 8% superior a dezembro de 2025. O aquecimento do mercado de trabalho e o ganho na renda da população seguem como pilares do consumo. A taxa de desemprego encerrou o ano em queda, atingindo 5,1% — o menor patamar desde 2012 — e a população ocupada bateu o recorde de 103 milhões de pessoas. Com a renda média em R$ 3.560 (superior aos R$ 3.368 de 2024), a massa salarial alcançou o maior nível histórico, enquanto o emprego formal chegou a 38,9 milhões de postos, reduzindo a informalidade para 38,1%.

Nesse cenário, a confiança da construção cresceu para o maior nível desde março de 2025, impulsionada por investimentos em infraestrutura, contratações recorde do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e novas regras de financiamento para média e alta renda. No acumulado até setembro do ano passado, os lançamentos do MCMV aumentaram 7,9% e as vendas cresceram 15,5%, consolidando o programa como peça-chave do setor, com a expectativa de atingir a contratação de 3 milhões de unidades até o final de 2026. A indústria também iniciou janeiro recuperando o otimismo após um fechamento de ano pessimista, apresentando melhora na demanda e no escoamento de estoques. Entretanto, o setor enfrenta desafios como a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano e o elevado endividamento das famílias, que atingiu 49,77% em novembro. A confiança do consumidor recuou em janeiro após quatro altas consecutivas, refletindo o peso dos juros e da inadimplência, que já atinge 81,2 milhões de brasileiros. Além disso, a escassez de mão de obra na construção permanece como um gargalo estrutural para 2026.

No âmbito da sustentabilidade, o setor mantém o foco na regulamentação do mercado de carbono (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões), na continuidade de investimentos, no aumento da competitividade e redução na pegada de carbono na indústria do cimento. Para tanto, é importante a retomada de instrumentos fiscais como o da Depreciação Acelerada, que vigorou em 2024/2025, estimulando a modernização da indústria. A indústria do cimento está alinhada às metas de descarbonização do Plano Clima e tem papel protagonista na transição climática, integrando diferentes estratégias de descarbonização, como a ampliação de matérias-primas e combustíveis alternativos. Dentro dessas estratégias, as remoções de carbono por meio de Soluções baseadas na Natureza (SbN) podem ter um rol fundamental na descarbonização industrial brasileira, potencializadas pelas condições climáticas e de biodiversidade do país. Essas ações, que incluem o reflorestamento e a restauração de biomas para compensação de emissões residuais, são fundamentais para o cumprimento dos compromissos nacionais. “Iniciamos 2026 com a confiança da construção em seu melhor momento dos últimos dez meses. O mercado de trabalho se mantém resiliente e a renda em alta formam uma base sólida, mas ainda enfrentamos desafios fiscais e juros elevados, que penalizam o crédito imobiliário e o consumo das famílias. Nossa expectativa recai sobre o início e redução consistente da Selic, além da manutenção dos investimentos em infraestrutura”, disse Paulo Camillo Penna – Presidente do SNIC.