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Operações de espodumênio no Brasil têm custos mais competitivos

Operações de espodumênio no Brasil têm custos mais competitivos

Operações brasileiras de espodumênio operam com custos 6% a 7% inferiores à média global, segundo análise da Project Blue apresentada em Salinas.

A Project Blue apresentou esta semana no Lithium Business 2026, em Salinas (MG), a um panorama abrangente sobre a dinâmica de preços, custos e perspectivas de oferta e demanda para o mercado global de lítio.

O destaque principal da análise, para o público brasileiro, é a comprovada vantagem de custo das operações de espodumênio no País, posicionando o Brasil como um player estratégico e altamente competitivo no mapa mundial da transição energética.

Com demanda em ascensão, os preços spot do carbonato de lítio na China (grau bateria) ultrapassaram a marca de US$ 25.000/t no último trimestre, impulsionados por uma combinação de fatores fundamentais: estoques baixos, forte crescimento na demanda por Sistemas de Armazenamento de Energia (ESS) e interrupções contínuas na oferta, como a suspensão de minas na província de Jiangxi e a proibição de exportações de minerais brutos pelo Zimbábue.

A Project Blue projeta que a demanda global de lítio deve alcançar 3.800 kt LCE até 2036, crescendo a uma taxa composta anual (CAGR) de 8,5%. As baterias recarregáveis responderão por 96,6% dessa demanda, com o carbonato de lítio mantendo sua hegemonia impulsionada pela preferência do mercado por baterias LFP (Lítio-Ferro-Fosfato). No longo prazo (meados da década de 2030), os preços de carbonato devem se estabilizar em torno de US$ 20.000/t (em dólares de 2025), nível necessário para incentivar o desenvolvimento contínuo de novas operações.

A posição do Brasil na curva de custos global

Para investidores e executivos do setor de mineração, a análise de custos da Project Blue traz notícias extremamente positivas para o Brasil. Em um cenário onde o preço spot do concentrado de espodumênio (6% Li2O CIF China) situa-se em cerca de US$ 2.530/t, aproximadamente 89% da produção global de espodumênio opera no azul (com lucro). Nesse contexto, as operações brasileiras destacam-se na curva de custos de 2026. Em média, as minas de espodumênio no Brasil operam com custos 6% a 7% inferiores à média global de operações em outros países, de US$ 1.152,9/t de concentrado de espodumênio com 6% de Li2O.

"O Brasil consolidou não apenas sua posição como fornecedor relevante de volume, mas como referência em eficiência operacional no segmento de espodumênio. Nossos dados mostram que a vantagem brasileira reside fundamentalmente nos menores custos de concentração e em um impacto mais suave de royalties, compensando perfeitamente os desafios logísticos e de insumos", destacou o analista Andres Moreno Ochoa, da Project Blue.

Enquanto em outras jurisdições os custos de mão de obra pesam de forma significativa nos custos de mineração, no Brasil os principais direcionadores de custo são o diesel e consumíveis. Ativos como AMG-Mibra, Sigma Lithium (Grota do Cirilo) e CBL (Mina da Cachoeira) estão posicionados de forma exemplar no lado esquerdo (menor custo) da curva global.

Perspectivas para 2036 - Oportunidades e Riscos

Olhando para a próxima década, a participação da Austrália na oferta de concentrados deve cair de 49% (2025) para 28% (2036), abrindo espaço para a forte expansão da América do Sul (CAGR projetada de 11,7%), com o Brasil ganhando ainda mais protagonismo.

O relatório projeta que, até 2036, com um preço estimado de US$ 1.912/t SC6 (CIF China em dólares reais), cerca de 85% dos produtores globais ainda operarão com lucro.

Novas operações brasileiras, como Bandeira (Lithium Ionic) e Colina (PLS), já devem estar on-line, mantendo a produção nacional na parte inferior da curva de custos.

Para que essa liderança se mantenha, a Project Blue alerta para a necessidade de gestão de riscos, especialmente em relação à volatilidade do custo do diesel, que impacta tanto a mineração quanto a logística de escoamento.

A otimização de custos de mineração, o desenvolvimento de infraestrutura e a maximização do valor agregado através de contratos de longo prazo serão os fatores determinantes para maximizar os retornos do capital investido no Brasil.

A Project Blue é uma referência global em inteligência de mercado e análise de custos para a cadeia de valor de baterias e minerais críticos, fornecendo dados, previsões e insights estratégicos para investidores, produtores e formuladores de políticas em todo o mundo. (Por: Marcio Goto – Gerente Regional da Project Blue).

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