
Acordo de exclusividade de dez dias prevê a assinatura dos contratos em questão de dias; o valor inclui a dívida a ser assumida, e o negócio ainda depende de aprovações regulatórias
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou ao mercado que assinou acordo de exclusividade de dez dias com a Huaxin Building Materials Group para concluir os documentos definitivos da venda das ações da CSN Cimentos Brasil S.A. O acordo contempla um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões, que inclui a dívida a ser assumida pelo comprador, e a intenção da CSN é obter a assinatura em questão de dias.
Segundo a CSN, a Huaxin apresentou a proposta mais vantajosa no processo competitivo lançado em março de 2026. A venda ainda depende da assinatura dos contratos definitivos e das aprovações regulatórias.
O caminho até a venda
A CSN Cimentos registrou EBITDA recorde de R$ 426,9 milhões no segundo trimestre de 2026, com margem de 30,8%. Em janeiro de 2026, a CSN anunciou a venda do controle da divisão como parte de sua estratégia de desalavancagem. O processo competitivo começou em março, as propostas vinculantes chegaram em agosto e, em outubro, a companhia informou que as negociações estavam em fase final.
Contexto estratégico
A decisão de vender a CSN Cimentos está inserida no plano de reestruturação financeira do grupo. A CSN enfrenta deterioração de seu perfil de crédito: em 31 de julho de 2026, a Fitch reduziu sua nota de B para CCC+ e manteve a observação negativa, devido ao elevado endividamento e à fraca capacidade de caixa. O grupo estabeleceu a meta de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de ativos, incluindo a divisão de cimento e participações em infraestrutura.
Apesar do potencial da divisão cimenteira, descrita como “líder na produção integrada no Brasil” e com “forte potencial de crescimento orgânico”, a administração priorizou a liberação de capital para reforçar o balanço. Em dezembro de 2023, a CSN havia anunciado investimento de até R$ 5 bilhões em crescimento orgânico na operação de cimentos, adicionando oito milhões de toneladas anuais de capacidade, mas a decisão foi pela venda.
Os interessados
Em agosto de 2026, a CSN recebeu propostas vinculantes de potenciais compradores autorizados, sem divulgar os nomes. Os principais interessados apontados pelo mercado eram a chinesa Huaxin, o consórcio da Votorantim Cimentos com a italiana Cementir Holding e a brasileira Polimix, maior produtora de concreto do país.
As principais propostas, da Huaxin e do consórcio Votorantim-Cementir, deveriam superar a marca de R$ 10 bilhões. Estimativas de mercado indicavam que a venda total do braço de cimentos, somada à de 25% do segmento de infraestrutura, poderia injetar aproximadamente R$ 16,2 bilhões no caixa do grupo. Em 20 de outubro, a CSN informou que as negociações estavam em “fase final de negociação” e refutou a notícia de que avaliaria um IPO da subsidiária.
Foco na mineração
A venda da CSN Cimentos reflete a reorientação do grupo para a mineração de ferro, em especial o projeto P15, na mina de Casa de Pedra, em Congonhas (MG), que deve adicionar cerca de R$ 4 bilhões de EBITDA por ano quando estiver plenamente operacional. Para Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho e CEO da CSN, a mineração é hoje “o negócio com maior retorno incremental do grupo”.







