
No acumulado até agosto, a indústria vendeu 45 milhões de toneladas, com o programa Minha Casa, Minha Vida representando 58% dos lançamentos imobiliários no segundo trimestre.
O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) divulgou que o setor comercializou 6,1 milhões de toneladas em agosto de 2026, um crescimento de 1,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado até agosto de 2026, a indústria vendeu 45 milhões de toneladas de cimento, 1,8% a mais do que o mesmo período de 2025. O resultado mantém a trajetória positiva das vendas em um ambiente de desaceleração gradual da atividade econômica. O mercado de trabalho ainda aquecido e a dinâmica da habitação, especialmente por meio do Minha Casa, Minha Vida, contribuem para vetores de demanda do insumo. Já, os juros elevados, inadimplência e endividamento das famílias e menor confiança dos consumidores e das empresas indicam um cenário de maior cautela para os próximos meses.
A taxa de desemprego encerrou julho em 5,3%, menor patamar para o mês desde o início da série histórica, em 2012. O número de pessoas ocupadas renovou o recorde e alcançou 103,3 milhões. A taxa de informalidade ficou em 37,5%, próxima dos níveis observados nos meses anteriores, enquanto o rendimento do trabalhador manteve-se estável, indicando sinais iniciais de desaceleração do mercado de trabalho.
Os lançamentos recuaram 0,3% no primeiro semestre de
2026 no mercado imobiliário, enquanto as vendas cresceram 5,4%. O desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida registrou avanço de 7,9% e as vendas aumentaram 15,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O programa representou 58% dos lançamentos imobiliários no segundo trimestre, maior participação desde o início da série histórica, e permanece entre as principais fontes de consumo de cimento. Mesmo com os juros elevados, o financiamento habitacional apresentou expansão. O número de unidades financiadas para construção pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo cresceu 174% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2025, o que reflete o novo modelo do SBPE, com redução gradual do compulsório, maior utilização do mercado de capitais como fonte de recursos para operações imobiliárias, aumento do teto do valor dos imóveis, com permissão de utilização de múltiplos financiamentos por CPF e ampliação do crédito financiado.
Na construção civil, a confiança recuou, com comportamento heterogêneo entre os segmentos. Edificações residenciais, obras de arte especiais e obras de instalações registraram melhora no ambiente de negócios. Edificações não residenciais, obras viárias e acabamento apresentaram deterioração das expectativas. Na perspectiva da indústria do cimento há um notável avanço na implantação de soluções de pavimento de concreto para rodovias e vias urbanas, iniciativa que está em andamento em mais de 200 municípios do país. A confiança da indústria registrou a maior queda desde agosto do ano passado devido à instabilidade relacionada às novas tarifas de importação dos Estados Unidos, o arrefecimento da demanda, o acúmulo de estoques e as incertezas associadas à desaceleração da atividade econômica, a questão fiscal e o início do calendário eleitoral.
Historicamente, o produto apresenta melhor desempenho de vendas no segundo semestre, período que pode favorecer a continuidade da demanda associada ao mercado de trabalho, à habitação popular e aos investimentos em infraestrutura. “A indústria do cimento acompanha com preocupação as discussões sobre a PEC que propõe o fim da jornada na escala 6x1. A proposta segue em análise no Senado Federal, e uma eventual mudança na legislação trabalhista poderá elevar significativamente os custos de operação da indústria. Ao mesmo tempo, o setor tem um papel relevante no desenvolvimento do país o que levou a elaborar uma série de propostas para os candidatos aos governos federal e estaduais, com soluções de aplicação imediata nas áreas de infraestrutura, sustentabilidade e descarbonização, além de iniciativas relacionadas à gestão de resíduos e ao uso de materiais recicláveis. Essas medidas podem contribuir para sustentar o desempenho da indústria nos próximos anos, uma atividade estratégica para o desenvolvimento e o crescimento da economia”, disse Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.
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