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Águia Fertilizantes inicia operação e prepara primeira remessa para junho

Águia Fertilizantes inicia operação e prepara primeira remessa para junho

Mina de Três Estradas (RS) começou a abastecer a unidade de beneficiamento em Caçapava do Sul, que deve enviar o primeiro lote comercial do Pampafos ao mercado em junho.

A Águia Fertilizantes iniciou nesta semana, no dia 18 de maio, a operação da mina do Projeto Fosfato Três Estradas, em Lavras do Sul (RS), após receber da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) a Licença de Operação EIA/RIMA do empreendimento. Com a autorização em vigor, a companhia também deu partida na formação do estoque inicial para abastecer a unidade industrial arrendada em Caçapava do Sul, de onde deverá sair, em junho, o primeiro lote comercial do Pampafos.

A planta de beneficiamento de Caçapava do Sul foi locada da Dagoberto Barcellos em contrato de 20 anos. Segundo Diego Boeira, gerente de projetos da Águia Fertilizantes, a escolha por uma estrutura já existente foi estratégica para reduzir o tempo de chegada ao mercado: "É uma planta já pronta que nos permite iniciar rapidamente a operação", afirma o executivo.

Capacidade e cronograma de expansão

A unidade de Caçapava do Sul tem capacidade nominal de até 150 mil toneladas por ano. Para 2026, primeiro ano operacional do projeto, a meta da empresa é produzir cerca de 70 mil toneladas, com escalada para aproximadamente 150 mil toneladas anuais já em 2027.

Em paralelo, a Águia avança com a implantação de um novo complexo industrial junto à mina de Três Estradas, em Lavras do Sul. A planta, já licenciada, terá início de construção em 2027 e conclusão prevista para 2028, com investimento superior a R$ 80 milhões. Quando concluída, ampliará a capacidade produtiva do projeto para até 300 mil toneladas anuais de fertilizantes fosfatados.

Somadas, as operações de Caçapava do Sul e Lavras do Sul poderão representar cerca de 10% da demanda gaúcha por fosfato — um mercado hoje 100% dependente de importações. No agregado nacional, o Brasil importa aproximadamente 59% de todo o fosfato consumido internamente; desse volume, 28% é destinado à Região Sul e cerca de 13% especificamente ao Rio Grande do Sul.

R$ 230 milhões investidos desde 2011

Desde o início das pesquisas minerais e estudos ambientais, em 2011, a Águia Fertilizantes já aportou cerca de R$ 230 milhões no empreendimento. O montante contempla infraestrutura de mina, estudos técnicos, processos de licenciamento ambiental e a adequação da planta industrial de Caçapava do Sul, que beneficiará nos primeiros anos o minério extraído de Três Estradas.

Pampafos: o primeiro fosfatado natural gaúcho

Carro-chefe do projeto, o Pampafos é apresentado pela empresa como o primeiro fertilizante fosfatado natural produzido em solo gaúcho. O lançamento comercial ocorreu durante a Expodireto Cotrijal, em março deste ano. O produto tem aplicação direta e liberação gradual de fósforo, além de fornecer cálcio, magnésio e micronutrientes. Por não passar por processos químicos industriais, é descrito pela companhia como ambientalmente favorável e orientado à melhoria progressiva da fertilidade do solo.

Os ensaios agronômicos vêm sendo conduzidos desde 2019 em culturas relevantes para o Rio Grande do Sul, como aveia, arroz e soja. Em testes com aveia, o Pampafos alcançou 92% da produtividade obtida com Superfosfato Triplo (STP) na mesma dosagem de fósforo. Em ensaios com arroz irrigado, o fertilizante apresentou desempenho superior ao produto convencional em determinados tratamentos.

Estratégia comercial e geopolítica do fosfato

A aposta na produção regional, segundo a empresa, busca oferecer uma alternativa para reduzir a dependência externa de fertilizantes — pauta sensível em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e pressão sobre custos logísticos. A estratégia inicial prioriza a comercialização no Rio Grande do Sul, aproximando a produção do consumidor final, com ampliação gradual da distribuição no agronegócio gaúcho.

Mesmo com o foco doméstico, distribuidores de fertilizantes do Uruguai já manifestaram interesse em comercializar o Pampafos e sinalizam demanda para entrega imediata.

Geração de empregos

A Águia Fertilizantes mantém atualmente cerca de 80 empregos diretos. Com a entrada em operação da mina de Três Estradas, o número deve subir para aproximadamente 110 postos de trabalho. A previsão é ultrapassar 150 empregos diretos quando a nova fábrica de Lavras do Sul iniciar operação.

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