“A mineração precisa de coragem moral e novos aliados para evoluir”

A Exposibram 2026 celebrou os 50 anos do IBRAM com um chamado por coragem moral e novos aliados para o avanço da mineração responsável.
Comemorando os 50 anos do IBRAM, a solenidade de abertura reuniu líderes públicos e empresariais para reafirmar a mineração responsável
Os números são grandiosos: expectativa de público superior a 90 mil pessoas, 750 expositores, 17 mil metros quadrados de área de exposição e cerca de 6.500 trabalhadores envolvidos no evento – foi desta forma que a solenidade de abertura da Exposibram 2026 celebrou simultaneamente os 50 anos do IBRAM.
Em um discurso pessoal e inspirador, Ana Sanches dedicou homenagens emotivas à memória do ex-presidente do IBRAM, Raul Jungmann, destacando sua trajetória de mais de cinco décadas de militância e liderança pública na construção de pontes e consensos para uma mineração moderna e sustentável: “o Raul foi uma voz de diálogo, de construção de consensos e de uma defesa incansável de uma mineração forte e moderna. A melhor homenagem que possamos prestar a ele não é apenas falar sobre o futuro, mas construí-lo”.
Em sua fala, a executiva enfatizou que a mineração precisa de coragem moral e novos aliados para evoluir de um setor incompreendido para um movimento social legitimado pela sociedade.
Na sequência, o diretor-presidente interino do IBRAM, Pablo Cesário, estabeleceu três compromissos inegociáveis para a mineração do presente: responsabilidade socioambiental com contribuição líquida positiva, prosperidade para regiões remotas e segurança operacional/segurança do trabalho inflexível — lembrando a preparação imperativa das mineradoras para o período severo de chuvas no início do próximo ano. “O futuro depende da combinação entre mineração e conhecimento. Se há energia verde, baterias e inteligência artificial, atrás disso tudo está a mineração. O Brasil é o único país capaz de liderar o arranjo global sobre minerais críticos, pois conversa em pé de igualdade com grandes potências e com nações em desenvolvimento”, pontuou Cesário.
Entre os marcos normativos e regulatórios citados por Cesário, ganharam destaque o avanço do Projeto de Lei de Minerais Críticos e Estratégicos no Senado, a recente aprovação legislativa da política de adensamento de cadeias produtivas em tempo recorde, a publicação do Plano Nacional de Mineração 2050 (PNM 2050) pelo Governo Federal e os projetos de lei das garantias/financiamento que visam criar mecanismos de atração de capital de risco e permitir listagens em bolsa no modelo de mineração júnior (como no Canadá e Austrália).
A consolidação da atratividade internacional da mineração brasileira ganhou um importante respaldo com a assinatura do documento de cooperação técnica entre o IBRAM e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), representada por Laudemir Müller. A parceria aportará R$ 4,2 milhões no desenvolvimento de um projeto setorial para atrair investimentos internacionais e off-takers estratégicos.
Em seguida, Pedro Guerra, chefe de gabinete da Vice-Presidência da República (representando o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin), ressaltou a aproximação histórica entre os setores mineral e industrial sob a égide da Nova Indústria Brasil (NIB). Guerra frisou que todas as seis missões de reindustrialização do país dependem do suprimento mineral — desde os fertilizantes na agricultura até o cobre na infraestrutura e minerais críticos para a defesa e transição digital.
Encerrando a solenidade, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu o equilíbrio entre rigor socioambiental e agilidade regulatória, ressaltando o papel da mineração como motor indutor da redução das desigualdades regionais. O ministro celebrou avanços históricos como o fechamento do acordo definitivo de reparação de Mariana (no valor de R$ 170 bilhões em 20 anos), o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) — que receberá R$ 1 bilhão para modernização e fiscalização de barragens — e a liberação de R$ 20 milhões para equipamentos das forças de segurança em Minas Gerais.
Silveira reafirmou a importância de atrair investimentos estrangeiros para que o processamento e a manufatura dos minerais críticos e terras raras ocorram dentro do território brasileiro, gerando renda, ciência e inovação em solo nacional: “o Brasil é o paraíso do setor mineral mundial. Devemos ter orgulho das nossas riquezas e indignação constante perante as desigualdades, transformando essa indignação em força para construir um país próspero, sustentável e justo”, concluiu o ministro.
Nove conselheiros da Brasil Mineral foram homenageados
Além da homenagem póstuma a Raul Jungmann (recebida por Júlia Jungmann), o evento concedeu tributos em memória a José Mendo e Marcelo Tunes, além de homenagear ex-presidentes da entidade — como Flávio Penido, José Fernando Coura, Paulo Camillo Penna, Fernando Azevedo e Silva, Wilson Brumer e Wilfred Bruijn, assim como representantes de órgãos de segurança e órgãos reguladores de políticas públicas.
Como Contribuições Governamentais e Gestores Públicos receberam homenagens ex-secretários da SGM/MME como Ana Paula Lima Vieira Bittencourt, Vicente Lobo, Carlos Nogueira da Costa Júnior, Pedro Paulo Dias Mesquita e Alexandre Vidigal; além de Lília Mascarenhas Santo Agostinho (SEMIL-SP) e Elmer Prata Salomão (ex-DNPM).
Os destaques na Forças de Segurança e Defesa Civil foram: Cel. Jordana de Oliveira Filgueiras (UDECAM), Cel. Paulo Roberto Bermudes Rezende (Defesa Civil/MG), Ten.-Cel. Lúcia Helena Pinto Alvim da Silva Lino (PMMG) - representantes do Corpo de Bombeiros Militar de MG e do Exército Brasileiro.
Na academia e entidades internacionais o Ibram homenageou a Profa. Maria José Salum (UFMG/MME), Dra. Silvia Cristina Alves França (Diretora do CETEM), Profa. Maria Amélia Enriquez (UFPA), Dr. William Freire (advogado especialista), Carlos Pena (OLAMI) e Rohitesh Dhawan (ICMM).
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