20ª edição do evento reforça otimismo do setor

06/10/2021

Começou ontem (5/10) a 20ª edição da Exposibram, pelo segundo ano em formato 100% virtual, e conteúdo dividido em três dias, que traz como novidades a 1ª feira de vagas para o setor mineral, em parceria com startups, e o lançamento da Unibram – Universidade de Mineração.

Abrindo a solenidade, Wilson Brumer – Presidente do Conselho Diretor do Ibram, salientou o fato de a mineração estar cada vez mais perto das comunidades, o que reforça a necessidade de se ampliar e melhorar a comunicação com esse público, de forma que os stakeholders e fornecedores possam crescer junto com a atividade. A Entidade vem fazendo esforço para que a mineração seja cada vez mais reconhecida e que possa contribuir para o desenvolvimento do país, gerando emprego, renda e crescimento socioambiental.

De acordo com Flávio Penido, presidente executivo do Ibram, a mineração vive um ciclo ascendente de negócios e uma prova são os números expressivos da edição 2021 da Exposibram: 6.200 inscritos, mais de 25 painéis com temas atuais do setor mineral, 81 expositores na feira virtual, 26 mineradoras participando das rodas de negócios, com 447 fornecedores inscritos e 201 fornecedores selecionados para 358 reuniões, 30 palestras técnicas para apresentação de serviços e negócios empresariais, além da participação de 12 startups.

Penido adiantou também algumas informações sobre o desempenho do setor: “de janeiro a setembro de 2021, houve da produção, faturamento, recolhimento de impostos, exportações e a contribuição para o saldo comercial brasileiro, além de ampliar o volume de investimentos no país”. O compromisso do setor com o desenvolvimento socioeconômico do Brasil também foi lembrado pelo dirigente, que disse ainda que tanto a mineração brasileira quanto o Ibram estão mudando, com compromissos que envolvem, por exemplo, a agenda de mudanças climáticas e os efeitos ao planeta da emissão de gases de efeito estufa. Penido disse ainda que o Ibram apoia a iniciativa lançada pelo ICMM, quanto ao compromisso assumido pelo setor de zerar as emissões de CO2 até 2050.

Luiz Eduardo Osório, da Vale, reforço as palavras de Penido e disse que o setor vive o desafio de levar a mineração para uma economia de baixo carbono, de forma mais segura e inclusiva e que é necessário repensar a forma como se compartilha valor.

José Fernando Gomes Jr, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Pará, ressaltou a importância e protagonismo da atividade no estado e o apoio que vem sendo dado à pequena e média mineração e que, “acima de tudo, a mineração é feita por pessoas”. Para o Governador do Pará, Helder Barbalho, a importância do evento está em compartilhar experiências e perspectivas para as próximas décadas e salientou que o Pará é a maior província mineral do Brasil e que a atividade tem grande vocação econômica no estado – “em 2020 foram gerados mais de 190 mil empregos diretos e indiretos e grandes compensações financeiras pela exploração de recursos minerais, com a contribuição de pouco mais de R$ 3 bilhões, com destaque para o minério de ferro, que respondeu por 86% de toda essa arrecadação”. A indústria extrativa e de transformação mineral do Pará exportou em média R$ 18 bilhões no ano passado e os principais produtos foram o minério de ferro, concentrado de cobre, ouro, minério de manganês, bauxita, caulim, silício e liga metálica de ferro-níquel. E informou que em meados de setembro passado, o Governo do Pará e a Agência Nacional de Mineração assinaram o acordo técnico para monitorar e fiscalizar de forma mais efetiva e abrangente a atividade no estado, debatendo inclusive a verticalização para a atividade, de forma a “fazer da riqueza do subsolo um ativo estratégico”.

O Governador de Minas Gerais, Romeu Zema Neto, lembrou a importância do estado na exportação de minério de ferro, nióbio e vários outros minerais e que o grande desafio é a diversificação econômica, além da geração de produtos com maior valor agregado dentro da intensa transformação digital vivida pelo mundo.

Andre Driessen, Embaixador do Reino dos Países Baixos, citou a relevância do evento e a importância do desenvolvimento da atividade dentro de um ambiente sustentável  - experiência já vivida pela Holanda, onde a mineração é responsável por um terço da atividade industrial e a fiscalização sobre barragens e diques é muito forte.

O Deputado Federal Arnaldo Jardim, vice-presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, disse que a mineração vive um momento de identificar tendências e divulgar os avanços, buscando promover o desenvolvimento muitas vezes em regiões remotas. A boa atuação do setor mineral na balança comercial foi outro aspecto citado por ele, assim como a manutenção das atividades mesmo durante a pandemia. Como expectativa para os próximos cinco anos, Jardim reforçou o investimento previsto de US$ 38 bilhões.

Esteves Colnago, diretor presidente do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, disse que o momento é de mostrar e conhecer resultados em toda a cadeia produtiva, de forma a ampliar o desenvolvimento sustentável da atividade no país. O desenvolvimento de uma plataforma visando novas oportunidades de investimentos e aproximação com o setor mineral também foi celebrada por Colnago, que informou que as opções de consultas poderão ser realizadas por bem mineral, recorte mineral, empreendimento mineral e unidade geológica. O mapeamento geológico e de potencialidades minerais e suas estratégias para o Norte do país também foi destacado na fala do presidente da CPRM, assim como os esforços para o desenvolvimento dos agrominerais, de forma a impulsionar o setor de fertilizantes – “a biodiversidade não pode existir sem a geodiversidade”. Outro foco das ações da CPRM são os remineralizadores de solo, estudados em parceria com a Embrapa, com importantes resultados em regiões agrícolas.

Victor Bicca, Diretor Geral da Agência Nacional de Mineração – ANM, registrou que a Agenda Regulatória 20/21 se encontra em fase final de implantação e que a Agenda Regulatória 22/23 já começa a ser construída, com espaço para manifestação do setor quanto a temas ainda pendentes. Ele informou que foi concretizada uma parceria com o MME e Banco Mundial visando a construção da ANM 4.0, com significativo aporte de recursos e que neste ano o recolhimento da CFEM deve alcançar R$ 10 bilhões, o que reforça a importância da atividade. E que dia 6 de outubro haverá audiência pública para regulação final da Lei nº 14.066, que altera a Política Nacional de Segurança de Barragens.

Lilian Mascarenhas, secretária adjunta do Ministério de Minas e Energia, da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral ressaltou os esforços para o desenvolvimento do setor mineral, cujos números foram apresentados por Bento Albuquerque, Ministro de Minas e Energia – “em 2020, o setor se manteve como uma das mais importantes bases de produção do país, se destacando com desempenho 36% superior ao registrado em 2019. Os resultados em 2021 continuam demonstrando a força da mineração como motor de desenvolvimento do Brasil, manutenção do crescimento da produção e geração de empregos”.

No primeiro semestre de 2021, as exportações minerais brasileiras alcançaram US$ 27,7 bilhões e o saldo mineral foi de US$ 24,5 bilhões, o que corresponde a mais de 60% do saldo da balança comercial no período. A arrecadação da CFEM alcançou R$ 7,9 bilhões até setembro, devendo fechar o ano de 2021 com R$ 10 bilhões, o que significa 60% a mais que o registrado em 2019. Como esforços para dinamização e crescimento do setor, Albuquerque citou os leilões de áreas da ANM, “que disponibilizaram ao mercado cerca de 16.500 novas áreas, permitindo a retomada das atividades de pesquisa e produção mineral”. Também foi concluído o leilão de parceria de mais um ativo do SGB para pesquisa e produção de fosfato. Os investimentos planejados para o setor até 2025 são da ordem de R$ 40 bilhões.

Por fim, destacou que o Programa Mineração e Desenvolvimento lançado pelo atual Governo Federal tem como objetivo fortalecer a mineração para desenvolver o Brasil e as ações em curso visam a expansão dos investimentos em pesquisa e produção mineral, desenvolvimento sustentável da mineração em pequena escala e o avanço das cadeias de minerais para transição energética, além da construção de um banco de dados que facilite o acesso a informações sobre resultados de pesquisa da economia mineral e que a rede colaborativa de financiamento da mineração engaja as associações representativas do setor com agentes financiadores e agentes de Governo e consultorias será importante catalisador de acordos para aceleração dos investimentos em mineração e pesquisa mineral – “assim prosseguiremos com a trajetória de aprimoramentos institucionais, expansão e desenvolvimento da mineração sustentável e inclusiva”.