Setor registra crescimento de 7,3% na receita líquida total em 2025

29/01/2026
A receita direcionada ao mercado doméstico alcançou R$ 221,7 bilhões em 2025, crescimento de 8,4% em relação a 2024.

 

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) divulgou que o setor registrou queda de 7,5% no consumo aparente no último trimestre de 2025, ao atingir cerca de R$ 30,2 bilhões. O resultado reflete a retração das compras de bens produzidos no mercado interno e a redução pontual das aquisições de bens importados no mês. Ainda assim, no acumulado do ano, o consumo aparente cresceu 7,9%, desempenho sustentado principalmente pelos investimentos realizados ao longo do primeiro semestre, com destaque para os setores de bens de consumo, logística, construção civil e componentes

A receita direcionada ao mercado doméstico alcançou R$ 221,7 bilhões em 2025, crescimento de 8,4% em relação a 2024. O que demonstrou que a demanda interna seguiu sendo o principal motor do setor. O avanço foi viabilizado pelo melhor desempenho das indústrias extrativas, do agronegócio e das obras de infraestrutura, que mantiveram projetos e investimentos mesmo em um ambiente de juros elevados. As importações de máquinas e equipamentos somaram US$ 32,2 bilhões, crescimento de 8,3% e novo recorde histórico. As importações já representam 46% do consumo nacional, praticamente o dobro da participação observada antes de 2014. Esse movimento ampliou o déficit da balança comercial do setor, que ultrapassou US$ 18 bilhões em 2025, mais de 120% acima da média registrada após as crises de 2015-2016 e da pandemia. A China importou mais de 32% das máquinas brasileiras o que evidencia um processo contínuo de perda de competitividade do produtor local, com impactos diretos sobre o nível de emprego qualificado e a capacidade do país de sustentar cadeias produtivas estratégicas no longo prazo.

A receita líquida total do setor somou R$ 299 bilhões em 2025, crescimento de 7,3% frente ao ano anterior. Houve resultado positivo no acumulado do ano, mas o comportamento ao longo do segundo semestre foi marcado por desaceleração, com queda de 2,8% no último trimestre em comparação ao mesmo período de 2024. O mês de dezembro registrou o terceiro resultado negativo consecutivo na comparação interanual, refletindo o arrefecimento dos investimentos sobre impacto da política monetária restritiva. As exportações cresceram cerca de 5%, após a retração observada em 2024. O resultado foi sustentado pelo aumento do volume exportado e pela expansão das vendas para países da América Latina e Europa, com destaque para máquinas destinadas à infraestrutura, agricultura e ao setor de petróleo. Esse movimento compensou a desaceleração do mercado norte-americano e a queda dos preços internacionais. As medidas adotadas pelo governo Trump, com aumento de tarifas de importação sobre máquinas brasileiras, impactaram negativamente as exportações para os Estados Unidos, que caíram mais de 9% no ano e reduziram sua participação no total exportado pelo setor. Esse cenário de maior protecionismo, combinado à desaceleração do crescimento global, elevou a incerteza e limitou o potencial de expansão das vendas externas, exigindo das empresas maior esforço de diversificação de mercados.

O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de máquinas e equipamentos encerrou 2025 em 78,4%, 5,2 p.p. acima do observado no mesmo período de 2024. A carteira de pedidos, no entanto, encerrou ano com carteira de pedidos, média, 2,2% inferior à de 2024 confirmando que o setor já opera em um novo patamar de menor dinamismo, após o início do ciclo de desaceleração observado a partir de meados de 2025. Para 2026, a expectativa é que esses números cresçam 3,5% na produção física do setor e cerca de 4% na receita líquida de vendas. Esse avanço deverá ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, cuja demanda tende a crescer em torno de 5,6%, refletindo a carteira de projetos já contratados em infraestrutura, a continuidade dos investimentos no agronegócio e a necessidade de reposição e atualização de máquinas em segmentos industriais.

As exportações, por sua vez, devem apresentar estabilidade em 2026. O cenário externo segue marcado por elevada incerteza, com desaceleração do crescimento global, aumento de medidas protecionistas e aprofundamento da guerra tarifária, em especial a partir das novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos. Esse ambiente limita a expansão das vendas externas de máquinas e equipamentos brasileiros e reforça a importância de estratégias voltadas à diversificação de mercados e ao fortalecimento da indústria local como forma de mitigar riscos e sustentar o crescimento no médio e longo prazo.