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PETRÓLEO

Petrobras descobre hidrocarbonetos em águas ultra profundas na costa do Amapá

Por Redação Brasil Mineral
Petrobras descobre hidrocarbonetos em águas ultra profundas na costa do Amapá

Constatação em perfis elétricos e amostras de rocha no bloco FZA-M-59, a 175 km da costa do Amapá, valida a aposta da companhia na Margem Equatorial, dez meses após a licença do Ibama e a poucos meses do fim previsto da perfuração.

A Petrobras identificou a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho (1-BRSA-1405-APS), em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas da bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. O poço está localizado a cerca de 175 km da costa do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros. O intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha, e as operações de perfuração continuam, visando a continuidade da avaliação exploratória.

"Nosso otimismo em relação à Margem Equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Desfecho de uma década de espera

O anúncio encerra a fase mais tensa de uma das campanhas exploratórias mais aguardadas (e contestadas) da história recente da companhia. O bloco FZA-M-59 foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob regime de concessão, e a Petrobras assumiu o controle da área em 2020, tornando-se operadora com 100% de participação. A licença ambiental, negada pelo Ibama em 2023, só foi obtida em outubro de 2025, quando o órgão autorizou a perfuração do primeiro poço na região desde 2015, abrindo efetivamente a Margem Equatorial brasileira à exploração. A liberação, semanas antes da COP30 em Belém, foi criticada por ambientalistas e celebrada pelo setor. 

A perfuração, iniciada logo após a licença com o navio-sonda ODN II (NS-42), de propriedade da Foresea, com acomodações para até 180 pessoas, não foi linear: a atividade ficou paralisada a partir de 4 de janeiro, após a identificação de perda de fluido de perfuração em linhas auxiliares do riser, episódio que rendeu multas do Ibama e da ANP antes da retomada. Em março, a diretora-executiva de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, afirmou que a expectativa era atingir o reservatório ainda no primeiro semestre e concluir o poço no segundo trimestre de 2026, cronograma que a constatação de hoje confirma na essência. 

O que a descoberta significa (e o que ainda não significa)

A presença de hidrocarbonetos identificada por perfilagem não equivale, ainda, a uma descoberta comercial. A companhia precisará concluir a perfuração, coletar amostras de fluido, avaliar a espessura e a qualidade do reservatório e, eventualmente, perfurar poços de delimitação para dimensionar volumes e atestar comercialidade junto à ANP. É nesse ponto, aliás, que reside o próximo embate regulatório: em fevereiro, o Ibama rejeitou o pedido da Petrobras de estender a licença do bloco 59 a outros três poços classificados como contingentes (Marolo, Maracujá e Manga), deixando claro que a Licença de Operação autoriza um único poço e que novas perfurações dependerão de anuência específica. Com óleo confirmado no Morpho, a pressão por essas autorizações tende a crescer. 

A aposta de US$ 3 bilhões no "novo pré-sal"

A descoberta valida a tese geológica que sustenta a estratégia da companhia: a Foz do Amazonas compartilha características geológicas com as zonas vizinhas da Guiana e do Suriname, onde descobertas offshore recentes revelaram reservas massivas, caso do bloco Stabroek, operado pela ExxonMobil, que transformou a Guiana em um dos maiores produtores emergentes do mundo. Estimativas da ANP sugerem que toda a Margem Equatorial pode conter até 30 bilhões de barris de óleo equivalente. 

No plano estratégico vigente, a Petrobras prevê perfurar 15 poços na Margem Equatorial, com capex estimado em cerca de US$ 3 bilhões até 2029, o que representa 38% de todo o montante destinado a atividades exploratórias no quinquênio. A companhia também ampliou seu portfólio na região: em junho de 2025, adquiriu dez blocos adicionais na bacia da Foz do Amazonas em parceria com a ExxonMobil, no 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão da ANP, com participações de 50% cada e operação dividida entre as duas empresas.

Segundo a Petrobras, a atuação no FZA-M-59 está alinhada à estratégia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, visando ao atendimento da demanda nacional de energia durante a transição energética justa, num momento em que a produção do pré-sal se aproxima do platô e o país busca novas fontes para sustentar a produção na próxima década.

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