OURO

Equinox Gold vende operações brasileiras para CMOC por US$ 1,015 bilhão

Equinox Gold vende operações brasileiras para CMOC por US$ 1,015 bilhão

Subsidiária do grupo chinês CMOC desembolsará US$ 900 milhões no fechamento previsto para o primeiro trimestre de 2026, com pagamento contingente de até US$ 115 milhões vinculado à produção um ano depois.

A canadense Equinox Gold anunciou neste sábado (14) a venda de 100% de suas operações no Brasil para uma subsidiária do grupo chinês CMOC por US$ 1,015 bilhão. A transação inclui a Mina Aurizona, localizada no Maranhão, a Mina RDM (Riacho dos Machados) em Minas Gerais, e o Complexo Bahia, que compreende as operações Santa Luz e Fazenda Brasileiro na Bahia, consolidando a presença chinesa no setor mineral brasileiro.

O acordo prevê pagamento inicial de US$ 900 milhões em dinheiro no fechamento da operação, previsto para o primeiro trimestre de 2026, além de um pagamento contingente de até US$ 115 milhões vinculado à produção um ano após o fechamento. A conclusão da venda está sujeita a aprovações regulatórias e outras condições usuais, mas não depende de condições de financiamento.

CMOC amplia portfólio no Brasil

A aquisição representa mais um capítulo da expansão chinesa na mineração brasileira. A CMOC Brasil já é a segunda maior produtora de nióbio do mundo e a segunda maior produtora de fertilizantes fosfatados do Brasil, com operações em Catalão e Ouvidor (GO) e Cubatão (SP).

A empresa chinesa chegou ao país em 2016, quando adquiriu as operações de nióbio e fosfatos da Anglo American por US$ 1,7 bilhão. Com produção recorde em 2024 de 10.024 toneladas de nióbio e 1,18 milhão de toneladas de fertilizantes, a CMOC agora diversifica seu portfólio brasileiro ao entrar no segmento de ouro.

A movimentação se insere em tendência mais ampla de empresas chinesas no setor mineral brasileiro. Nos últimos anos, grupos como CMOC, MMG (Minerals and Metals Group) e Zijin Mining têm realizado aquisições estratégicas no país, competindo por ativos em minerais críticos e metais preciosos.

Em 2024, a China Nonferrous Mining Metal Company (CNMC) adquiriu a Mineração Taboca por US$ 340 milhões, produtora de estanho, tântalo e nióbio no Amazonas. A Baiyin Nonferrous também firmou compromisso de compra da Mineração Vale Verde, produtora de cobre em Alagoas, por US$ 420 milhões.

Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), empresas chinesas investiram US$ 4,2 bilhões em projetos no Brasil em 2024, um salto de 113% em relação a 2023, com foco em setores estruturais como energia, petróleo, infraestrutura e mineração.

Foco estratégico na América do Norte

Para a Equinox Gold, a venda representa reposicionamento estratégico. Segundo Darren Hall, CEO da companhia, os recursos transformarão o balanço patrimonial ao liquidar integralmente o empréstimo a prazo de US$ 500 milhões e o empréstimo Sprott de US$ 300 milhões, além de reduzir a linha de crédito rotativo.

"A venda de nossas operações no Brasil é um passo fundamental para posicionar a Equinox Gold como produtora de ouro focada na América do Norte, com forte fluxo de caixa e perfil de crescimento de primeira linha", afirmou Hall.

Novo perfil operacional

Após o fechamento, o portfólio da Equinox Gold será composto pelas minas Valentine e Greenstone no Canadá, Mesquite na Califórnia, e El Limón e Libertad na Nicarágua. A empresa projeta produção anual entre 700 mil e 800 mil onças de ouro em 2026, assumindo que Valentine e Greenstone atinjam capacidade nominal.

A companhia também mantém potencial de crescimento orgânico através da expansão de Valentine, fase 2 de Castle Mountain e plano de desenvolvimento redefinido para Los Filos, no México.

Pagamento Contingente

O pagamento contingente de até US$ 115 milhões será calculado após um ano do fechamento, conforme os seguintes critérios: 12,5% da receita para produção entre 200 mil e 280 mil onças, ou US$ 115 milhões se a produção atingir ou ultrapassar 280 mil onças.

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