
Lote de mais de 2.400 onças foi vendido a refinadora brasileira; mina passa a operar 24 horas e mantém meta de produção comercial no quarto trimestre.
A canadense Cabral Gold concluiu a primeira venda de ouro produzido na mina da Fase 1 do distrito aurífero de Cuiú Cuiú, na Província do Tapajós, no Pará. O lote, superior a 2.400 onças (cerca de 74,6 kg), foi vendido na forma de bullion doré a uma refinadora no Brasil, a um preço líquido médio acima de US$ 4.200 por onça, o equivalente a aproximadamente R$ 21,5 mil por onça, ou R$ 690 por grama. A receita da operação inaugural fica na casa de US$ 10 milhões, cerca de R$ 52 milhões.
Segundo a empresa, listada na bolsa de Toronto (TSXV) e no mercado de balcão norte-americano (OTCQX), a venda confirma o funcionamento da cadeia completa entre a lavra e o mercado. O projeto, 100% controlado pela Cabral, segue dentro do cronograma e do orçamento para declarar a produção comercial no quarto trimestre de 2026.
Para o presidente da companhia, Alan Carter, a operação marca o início da geração de receita da operação inicial em minério oxidado e mostra que as etapas de lavra, beneficiamento, embarque do doré e comercialização estão consolidadas. O foco agora, segundo ele, é elevar com segurança a taxa de processamento e a recuperação metalúrgica, formar um fluxo de caixa operacional confiável e avançar nas oportunidades de expansão da Fase 1 e no desenvolvimento da Fase 2, voltada à rocha fresca.
Operação em 24 horas
Com o comissionamento praticamente concluído, a equipe da mina antecipou a entrada de um segundo turno. A prioridade inicial era estabilizar a taxa de empilhamento nas pilhas de lixiviação operando com um turno diário, meta alcançada antes do previsto. Com isso, tanto o circuito a seco, de preparação e empilhamento do minério, quanto o circuito úmido passaram a operar 24 horas por dia.
A lavra, feita em saprolito na cava inicial do depósito MG, continua majoritariamente em regime de 12 horas, e as pilhas de minério ROM acumuladas abastecem a planta durante o turno da noite. Nos próximos meses, a meta é aproximar a produção diária da capacidade de projeto, condição para a declaração formal de produção comercial.
Na área de saúde e segurança, o projeto somou 664,8 mil horas trabalhadas em 2026, sendo 246,7 mil da equipe própria e 418,1 mil de contratadas. Houve um acidente com afastamento no período, o que resulta em uma taxa de 0,30 por 200 mil horas trabalhadas. A empresa afirma que a atenção está concentrada na transição da força de trabalho da fase de construção para a de operação.
Recursos e histórico garimpeiro
Três depósitos principais já foram delimitados em Cuiú Cuiú. Pelos critérios do NI 43-101, o distrito reúne recursos indicados de 12,29 milhões de toneladas com teor de 1,14 g/t em rocha fresca (450,2 mil onças, ou cerca de 14 t de ouro) e 13,56 milhões de toneladas a 0,50 g/t em material oxidado (216,2 mil onças, cerca de 6,7 t). Os recursos inferidos somam 13,63 milhões de toneladas a 1,04 g/t em rocha fresca (455,1 mil onças) e 6,4 milhões de toneladas a 0,34 g/t em óxidos (70,6 mil onças). A operação de lixiviação em pilha da Fase 1 se baseia no estudo de pré-viabilidade atualizado em julho de 2025.
A Província do Tapajós foi palco da maior corrida do ouro da história do País. De acordo com estimativas da Agência Nacional de Mineração (ANM), a região produziu entre 30 milhões e 50 milhões de onças de ouro aluvionar entre 1978 e 1995, algo entre 930 e 1.550 toneladas. Cuiú Cuiú concentrou a maior área de garimpos do Tapajós, com produção histórica estimada em 2 milhões de onças, cerca de 62 toneladas.







