Zinco em alta dá à Nexa um dos melhores trimestres antes da venda para a Boliden

EBITDA ajustado subiu 62%, para US$ 301 milhões, com Cajamarquilla de volta à plena capacidade; baixas contábeis levaram a prejuízo líquido de US$ 47 milhões
A Nexa Resources encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um dos melhores desempenhos operacionais e financeiros de sua história recente, sustentada por preços mais altos do zinco, recuperação plena da fundição de Cajamarquilla após o incêndio de maio e maturação acelerada da mina de Aripuanã, no Brasil. O EBITDA ajustado consolidado chegou a US$ 301 milhões entre julho e setembro, expansão de 62% sobre o terceiro trimestre de 2025 e de 5% sobre o segundo trimestre de 2026. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o indicador somou US$ 869 milhões, avanço de 84% na comparação anual, números que reposicionam a companhia como uma das operadoras de zinco mais eficientes das Américas.
Força operacional com ruído contábil
O brilho dos números operacionais foi parcialmente obscurecido por eventos não recorrentes de natureza estritamente contábil. A empresa registrou prejuízo líquido de US$ 47 milhões no trimestre, resultado que, à primeira leitura, pode causar estranheza diante de um EBITDA robusto. A explicação está em duas baixas não monetárias: uma de US$ 124 milhões referente aos ativos de fundição no Brasil — as unidades geradoras de caixa Juiz de Fora e Três Marias — e um ajuste de remensuração de US$ 51 milhões associado ao contrato de fornecimento de prata por streaming. Nenhum dos dois eventos envolveu saída de caixa no período.
Excluídos esses efeitos, o lucro líquido ajustado foi de US$ 144 milhões, equivalente a US$ 0,87 por ação. A receita líquida totalizou US$ 937 milhões, crescimento de 23% sobre o terceiro trimestre de 2025 e de 3% em relação ao segundo trimestre de 2026, sustentada pela alta dos preços do zinco e por maior contribuição dos subprodutos.
“O EBITDA ajustado atingiu US$ 301 milhões, um aumento de 62% em relação ao ano anterior, com a margem EBITDA ajustada expandindo 7,7 pontos percentuais, para 32,1%”, afirmou o CEO Ignacio Rosado na mensagem aos acionistas que acompanhou o comunicado de resultados. “No acumulado do ano, o EBITDA ajustado totalizou US$ 869 milhões, um aumento de 84%.”
A margem EBITDA ajustada de 32,1% no trimestre representa ganho expressivo de 7,7 pontos percentuais sobre igual período de 2025, reflexo direto da combinação entre preços metálicos mais favoráveis e contribuição crescente dos subprodutos — cobre, prata e chumbo — que funcionam como créditos na estrutura de custos da companhia.
Geração de caixa e desalavancagem
Um dos aspectos relevantes do trimestre foi a geração de caixa. A Nexa produziu US$ 185 milhões em caixa líquido das atividades operacionais e US$ 73 milhões em fluxo de caixa livre, ou quase quatro vezes os US$ 19 milhões registrados no segundo trimestre de 2026. O salto reflete a recuperação das operações em Cajamarquilla, que voltou a operar a plena capacidade, além de volumes de vendas mais altos na fundição.
Vale notar que o fluxo de caixa livre foi calculado com base em uma definição atualizada adotada pela empresa, que passa a considerar o caixa líquido proveniente das atividades operacionais menos os desembolsos de capital (CapEx), metodologia mais conservadora do que a utilizada em trimestres anteriores.
O desempenho de caixa contribuiu para a redução da alavancagem. A relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado dos últimos doze meses (LTM) caiu para 1,24x, ante 1,40x ao final do segundo trimestre e 2,21x no mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado acumulado nos últimos doze meses atingiu aproximadamente US$ 1,2 bilhão, o denominador que puxou o índice para baixo mesmo sem amortização expressiva de dívida bruta.
“A alavancagem líquida caiu para 1,24x, ante 1,40x em junho, refletindo principalmente o maior EBITDA ajustado dos últimos doze meses. A dívida líquida diminuiu em aproximadamente US$ 21 milhões, enquanto a dívida bruta permaneceu praticamente inalterada, mantendo-se, ao mesmo tempo, uma sólida liquidez”, detalhou Rosado.
Aripuanã acelera, Peru se normaliza
No segmento de mineração, a produção de zinco alcançou 85 mil toneladas no trimestre, alta de 7% sobre o segundo trimestre de 2026 e de 1% sobre o terceiro trimestre de 2025. O crescimento sequencial foi puxado principalmente por Aripuanã, operação no Mato Grosso que tem sido o principal vetor de crescimento orgânico da companhia.
A mina recebeu um quarto filtro de rejeitos, equipamento que permitiu elevar a taxa média de utilização da planta de 71%, no segundo trimestre, para 84% no terceiro, chegando a 90% em setembro. É um salto operacional expressivo para uma mina ainda em curva de aprendizado. A normalização das operações no Peru também contribuiu para o desempenho global.
Mas a produção de cobre recuou 30% na comparação anual, reflexo de teores mais baixos em Cerro Lindo, no Peru, e em Aripuanã. Já a produção de prata cresceu 8% sobre o segundo trimestre, mas ficou praticamente estável na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
O segmento de fundição foi o grande destaque do trimestre em termos de recuperação operacional. Após o incêndio de maio em Cajamarquilla, a fundição peruana voltou a operar a plena capacidade e processou a maior parte do estoque de cátodos acumulado durante o período de paralisia. Com isso, a produção de zinco metálico nas fundições cresceu 28% sobre o segundo trimestre, para 159 mil toneladas, e as vendas totais de zinco (metálico mais óxido) avançaram 9%, para 146 mil toneladas.
Capex revisado para cima
A Nexa revisou sua projeção de investimentos de capital para 2026 de US$ 381 milhões para US$ 420 milhões, elevação de 10%. A revisão reflete três movimentos simultâneos: a aceleração do desenvolvimento da mina de Aripuanã — para suportar maior produção em 2027 —, a antecipação de investimentos no Projeto de Integração Cerro Pasco e o efeito da valorização do real sobre os custos em reais das operações brasileiras.
No trimestre, o Capex foi de US$ 111 milhões, destinado principalmente ao desenvolvimento de minas, instalações de manutenção e barragens de rejeitos. Desse total, US$ 15 milhões foram alocados à Fase I do Projeto de Integração Cerro Pasco, iniciativa estratégica que visa consolidar as operações da companhia na região central do Peru.
El Niño no radar
A preparação para o evento climático El Niño 2026-2027, que previsões oficiais indicam poder atingir intensidade de forte a muito forte, mereceu menção explícita na mensagem do CEO. A Nexa constituiu estoques estratégicos de concentrado de zinco para garantir a continuidade das operações de fundição em diferentes cenários. Esse estoque também explica parte da saída de capital de giro de US$ 58 milhões no trimestre.
“Estamos preparando nossas operações para o evento El Niño de 2026-2027, que, segundo as previsões oficiais, poderá atingir intensidade forte a muito forte. Não houve impacto no trimestre”, disse Rosado, acrescentando que as medidas mais abrangentes de preparação estão descritas na seção de Destaques de Sustentabilidade do relatório.
Venda para a Boliden: transição em curso
O resultado financeiro robusto divide espaço com uma notícia de natureza estratégica que pode redesenhar o futuro da Nexa. Em agosto de 2026, a Votorantim assinou um acordo definitivo para vender sua participação majoritária na companhia para a Boliden, grupo sueco com forte presença em mineração e fundição de metais básicos na Europa. A conclusão da transação está prevista para o primeiro trimestre de 2027, sujeita às aprovações regulatórias habituais.
“Continuamos trabalhando de forma construtiva com todas as partes envolvidas para a conclusão da transação”, afirmou Rosado. “Até a conclusão da transação, a Nexa continuará operando como uma empresa separada, sem alterações em nossa estratégia, prioridades de alocação de capital ou compromissos com as partes interessadas.”







