AÇO

Consumo deve cair 8% na AL em 2022

Consumo deve cair 8% na AL em 2022

Projeção foi revisada após fatores como guerra na Ucrânia, política de Covid zero da China e temores de recessão global influenciarem o cenário para este ano.

A Associação Latino-Americana do Aço (Alacero) prevê um recuo de 8% (após revisão), em média, no consumo de aço na região na comparação com o último ano. Alejandro Wagner, diretor-executivo da Alacero, diz que desde o final de fevereiro fatores de peso influenciaram sobre as projeções para 2022. Ele cita a guerra da Rússia na Ucrânia, a política de Covid zero da China e o temor de recessão mundial, principalmente nos Estados Unidos, devido à alta da inflação.

No início de março, a Alacero divulgou projeção de queda de 2,1% para este ano, um porcentual que mostrava apenas um leve ajuste no consumo ante o desempenho visto em 2021. Wagner observa que o mercado de aço cresceu bastante em 2021, com demanda reprimida, mas principalmente devido à recomposição de estoques nas cadeias de consumo. Durante o auge da pandemia, em 2020, ocorreu profundo desarranjo na produção das siderúrgicas, com paralisação de operações por meses. Isso demandou tempo para que voltasse à normalidade e à acomodação da demanda. Em 2021, o consumo aparente de produtos siderúrgicos na América Latina atingiu 74,8 milhões de toneladas, 27% sobre o ano anterior. “Mesmo caindo 8%, ainda vamos ficar com um volume de consumo superior ao de anos anteriores à pandemia (de 2017 a 2019, foram 66 milhões)”, afirma Wagner.

Para 2023, Wagner aguarda recuperação na casa dos 4% na comparação com o volume de 2021 para o consumo da região. Depois do Brasil - com mais de 26 milhões de toneladas -, o México é o grande consumidor de aço da região - cerca de 25 milhões t. A construção civil lidera o consumo de aço nos países latino-americanos, com 48,3%, seguida pelos setores metal-mecânico (17,1%), automotivo (16,8%), manufatura de produtos metálicos (12,4%), equipamentos elétricos (2,2%), transporte (2%) e bens eletrodomésticos (1,2%).

A produção de aço bruto atingiu 64,6 milhões de toneladas em 2021, crescimento de 15% sobre volume de 2020, sendo que mais da metade do volume produzido foi do Brasil (36 milhões de toneladas). O consumo per capita médio na região foi de 120 kg por habitante. O setor tem 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos.

Segundo Wagner, os impactos da guerra da Ucrânia foram mais fortes para a Europa e as sanções à Rússia não surtiram tanto efeito no mercado latino-americano. Nesse cenário, o mandatário informou que as empresas siderúrgicas da região vêm buscando oportunidades de exportações - por exemplo, Estados Unidos e Ásia, com preços ainda bons. E também dentro da região.

Desvios de mercado e subsídios, principalmente da China, continuam a ser uma preocupação dos produtores afiliados à Alacero. De 66 ações antidumping abertas na América Latina, 43 foram contra aço de origem chinesa. “Para o médio e longo prazo, vemos indícios de melhoras, com a China preocupada em investir mais em aços menos poluentes para demanda interna”. O executivo destaca que o período de 2021 a 2023 mostra um aumento nas decisões de investimento na região, voltados principalmente para ganhos de eficiência energética, aços de maior qualidade, redução de impacto ambientais e projetos de descarbonização. “Nossa pegada de carbono é de 1,66 tonelada de CO2 para cada tonelada fabricada, ante média mundial de 1,89 tonelada e das 2,17 toneladas emitidas na China”. Para Wagner, a AL é favorecida para se desenvolver energias renováveis (eólica e solar), com destaques para Brasil e Argentina. Lembra também que o gás natural será elemento-chave de transição no curto e médio prazo, entre os fósseis e as renováveis. O futuro, completa Wagner, passará por energias renováveis, pela eletrificação, por hidrogênio verde e por sistemas de captura e armazenamento de carbono.

VEJA TAMBÉM

Produção mundial de aço cai 1,2% em agosto, puxada pela China
SIDERURGIA

Produção mundial de aço cai 1,2% em agosto, puxada pela China

24 set. 2026
Vendas somam 5,7 milhões de toneladas em setembro
CIMENTO

Vendas somam 5,7 milhões de toneladas em setembro

8 out. 2026
Demanda por aço cai pelas dificuldades logísticas do minério de ferro
COMMODITIES

Demanda por aço cai pelas dificuldades logísticas do minério de ferro

29 set. 2026

Artigos Relacionados

Vendas somam 5,7 milhões de toneladas em setembro
CIMENTO08/10/2026

Vendas somam 5,7 milhões de toneladas em setembro

Demanda por aço cai pelas dificuldades logísticas do minério de ferro
COMMODITIES29/09/2026

Demanda por aço cai pelas dificuldades logísticas do minério de ferro

Meteoric e SENAI/FIEMG promove cursos no Trilha da Oportunidade
CAPACITAÇÃO29/09/2026

Meteoric e SENAI/FIEMG promove cursos no Trilha da Oportunidade

Produção mundial de aço cai 1,2% em agosto, puxada pela China
SIDERURGIA24/09/2026

Produção mundial de aço cai 1,2% em agosto, puxada pela China

BRAMINVEST 2026 visa atrair capital global para o potencial mineral da América Latina
ARTIGO24/09/2026

BRAMINVEST 2026 visa atrair capital global para o potencial mineral da América Latina

Guerra por ímãs pode causar excesso de oferta global
TERRAS RARAS24/09/2026

Guerra por ímãs pode causar excesso de oferta global

IBRAM apoia pesquisa para mapear mineração na região
AMÉRICA LATINA21/09/2026

IBRAM apoia pesquisa para mapear mineração na região

Ideal Grupo expande negócios para o Vale do Paraíba
AGREGADOS18/09/2026

Ideal Grupo expande negócios para o Vale do Paraíba