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MINERAIS CRÍTICOS

CETEM faz diagnóstico e identifica “minas urbanas”

CETEM faz diagnóstico e identifica “minas urbanas”

Diagnóstico realizado entre julho de 2024 e março de 2025 ouviu 1.426 consumidores e mapeou a cadeia de resíduos eletroeletrônicos, revelando que 81,2% dos brasileiros retêm equipamentos obsoletos em casa por falta de informação sobre descarte adequado.

O Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), desenvolve o Projeto RECUPER3 e apresenta o diagnóstico mais abrangente já realizado sobre a cadeia de resíduos eletroeletrônicos no Brasil. São gerados mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano no País e grande parte desse material permanece guardado em gavetas ou é descartado de forma inadequada. A ideia do estudo é apontar caminhos concretos para transformar esse passivo ambiental em vantagem competitiva industrial.

Equipamentos como celulares, computadores e baterias descartados contêm lítio, cobalto, ouro, platina, paládio e outros minerais críticos, cuja demanda global cresce em ritmo acelerado, impulsionada pela transição energética. O projeto identifica esses estoques como "minas urbanas", que são fontes secundárias de insumos estratégicos que o Brasil ainda não aproveita em sua totalidade. "O Brasil ainda joga fora uma riqueza enorme. Cada celular, cada placa de circuito que vai para o lixo comum carrega minerais críticos que precisamos importar a custo elevado. O Projeto RECUPER3 mostra que é possível reverter esse quadro: com rastreabilidade, processamento nacional e políticas consistentes, a mineração urbana pode garantir o fornecimento desses insumos para a nossa indústria e fortalecer a soberania tecnológica do país”, explica Lúcia Helena Xavier, pesquisadora do CETEM e coordenadora do Projeto RECUPER3.

O estudo de campo realizado pelo CETEM ocorreu entre julho de 2024 e março de 2025, ouviu 1.426 consumidores e mapeou atores-chave na cadeia de valor, como comerciantes, catadores, recicladores, centros de recondicionamento de computadores (CRC´s), assistências técnicas e órgãos ambientais em todo o País. “Um dos achados é o chamado "índice de retenção domiciliar": 81,2% dos brasileiros mantêm equipamentos obsoletos, até com substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e cádmio, em casa por longos períodos por falta de informação sobre onde e como descartá-los”, diz a pesquisadora. O diagnóstico revelou também desafios estruturais como a rede insuficiente de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) para o volume de resíduos gerado, uma adesão baixa do setor varejista às obrigações previstas no Decreto Federal nº 10.240/2020, além de um gargalo de maturidade institucional dos órgãos ambientais, com profundas diferenças entre os Estados no que tange ao licenciamento ambiental e à integração de sistemas eletrônicos de monitoramento.

O Projeto RECUPER3 propõe várias medidas que abrangem desde educação da população à harmonização das legislações estaduais e ao investimento em tecnologias nacionais de refino. O Projeto RECUPER3 está organizado em cinco volumes técnicos que cobrem desde o mapeamento dos agentes econômicos até rotas tecnológicas de revalorização e arranjos produtivos locais: 1 - Agentes e modelos de negócio: 13 atores-chave e 8 modelos de negócio estruturados; 2 - Estudos de campo: levantamento empírico das práticas atuais de circularidade; 3 - Tecnologias: avaliação de rotas de revalorização em piro, hidro e biometalurgia; 4 - Potencial de circularidade: metodologia baseada em tipologia de materiais e indicadores; e 5 - Arranjos produtivos locais: dinâmicas territoriais para ecossistemas circulares. O projeto se apoia num arcabouço normativo em expansão desde a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010), como o Decreto Federal nº 11.413/2023, que criou os Créditos de Logística Reversa, e a recente Lei Federal nº 15.088/2025, que flexibiliza a importação de resíduos para transformação em materiais estratégicos. “A consolidação desse marco legal, aliada às recomendações do Projeto RECUPER3, deve gerar excelentes resultados na economia circular de alta tecnologia para o Brasil”, finaliza Lucia Helena Xavier.

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