Cedro aposta R$ 5 bilhões em logística e minério de alto teor
A mineração brasileira vive um momento de redefinição estratégica. Em um cenário global marcado pela busca por segurança mineral, descarbonização e cadeias produtivas mais resilientes, a integração entre produção e logística deixou de ser diferencial e passou a ser condição de competitividade.
É nesse contexto que a Cedro Participações anuncia um plano robusto de investimentos: R$ 5 bilhões destinados a projetos logísticos nos próximos cinco anos, além de US$ 700 milhões aplicados em uma planta de pellet feed de redução direta em Mariana (MG). Liderado pelo empresário Lucas Kallas, o grupo sinaliza um movimento claro: controlar infraestrutura crítica e posicionar-se no mercado de minério de alto teor, voltado à siderurgia de baixo carbono.
O principal vetor do plano logístico é o desenvolvimento do Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), um terminal privado estimado em R$ 3,6 bilhões, estrategicamente localizado entre áreas operadas por gigantes do setor mineral.
O projeto não é apenas um investimento em capacidade portuária. Trata-se de uma decisão estratégica de verticalização, reduzindo dependência de terceiros e ampliando previsibilidade operacional.
Em Minas Gerais, o grupo avança com a implantação da Shortline Serra Azul, ferrovia de 26,5 quilômetros que deve retirar cerca de 5 mil carretas por dia da BR-381. Além do ganho logístico, o projeto traz impacto ambiental positivo e redução de riscos rodoviários — fatores cada vez mais observados por investidores institucionais.
O efeito fiscal também é relevante: somente o terminal portuário poderá gerar R$ 1,2 bilhão em ISS aos municípios fluminenses, enquanto a expansão em Mariana projeta R$ 350 milhões em tributos e R$ 100 milhões em CFEM.
A aposta no “minério verde”
Mais do que infraestrutura, o grupo mira o que muitos analistas consideram o novo “prêmio estratégico” do minério de ferro: o pellet feed de redução direta. Com investimento de aproximadamente US$ 700 milhões, a planta em Mariana será dedicada à produção de concentrado de altíssimo teor, voltado à fabricação de pelotas para siderurgia de baixo carbono.
O produto é considerado essencial para processos de redução direta (DRI), que podem reduzir significativamente as emissões de CO₂ na produção de aço. Em um momento em que Europa e Oriente Médio pressionam por cadeias industriais menos intensivas em carbono, a oferta desse material é limitada — o que amplia seu valor estratégico.
Outro diferencial do projeto é a adoção de tecnologia de empilhamento a seco, sem uso de barragens, reforçando o discurso de segurança operacional e responsabilidade ambiental.
A parceria com a Vale, que comprará integralmente a produção e atuará na operação logística, adiciona previsibilidade comercial e reduz riscos de mercado.