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MATO GROSSO

Assembleia Legislativa cria CST da mineração

Assembleia Legislativa cria CST da mineração

A câmara, presidida pelo deputado Max Russi, tem 180 dias para estudar a evolução legislativa do setor e criar uma política estadual de geologia e recursos minerais.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso instalou a Câmara Setorial Temática (CST) para estudos sobre a mineração no estado. Requerida pelo deputado estadual Max Russi (PSB), que a preside, a CST tem 180 dias para concluir os trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. Segundo Russi, a evolução legislativa sobre mineração registrada nas últimas décadas no Brasil tem sido marcada por mudanças significativas na regulamentação da exploração de recursos minerais.

Na legislação estadual de mato Grosso, o deputado lembrou da aprovação da Lei nº 11.991/2022, que instituiu a Taxa de Controle, Acompanhamento e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (TFRM) e o Cadastro Estadual de Controle e Fiscalização das Atividades de Pesquisa, Lavra, Exploração e Aproveitamento de Recursos Minerários (CERM). “Dados disponibilizados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico apontam que Mato Grosso produziu, apenas no ano de 2022, um total de 6,8 bilhões de reais em minérios, o que coloca o estado em 6º lugar no ranking dos maiores produtores minerais do Brasil. A mineração é uma importante atividade para o fomento do estado, com um enorme potencial de crescimento, se tomadas as decisões governamentais corretas”, afirmou o presidente da CST.

O presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), Caiubi Kuhn, solicitou que a CST trabalhe na elaboração de um projeto de lei que crie uma política estadual de geologia e recursos minerais de Mato Grosso. “Essa criação está prevista na constituição de 1989 do estado e até hoje não foi consolidada. Então, essa seria uma contribuição muito importante da CST”, salientou. Caiubi defende ainda que os recursos arrecadados por meio da taxa criada pela nova lei sejam destinados à pesquisa e fomento, além de mostrar preocupação em relação à ausência de informações acerca da realidade do setor no estado, bem como à falta de estrutura nos órgãos e de profissionais qualificados. “Quando foi que Mato Grosso investiu de forma massiva em mapeamento geológico? Quando o estado investiu pela última vez em conhecimento técnico dessas áreas? Então é muito importante trazermos isso para a pauta, porque senão a gente acaba discutindo política pública de uma forma solta, sem ter dados técnicos”, alertou.

Os investimentos em pesquisa e fomento também foram debatidos por outros especialistas e autoridades presentes, como o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), Marcos de Sá, que pontuou alguns dos projetos que estão em andamento pela instituição, como o que pretende viabilizar a extração de minérios sem a utilização de mercúrio. “Temos também uma pesquisa financiada pela Fapemat, com pesquisadores da UFMT, que descobriram um fungo que consegue descontaminar o solo contaminado pelo mercúrio”, contou. O deputado Wilson Santos (PSD) lembrou que CPI realizada recentemente pela Casa de Leis levantou informações acerca da prática de renúncia e sonegação fiscal do setor e chamou a atenção para a ausência de fiscalização no estado. “Mato Grosso deve arrecadar entre R$ 150 milhões e R$ 250 milhões novos por ano. Com esse dinheiro, pode contratar mais funcionários para aprimorar a fiscalização, porque hoje toda a produção mineral no estado é autodeclarada, isto é, é o minerador quem diz o quanto ele produziu e o quanto ele deve pagar de impostos”, frisou.

Antônio João Paes de Barros, geólogo e servidor da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), solicitou que a CST promova um resgate das comunidades garimpeiras, e que determine os limites das mesmas, instituindo políticas públicas que permitam o licenciamento de forma simplificada nas regiões tradicionais de garimpo. “É muito importante destacar que toda a área de atividade mineradora do estado nesses últimos 50 anos se resume a 0,13% do território do estado. Nos garimpos legais do estado trabalham mais de 20 mil garimpeiros. Mato Grosso tem um débito com a mineração, que constituiu a base econômica do estado. Então tem que regulamentar. O setor carece de atenção no resgate desses direitos e dessa população esquecida”, disse.

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