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MINERAIS CRÍTICOS

As dificuldades das junior companies para atrair investidores

As dificuldades das junior companies para atrair investidores

Painel no Brazilian Mining Day aponta imprevisibilidade de prazos, mercado de ações pouco profundo e juros altos como principais obstáculos, além da necessidade de capital próprio para fases iniciais dos projetos.

As principais barreiras ao capital para mineração no Brasil não são técnicas/geológicas, mas estruturais, devido a fatores como imprevisibilidade de prazos ou marcos, mercado de ações pouco profundo e juros altos e renda fixa atraentes, drenando recursos de projetos de longo prazo. Foi o que afirmaram os participantes do painel sobre mercado de capitais para junior companies no Brasil, realizado durante o Brazilian Mining Day, no âmbito da convenção PDAC 2026. O painel foi moderado por Ana Paula Repezza (diretora de Negócios da ApexBrasil) e contou com a participação de Luciano Coutinho (consultor independente e ex-presidente do BNDES), Bruno Scarpelli (diretor Executivo da Centaurus Metals), Mark Travers (CEO da Brazilian Nickel) e Henrique Tavares (gerente de Mineração, Aço e Bens de Capital do Invest Minas). Para eles, apesar das barreiras os investidores seguem focados no Brasil pela qualidade geológica e oportunidades de alto retorno ao longo da vida dos projetos.

Sobre a percepção de risco-país, eles argumentam que há casos práticos indicando boa posição do Brasil, citando como exemplo a abertura de um escritório da agência americana DFC no País. Não temor de nacionalizações e os riscos, comparado com outras jurisdições sul-americanas, são muito menores.

A “corrida” aos minerais críticos ainda está em consolidação e há casos em que o acesso a capitais tem sido dificultado pela crença em oferta suficiente, como é o caso do níquel da Indonésia. Os governos e bancos de desenvolvimento começam a mitigar os riscos, com instrumentos de garantias e com investimentos, atraindo capital privado.

Os painelistas destacam o papel do financiamento proporcionado pelo BNDES e congêneres. Há oferta de financiamento para dívidas de longo prazo, mas falta capital próprio para as fases iniciais dos empreendimentos. O fundo para minerais críticos, com R$ 400 milhões e o fundo para transformação/inovação ainda são insuficientes, diante da escala do potencial brasileiro.

O estado de Minas Gerais tem desenvolvido ações para atrair investimentos, reduzindo a burocracia e oferecendo incentivos fiscais, como o financiamento de máquinas e insumo. Além disso, o estado, que tem 100% de energia renovável, está reforçando a agenda a agenda de “materiais verdes”.

Sobre o papel proativo do capital privado, além do cheque há possibilidades de parceria em geologia, engenharia, ESG e relações com stakeholders, sendo mencionado como exemplo o fundo pré-operacional gerido pela Warrant, com meta de R$1,5 bilhão para destravar valor e levar projetos à produção.

As principais preocupações dos investidores estrangeiros são a licença social, que até supera a licença ambiental, gestão por transparência, diálogo contínuo e engajamento comunitário adaptado ao contexto local. Um outro ponto destacado é o ESG como condição de acesso a capital e mercados, a comprovação de baixa intensidade de carbono, aderência a padrões internacionais, consultoria ambiental independente e acreditações para vender a cadeias de baterias. Por outro lado, os credores soberanos e de exportação também se tornam mais e mais exigentes.

Quanto à política industrial e coordenação, eles apontam a necessidade de desenvolver o midstream doméstico para reduzir riscos, agregar valor e ancorar offtake. Sugerem urgência em melhorar/coordernar licenciamento, ampliar e especializar instrumentos financeiros e fundos (incluindo os de pensão) e fortalecer parcerias estado–investidores–juniors companies. Um exemplo mencionado foi o do lítio, que roadshows e conexões já resultaram em investimento de US$40 milhões. (Francisco Alves/Mara Fornari)

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