Aproveitamento de rejeitos da Samarco alcança 45% em 2025
A Samarco vem consolidando uma transformação silenciosa, porém estrutural, na forma como lida com rejeitos e estéreis. Em vez de enxergá-los apenas como subprodutos inevitáveis da mineração, a empresa tem ampliado seu reaproveitamento nas próprias operações e em obras de engenharia, colocando a circularidade no centro da estratégia para os próximos anos — com ganhos ambientais, operacionais e econômicos.
O avanço mais visível está no Complexo de Germano, em Mariana (MG), onde o rejeito arenoso passou a desempenhar papel-chave nas obras de descaracterização das estruturas alteadas a montante. Desde a retomada operacional, em 2020, até dezembro do ano passado, cerca de 22 milhões de toneladas desse material foram incorporadas às intervenções — o equivalente a 61% de todo o rejeito arenoso gerado no período. Apenas em 2025, o índice de aproveitamento do rejeito arenoso alcançou 89%.
Produzido após o Sistema de Filtragem, o material apresenta características geotécnicas adequadas para correção de greide topográfico, reforço estrutural e melhoria de drenagem — etapas essenciais para o avanço seguro da descaracterização. Na prática, isso significa menos necessidade de areia e brita naturais, redução no tráfego de caminhões, menor emissão de gases e prolongamento da vida útil das estruturas de disposição existentes.
Para o gerente de Desenvolvimento e Inovação da Samarco, Bruno Pimentel, o potencial do rejeito arenoso extrapola as frentes de descaracterização. “Parte dos blocos empregados na pavimentação ecológica da Estrada da Purificação, em Antônio Pereira, continha 33% de rejeito reaproveitado”, destaca. Segundo ele, a empresa também avança em pesquisas para aplicações em concreto e em novas soluções envolvendo o rejeito ultrafino, com foco em ampliar a eficiência das plantas de beneficiamento e reduzir, na origem, a geração de rejeitos.
O movimento integra uma estratégia mais ampla de economia circular. De acordo com o especialista em Inovação Marcos Gomes Vieira, 2025 marcou o melhor desempenho da companhia desde a retomada das operações. “Em 2025, a Samarco atingiu 45% de aproveitamento total de rejeitos e estéreis. O resultado reflete mudanças estruturais no tratamento dos materiais ao longo da cadeia produtiva”, afirma.
Do total reaproveitado no ano passado, 89% do rejeito arenoso foram destinados às obras de descaracterização; 15% do estéril gerado foram comercializados como minério marginal — criando valor para um material antes sem uso econômico —; e 22% do rejeito ultrafino que seria gerado no Concentrador 3 foram incorporados ao concentrado, aumentando a recuperação metálica e reduzindo o volume destinado a disposição.
Mais do que iniciativas pontuais, as ações revelam um redesenho de processos. A circularidade passou a orientar decisões de engenharia e planejamento de mina, desde a redução de rejeitos na origem até a reincorporação de materiais ao fluxo produtivo e a valorização econômica de insumos secundários. A companhia mantém um programa estratégico robusto de Sustentabilidade, com metas alinhadas ao International Council on Mining and Metals (ICMM), ao Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e às diretrizes climáticas nacionais. Entre os compromissos estão a redução de rejeitos, ganhos de eficiência hídrica e energética, avanço tecnológico e descarbonização, com meta de reduzir 30% das emissões de Escopos 1 e 2 até 2032 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
O horizonte é de longo prazo. A Samarco aposta na ampliação de tecnologias na etapa de deslamagem, no desenvolvimento de novas aplicações para rejeitos arenosos e estéreis e na intensificação de parcerias com centros de pesquisa. Também estão em estudo a comercialização de areia proveniente do rejeito para a construção civil e a instalação de concentradores magnéticos após a deslamagem, que poderão gerar cerca de 900 mil toneladas de concentrado por ano a partir do rejeito ultrafino, reincorporando-o ao processo produtivo.
Para Bruno Pimentel, os resultados de 2025 sinalizam uma mudança cultural. “O uso do rejeito arenoso em Germano, a comercialização de estéril como minério e a geração de concentrado a partir do rejeito ultrafino mostram uma transformação estrutural na forma de lidar com materiais antes tratados apenas como resíduos. E, considerando os projetos em desenvolvimento, essa nova forma de trabalhar os rejeitos tende a trazer resultados ainda mais relevantes”, afirma.