GRAFITA

ABNT concede primeira norma técnica para grafeno

ABNT concede primeira norma técnica para grafeno

Primeira norma brasileira para o material busca padronizar nomenclatura, manipulação e uso em produtos industriais, abrindo caminho para um mercado projetado em mais de US$ 1,4 bilhão até 2025.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) concedeu a primeira Norma Brasileira para o grafeno, um dos materiais mais pesquisados do mundo por suas propriedades físicas, como alta resistência mecânica, leveza, maleabilidade e alta condutividade térmica e elétrica. O objetivo da norma é caracterizar os diferentes produtos que compõe a classe de materiais que recebem o nome grafeno, contribuindo assim para o desenvolvimento de novas tecnologias, com grande impacto em diversos setores da indústria.

“Um dos principais desafios do grafeno está na sua aplicação. Por ser um nano material, ainda há dificuldade em transformá-lo em aditivos e produtos de fácil aplicação na indústria. E parte deste desafio existe pela falta de normas e padrões desde a sua nomenclatura até em práticas de manipulação e manuseio. A indústria e academia, por intermédio da ABNT, têm buscado normatizar toda a cadeia deste material com urgência, para apoiar no seu consumo e desenvolvimento de novos ingredientes e produtos”, explica Alexandre de Toledo Corrêa, Diretor Executivo da Gerdau Graphene, uma das empresas envolvidas no desenvolvimento da Norma e coordenador da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089) responsável pela publicação da norma.

Atualmente, o Brasil é o terceiro maior fornecedor mundial do mineral grafita e possui a segunda maior reserva mundial desse material que é a principal matéria-prima para o Grafeno, de acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. Estima-se que esse mercado movimentará, em cinco anos, mais de US$ 3 bilhões.

Valdirene Sullas Teixeira Peressinotto, Head de P&D da Gerdau Graphene e membro da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089) diz que a publicação da norma é o primeiro passo para a adoção do material na indústria e para que comece a ocorrer a migração de concentração do conhecimento da academia para a indústria. O tamanho do mercado global de grafeno foi avaliado em US$ 620 milhões em 2020 e está projetado para atingir US$ 1.479 milhões até 2025. As projeções refletem o amadurecimento tecnológico apoiado pelas primeiras normas e pelo aumento da demanda por grafeno, globalmente em várias aplicações industriais.

Para o presidente da ABNT, Mario William Esper, a nova norma contribuirá para estimular a difusão de conhecimento e de aplicações do grafeno. “Trata-se de uma iniciativa pioneira para promover o avanço e o fortalecimento científico desse material revolucionário, que pode gerar tantas riquezas e divisas ao Brasil”, ressalta o dirigente. A norma brasileira é uma adoção idêntica da publicação internacional, a qual foi elaborada com a colaboração de mais de 30 países, incluindo o Brasil, dentro do ISO/TC 229 -- Nanotechnologies.

A norma ABNT ISO/TS 21356- é uma especificação técnica e trata da caracterização estrutural do grafeno na forma particulada e dispersões. Apresenta definições e protocolos para determinação de número de camadas, dimensões laterais dos flocos, alinhamento entre camadas, nível de desordem e área específica do pó contendo grafeno. A ISO/TS 21356-1 foi traduzida para o português pelo grupo de trabalho GT4 - Materiais Bidimensionais, da Comissão de Estudo Especial de Nanotecnologia (ABNT/CEE-089), coordenada pelo Professor Luiz Gustavo Cançado, do Departamento de Física da UFMG. A norma ABNT ISO/TS 21356-1:2023 pode ser adquirida no serviço ABNT Catálogo, por meio do link https://www.abntcatalogo.com.br/.

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