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48% das pessoas só aceitam crescimento econômico com sustentabilidade

48% das pessoas só aceitam crescimento econômico com sustentabilidade

Pesquisa mostra que brasileiros que apoiam igual prioridade ao crescimento econômico e proteção ambiental saltaram de 12% em 2017 para 47% em 2025.

Segundo a empresa de consultoria GlobeScan, quase metade da população em 15 dos principais mercados (48% em média) afirma que o crescimento econômico e a proteção ambiental devem ter igual prioridade, um aumento de três vezes em relação aos 16% registrados em 2017. A posição intermediária tornou-se a visão majoritária na maioria das economias pesquisadas, refletindo uma mudança significativa nas prioridades públicas na última década. Pouquíssimas pessoas acreditam que o crescimento econômico deva ser priorizado mesmo que o meio ambiente sofra, um declínio acentuado desde 2017. Ao mesmo tempo, menos pessoas são a favor de priorizar a proteção ambiental sem levar em conta os impactos econômicos, indicando um declínio no apoio ao pensamento de soma zero. O estudo aponta que esse reequilíbrio é visível nas principais economias, tanto em mercados desenvolvidos quanto emergentes, sugerindo uma ampla reconsideração da suposta relação inversa entre prosperidade e proteção ambiental.

Comparado a uma década atrás, muito menos pessoas vêem o crescimento econômico e a proteção ambiental como mutuamente exclusivos. A população espera que os formuladores de políticas e as empresas busquem ambos os objetivos em conjunto. A mudança ocorre em um momento em que os líderes mundiais reavaliam a definição de “progresso”. Em fevereiro de 2026, mais de 150 governos aprovaram um relatório histórico do IPBES alertando que o crescimento focado no PIB impulsionou a perda de biodiversidade e instando a uma transição para modelos alternativos, da economia circular à “riqueza inclusiva” e até mesmo estratégias de decrescimento que gerem prosperidade enquanto protegem a natureza. A opinião pública parece estar se movendo na mesma direção, mostrando uma crescente abertura a estruturas econômicas que promovam o desenvolvimento sem destruir o meio ambiente.

A tendência de equilibrar objetivos ambientais e econômicos é evidente tanto em economias emergentes quanto desenvolvidas. Reino Unido e Estados Unidos registraram aumentos de aproximadamente 45 pontos percentuais (de 1% e 3% em 2017 para 47% e 50% em 2025, respectivamente), entre aqueles que consideram ambos os objetivos como de igual prioridade. Aumentos expressivos também são observados na Índia (de 10% em 2017 para 48% em 2025) e na Nigéria (de 18% para 59%), bem como no Brasil, onde o apoio à priorização igual de ambos os objetivos saltou de 12% para 47%. E, na China, a porcentagem daqueles que valorizam ambos igualmente subiu de 13% para 33%. Essa notável convergência de opiniões entre as regiões sugere uma ampla reconsideração da antiga mentalidade de "meio ambiente versus economia”.

A opinião pública na pesquisa deixou à parte a ideia de que as sociedades têm de escolher entre o crescimento econômico e a proteção ambiental. Em todas as regiões, as pessoas esperam cada vez mais que ambos os objetivos sejam em conjunto. Isto contrasta com as narrativas políticas em alguns países que enquadram a proteção ambiental como um obstáculo ao progresso econômico. Para os formuladores de políticas, isso sugere uma maior permissão social do que a geralmente presumida para a adoção de estratégias econômicas que integrem sustentabilidade, resiliência e criação de valor a longo prazo. Para as ONGs e a sociedade civil, os dados apontam para uma oportunidade de ir além dos debates sobre “meio ambiente versus economia” e promover soluções compartilhadas que encontrem ressonância em um consenso público amplo e cada vez mais alinhado. A pesquisa ocorreu no Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Quênia, México, Nigéria, Peru, Espanha, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

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