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REJEITOS

Vale inaugura planta-piloto de Blocos

A Vale inaugurou a primeira planta-piloto de produtos para a construção civil que utiliza rejeitos de mineração como matéria-prima principal. Denominada Fábrica de Blocos do Pico, a unidade está instalada na Mina do Pico, no município de Itabirito (MG). Segundo a Vale, a fábrica promoverá a economia circular na operação de beneficiamento do minério de ferro. Após o período de testes, a expectativa é que cerca de 30 mil toneladas de rejeito anualmente deixem de ser dispostas em barragens ou pilhas para serem transformadas em 3,8 milhões de produtos pré-moldados de larga aplicação na indústria da construção civil, como pisos intertravados, blocos de concreto estruturais, blocos de vedação, placas de concreto, manilhas, blocos de vedação, dentre outros. Rodrigo Dutra, gerente-executivo de Licenciamento Ambiental da Vale, disse que esta é a primeira iniciativa da empresa de reaproveitamento do rejeito. "Além de tornar nossas operações mais seguras e sustentáveis, queremos fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras que gerem valor para as comunidades vizinhas e a sociedade".

Desde 2014 a mineradora realiza estudos para a aplicação do rejeito da atividade de mineração. O uso dos rejeitos na construção civil substitui a areia natural, além de ser uma solução ambiental. De acordo com a Organização das Nações Unidas, a areia é o segundo recurso natural mais explorado no mundo, depois da água. O material é escasso e globalmente sujeito à extração ilegal e predatória. "O rejeito arenoso da Vale, resultante do beneficiamento do minério, possui elevado teor de sílica e baixíssimo teor de ferro, tendo ainda como vantagem a alta uniformidade química e granulométrica", destaca Dutra.

A Vale investirá aproximadamente R$ 25 milhões em P&D nos primeiros dois anos da Fábrica de Blocos do Pico, que contará com a cooperação técnica do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Ao todo, dez pesquisadores da instituição atuarão na pesquisa nesse período, entre professores, técnicos de laboratório e alunos de pós-graduação, graduação e curso técnico. "A principal vantagem de estarmos numa fábrica instalada dentro de uma unidade de mineração é a capacidade de pesquisarmos a aplicação de diversos resíduos e validarmos a tecnologia, desenvolvida em laboratório, no ambiente produtivo em escala industrial. Esse modelo viabilizará a transferência de tecnologia de uma forma mais eficiente, constituindo um ambiente favorável à inovação", explica Augusto Bezerra, pesquisador líder do projeto e professor do CEFET-MG. Durante o tempo de P&D, os produtos não serão comercializados.

A fábrica de blocos em Itabirito ocupa uma área de 10 mil m² dentro da unidade da Mina do Pico, no Complexo Vargem Grande. "A planta foi projetada em módulos para promover versatilidade no desenvolvimento de diversos tipos de produtos para a construção civil, como obras de infraestrutura de transportes, habitação e urbanização", explica Laís Resende, uma das engenheiras responsáveis pela iniciativa. Além de ser construído de acordo com as normas de segurança e saúde ocupacional, todo o sistema de produção da fábrica é automatizado, para evitar o desgaste físico da equipe na manipulação das peças. Karina Rapucci, gerente-executiva do Complexo Vargem Grande da Vale, disse que a planta foi pensada para ser sustentável em todos os aspectos. "Além do reaproveitamento do rejeito, a fábrica promove segurança, ergonomia e conforto para o time. Esse projeto também está alinhado ao movimento pela diversidade e inclusão na mineração, uma vez que foi executado e será operado por mulheres".

Ao todo, oito mulheres serão responsáveis por todos os processos da planta, sendo Ana Luiza Marinho, moradora de Itabirito, uma das contratadas para trabalhar na fábrica. "Um privilégio ter sido escolhida para atuar como engenheira numa iniciativa que segue os princípios da economia circular, reaproveitando rejeitos como insumos e ainda ajuda a reduzir a extração de recursos naturais não renováveis. Acredito que o objetivo da fábrica de blocos, aliado ao time de mulheres, mostra como a empresa vem evoluindo, olhando para o futuro e cuidando das comunidades próximas às suas operações".

A Vale estuda replicar a fábrica de blocos em outras unidades de Minas Gerais, após o período de P&D na Mina do Pico, além de manter parceria com mais de 30 organizações, entre universidades, centros de pesquisas e empresas nacionais e estrangeiras, para o desenvolvimento de soluções para o reaproveitamento do resíduo da mineração em diferentes setores da indústria.

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