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INVESTIMENTOS

“Precisamos aprender a investir nas nossas próprias riquezas”

“Precisamos aprender a investir nas nossas próprias riquezas”

Artigo questiona por que o Brasil não investe capital próprio em projetos de mineração enquanto estrangeiros capturam a maior parte dos lucros gerados.

Por Tomás de Paula Pessoa Filho

Por mais um ano, fiz parte da Delegação Brasileira no PDAC, que é o congresso da associação das empresas de prospecção e desenvolvimento de mineração do Canadá, o maior evento do setor no mundo. É um evento completo, que congrega as empresas de mineração, os investidores, os prestadores de serviço, os países com riquezas naturais, reunindo todos num mesmo ambiente para desenvolver a mineração no mundo.

O que me chamou muita atenção, especialmente durante o "Brazilian Day", foi a disposição dos estrangeiros de arriscar seu capital, financiando empresas que têm projetos em desenvolvimento no Brasil. Um dos momentos mais simbólicos da programação é a participação na abertura do pregão da Bolsa de Valores de Toronto (TSX), que é tradicional investidora no setor de mineração, inclusive no Brasil.

A partir desse momento, comecei a me perguntar: por que não temos uma bolsa de valores de capital de risco para investir na mineração das nossas próprias riquezas naturais? Por que os canadenses arriscam seu dinheiro em empresas que vão para o Brasil em busca de um projeto viável e quando acertam (imaginem que só 1 em 1.000 dá certo) eles recebem todo o prêmio, porém de volta lá no país deles?

Essa lógica, dessa forma, faz com que o bônus pelo sucesso dos projetos seja utilizado nas economias dos países que se dispõem a financiá-los. E o Brasil se beneficia? Claro! Recebemos investimentos que permitem gerar empregos, contratar serviços, arrecadar tributos e converter em recursos financeiros as nossas riquezas encrustadas no nosso subsolo. Isso tudo é ótimo, mas podia ser ainda melhor se os lucros, resultantes disso tudo, no lugar de saírem do Brasil para enriquecer ainda mais cidadãos de outros lugares do mundo, que vão usar esse dinheiro movimentando a economia dos seus países, fosse distribuído para brasileiros que comprariam carros, apartamentos, fariam viagens, comprariam presentes e investiriam em novos projetos, sabe onde? Aqui mesmo, no nosso próprio país.

"
Tomás de Paula Pessoa Filho é Advogado especialista em Direito Empresarial e em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria. Ex-diretor da Agência Nacional de Mineração

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