PUBLICIDADE
MINAS GERAIS

Mineradora de Catas Altas firma acordo para recuperação de área

Por evando•
Mineradora de Catas Altas firma acordo para recuperação de área

Acordo entre mineradora, prefeitura e MPMG estabelece prazo de 180 dias para apresentação do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas da antiga mina do Machado, com posterior doação do terreno recuperado ao município.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) firmou acordo com a Setovi Mineração e o município de Catas Altas para que a mineradora apresente Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) da antiga mina de Machado, na zona rural da cidade. O planejamento técnico será custeado pela mineradora, com fiscalização de auditoria técnica independente e encaminhamento para aprovação pelos órgãos em até 180 dias. Após o plano ser executado, a área deverá estar regenerada e sem riscos para o ambiente e a população do entorno. A empresa se compromete a doar o terreno plenamente recuperado ao município, que, por sua vez, deverá criar uma Unidade de Conservação (UC) de proteção integral.

A antiga mina do Machado está desativada há 10 anos por apresentar instabilidades decorrentes da exploração econômica, como deslizamentos de terras e assoreamento de rios, especialmente após fortes chuvas do início de 2022. De acordo com laudos técnicos, os taludes (terreno em declive) de rejeitos podem apresentar intensificação dos danos, com graves riscos para turistas que frequentam as trilhas do entorno e as cachoeiras Santa e Maquiné, próximas à mina. O documento assinado pelas partes considera que o passivo ambiental da antiga mina foi vistoriado em 2012 pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Na época, o laudo atestou que as frentes de lavra não respeitavam os critérios de banqueamento (criação de degraus e bancadas na mina), o que traz riscos de desabamentos e acidentes. Os sistemas de drenagem de água da chuva, formado por canaletas e bacias de contenção, foram considerados insuficientes, resultando em transporte de sedimentos e blocos de pedras. A recuperação natural do entorno da mina, segundo os vistoriadores, exige a implantação de um plano embasado tecnicamente, o que definido como objeto do acordo.

A mediação entre as partes foi feita pelo Centro de Autocomposição de Conflitos e Segurança Jurídica (Compor), com participação da Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce e da Promotoria de Justiça de Santa Bárbara. Segundo o termo de acordo, a Setovi deverá apresentar ao executivo municipal o Prad, assinado por equipe com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O plano deverá contemplar ações para evitar ou resolver os impactos ambientais negativos, com destaque para "recuperar e conservar os solos, recuperar e conservar os recursos hídricos, estabilizar os taludes formados, reduzir a propensão ao assoreamento dos cursos d'água e nascentes e recompor a flora com espécies nativas." O município se comprometeu a, assim que receber o plano, validá-lo no Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Codema) em até 60 dias. O acordo encerra a Ação Civil Pública (ACP) movida pelo MPMG sobre o caso. O descumprimento dos termos do acordo pode resultar em multa diária de R$ 2 mil por cada obrigação.

VEJA TAMBÉM

Belo Sun recebe mais uma ACP sobre o projeto Volta Grande
JUSTIÇA

Belo Sun recebe mais uma ACP sobre o projeto Volta Grande

17 jul. 2026
Samarco faz parceria com apicultores em Catas Altas para incentivar práticas sustentáveis
MINERAÇÃO E COMUNIDADES

Samarco faz parceria com apicultores em Catas Altas para incentivar práticas sustentáveis

8 jul. 2025
AGU obtém liminar que impede exploração mineral no Amazonas
TERRAS INDÍGENAS

AGU obtém liminar que impede exploração mineral no Amazonas

21 mai. 2025

Artigos Relacionados

Belo Sun recebe mais uma ACP sobre o projeto Volta Grande
JUSTIÇA17/07/2026

Belo Sun recebe mais uma ACP sobre o projeto Volta Grande

Samarco faz parceria com apicultores em Catas Altas para incentivar práticas sustentáveis

Samarco faz parceria com apicultores em Catas Altas para incentivar práticas sustentáveis

AGU obtém liminar que impede exploração mineral no Amazonas

AGU obtém liminar que impede exploração mineral no Amazonas