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LEGADO VERDES

Estudo sobre solo de Niquelândia

Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) realizaram o estudo chamado “Qualidade dos Solos das Regiões Cársticas” no Legado Verdes do Cerrado, Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável de propriedade da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), para conhecer os solos característicos da região do projeto. A pesquisa identificou na região seis cavernas e oito cavidades superficiais chamadas de dolinas, em Niquelândia (GO). 

A doutora em Ciência do Solo, Renata Momoli, pesquisadora da UFG responsável por coordenar os trabalhos, diz que as cavernas exercem importante papel na conservação de reservatórios de água subterrâneos, os aquíferos. “Encontrados nas cavernas, esses reservatórios de água sustentam milhares de pessoas no mundo todo. As cavernas também concentram uma biodiversidade muito específica e endêmica em um ambiente onde a luz é restrita, além de guardarem vestígios arqueológicos e paleontológicos muito importantes”, destaca.

A pesquisa teve inicio em janeiro de 2019 e mapeou a área a partir de sensoriamento remoto, imagens de satélite e geoprocessamento. Após análise desses primeiros dados, os pesquisadores realizaram visitas no local, coleta de amostras de solo e seleção das áreas prioritárias para o estudo. Os pesquisadores estão realizando as análises laboratoriais, a interpretação dos resultados e iniciando a etapa de diagnóstico das condições locais, como os tipos, fertilidade e permeabilidade dos solos. A última fase será um prognóstico da área para indicar potencial de erosão e de produtividade agrícola. Renata Momoli diz que os dados colhidos revelam potencialidades e características do solo, inclusive em áreas de cavernas, que são fundamentais para a conservação da região de Cerrado. “Com a elevada fragilidade evidenciada pela presença das dolinas, ou seja, instabilidade na superfície, é preciso ter atenção para o uso adequado do solo para evitar problemas advindos das condições naturais de relevo e clima”. A pesquisadora comenta também que o entorno concentra muitas montanhas e morros altos e íngremes, chuvas intensas e solos pouco permeáveis. “Essa associação de condições se reflete em processos erosivos bastante intensos, que podem ser amplificados em função do uso e manejo do solo adotados para a agricultura. Portanto, é preciso planejar o uso da terra da melhor forma possível”, afirma a pesquisadora. 

Nas etapas já realizadas, o estudo identificou a presença de diferentes tipos de solo com variações de cores – amarelados, amarronzados e avermelhados – e diferentes texturas – argilosos, arenosos, siltosos – além de misturas de partículas pequenas, médias e grandes. Outro resultado importante da pesquisa é o registro da variedade da profundidade do solo na Reserva. “Nós temos desde solos muito rasos, com apenas 10 ou 15 centímetros acima da rocha e, em outros lugares, com mais de 2 metros de profundidade”, resume a pesquisadora da UFG. 

Em relação a atração magnética, Renata diz que há localidades com maior atração e outros pontos com uma atração mais baixa. “O mais importante até aqui é que conseguimos identificar os diferentes tipos de solos da área e sabemos que existe a presença de Latossolos, Cambissolos, Plintossolos e também Neossolos Litólicos, que são algumas das classes definidas pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos da Embrapa”, explica Renata Momoli.

A pesquisadora acrescenta que a partir da análise integrada da paisagem, contribui-se com os ODS estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), somando esforços para as ações globais contra a mudança no clima e contribuindo para a manutenção da vida terrestre, o consumo e a produção responsáveis, e a disponibilidade de água potável e saneamento. “A partir dos estudos dos solos e de aspectos como vegetação, rochas, relevo e hidrologia, o planejamento do uso da terra pode ser elaborado e executado considerando as potencialidades e fragilidades dessa área tão biodiversa e importante como o Legado Verdes do Cerrado”, finaliza Renata Momoli.

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