CVP pesquisará no Vale do Paramirim

10/03/2022
No entorno da sede da cidade de Guanambi-BA desponta uma variedade de rochas granitóides com alto percentual de Feldspatos-K.

João Cavalcanti *

A CVP (Companhia Vale do Paramirim) deverá apresentar, durante a segunda quinzena de março, através da sua presidência, e da sua equipe técnica, o Projeto para identificação de Agrominerais na região do Vale do Paramirim, com foco nas seguintes substâncias: Rocha Fosfática(P2O5); Rochas ricas em potássio(K); e Enxofre (SeF2). 

Esse estudo deverá abranger os 32 municípios do Vale do Paramirim, incluindo os municípios do Vale do Iuiu, notadamente a sede do município de Guanambi-BA e Malhada-BA. No entorno da sede da cidade de Guanambi-BA desponta uma variedade de rochas granitóides com alto percentual, na sua Matriz, de Feldspatos-K, de granulometria variegada, com cristais de tamanhos milimétricos a centimétricos. Entre os municípios de Guanambi e o município de Malhada/Carinhanha ocorrem rochas carbonáticas do Grupo Bambuí da formação Santa Helena, de ambiente localmente redutor de expressiva face de rocha calcítica com alta disseminação de pirita (FeS2), com alta perspectiva do ponto de vista metalogenético de encerrar depósito de enxofre (SeF2-pirita). As rochas fosfáticas (P2O5), de natureza ígnea, serão prospectadas no Grupo Rio dos Remédios, formação Novo Horizonte, aonde já foi constatado, entre os municípios de Caetité- BA e Paramirim-BA, níveis de rochas fosfáticas de origem ígnea com teor de P2O5 superior a 5%, sotopostas a níveis de vulcânicas félsicas concordante estruturalmente a esses corpos. 

Na primeira fase do Projeto, desenvolveremos trabalhos de exploração geológica, objetivando a delimitação dos metalotectos citados no item anterior, granitóides ricos em feldespato-K; e rochas carbonáticas que ocorrem no vale do Iuiu; e rochas fosfáticas de origem ígnea associadas a vulcânicas félsicas do Grupo Rio dos Remédios (formação Novo horizonte). 

A realização desse Projeto tem como objetivo principal preencher o “gap” da questão do abastecimento da Fronteira Agrícola do Oeste da Bahia por insumos de Agro Fertilizantes, necessários para que os produtores agrícolas dessa região, que produziu no ano de 2021 mais de nove milhões de toneladas de grãos, não venham sofrer, no médio prazo, o impacto dos cortes da importação desses produtos em face do conflito bélico que envolve países como a Rússia e Ucrânia acarretando uma sobrecarga da importação de países como Canadá (Enxofre) e Marrocos (Fosfato). 

Esse Projeto deverá ser apresentado ao Vice-governador do Estado, senhor João Leão, também Secretário de planejamento, bem como ao Secretário de Desenvolvimento Econômico, Nelson Leal, para a apreciação dos mesmos. 

A CVP vai buscar parceria técnica com o CETEM - Centro de Tecnologia Mineral/MCT e COPPE/UFRJ, que já desenvolveram, nos anos de 2003 a 2005, trabalhos de cunho tecnológico em laboratórios para a obtenção de K em rochas ígneas portadoras de feldespatóides, os quais possuem a solubilidade mais elevada entre os silicatos. Esses minerais mostraram significativa liberação de potássio em testes de laboratório e em solos encubados. Tais rochas têm apresentado potencial promissor para uso como fonte de potássio quando moídas e utilizadas de maneira análoga ao calcáreo (Castro et al., 2005; Resende et al., 2005). 

Esperamos com tudo isso contribuir para o desenvolvimento da agricultura brasileira. 

* João Cavalcanti é Geólogo, Presidente da CVP – Companhia Vale do Paramirim