
Selic de 13,75% trava o investimento, e os importados já respondem por 47,6% do consumo de máquinas no país, com a China na liderança
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) divulgou que o consumo aparente atingiu R$ 31,81 bilhões em setembro de 2026, valor que representou estabilidade em relação ao mês de agosto, mas retração de 12,5% na comparação interanual contra setembro de 2025. O desempenho evidencia os efeitos do prolongado período de taxas de juros restritivas que vem impactando negativamente na atividade econômica doméstica. No período de janeiro a setembro de 2026, o consumo aparente nacional de máquinas e equipamentos, resultado da aquisição de bens produzidos localmente e importados, acumulou queda de 11,7%, totalizando R$ 284,11 bilhões.
A receita líquida total de vendas atingiu R$ 23,44 bilhões em setembro de 2026, uma ligeira recuperação mensal de 2,8% em relação a agosto. No entanto, na comparação com setembro de 2025, houve um significativo declínio de 15,6%, resultando em retração de 13,4% na receita líquida de vendas nos primeiros nove meses do ano (jan-set/2026). Já a Receita Líquida Interna ficou em R$ 16,57 bilhões em setembro de 2026, recuo de 2,7% contra agosto e de 19,2% em relação a setembro de 2025. Nos nove primeiros meses, a perda alcançou 15,8% em termos reais, somando R$ 148,74 bilhões. Esta retração nas vendas internas é reflexo direto do elevado custo do crédito e das condições monetárias restritivas. Na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 16 de setembro de 2026, a taxa básica de juros (Selic) foi mantida no patamar de 13,75% ao ano. Com a inflação acumulada em 12 meses em 4,22%, na ocasião, os juros reais do país permanecem entre os mais altos do mundo.
Diferente do fraco desempenho no mercado doméstico, as exportações totalizaram US$ 1,34 bilhão (FOB), registrando um salto de 12,8% frente a agosto e estabilidade (+0,8%) em relação a setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações alcançam US$ 10,15 bilhões, uma expansão de 5,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os Estados Unidos são ainda o maior mercado comprador do maquinário brasileiro, com US$ 2,58 bilhões absorvidos no ano (+6,4% em relação a 2025), correspondendo a 25,4% do total exportado, seguido pela Argentina, com expressiva queda de 12,3% no ano, somando US$ 1,05 bilhão (10,3% de participação), Singapura e Paraguai.
As importações somaram US$ 2,79 bilhões em equipamentos mecânicos, com alta de 1,3% na comparação interanual com setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as importações somam US$ 24,99 bilhões, registrando alta de 4,8% frente ao ano anterior. Com isto, o setor registrou déficit de US$ 14,84 bilhões de janeiro a setembro de 2026. De janeiro a setembro de 2026, os equipamentos importados responderam por 47,6% de todo o consumo aparente nacional. Em relação ao mesmo período de 2025 (45,1%), trata-se de um ganho de 2,5 pontos percentuais de participação de mercado pelos produtos estrangeiros. A China consolidou sua posição dominante como a principal origem do maquinário importado pelo Brasil e passou a responder por 36,0% de todas as importações brasileiras de máquinas e equipamentos (frente a 32,1% em 2025). Em contraste, as importações originadas dos Estados Unidos recuaram 2,0% (US$ 3,66 bilhões) e da Alemanha caíram 0,7% (US$ 2,88 bilhões).
O número de trabalhadores no setor recuou 0,1% frente a agosto e 3,8% em relação a setembro de 2025, quando o setor empregava 426,2 mil pessoas. No acumulado do ano, a média de emprego registrou variação de -0,5%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) permaneceu praticamente estável em 79,5% em setembro de 2026 (frente a 79,4% em agosto e 79,3% em setembro de 2025). No ano, em média, atingiu 78,7%, enquanto a carteira média de pedidos em carteira subiu para 10,3 semanas de atendimento em setembro de 2026 (contra 10,0 semanas em agosto e 8,9 semanas em setembro de 2025). Esse aumento de 16,6% na comparação interanual do prazo de atendimento é impulsionado pelo andamento de projetos de ciclo longo em infraestrutura e logística.
O quadro verificado em setembro de 2026 indica a manutenção do fraco dinamismo do mercado produtivo nacional. A retração de 15,8% nas vendas internas de máquinas nacionais demonstra represamento de decisões de investimento produtivo nas empresas brasileiras, mas também baixa competitividade diante do bem importado.
A ABIMAQ cita dois pontos importantes que exigem atenção:
- Política monetária e custo financeiro: o patamar de juros básicos (Selic) a 13,75% a.a. somados a elevadíssimos spreads bancários impõe um custo de capital desproporcional ao setor produtivo. A contínua flexibilização da taxa de juros pelo Banco Central é indispensável para melhorar a atividade econômica e a redução do custo do capital para viabilizar os investimentos produtivos;
- Isonomia competitiva: o fato de 47,6% do consumo nacional de máquinas ser suprido por importados — liderados pelo avanço expressivo dos produtos chineses — evidencia a falta de isonomia competitiva do produtor local.







