
Receita interna caiu 16,4% em agosto, afetada por taxas de juros reais elevadas que desestimulam o financiamento de bens de capital e novos projetos industriais.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) divulgou que o setor registrou receita líquida de vendas de R$ 177,6 bilhões no acumulado até agosto, 13,2% de retração quando comparado ao mesmo período de 2025. No mês de agosto de 2026, a receita foi de R$ 23 bilhões, um recuo de 15,5% frente a agosto de 2025. Esses dados confirmam que a demanda doméstica por investimento produtivo permanece bastante deprimida. A receita interna de vendas do setor encerrou o mês de agosto de 2026 em R$ 16,8 bilhões, queda acentuada de 16,4% em relação a agosto de 2025. No acumulado dos primeiros oito meses do ano (janeiro a agosto de 2026), a receita líquida interna acumulou baixa de 15,5%. O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro, inibindo novos projetos de investimento industrial.
As exportações de máquinas e equipamentos alcançaram US$ 1,18 bilhão em agosto de 2026, um decréscimo de 6,3% na comparação interanual com agosto de 2025. As vendas externas acumulam crescimento de 6,2% no acumulado até agosto, somando US$ 8,81 bilhões. Por outro lado, as importações continuaram a crescer : US$ 2,98 bilhões em agosto de 2026, um salto de 16,7% sobre o mesmo mês de 2025. No acumulado, alta de 5,2%, somando US$ 22,20 bilhões. O saldo da balança comercial do setor registrou déficit de US$ 1,80 bilhão em agosto, acumulando -US$ 13,39 bilhões no ano (aumento de 4,6% no déficit frente ao mesmo período de 2025).
A combinação de retração na produção doméstica e alta nas importações acelerou a substituição de máquinas nacionais por importadas. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as máquinas importadas responderam por 47,6% do consumo aparente no Brasil. No mesmo período de 2025, essa fatia era de 45,3%. A fatia da receita líquida interna no consumo aparente caiu para 52,4%.
O número de trabalhadores ocupados no setor recuou para 403.294 pessoas no final de agosto de 2026, retração de 5,6% na comparação com agosto de 2025. No acumulado do ano, a média do pessoal ocupado registra variação de -0,3%. O NUCI subiu para 79,6% em agosto de 2026 (contra 78,9% em julho). A média no ano ficou em 78,6%, enquanto a carteira média subiu para 10,1 semanas para atendimento em agosto (frente a 9,6 semanas em julho, alta de +5,5%). A média no ano é de 9,3 semanas. A conjuntura do setor de máquinas e equipamentos em agosto de 2026 confirma a persistência de um cenário desafiador para a indústria de bens de capital mecânicos. O mercado interno segue enfraquecido, condicionado pelos custos financeiros elevados e pela desaceleração no ritmo de investimento privado. Paralelamente, o ganho de competitividade e volume das máquinas chinesas reconfigura o suprimento industrial do país, exigindo atenção contínua às condições de competitividade nacional.







