
A tarifa foi aumentada de 25% para 50% pelos americanos, afetando 60% das exportações brasileiras de aço e 16,8% de alumínio que têm os Estados Unidos como destino.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstrou preocupação com a entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre a importação de aço e alumínio. A medida afeta tanto a indústria nacional como o setor produtivo norte-americano, que depende da matéria-prima brasileira, uma vez que o Brasil é um dos principais fornecedores dos bens de alto valor agregado ao mercado dos Estados Unidos.
O governo americano já havia anunciado, em 10 de fevereiro, a imposição de tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio a partir de 12 de março. A medida publicada ontem intensificou a escalada tarifária para esses bens, ao aumentar a alíquota para 50%. "Dobrar a taxação sobre o aço e o alumínio é um retrocesso nas relações comerciais entre nossos países. Continuamos defendendo que o diálogo é o melhor caminho para reverter medidas desproporcionais como essa e restabelecer um ambiente de confiança e cooperação mútua, para evitar que as cadeias produtivas em ambos os países sejam ainda mais prejudicadas”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Para o presidente da CNI, a entidade tem atuado junto ao governo brasileiro em busca de respostas firmes e de soluções para resolver a situação. Só em 2024, por exemplo, 60% das exportações brasileiras de aço e 16,8% de alumínio tiveram os Estados Unidos como destino, segundo dados do Instituto Aço Brasil e da Associação Brasileira de Alumínio (ABAL).
No primeiro trimestre de 2025, os Estados Unidos compraram 75% do aço brasileiro exportado, sobretudo em bens semiacabados, como placas, lingotes e blocos. Atualmente, o Brasil é o 8º maior produtor de aço do mundo e o maior da América Latina, com cerca de 60% da produção da região, concentrada principalmente em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. China, Índia, Japão, Estados Unidos e Rússia são os cinco maiores produtores de aço no mundo. Os Estados Unidos são o principal parceiro do Brasil nas exportações da indústria de transformação, especialmente de produtos com maior intensidade tecnológica, bem como no comércio de serviços e nos investimentos bilaterais. Em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou US$ 31,6 bilhões em produtos para os EUA. Em relação aos investimentos bilaterais, o país norte-americano é o principal investidor no Brasil, com estoque acumulado em US$ 357,8 bilhões em 2023. Da mesma forma, os Estados Unidos foram o principal destino dos anúncios de investimentos greenfield brasileiro no mundo entre 2014 e 2023, concentrando 142 projetos de implantação produtiva.
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