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ECONOMIA CIRCULAR

CBA investe na transformação resíduos em novos produtos

Por evando•
CBA investe na transformação resíduos em novos produtos

Iniciativa transformou 152 resíduos identificados em duas unidades em coprodutos, gerando receita de R$ 18 milhões em 2023, um aumento de 27% frente ao ano anterior.

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) trabalha desde 2018 na transformação de resíduos derivados do processo industrial em matéria-prima de novos produtos. A ideia é desenvolver alternativas para reaproveitamento desses materiais e o primeiro passo foi reunir em um inventário os resíduos que atendiam as condições necessárias para o projeto. Segundo a CBA, o estudo identificou 152 resíduos gerados em duas unidades da Companhia, dos quais 38% deles com viabilidade econômica. Outros 33,5% já têm uma destinação através da reutilização em outros processos e 28% deles serão estudados futuramente. “Ter aplicabilidade assegurada e buscar retorno financeiro são critérios importantes para viabilizar a circularidade de uma etapa importante da nossa cadeia de produção. Essa iniciativa está alinhada a nossa Estratégia ESG”, afirma o gerente-geral de Sustentabilidade da CBA, Leandro Faria. 

Atualmente, os coprodutos da CBA representam 33% do total de resíduos gerados somente na fábrica de alumínio, principal planta da Companhia localizada na cidade de Alumínio (SP). Em 2023, a receita com esses novos materiais aumentou mais de 27% em comparação a 2022, somando cerca de R$ 18 milhões. “A gestão de resíduos passou por transformações importantes nos últimos tempos no Brasil e no mundo, dentro do conceito de economia circular, e as empresas estão otimizando o uso dos recursos naturais de maneira que os resíduos de um determinado processo produtivo sejam aproveitados como matéria-prima em outro processo”, observa Faria.

Uma equipe com a participação de profissionais de diversas áreas da CBA (Meio Ambiente, Suprimentos, Engenharia e Tecnologia) trabalhou em conjunto para desenvolver coprodutos não apenas que agreguem valor aos resíduos, mas que possam ser novos produtos, além da implementação de processos que permitam a reutilização interna dos resíduos, contribuindo para a redução de custos, consumos e promoção de impactos positivos ao meio ambiente. 

Após todas as etapas da cadeia do alumínio, é nas salas fornos, a partir das cubas eletrolíticas, que são gerados alguns dos resíduos com potencial para serem transformados em novos produtos e que apresentam excelentes resultados. “Entre eles, a lama de raspagem que vem sendo muito utilizada por empresas que atuam com reciclagem e reaproveitamento do alumínio solidificado e o sódio, como conta o gerente de meio ambiente da CBA, Marcus Vinícius Vaz Moreno. A geração desse coproduto chega, em média, a 4.800 t/ano. Outro exemplo é a sucata de anodo, um coproduto com poder calorífico, sendo utilizado como combustível para os fornos em metalurgia de ferro fundido. 

Resultante do processo de lavagem de gases das salas fornos, a alumina secundária apresenta características que a tornam um resíduo com elevado potencial comercial. “A mistura da alumina secundária com finos de refratário derivou em um material que substitui a matéria-prima extraída na produção de cimento, com excelente performance e futuro aproveitamento”, afirma Moreno. Ele observa, ainda, que a aplicação desse produto na indústria cimenteira ainda está em estudo. A estimativa é de geração média de 7.000 t/ano pelo interesse do segmento por alternativas mais sustentáveis.

Todos os materiais possíveis de serem reciclados na CBA são encaminhados para empresas parceiras especializadas para transformá-los em alternativas para o mercado, como é o caso do carbonato de cálcio, resíduo gerado no processo de captação de água da barragem, na refinaria de alumina. “Mapeamos oportunidades em parceria com universidades e realizamos testes no segmento agrícola e, também testes industriais, pois o carbonato de cálcio pode ser usado tanto na construção civil como na agricultura para a correção de acidez do solo”, explica Moreno. Por fim, o carbonato de cálcio também apresentou bons resultados no tratamento de água, permitindo que a mesma seja reaproveitada. “Com isso, o ciclo de circularidade do processo se completa ao evitar que se use mais de um recurso natural fundamental para o planeta, atendendo nossas diretrizes de sustentabilidade”, conclui Moreno. 

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