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Atlantic Nickel bate recorde de produção e acelera expansão

Por Redação Brasil Mineral•
Atlantic Nickel bate recorde de produção e acelera expansão

Com 12.464 toneladas em agosto, a mina baiana já processou 3,39 milhões de toneladas no primeiro semestre, gerando receita de R$ 833 milhões e consolidando sua posição entre as operações de níquel sulfetado mais relevantes do hemisfério sul.

Empresa 12.464 toneladas de concentrado de níquel em agosto, melhor resultado desde 2019, enquanto avanço dos túneis subterrâneos projeta vida útil da operação baiana por mais de três décadas

A Mina Santa Rita, operada pela Atlantic Nickel no estado da Bahia, encerrou o mês de agosto de 2026 com o melhor resultado de produção desde que a Appian Capital Brazil assumiu o controle das operações, em 2019. Foram 12.464 toneladas de concentrado de níquel produzidas no período, com recuperação metalúrgica de 86,72%, índice que mede o percentual do metal efetivamente aproveitado a partir do minério extraído. O desempenho coroa um primeiro semestre robusto, marcado por receita bruta de R$ 833 milhões, lucro líquido de R$ 293 milhões e mais de 600 metros de túneis escavados no âmbito do projeto de expansão subterrânea. A combinação de recordes operacionais com avanços estruturais de longo prazo posiciona Santa Rita como uma das operações de níquel sulfetado mais relevantes do hemisfério sul.

Números confirmam consistência

O primeiro semestre de 2026 consolidou a trajetória ascendente da Atlantic Nickel. A planta processou 3,39 milhões de toneladas de minério entre janeiro e junho, com teor médio de 0,29% de níquel sulfetado no material alimentado à usina. O concentrado final apresentou teor entre 12,5% e 13,4% de níquel, faixas que refletem a qualidade do produto entregue ao mercado internacional.

Os indicadores financeiros acompanham o desempenho físico. O EBITDA ajustado do período somou R$ 339 milhões, e o lucro líquido alcançou R$ 293 milhões. O custo caixa C1, métrica que mensura os gastos diretos de produção, amplamente utilizada para comparar a competitividade entre operações no mercado global, ficou em US$ 3,10 por libra de níquel, patamar que coloca Santa Rita em posição favorável frente a pares internacionais, especialmente em um mercado ainda pressionado por excesso de oferta de níquel laterítico originário da Indonésia.

No mesmo intervalo, a companhia embarcou 49.717 toneladas de concentrado para destinos na América do Norte, Europa e Ásia. O produto exportado não carrega apenas níquel: além do metal principal, o concentrado contém cobre, cobalto e elementos do grupo da platina (PGMs), subprodutos de valor comercial que ampliam a receita por tonelada embarcada e reforçam a relevância estratégica da operação na cadeia global de minerais críticos, insumos cada vez mais disputados pela transição energética e pela indústria de veículos elétricos.

Disciplina operacional como alicerce

Para Milson Mundim, Country Manager da Appian Capital Brazil, os resultados expressivos são fruto de uma escolha deliberada de gestão. "Os resultados refletem a combinação entre disciplina operacional, eficiência na gestão de custos e foco na geração de valor de longo prazo. Alcançamos recordes importantes ao mesmo tempo em que seguimos preparando a Mina Santa Rita para sua próxima etapa de crescimento, mantendo os mais elevados padrões de segurança e sustentabilidade", afirmou o executivo.

A frase resume bem a aposta da Appian no Brasil: crescer sem abrir mão de controles rigorosos. Trata-se de uma postura que a mineradora de capital privado, fundada em 2011 em Londres e presente no país desde 2018, tem replicado em seus ativos. Além da Atlantic Nickel, o grupo opera no Brasil com a Graphcoa, dedicada à grafita, e conta com a subsidiária Omnigen Energy, atuando nos estados da Bahia e de Minas Gerais.

O subsolo como próximo capítulo

Se os recordes de agosto representam o presente da operação, o futuro de Santa Rita está sendo construído literalmente abaixo da superfície. Desde a detonação inaugural do Portal Sul, em março de 2026, a equipe responsável pelo projeto subterrâneo já escavou mais de 600 metros de túneis, um avanço concreto que sinaliza a transição da mina do modelo a céu aberto para a lavra subterrânea.

A empresa estima que a operação subterrânea possa ampliar a vida útil da mina para mais de 30 anos, com produção anual de aproximadamente 30 mil toneladas equivalentes de níquel e estrutura de custos competitiva em escala global. Após a conclusão do Estudo de Pré-Viabilidade em 2024, a companhia trabalha agora no Estudo de Viabilidade Definitivo, etapa que precede decisões formais de investimento e que deve detalhar cronogramas, estimativas de capital e configuração técnica da futura lavra.

A transição para o subsolo não é apenas uma questão de prolongar a vida da mina, mas também uma decisão estratégica que tende a reduzir a pegada ambiental da operação em superfície e a consolidar Santa Rita como ativo de longa duração em um portfólio de fundos de mineração que trabalha com horizontes de investimento estendidos.

Segurança como cultura

Em um setor historicamente cobrado por acidentes e passivos socioambientais, a Atlantic Nickel apresenta indicadores que merecem atenção. A Taxa de Frequência de Acidentes com Afastamento (LTIFR) registrada nos últimos 12 meses foi de 0,63, número calculado com base nas horas trabalhadas e que serve de referência para comparações entre operações do setor.

No primeiro semestre de 2026, a mina contabilizou 4.079 interações de Liderança Visível em Segurança (VFL), metodologia que coloca gestores em campo para identificar riscos e reforçar comportamentos preventivos junto às equipes. Foram realizadas ainda mais de 54.300 horas-homem de treinamentos em saúde, segurança e meio ambiente, volume que, em uma operação de mineração, representa investimento contínuo na formação de uma cultura organizacional orientada à prevenção.

O contexto de um mineral estratégico

O desempenho da Santa Rita ocorre em um momento em que o níquel sulfetado volta a atrair atenção diferenciada do mercado. Ao contrário do níquel laterítico, que predomina na produção indonésia e filipino-asiática, o níquel sulfetado é a matéria-prima preferida para a produção de sulfato de níquel de alta pureza, insumo essencial para cátodos de baterias de íons de lítio utilizadas em veículos elétricos. Nesse contexto, operações com o perfil da Santa Rita ganham relevância estratégica crescente junto a fabricantes de baterias, montadoras e fundos ESG que buscam rastreabilidade e padrões ambientais mais elevados ao longo de suas cadeias de fornecimento.

A diversificação geográfica das exportações da Atlantic Nickel, distribuídas entre América do Norte, Europa e Ásia, evidencia que o concentrado produzido na Bahia já está inserido nessas cadeias globais.

A Atlantic Nickel é subsidiária da Appian Capital Brazil no Brasil e opera a Mina Santa Rita, localizada no município de Itagibá, no estado da Bahia.

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