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OURO

AngloGold Ashanti reativa a Planta 2 do Queiroz com R$ 105 milhões

Por Redação Brasil Mineral•
AngloGold Ashanti reativa a Planta 2 do Queiroz com R$ 105 milhões

Investimento de R$ 105 milhões reativa segunda unidade do complexo e permite que a companhia recupere a margem da operação ao processar seu próprio concentrado sulfetado.

A AngloGold Ashanti anunciou nesta semana, durante a Exposibram 2026, em Belo Horizonte, a retomada da operação da Planta 2 do Complexo Industrial do Queiroz, em Nova Lima (MG), após investimentos de aproximadamente R$ 105 milhões. Com a partida do segundo circuito, a companhia passa a operar integralmente as duas unidades industriais do complexo e encerra um ciclo de reestruturação que se arrastava desde o fim de 2022.

A decisão tem peso maior do que o valor aportado sugere. O Queiroz é a espinha metalúrgica das operações brasileiras da companhia: é para lá que segue o concentrado sulfetado extraído das minas subterrâneas de Cuiabá, em Sabará, e Lamego, entre Sabará e Caeté. Sem a planta, o minério das Operações Cuiabá precisa ser vendido como concentrado, com perda evidente de margem. Foi exatamente o que ocorreu entre o último trimestre de 2022 e 2024, quando o beneficiamento ficou parcialmente paralisado para a execução de um programa de reforço na barragem de rejeitos, e apenas a fundição e a refinaria seguiram funcionando.

Dois circuitos, dois momentos

A retomada foi feita em etapas. O primeiro circuito voltou a operar em 2024, após aporte de cerca de R$ 25 milhões voltado à requalificação do processo produtivo e à automação da ustulação, a etapa térmica em que o enxofre do concentrado é oxidado para liberar o ouro encapsulado na matriz sulfetada. O segundo circuito, agora reativado com R$ 105 milhões, era o passo que faltava e vinha sendo sinalizado pela direção da empresa para 2026.

Com as duas plantas em operação, a estrutura poderá atingir, segundo a companhia, capacidade anual de 280 mil toneladas de material processado. A unidade também produz anualmente até 240 mil toneladas de ácido sulfúrico, obtido a partir do reaproveitamento dos gases e materiais gerados no beneficiamento do ouro. O insumo é comercializado para fertilizantes, papel e celulose, siderurgia, mineração e tratamento de água, o que transforma um passivo ambiental típico da metalurgia do ouro sulfetado em receita acessória e reforça o argumento de economia circular sustentado pela empresa.

O projeto de retomada contemplou melhorias em tecnologia, automação e sistemas de tratamento de efluentes. As obras geraram cerca de 220 postos de trabalho, e a companhia informa que a participação feminina na Planta Queiroz já alcança 25% do efetivo, resultado de uma política de contratação que priorizou mulheres nas vagas abertas para o complexo nos últimos anos.

"A retomada da Planta 2 representa um marco importante para a AngloGold Ashanti. Além de ampliar nossa capacidade industrial, fortalece a competitividade das operações brasileiras e demonstra nossa confiança no potencial do país e no crescimento sustentável do negócio", afirma o presidente da AngloGold Ashanti Latam, Luis Lima.

Concentração em Minas e ciclo de preços favorável

O investimento chega num momento de reorganização do portfólio brasileiro. As operações do país produziram 326 mil onças de ouro em 2025, ante 351 mil onças em 2024, queda associada à trajetória de exaustão das Operações Serra Grande, em Crixás (GO). Com Crixás caminhando para o encerramento, os recursos da companhia passam a se concentrar em Minas Gerais, onde o Complexo Cuiabá responde pela maior parte da produção nacional. No primeiro trimestre de 2026, as operações brasileiras produziram 67 mil onças, alta de 16% sobre igual período do ano anterior, sustentada por ganhos de produtividade nas frentes subterrâneas.

O pano de fundo financeiro ajuda a explicar a disposição para investir. O ouro fechou o pregão de 24 de agosto cotado a US$ 4.697,80 por onça troy, cerca de 39% acima do patamar de um ano atrás, depois de ter alcançado a máxima histórica de US$ 5.326 em janeiro. Em 2025, com o metal em disparada, a AngloGold Ashanti registrou Ebitda ajustado global de US$ 6,3 bilhões, crescimento de 129% sobre 2024, e fluxo de caixa livre de US$ 2,9 bilhões. Num ciclo assim, cada tonelada de concentrado que deixa de ser vendida bruta e passa a ser refinada internamente tem impacto direto no resultado.

Uma cadeia completa em Nova Lima

A AngloGold Ashanti é a única produtora de ouro do Brasil a reunir a cadeia produtiva completa, da pesquisa e do desenvolvimento à lavra, metalurgia, fundição e refino, com entrega de barras de ouro. Essa integração é o que dá sentido econômico à manutenção do Queiroz mesmo depois do fim da lavra em Nova Lima, encerrada em 2003 nas minas Velha e Grande, que operaram desde 1834 e deram origem à própria presença da companhia no país. A área desativada, com mais de 260 mil metros quadrados no centro do município, é hoje objeto do projeto Nova Vila, de uso urbano futuro.

Com 192 anos de atuação no Brasil, mais de 6.300 empregados diretos e indiretos e sede global em Londres, a AngloGold Ashanti opera em dez países da África, das Américas e da Austrália. No Brasil, todas as unidades adotam disposição de rejeitos a seco desde 2022, e as três barragens do Complexo do Queiroz estão em processo de descaracterização, conforme termo firmado com o Ministério Público de Minas Gerais.

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