Apesar dos avanços nos metais básicos, que ultimamente tem recebido boa parte dos investimentos, a Vale continua colocando suas fichas no minério de ferro, conforme ficou explicitado por seus executivos durante o Vale Day 2025, realizado em Londres, no dia 2 de dezembro. Tanto é que, em seus planos de crescimento, a empresa projeta alcançar um nível de produção de 360 milhões de toneladas nos próximos cinco anos, volume que poderia lhe permitir voltar a ocupar o primeiro posto na produção da commodity no mundo, posição que perdeu para a Rio Tinto, não fosse o projeto Simandou, na Guiné, no qual a empresa listada em Londres e com operações na Austrália terá uma fatia de 27 milhões de toneladas das 60 milhões que serão produzidas pelo consórcio Simfer até 2028.
Porém, mais do que volume, a Vale agora foca em um mix melhor de produtos, segundo o presidente Gustavo Pimenta, porque isto é considerado decisivo para que a empresa mantenha sua flexibilidade e possa enfrentar melhor as oscilações do mercado. Isto significa que o minério de ferro continuará tendo uma fatia importante dos US$ 5,4 a US$ 5,6 bilhões de investimentos projetados para 2026, dos quais US$ 1,0 bilhão serão direcionados para crescimento e US$ 4,5 bilhões para manutenção das operações.
A Vale acredita que, para manter-se competitiva no mercado de minério de ferro, o caminho mais adequado é através da otimização dos ativos existentes, ao invés da implantação de novos, pelo menos até 2030. Assim, de acordo com Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de Operações, a companhia conta com projetos como Vargem Grande 1, Capanema, expansão de Serra Sul, britador de compactos, expansão de Serra Leste, mina N3, além de outras iniciativas de upgrade, como Planta de Sohar, Vargem Grande, áreas de disposição de rejeitos e minas de Itabira.
Nos casos de Vargem Grande 1 e Capanema, segundo o executivo, cada instalação foi projetada para produzir 15 milhões de toneladas por ano, e o ramp-up será totalmente concluído até o final de 2026. O projeto +20 no S11D está avançando conforme o cronograma e sua conclusão é esperada para dezembro de 2026. O projeto do Britador de Compactos, no S11D, está igualmente avançando de acordo com o calendário e a empresa espera que esteja concluído até ao final de 2026.
Já os projetos expansão de Serra Leste e mina N3, em conjunto, irão acrescentar 10 milhões de toneladas por ano ao Sistema Norte (Carajás). A planta de concentração de Sohar tem sua conclusão prevista para a segunda metade de 2027 e será construída nas áreas de deposição de rejeitos. Medeiros menciona ainda o projeto pilha Tamanduá, que será essencial para as operações de Brucutu, em Minas Gerais, e deverá entrar em funcionamento no início de 2028.
Para Medeiros, há espaço para estabilizar ainda mais a produção da Vale com os ativos existentes. "Acredito verdadeiramente que ainda podemos produzir um pouco mais, desde que algumas condições sejam satisfeitas". E, nessa linha, ele informa que o briquete está no topo da lista da empresa. "Estamos avançando na linha de briquete, mas ainda não chegamos lá. Estamos produzindo uma ótima qualidade para Redução Direta e acabamos de instalar a quarta máquina de briquete na mesma linha."
A Vale espera uma taxa de crescimento anual composta de 1,2% para a produção de aço bruto, entre 2025 e 2040, segundo seu vice-presidente Executivo Comercial e de Desenvolvimento, Rogério Nogueira. "Trata-se, portanto, de um aumento significativo na produção de aço bruto. Contudo, ao observarmos mais de perto, verificamos que haverá um declínio gradual da produção de aço bruto na China, que será compensado por um aumento da produção em outras regiões, principalmente na Índia, Sudeste Asiático e Médio Oriente".
Nogueira considera que haverá um aumento significativo nos aglomerados de minério de ferro, "o que reforça a necessidade de minério de ferro de maior qualidade, que será utilizado para descarbonizar a indústria do aço". Para embasar sua afirmação, o executivo menciona a construção de fornos elétricos a arco em várias partes do mundo, citando como exemplos, na Europa, Alemanha, Áustria, Espanha e França, onde empresas como Rogesa, ThyssenKrupp, Salzgitter, Voestalpine, SSAB, Tata Steel, e ArcelorMittal estão implantando novos fornos a arco.
A Vale também está atuando fortemente na mudança radical do processamento do minério de ferro, adotando tecnologias diferentes com IA, Gen-IA, processamento de imagem, gêmeos digitais e um sistema de controle muito sofisticado. Para isso, a empresa escolheu a planta Conceição II, em Itabira, como modelo. "Este projeto é uma mudança radical no processamento de minério de ferro, porque adotou várias tecnologias diferentes", diz Medeiros.
A planta, que está iniciando a operação, será gerenciada por uma sala de controle central onde cada etapa do processo será supervisionada. "Implementamos camadas de tecnologia e, ao final, 14 mil instrumentos funcionarão simultaneamente. Os resultados até agora são animadores. Por exemplo, a taxa diária de produção aumentou 10%, a disponibilidade física aumentou 13% e a qualidade de ferro em nossos rejeitos caiu 20%."
Ainda na linha da descarbonização, Nogueira diz que os resultados alcançados até agora em Redução Direta são excepcionais. "A maioria dos nossos clientes acredita que este é o verdadeiro avanço na indústria do aço em muitas décadas. Apenas alguns exemplos: estamos alcançando, comparado às pelotas, de 4 a 5% a mais de metalização no DRI, e estamos obtendo cerca de 50% de aumento em produtividade."
Essa tecnologia está sendo implementada também em Brucutu e em 2027 será implementada para Vargem Grande, informa o dirigente.
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