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CPRM

Relatório de monitoramento do Paraopeba

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou o 2º relatório do Monitoramento Especial da Bacia do rio Paraopeba. Os resultados obtidos mostram baixo impacto da corrida de rejeitos na bacia após o rompimento da Barragem 1, em Brumadinho. O trabalho foi realizado entre os dias 28 de janeiro e dois de fevereiro em 17 pontos estabelecido ao longo do rio. Foram coletadas amostras geoquímicas de sedimento de fundo e de água superficial. 
 
O geólogo do Setor de Geoquímica Ambiental do Departamento de Gestão Territorial da CPRM, Eduardo Viglio, afirma que o trabalho seguiu a metodologia do Mapa Geoquímico Mundial e tem como referência o projeto Geoquímica MultiUso desenvolvido entre 2009 e 2011 pelo Serviço Geológico do Brasil na bacia do rio São Francisco. A equipe repetiu também procedimentos utilizados no acompanhamento do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. A equipe toda desta parte do estudo é formada por Marco Antônio (Gehite/BH), Eduardo Víglio (Deget/RJ), Luiz Marmos (Gehite/Ma) e a estagiária em geologia Júlia Quintarell, acompanhados de dois bombeiros que estavam trabalhando no local. 
 
Viglio diz que o primeiro elemento a se considerar no Paraopeba é o fato da bacia ser historicamente impactada pela mineração e agricultura, tendo como característica a elevada concentração de determinados elementos, em parte pela ação antrópica e em parte devido aos elevados teores presentes ao natural em rochas e solos, em jazidas de ferro e ouro. “No trabalho que concluímos em 2011 foram obtidos resultados que mostram uma bacia profundamente impactada, com altos teores de mercúrio, manganês, ferro e alumínio em sedimentos, refletidos também nas amostras de água e de solo”, ressaltou.  Outro ponto é a constituição do rejeito localizado na bacia, formado por um material grosseiro, pouco móvel, completamente diferente do evento de Mariana. “O rompimento da barragem de Brumadinho provocou uma corrida de rejeitos catastrófica, que preencheu por completo o vale do Córrego do Feijão e parte dos tributários, mas parou cerca de 1km após a foz do rio Paraopeba”, destacou.
 
No relatório a equipe do CPRM indica o baixo impacto do rompimento da barragem nas águas superficiais da bacia do rio Paraopeba. Das 578 determinações efetuadas para as 17 amostras de água coletadas, apenas seis mostraram concentrações acima do limite legal para rios de Classe 1. Os valores dos parâmetros físico-químicos de pH e Oxigênio Dissolvido tiveram todas as medições dentro dos limites legais e não mostraram variação significativa ao longo de todo o curso do rio Paraopeba. Já a Condutividade Elétrica apresentou valores mais baixos próximos ao evento. Resultados semelhantes foram verificados nas amostras de sedimento de fundo. Das 848 determinações efetuadas nas 16 amostras de sedimento de fundo coletadas (na estação 12 – Represa Retiro de Baixo, não foi possível obter o sedimento), somente 10 estão acima dos valores de nível 1 definidos pela resolução CONAMA 454/2012, seis para arsênio, duas para cobre e duas para cromo. No entanto, quando consideramos os parâmetros para Água Doce Nível 2 da citada resolução, todos os valores estão abaixo destes limites, não ocorrendo nenhum valor fora da legislação. “O monitoramento geoquímico da CPRM utilizou parâmetros pesquisados na mesma bacia antes do evento, o que permitiu indicar o verdadeiro impacto do rompimento da barragem”, avaliou.
 

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