Aura Apoena comemora nove anos de viveiro para preservar Cerrado

Viveiro mantido há nove anos já produziu 270 mil mudas e reintroduziu mais de 51 mil plantas em seis hectares degradados pela mineração, com foco em espécies ameaçadas como peroba-rosa e pau-brasil.
A Aura Apoena mantém o Viveiro Manoel Ferreira na operação Ernesto e Pau-a-pique há nove anos, um modelo que alia recuperação ambiental, transição ecológica e integração comunitária e já atingiu 270 mil mudas produzidas. A conquista ganhou ainda mais relevância com a chegada do Dia do Cerrado, comemorado no dia 11 de setembro, data que reforçou a urgência na proteção do segundo maior bioma da América do Sul e de suas áreas de transição. Desde 2016, mais de 51 mil plantas cultivadas no local foram reintroduzidas por meio do Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). A iniciativa já garantiu a recomposição da vegetação nativa em mais de seis hectares impactados pela atividade minerária na região de Pontes e Lacerda (MT).
A equipe da Aura coleta sementes diretamente de “árvores matrizes” identificadas na vegetação do entorno, prática que contribui para manter características genéticas da flora local e ampliar a adaptação das plantas utilizadas na recuperação das áreas. O êxito técnico do projeto é conduzido pela analista de Meio Ambiente, Micheli Lemes, responsável pelo manejo florestal, e pela atuação diária dos colaboradores Valdir Lima e Manoel Ferreira. Colaborador mais antigo da unidade, Seu Manoel reúne o conhecimento prático acumulado ao longo dos anos e acompanha todo o ciclo produtivo, da coleta das sementes na mata à seleção e ao transplante das mudas. “A gente acompanha todo o caminho, desde a escolha da árvore e a coleta da semente até a muda ficar pronta para ir para o campo. Depois, ver uma planta que passou pelas nossas mãos crescendo e ajudando a formar novamente aquela vegetação é uma satisfação muito grande. É um trabalho que exige paciência, porque cada espécie tem seu tempo e seu jeito”, conta Manoel Ferreira.
O grande diferencial técnico da ação está na diversidade do material cultivado e na conservação de espécies ameaçadas. A estrutura foca no resgate de espécies da lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), incluindo plantas classificadas como "Em Perigo" (EN) — como a peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata) — e "Vulneráveis" (VU), a exemplo do cedro (Cedrela fissilis) e do mogno (Swietenia macrophylla). O espaço também cultiva espécies de alto apelo ecológico e econômico, como palmito-juçara, jatobá, ingá, paricá, açaí e guariroba. A equipe trabalha com espécies nativas que exigem superar desafios próprios de cada planta. O pequi (Caryocar brasiliense), símbolo emblemático do Cerrado, por exemplo, possui sementes com dormência natural, o que torna sua germinação mais lenta. Para viabilizar a produção das mudas, a equipe aplica tratamentos pré-germinativos específicos para favorecer a germinação e o desenvolvimento da planta.
Para Fanuel Medeiros, gerente de Recursos Humanos, Comunicação e Relacionamento com Comunidades, a preservação orienta a estratégia da mineradora na região. "Produzir mudas de espécies raras e partilhar esses resultados com os moradores locais é a nossa forma de garantir que a atividade mineral atue em conjunto com a conservação ambiental", explica. Além do trabalho de campo, a Apoena estendeu a iniciativa à comunidade, com a doação de cerca de quatro mil mudas para moradores, colaboradores, escolas e órgãos públicos. Com 1.000 m² de área, capacidade anual de até 30 mil plantas e um acervo atual de seis mil mudas de 59 espécies, o viveiro também funciona como uma espécie de sala de aula ao ar livre. O espaço recebe estudantes desde o ensino fundamental até o nível superior, incluindo turmas do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), para atividades práticas de arborização, produção de mudas, manejo e conservação dos ecossistemas locais.







