19/07/2018
MEIO AMBIENTE

Antibióticos com água usada da mineração

Segundo pesquisas da Universidade Laurentian, em Sudbury, no Canadá, conduzida pelo Dr. JA Scott, professor de bioengenharia da Escola de Engenharia Bharti, foram encontrados corpos de água localizados em 5 km de áreas abandonadas no norte do Ontário que podem ser uma nova fonte potencial de antibióticos. O estudo foi publicado em edição recente da Phycologia, revista que apresenta trabalhos relacionados ao estudo científico de algas, ou ficologia. Anteriormente o pesquisador havia estudado microalgas e a possibilidade de utilizá-las na produção de biocombustíveis. Entretanto, por causa de seus atributos benéficos, ele especulou que as algas também poderiam ser usadas para produzir produtos para a saúde, particularmente antibióticos. 
 
Ao norte da província de Ontário, onde há uma abundância de corpos de água impactados por décadas de mineração, o pesquisador quis verificar se esses ambientes impactados poderiam produzir algas com propriedades antibióticas. "É como qualquer coisa: nosso corpo só produz essas coisas extras se estamos estressadas, e as algas não são diferentes", disse Scott. "E porque eles estão vivendo em um ambiente estressado, os antibióticos seriam possivelmente um deles?"
 
Em 2011 Scott e sua equipe visitou 40 localidades ao norte de Ontário perto de minas há muito tempo abandonadas e recolheram amostras de corpos de água próximos. Os resultados mostraram que, quando testados contra Staphylococcus aureus (uma bactéria comum e natural que pode causar infecções na pele, nos pulmões, no cérebro ou no sangue), 37,5% das algas eram eficazes contra ela. As concentrações mínimas de algas necessárias para inibir a bactéria também foram menores do que em qualquer relatório anterior. A propriedade antibacteriana encontrada nas algas é mais potente do que o que foi descoberto em pesquisas anteriores. "Eu acho que este é provavelmente um dos projetos mais emocionantes que eu realizei", disse ele.
 
O pesquisador também está tentando determinar se antioxidantes e ácidos graxos ômega 3, que têm sido associados a benefícios para a saúde, podem ser colhidos das algas. "Não estou dizendo que as algas resolverão o problema, mas é parte dessa necessidade de procurar em outro lugar, em vez das antigas fontes tradicionais (de antibióticos)". Com os resultados iniciais agora publicados, Scott e sua equipe continuarão a realizar pesquisas nos próximos dois anos, graças a uma rodada adicional de financiamento dos Centros de Excelência de Ontário e das Operações Integradas de Níquel Sudbury, da Glencore. 
 
Scott não pode dizer com certeza que os locais de minas ou operações de mineração são exclusivamente a causa das algas produtoras de anticorpos, então o próximo passo é procurar saber por que as propriedades antibióticas ocorrem. Ele também está examinando corpos de água próximos de minas produtoras - com a participação total da Glencore - para ver se ele pode replicar os mesmos resultados.
 
A pesquisa está ainda nos estágios preliminares e muito mais estudos são necessários antes que as algas produtoras de anticorpos cheguem ao ponto em que podem ser trazidas para o mercado. “Se você olhar para as algas, elas são pouco pesquisadas em comparação com bactérias e fungos, particularmente nessa área, mas elas produzem produtos químicos mais úteis do que qualquer outra planta”, disse ele. “Eu realmente quero desenvolver produtos, e o objetivo é ver se há algo de genuíno valor comercial aqui, em última análise, não apenas outro projeto acadêmico de céu azul”.

Veja também

13/09/2018
SUSTENTABILIDADE | DPI realiza Workshop Multi-Stakeholder
16/08/2018
GESTÃO AMBIENTAL | Lafaete planeja crescer 30% até 2019
11/07/2018
BARRAGEM DE FUNDÃO | Como estão as áreas afetadas pelo acidente?
20/06/2018
LEGADO VERDES | Edital para pesquisa científica no Cerrado
29/05/2018
TERRITÓRIOS SUSTENTÁVEIS | MRN assina acordo com a USAID
17/05/2018
SUSTENTABILIDADE | Sistema separa ouro a seco