Metso Day debate processos para otimizar mineração no curto prazo
No último dia 28 de abril, especialistas participaram da 2ª edição do seminário Metso Day, realizado em Araxá (MG), cidade mineira que abriga diversas operações de exploração, entre outros, de nióbio e rocha fosfática. As principais otimizações apontadas para melhorar processos e ampliar a eficiência da mineração no curto prazo estão focadas em equipamentos críticos, como os moinhos e máquinas de pátio, usadas para movimentação de minérios e outros granéis. Antes das intervenções, os especialistas recomendam avaliações detalhadas dos processos produtivos e o uso de simulações para testar o efeito dos upgrades antes da aplicação real em campo.
As intervenções têm como meta eliminar gargalos nas plantas, reduzir o consumo de energia e água, e aumentar a produção na ordem de 5% a 25%. Outra característica é que as mudanças devem ser projetadas para ter um rápido retorno sobre o investimento (payback). Há casos específicos onde o payback aconteceu em semanas. Entre as iniciativas de upgrade, o seminário destacou o aumento de potência dos moinhos (repotenciamento) para lidar com minérios mais duros ou grosseiros. Em ações como essas, o aumento de produtividade tem justificado os investimentos. Outra ação que vem se tornando comum, segundo a Metso, é a conversão de moinhos de barras por moinhos de bolas (ou o inverso, que é menos comum). Trata-se de uma mudança que pode aumentar a segurança e amenizar os desafios operacionais, como a necessidade de manutenção manual das barras durante operações de manutenção.
Outro ponto destacado pela Metso é a conversão dos sistemas de descarga do formato upflow para grelha nos moinhos, permitindo o uso otimizado da potência instalada. Na flotação, a recomendação é a realização de ajustes e avaliações para que os sistemas alcancem seu potencial máximo, Nesse caso, a meta é aumentar a tonelagem produzida e operar eficientemente com minérios com granulometria cada vez mais fina. Nos hidrociclones e bombas de polpa, as ações envolvem a adoção de soluções simples de desenvolvimento tecnológico com aplicação de sensores, que monitoram as condições dos equipamentos e podem antecipar falhas. O repotenciamento também pode acontecer na área de movimentação de granéis e de equipamentos portuários, seja para a indústria mineral ou outros setores. Nesse caso, os especialistas recomendam análises estruturais para avaliar a viabilidade técnica e econômica do aumento de potência.
No caso dos carregadores de navio, a substituição de componentes estruturais e repotenciação das máquinas aumenta a confiabilidade e a capacidade. A Metso tem casos reais no Brasil onde houve um aumento de 31% de capacidade, evitando a compra de equipamento novo, uma vez que o processo de melhoria custou 35% de uma máquina similar zero. A área de transportadores de correias e de alimentadores também pode ser melhorada com a atualização de componentes em ativos já existentes. É o caso da troca de raspadores e roletes, com o objetivo de elevar a capacidade de transporte, a produção e a confiabilidade do sistema.
Além do mapeamento de melhorias de processo, o Metso Day destacou a mineração orientada por dados. O foco é gerir estrategicamente as informações para manter o processamento mineral confiável e aumentar a produtividade das plantas. Os casos mais usuais envolvem a prevenção de paradas não programadas e redução de custos. Ao detectar falhas progressivas em seus estágios iniciais, é possível acompanhar os problemas e programar a manutenção para o período em que o equipamento já estaria parado. Uma das tecnologias ressaltadas pela Metso em sua atuação orientada por dados é a análise de deflexão operacional (ODS), que capta a vibração dos equipamentos por meio de câmera especial. O recurso permite identificar movimentos de fadiga estrutural e falhas de componentes que são invisíveis a olho nu, orientando os técnicos para a intervenção mais correta, como o alinhamento a laser e aperto de parafusos, entre outros.
O monitoramento baseado em dados também ajuda a atenuar problemas de escassez de mão de obra especializada, ao consolidar metodologias e conhecimento técnico no sistema, garantindo que novos profissionais mantenham o mesmo padrão de trabalho e contribuindo, inclusive, para a redução do risco de acidentes ocupacionais. A implementação do monitoramento de ativos segue um processo estruturado em etapas projetadas para garantir a eficácia da análise e a confiabilidade dos diagnósticos. O processo inclui a fase inicial de avaliação da criticidade dos ativos e análise técnica e comercial. Uma vez selecionados os equipamentos, define-se quais são os componentes críticos internos que deverão ser monitorados e a aplicação de sensores e mecanismos de transmissão de dados. Depois do período de análise inicial para conferir o comportamento operacional do equipamento, o processo envolve a configuração dos alarmes iniciais de vibração que farão parte da rotina de monitoramento.
Além do serviço de monitoramento remoto de ativos, a Metso também apresentou a tecnologia da MRA Automation, empresa australiana que foi incorporada em fevereiro desse ano pela multinacional finlandesa. A MRA é especializada em soluções avançadas de automação industrial para operações portuárias e de granéis e oferece serviços proprietários de automação inteligente com os produtos do software Axo33 Smart e ampliam o escopo de atuação da Metso no Brasil. Outra novidade mostrada no Metso Day foi a oferta de uma linha de redutores especialmente para o mercado de mineração. Os produtos estão disponíveis para aplicações em moinhos de moagem horizontais e verticais, os redutores possuem sistemas integrados de monitoramento de condição que auxiliam na manutenção preditiva e podem ajudar os operadores a evitar falhas dispendiosas nos equipamentos e paradas não programadas. “O Metso Day tem um forte foco na transição para a Indústria 5.0, defendendo o avanço no monitoramento de ativos com inteligência artificial, telemetria e machine learning”, disse Luciano Siqueira Silva, gerente sênior de manutenção do complexo de mineração Tapira, da Mosaic, foi um dos convidados para o Metso Day.
Com um relacionamento de mais de 18 anos com a Metso, Luciano considera a empresa uma parceira de vanguarda e referência global, que transmite grande segurança operacional aos clientes. Para Guilherme de Azevedo, engenheiro de manutenção sênior na CMOC, a troca de informações e a apresentação de inovações do encontro são os destaques. “Nós buscamos orientações para garantir a disponibilidade dos equipamentos e a segurança operacional, especialmente diante do aumento de produção da planta, que tem gerado desgaste acelerado em componentes dos moinhos”, destacou. Azevedo elogiou a parceria estreita com a Metso, citando o trabalho conjunto para redesenhar a engrenagem de um moinho antigo, de outro fabricante, além de defender a necessidade de mais treinamentos técnicos para mecânicos e engenheiros, com a meta de melhorar a sensibilidade na inspeção dos equipamentos e ampliar a base de conhecimento das equipes multidisciplinares.
O consultor Ricardo Nardi, especializado em processo mineral, participou do Metso Day pela primeira vez em Araxá. “Duas coisas me chamaram a atenção, entre elas o processo de conversão de moinhos de barras para bolas, porque aumenta a segurança e disponibilidade dos equipamentos, e a moagem de finos”, destacou. Nardi também comentou como positiva a discussão sobre monitoramento de condições que o evento trouxe, lembrando que esse recurso é fundamental para manter os padrões de continuidade em processos como a flotação. Já Luciano Luzia França, técnico de produção voltado à manutenção na CBMM, igualmente ressaltou a troca de experiência com especialistas da Metso e com os colegas de outras mineradoras. “Um dos pontos altos foi a automação e monitoramento de moinhos, que é um dos meus maiores interesses. O objetivo é aprofundar os conhecimentos em automação na mineração para reduzir a dependência da intervenção humana em pontos operacionais críticos”, resumiu.