PUBLICIDADE
DESCARBONIZAÇÃO

Hydro investe R$ 1,6 bilhão visando zerar emissões até 2050

Por evando•
Hydro investe R$ 1,6 bilhão visando zerar emissões até 2050

Investimento em melhorias do processo produtivo, incluindo caldeiras elétricas, visa reduzir emissões de 32% nas operações até final de 2024.

O alumínio é um metal estratégico na transição energética e cerca de 75% de toda a produção mundial continua sendo utilizada até hoje, graças às suas características de reciclabilidade. Aliás, a sustentabilidade é a base do relacionamento futuro da Hydro, cujas metas de ESG estão centralizadas em três pilares: meio ambiente, que implica na conservação da biodiversidade; clima – ter um produto de baixo carbono; e sociedade, com o propósito de melhorar a vida das comunidades onde opera – “queremos ser um bom vizinho, com parceria de entendimento de longo prazo”, diz Carlos Neves, Vice-Presidente de Operações de Bauxita e Alumina na Hydro.

A Hydro opera no Brasil de forma totalmente verticalizada, centrada em elevados padrões de controle e monitoramento ambiental. A Mineração Paragominas possui a segunda maior mina do Brasil (com capacidade para produzir 11 milhões t/ano) e uma das maiores reservas de bauxita e, para cada hectare minerado, a companhia realiza a restauração ambiental de outro hectare. O transporte do minério segue por um mineroduto que atravessa sete municípios no Pará e evita a emissão de 33 mil toneladas de CO2 por ano, se comparado ao transporte ferroviário, por exemplo.

No caminho da descarbonização, a operação mais intensa em uso de energia na Hydro é a refinaria de bauxita. Mas não é por isso que a companhia não se preocupa com a questão também na área da mina: “temos muitos equipamentos utilizando óleo combustível para movimentação de minério e várias iniciativas estão em curso para mudar essa realidade, desde a mudança do tamanho dos caminhões, mudança de equipamentos como Draglines, primarização do Tailings Dry Backfill, introdução de caminhões elétricos/GNV, microfragmentação da bauxita e a troca da frota de veículos pequenos para elétricos, propostas que têm mudado o mindset de todas as pessoas da operação para a orientação da descarbonização”, informa Neves.

Hoje a Hydro Paragominas emite 0,008 t CO2/t de bauxita produzida e a meta é reduzir em 50% esse volume de emissões relacionadas à mineração em 2030. Olhando para a refinaria, a escala é outra: 4,1 Mt/ano. Neves ressalta que a refinaria da Hydro Alunorte é termicamente eficiente e que enquanto a média atual da indústria é de 1.33 t CO2 por tonelada de alumina produzida, na companhia esse valor era de 0,66 t CO2/t A, isso em 2017 – ou seja, 50% menos que a média de emissão das outras indústrias.

Mas, se a empresa já está bem à frente, então por que descarbonizar? – “por causa do compromisso de controlar a elevação da temperatura global”, justifica Neves, salientando que toda contribuição é bem-vinda neste caso. Até o final de 2024 a companhia trabalha para reduzir as emissões de suas operações em 32%, caindo assim de 0,66 para 0,45 t CO2/t A.

Para tanto, a Hydro investiu em melhorias do processo produtivo que permitiram redução térmica de 15% a 20%, como a instalação de uma caldeira elétrica piloto. Ao final de 2024 mais duas caldeiras elétricas – em fase de construção – deverão estar em operação. Juntas, elas irão reduzir 550 mil toneladas de carbono por ano, um investimento de R$ 318 milhões. Aliás, segundo salienta Neves, trata-se das maiores caldeiras elétricas do mundo em operação.

Outro grande projeto para atingir a redução de 32% é a introdução do gás natural, um investimento de R$ 1,3 bilhão. “Nosso processo é intensivo em termos de energia, mas a base da nossa matriz ainda era em cima do óleo BPF e do carvão. Estamos fazendo a conversão de todos os nossos equipamentos para gás natural – num total de 13 equipamentos”, explica Neves.

Até o final deste ano a Hydro irá atingir um marco importante rumo à descarbonização, mas sua jornada não para aí. Outras iniciativas estão em curso, como a biomassa para substituição do carvão e o desenvolvimento de mais caldeiras elétricas para chegar, em 2030, a uma redução de 70% das emissões. Entre 2030 e 2050, a intenção é zerar as emissões de carbono e vários trabalhos estão em estágio avançado em termos de pesquisa, como o próprio biogás, o hidrogênio e eletrificação dos calcinadores.

O projeto do gás natural já é realidade em Barcarena (PA), conforme reforça Neves: “já substituímos o óleo por gás natural em sete calcinadores e seis caldeiras, reduzindo assim 700kt CO2E que, em complemento com as caldeiras, totaliza uma redução de 1.3 milhão de toneladas de CO2 já ao final de 2024”.

O VP da Hydro relata que como não havia gás disponível no Pará, a companhia partiu em busca de um parceiro para viabilizar esse projeto, tendo como garantia a certeza de grande consumo por muitos anos. O contrato com duração de 20 anos foi assinado com a New Fortress Energy, que montou uma unidade industrial de regaseificação dentro de um navio ancorado em Vila do Conde. O processo de conversão dos equipamentos teve início em abril passado. Dessa forma, todo o processo de calcinação e parte da geração de vapor da refinaria passou do óleo combustível para o gás natural como fonte de energia – ações que permitirão à Hydro a produção de um alumínio de baixo carbono.

Para alimentar suas operações na mina e refinaria, inclusive as caldeiras elétricas, a Hydro investiu em dois projetos através de seu braço de energia (Hydro Rein): Ventos de São Zacarias, na Serra do Araripe, entre os municípios de Piauí e Pernambuco, em processo de construção e que entrará em operação em novembro de 2024; e Mendubim, de energia solar no Rio Grande do Norte, em operação desde abril último.

A segunda jornada se dará em 2030, quando a companhia pretende reduzir 70% das suas emissões locais. Para tanto, a empresa vem trabalhando em parceria com a academia e um dos projetos em desenvolvimento com a Universidade Federal do Pará é o uso do caroço do açaí – de grande potencial calorífico – que, de rejeito, passará a combustível para a Hydro, em substituição ao carvão. A empresa se prepara para queimar 70 mil toneladas de caroço de açaí, volume suficiente para garantir a operação de uma das suas três caldeiras, caso o projeto alcance os níveis desejados. Para 2030, a empresa está desenvolvendo também projetos de calcinadores elétricos – “nessa trajetória, acreditamos que o mercado irá reconhecer os produtos de alumínio com emissões zeradas. Estamos na vanguarda de tecnologias cada vez mais limpas, um compromisso com a Amazônia”, finaliza Neves.

 

Por Mara Fornari

VEJA TAMBÉM

Indústria do cimento tem desafios para ser sustentável
DESCARBONIZAÇÃO

Indústria do cimento tem desafios para ser sustentável

10 set. 2026
Fernanda Ferrante assume direção de operações em Poços de Caldas
ALCOA

Fernanda Ferrante assume direção de operações em Poços de Caldas

9 set. 2026
Jacobina Mineração Pan American Silver conquista I-REC 2025
CERTIFICAÇÃO

Jacobina Mineração Pan American Silver conquista I-REC 2025

24 set. 2026

Artigos Relacionados

Jacobina Mineração Pan American Silver conquista I-REC 2025
CERTIFICAÇÃO24/09/2026

Jacobina Mineração Pan American Silver conquista I-REC 2025

Projeto Ferro Verde da Brazil Iron terá medição de carbono
EMISSÕES23/09/2026

Projeto Ferro Verde da Brazil Iron terá medição de carbono

MRN prevê R$ 5 bilhões no projeto Novas Minas
PARÁ15/09/2026

MRN prevê R$ 5 bilhões no projeto Novas Minas

Nexus Ligas lança selo para identificar produtos com menor pegada de carbono
MANGANÊS10/09/2026

Nexus Ligas lança selo para identificar produtos com menor pegada de carbono

Indústria do cimento tem desafios para ser sustentável

Indústria do cimento tem desafios para ser sustentável

Eminence Minerals contrata consultores para projeto Campo Grande
GESTÃO09/09/2026

Eminence Minerals contrata consultores para projeto Campo Grande

Alcoa faz proposta para aquisição de ativos da South32
ALUMÍNIO09/09/2026

Alcoa faz proposta para aquisição de ativos da South32

Fernanda Ferrante assume direção de operações em Poços de Caldas
ALCOA09/09/2026

Fernanda Ferrante assume direção de operações em Poços de Caldas