EBITDA ajustado da Gerdau supera R$ 10 bilhões em 2025

24/02/2026
Com Ebitda de R$ 10,1 bilhões em 2025, companhia reforça resiliência internacional e acelera projeto de mineração sustentável em Minas Gerais.

 

A Gerdau encerrou 2025 reafirmando a força de seu modelo de negócios, sustentado pela diversificação geográfica e pela integração entre mineração e siderurgia. O Ebitda ajustado alcançou R$ 10,1 bilhões, com margem de 14,4%, enquanto a receita líquida somou R$ 69,9 bilhões. As vendas físicas de aço chegaram a 11,6 milhões de toneladas no ano.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo mercado norte-americano, que manteve níveis consistentes de consumo de aço e bom desempenho operacional. “Ao longo de 2025, a Gerdau se beneficiou de seu modelo de negócio, baseado na diversificação geográfica e flexibilidade produtiva. Destaco a resiliência do mercado norte-americano, com um bom nível de consumo de aço”, afirmou o CEO Gustavo Werneck.

No quarto trimestre, tradicionalmente marcado por sazonalidade, a companhia registrou Ebitda ajustado de R$ 2,4 bilhões e margem de 14%, com receita líquida de R$ 17 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões — números que reforçam a estabilidade operacional mesmo em períodos de menor ritmo.

Se o cenário externo contribuiu positivamente, o ambiente doméstico exigiu atenção redobrada. O mercado brasileiro foi impactado pela entrada recorde de aproximadamente 6 milhões de toneladas de produtos acabados importados ao longo de 2025, pressionando preços e margens.

Nesse contexto, a Gerdau acelerou iniciativas voltadas ao aumento de eficiência, redução estrutural de custos e fortalecimento de sua integração vertical — movimento no qual a mineração assume papel central.

 

Mineração como eixo estruturante de geração de valor

 

A nova plataforma de mineração sustentável na mina de Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG), desponta como um dos projetos mais relevantes do atual ciclo estratégico da companhia. A iniciativa amplia a integração entre extração de minério de ferro e produção siderúrgica, reforçando a competitividade dos ativos no Brasil.

Segundo o CFO Rafael Japur, o projeto poderá gerar ganho potencial anual de Ebitda de R$ 1,1 bilhão a partir de 2027. “Seguimos evoluindo com o investimento na plataforma de mineração sustentável em Minas Gerais, fortalecendo nossa competitividade e criando valor no longo prazo”, destacou.

Mais do que ampliar capacidade, a plataforma foi concebida sob uma lógica de mineração sustentável, incorporando tecnologias de beneficiamento e processos alinhados às melhores práticas ambientais. A iniciativa reforça a estratégia da companhia de buscar maior autossuficiência em matérias-primas, reduzir exposição a volatilidades externas e capturar ganhos de eficiência ao longo de toda a cadeia.

Para o setor mineral, o movimento é significativo: trata-se de um grupo siderúrgico ampliando o protagonismo da mineração como vetor direto de geração de caixa, eficiência operacional e resiliência financeira.

 

Ciclo robusto de investimentos

 

Em 2025, a Gerdau investiu R$ 6,1 bilhões, sendo 59% direcionados a projetos de expansão e atualização tecnológica e 41% a manutenção. O plano para 2026 prevê aportes de R$ 4,7 bilhões, mantendo o foco na modernização de ativos e na consolidação de projetos estratégicos.

O resultado societário de 2025 foi impactado por baixas contábeis (impairment) de R$ 2 bilhões nas unidades do Brasil, sem efeito caixa. Desconsiderando esses itens não recorrentes, o lucro líquido ajustado do ano totalizou R$ 3,4 bilhões.

 

Retorno ao acionista e disciplina de capital

 

A companhia também reforçou sua disciplina financeira com a conclusão de um programa de recompra de ações em dezembro de 2025 e o anúncio de um novo programa em 2026. Em dividendos, serão destinados R$ 1,2 bilhão aos acionistas da Gerdau S.A. e R$ 414 milhões aos acionistas da Metalúrgica Gerdau S.A., consolidando uma política consistente de geração e distribuição de valor.

Ao fechar 2025, a Gerdau demonstra que, em meio a um ambiente global ainda desafiador, a combinação entre diversificação internacional, eficiência operacional e fortalecimento da base mineral própria tende a ser decisiva para sustentar margens e ampliar competitividade. A mineração, nesse contexto, deixa de ser apenas suporte à siderurgia e passa a ocupar posição estratégica no futuro da companhia.