13/04/2017
VOTORANTIM

Receita líquida cai 9% em 2016

A Votorantim fechou o ano com receita líquida de R$ 26,7 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 4,3 bilhões, o que representou quedas de 9% e de 38%, respectivamente, em relação a 2015. A redução do Ebitda ajustado reflete a deterioração da economia brasileira, principalmente nos setores de cimento e alumínio. Em 2015, o Ebtida ajustado incorporava dividendos extraordinários pagos pela Fibria, além da venda de ativos (imóveis rurais), que, juntos, totalizaram R$ 1 bilhão. Desconsiderando estes dois eventos, a queda do Ebitda ajustado seria de 27% em relação ao ano anterior. Os investimentos somaram R$ 3 bilhões em 2016. Os projetos de expansão receberam 51% dos investimentos, principalmente em projetos e regiões considerados com alto potencial de crescimento pela Votorantim S.A. 
 
No último ano a Votorantim S.A. registrou prejuízo de R$ 1,3 bilhão, provocado, em especial, pelo impairment (redução no valor recuperável de ativos) referente à suspensão temporária das operações de níquel e à disponibilização para venda do negócio de aços longos no Brasil – cujo acordo com a ArcelorMittal foi firmado em fevereiro de 2017, envolvendo as operações da Votorantim Siderurgia no País. O impairment referente a esses dois eventos correspondeu a R$ 1,8 bilhão e impactou o resultado consolidado. “Nossos resultados foram negativamente impactados por um cenário brasileiro mais adverso, mas mesmo em tal cenário mantivemos os investimentos que já estavam aprovados”, avalia João Miranda, diretor-presidente da Votorantim S.A. “Trabalhamos com uma perspectiva de longo prazo e, considerados os últimos cinco anos, muitos de nossos investimentos, que totalizaram mais de R$ 14 bilhões, foram direcionados para negócios e regiões promissores e que passarão a gerar caixa a partir deste ano”, afirma João Miranda. 
 
A área de cimentos recebeu 75% dos investimentos em expansão em 2016, o que incluiu inauguração de fábricas no Brasil e Bolívia, e projetos em construção na Turquia e Estados Unidos. A área de zinco recebeu aportes para ampliação do projeto de aprofundamento da mina em Vazante (MG), que aumentará sua vida útil em 10 anos. Em energia, o parque eólico Ventos do Piauí recebeu mais de 20% do investimento previsto de R$ 1,1 bilhão, desde o início de sua implantação em 2015. Os investimentos consolidados da Votorantim S.A. não incluem o projeto de expansão da planta de celulose da Fibria em Três Lagoas (MS), no qual já foram investidos R$ 4,3 bilhões desde o início da sua construção, em 2015. A Fibria, empresa na qual a Votorantim S.A. possui participação de 29,42%, é reconhecida nos resultados da Votorantim por equivalência patrimonial. 
 
A dívida bruta consolidada da Votorantim S. A. totalizou R$ 24,4 bilhões, 20% a menos que no ano anterior. Já a dívida líquida atingiu R$ 14,7 bilhões, 24% inferior em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução da dívida é consequência, principalmente, da valorização do real frente ao dólar e também da amortização decorrente das iniciativas de gestão de passivos executadas pela companhia ao longo do ano passado. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida / EBITDA ajustado, encerrou 2016 em 3,43x, ante 2,79x em dezembro de 2015, também impactada pelo cenário de recessão da economia brasileira. A companhia registrou caixa de R$ 10,2 bilhões no ano e suas empresas investidas possuem duas linhas de crédito rotativo (Revolving Credit Facilities) no total de US$ 1,2 bilhão com 14 bancos, que expiram em 2020, e que não estão sendo utilizadas  “Diante de um cenário volátil, mantivemos uma posição de liquidez confortável, com perfil alongado de amortização de dívidas e prazo de médio de vencimento de 7,6 anos. Nossas empresas estavam preparadas para um cenário mais adverso”, afirma Sergio Malacrida, CFO da Votorantim S.A. 
 
A Votorantim Cimentos teve 2016 como um ano de conclusão de investimentos e inaugurações, como a fábrica de Primavera (Pará), que adicionou à capacidade de produção da empresa 1,2 milhão de toneladas de cimento por ano, e da unidade em Yacuces (Bolívia), que começou a operar em dezembro, adicionando capacidade de 1,0 milhão de toneladas por ano. A Votorantim Cimentos ainda manteve seus investimentos na Turquia (Sivas), Estados Unidos (Charlevoix) e Argentina (San Luis e Olavarría), com expectativa de início das operações em 2017, 2018 e 2019 respectivamente, a fim de reforçar seu posicionamento nestas regiões. Na América do Norte, a empresa registrou desempenho positivo em função do cenário econômico favorável, refletindo em maiores preços e volumes vendidos de cimento e concreto nos Estados Unidos. Já no cluster formado por Europa, África e Ásia, houve  melhora da performance operacional, especialmente no Marrocos, que se beneficiou de um ambiente estável com aumento de investimentos em infraestrutura, em adição à otimização de custos em todas as regiões. 
A receita líquida consolidada da Votorantim Cimentos somou R$ 12,7 bilhões em 2016, 10% inferior à registrada no ano anterior, em função principalmente da menor demanda por cimento no Brasil. De acordo com o Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento (SNIC), as vendas no mercado brasileiro caíram 11,7% comparadas às vendas de 2015. 
 
O Ebitda ajustado totalizou R$ 2,41 bilhões em 2016, 25% inferior ao registrado em 2015, parcialmente compensado pelos crescimentos na América do Norte e na Europa, África e Ásia. “Adequamo-nos ao cenário de desaceleração da economia, implementamos medidas para obter maior excelência e eficiência operacional e adequamos nossa produção à demanda para manter a competitividade e superar o atual ciclo, que já revela indícios de estabilidade. Estamos preparados e melhor posicionados para retomada do crescimento da economia brasileira”, afirma Lorival Luz, CFO da Votorantim Cimentos. 
 
Já a Votorantim Metais encerrou o ano com receita líquida de US$ 1,8 bilhão, crescimento de 3% sobre 2015. A companhia obteve Ebitda ajustado de US$ 380 milhões, queda de 12% na comparação anual, provocada pelo aumento dos gastos em prospecção e provisões ambientais. A relação dívida líquida/Ebitda ajustado de 0,35x comparado a um índice de 0,83x no final de 2015. A companhia registrou uma geração de caixa robusta de US$ 683 milhões, 69% acima do ano passado. No final de 2016, a Milpo executou uma transação de streaming de prata - contrato de fornecimento continuado de produção mineral - no valor de US$ 250 milhões. “Em um ano desafiador, operamos com capacidade máxima de produção de concentrados e de zinco metálico, o que nos permitiu ampliar a participação no mercado internacional. Para 2017, seguiremos focados no desenvolvimento de nossos projetos de expansão, na redução de custos, no incremento de eficiência e na integração cada vez maior entre as operações do Brasil e do Peru”, afirma o CFO Mario Bertoncini. 
 
A receita líquida da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) atingiu R$ 4,2 bilhões, 9% a menos na comparação com 2015. O resultado foi impactado pela redução no volume de vendas de energia. Em relação à comercialização de alumínio, a receita apresentou queda de 3%, como reflexo da retração do mercado nacional, impactando diretamente o mix de vendas entre alumínio primário e transformado. 
 
O Ebitda ajustado da CBA totalizou R$ 52 milhões, redução de 93% em relação ao ano anterior, por conta do efeito da incorporação dos ativos de níquel, pela queda no volume de vendas e preços de energia, bem como pela menor demanda por alumínio no mercado local. “Apesar do forte impacto da economia e de fatores exógenos no resultado da CBA, em 2016 a empresa ganhou robustez e está operando com maior estabilidade e eficiência. Seguimos na busca por novas oportunidades de mercado alinhadas à nossa estratégia de longo prazo”, comenta Luciano Alves, Gerente-geral Financeiro da CBA. 
 
A receita líquida de aços longos na Colômbia e na Argentina totalizou R$ 1,6 bilhão em 2016, 20% inferior à de 2015, devido a menores volumes comercializados. Na Argentina, houve revisão dos projetos de infraestrutura e medidas de ajuste tomadas pelo novo governo, que impactaram a demanda. Na Colômbia, a redução de obras do programa de infraestrutura e uma greve de caminhoneiros, que teve duração de 45 dias, restringiram as vendas, além da depreciação de 21% do peso colombiano no ano (média do período) em relação ao real, que teve um efeito negativo na consolidação dos resultados. O Ebitda ajustado totalizou R$ 304 milhões, 21% inferior ao ano de 2015. 
Os valores apresentados no resultado consolidado não consideram os resultados das operações de aços longos no Brasil, que foram classificados como disponíveis para venda nas demonstrações financeiras de 2016. Em fevereiro de 2017, a Votorantim S.A. e a ArcelorMittal Brasil assinaram acordo pelo qual a Votorantim Siderurgia passa a ser subsidiária da ArcelorMittal Brasil e a Votorantim S.A. passa a deter uma participação minoritária no capital da ArcelorMittal Brasil. A combinação dos negócios resultará em um produtor de aços longos com capacidade anual de produção de 5,6 milhões de toneladas de aço bruto e de 5,4 milhões de toneladas de laminados, além de gerar sinergias de custos, logísticas e operacionais. O acordo está sujeito às aprovações regulatórias no Brasil, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e o cumprimento de determinadas condições do previstas no acordo. 

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