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Brasil Mineral - Edição 460

Agosto 2026
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Minério de ferro: novo ciclo de crescimento?

MINAS GERAIS

Minério de ferro: novo ciclo de crescimento?

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 460Agosto 2026Páginas 8-25

Após a retração provocada pelas consequências dos episódios de Mariana e Brumadinho, depois dos quais as empresas tiveram que mudar processos e investir em sustentabilidade, a indústria de extração de minério de ferro em Minas Gerais passa por um novo ciclo de desenvolvimento, impulsionada por preços que, mesmo estando longe dos picos do passado recente, ainda remuneram bem a atividade, sobretudo para aquelas companhias que conseguem manter custos operacionais em torno dos 20 dólares por tonelada. Veja a seguir o que estão fazendo os principais players do segmento em Minas Gerais.

Vale investe em expansão e modernização das operações

A Vale mantém um portfólio robusto de projetos estratégicos em Minas Gerais, concentrados na expansão da produção de minério de ferro de alta qualidade, modernização de ativos e implementação de tecnologias sustentáveis. Estes projetos representam investimentos de R$ 67 bilhões até 2030 e são fundamentais para a estratégia de crescimento da companhia no estado.

Os recursos estão sendo destinados para processos produtivos mais seguros, inovadores e sustentáveis, além de priorizar a redução do uso de barragens, reduzir as emissões de carbono e ampliar a mineração circular, com o apoio de novas tecnologias nos cinco complexos operacionais da empresa em Minas Gerais.

O investimento de R$ 67 bilhões em Minas Gerais está inserido na estratégia da Vale para 2030 visando oferecer um portfólio de minério de ferro mais flexível, impulsionado por melhorias no desempenho operacional. Os aportes neste período, segundo a empresa, devem gerar cerca de R$ 440 milhões em royalties por ano, movimentando R$ 3 bilhões anuais em salários para cerca de 60 mil profissionais, entre próprios e contratados.

A maior parte dos investimentos será destinada a soluções para ampliar a filtragem e o empilhamento a seco do rejeito, com o objetivo de reduzir, de 30% para 20%, o uso de barragens nas operações da empresa no Estado. Conforme a Vale, esses projetos oferecerão mais segurança na produção do portfólio de alta qualidade, que requer etapas de concentração do minério, especialmente o pellet feed de alto teor, essencial para as rotas de redução direta na produção de aço com menor emissão de gases de efeito estufa. Para a Companhia, Minas Gerais é estratégico no fornecimento desse produto, contribuindo diretamente para a descarbonização da indústria siderúrgica.

A Vale investirá também na modernização dos cinco complexos operacionais da mineradora, além do aumento na gestão de estruturas geotécnicas das minas, incluindo conectividade, renovação de frota, instrumentação e monitoramento, entre outros processos que garantem a segurança, sustentabilidade e inovação na produção de minério de ferro no Estado.

Desde 2020, a Vale tem intensificado práticas de mineração circular em Minas Gerais com o reprocessamento de minério de ferro de estruturas geotécnicas em descaracterização. O reaproveitamento permite a eliminação de riscos associados às estruturas e traz ganhos ambientais, como a redução de área para disposição do material.

A Vale iniciou também a produção de Areia Sustentável em Minas Gerais, com mais de três milhões de toneladas comercializadas nos últimos dois anos, e a Fábrica de

Blocos em Itabirito, que transforma rejeitos em materiais para a construção civil, retornando para a cadeia produtiva materiais que seriam anteriormente descartados em barragens e pilhas.

Fotografia de uma operação de mineração com grandes pilhas de minério/areia, esteiras transportadoras e estrutura industrial, com montanhas ao fundo.
Mineração Circular na Vale

Capanema é modelo de mineração do futuro

Um dos projetos emblemáticos da Vale em Minas Gerais é o da mina Capanema, localizada em Ouro Preto, que foi inaugurado em setembro de 2025, marcando o retorno operacional da mina após 22 anos de paralisação. Este projeto, segundo a própria Vale, exemplifica os paradigmas do que a Companhia chama "Mineração do Futuro", por suas características operacionais: Operação 100% autônoma com 5 caminhões fora de estrada autônomos; Mineração a seco, sem utilização de água no processamento; Zero rejeitos gerados, eliminando necessidade de barragens; Reaproveitamento de minério contido em pilha de estéril (circularidade); e Produção de sinter-feed a umidade natural.

O projeto de reativação de Capanema requereu investimentos totais de R$ 5,2 bilhões e a operação tem capacidade para produzir 15 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, possibilitando a geração de 800 empregos diretos, além de dar contribuição decisiva para o guidance da empresa de produzir 340-360 milhões de toneladas em 2026.

Vargem Grande 1: Transformação Tecnológica

Outro projeto importante da Vale em Minas Gerais é Vargem Grande 1, localizado em Nova Lima, que iniciou operações em setembro de 2024, um mês antes do cronograma previsto, e a iniciativa envolveu a transformação da planta de processamento de umidade natural para processamento a úmido, além da expansão das minas de Horizontes e Tamanduá.

O projeto possibilitou capacidade adicional de 15 milhões de toneladas/ano e requereu investimento de US$ 67 milhões, sendo que o seu ramp up deve ocorrer até o final de 2026. Um destaque neste projeto é a implementação de tecnologias avançadas com IA, processamento de imagem e gêmeos digitais.

Planta Conceição II (Itabira)

Legenda da fotografia mostrando um equipamento de mineração (recuperadora/empilhadeira de roda de caçambas) sobre uma grande pilha de pelotas de minério de ferro.
Pátio de pelotas

Itabira (MG), o local que lhe deu origem, foi o endereço escolhido pela Vale para escrever um novo capítulo em sua história de 84 anos. Na cidade que viu nascer a mineradora, a empresa inaugurou a Usina Modelo — nome dado ao projeto de modernização da unidade Conceição II —, tornando-a a primeira usina de alta tecnologia da companhia no Brasil a integrar Inteligência Artificial (IA) aos processos industriais de beneficiamento de minério de ferro. Com capacidade para produzir 11,2 milhões de toneladas por ano, a unidade passa a funcionar como laboratório vivo e referência para a expansão do modelo a outras operações da Vale no país e no mundo.

O projeto, que demandou investimentos de R$ 200 milhões, levou um ano e meio para ser implantado e abrangeu 51 soluções para eliminação de gargalos e melhorias operacionais. Foram instaladas mais de 100 câmeras de monitoramento no complexo de prédios da usina, automatizados cerca de 7.300 instrumentos — incluindo novos dispositivos de medições avançadas e sensores — e implantada inteligência de dados capaz de controlar e otimizar mais de 400 variáveis em todas as etapas do tratamento do minério. O resultado, em menos de dois anos de projeto piloto, é um aumento de 25% na produtividade, com a unidade atingindo sua capacidade planejada. Em 2024, a produção foi de 9 milhões de toneladas. Para 2026, a usina já está habilitada a produzir os 11,2 Mt previstos.

Os resultados, ainda preliminares, incluem um aumento de 10% na taxa diária de produção, mais 13% de disponibilidade física, redução em 26% do teor de ferro contido em rejeitos e instrumentação simultânea com 14 mil instrumentos. Além disso, permite a produção de mais 38% de minério para redução direta. Outro indicador de destaque é o uso da água. Atualmente, 92% da água utilizada na Usina Conceição II é recirculada. Após a filtragem do minério e do rejeito — etapas finais do processamento —, a água retorna ao ciclo operacional.

A Vale pretende implementar as mesmas tecnologias nas operações de Brucutu e Vargem Grande, até 2027.

Brucutu: primeira mina autônoma

A operação de Brucutu é um outro exemplo de modernização da Vale. Localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), a mina foi reconhecida com o Shingo Prize, considerado o prêmio mais rigoroso e prestigiado do mundo em gestão operacional e cultura organizacional. A premiação é concedida pelo Shingo Institute, da Utah State University (EUA), criada em homenagem a Shigeo Shingo, um dos principais formuladores do Sistema Toyota de Produção.

Para a Vale, o reconhecimento destaca o alto nível de excelência da unidade, que combina desempenho produtivo com padrões de segurança acima da média da indústria. A operação de Brucutu também contribuiu para que a Vale alcançasse, em 2025, o maior volume anual de produção de minério de ferro desde 2018, que atingiu 336 milhões de toneladas.

Vista aérea de instalação industrial de mineração com correias transportadoras, edificações e montanhas ao fundo, sob céu claro ao amanhecer.
Operação Brucutu, da Vale

Brucutu foi pioneira no Brasil na operação de frota de transporte 100% autônoma, iniciando o uso da tecnologia em 2018. A unidade conta atualmente com 15 cami- nhões fora de estrada, com capacidade de transporte de 240 toneladas cada um, e duas perfuratrizes. Uma equipe especializada monitora a operação por uma sala de controle, reduzindo a exposição aos riscos.

Programa de Descaracterização de Barragens

A Vale informa que avança significativamente no Programa de Descaracterização de Estruturas a Montante em Minas Gerais, mencionando os principais progressos alcançados até agora com o programa: Redução de 80% no número de estruturas em nível de emergência desde 2020; Redução de 14 para 9 estruturas em algum nível de emergência (2025); Redução adicional de 2 estruturas em 2026; Conclusão de 63% do programa de descaracterização; Das 13 estruturas remanescentes, 8 estão em obras. A meta da Vale é reduzir o uso de barragens de 30% para 20% nas operações do estado de Minas Gerais. Cabe salientar que das 19 barragens inseridas no programa, pelo menos 16 delas estão localizadas no estado.

Foto aérea de uma área de mineração mostrando uma barragem desativada/descaracterizada da Vale, com terrenos de solo exposto, estradas de terra e instalações industriais ao fundo.
Barragem da Vale descaracterizada

Até agora, a empresa informa que investiu cerca de R$ 13 bilhões no programa de descaracterização de barragens em suas operações no Brasil. Até a conclusão do programa, em 2035, a previsão é que os investimentos cheguem a US$ 5 bilhões.

Mineração Circular

Minas Gerais responde por aproximadamente 80% da produção de fontes circulares da Vale. Em 2025, a companhia produziu 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro a partir de fontes circulares, equivalente a 8% da produção total.

Dentre as iniciativas principais do programa, a empresa menciona o reprocessamento de estéreis e rejeitos, produção de Areia Sustentável, com mais de 3 milhões de toneladas comercializadas nos últimos dois anos, a Fábrica de Blocos em Itabirito (que transforma rejeitos em materiais para construção civil), recuperação da Pilha Tamanduá, na mina de Brucutu, com entrada prevista para início de 2028 e que é considerada essencial para as operações.

Outro avanço no programa de mineração circular da Vale foi a implantação do projeto de reaproveitamento de rejeito da mina Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG). Em 2025, a Vale mais do que dobrou sua produção circular e atingiu 26,3 milhões de toneladas, um crescimento de 107% em relação a 2024. Cerca de 80% desse volume foi produzido no Estado. O projeto de cir- cularidade na mina Gongo Soco, paralisada desde 2016, envolve a implantação de uma usina para processamento de rejeito proveniente da descaracterização da barragem Sul Superior e de duas pilhas da unidade. A planta terá capacidade para produzir cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A meta futura da Vale é alcançar 10% de sua produção anual a partir de fontes circulares até 2030.

CSN Mineração aposta em expansão bilionária

A CSN Mineração S.A., que encerrou 2025 com o melhor desempenho operacional de sua história, acelerou as obras de um projeto que pode redefinir sua posição no universo global da mineração de ferro. Trata-se da Planta de Itabiritos P15 — uma estrutura de R$ 8 bilhões em construção no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas, Minas Gerais — que é a aposta central da companhia para os próximos anos: quando operar em plena capacidade, produzirá 16,5 milhões de toneladas anuais de pellet feed com teor de ferro de 67%, um insumo estratégico para a produção de aço com emissões radicalmente menores de carbono. A empresa tem um ambicioso ciclo de investimentos de R$ 13,2 bilhões em Minas Gerais até 2030.

A evolução da Planta Central foi impulsionada pelo desempenho do CMAI 3, das espirais e da Flotação 3, contribuindo diretamente para o aumento da eficiência do processo. A companhia também consolidou iniciativas voltadas à redução de paradas operacionais e ao aumento da disponibilidade dos equipamentos, com impactos positivos em produtividade, custos e segurança. Como parte desse plano, o Capex totalizou R$ 2,4 bilhões em 2025, voltado a projetos estruturantes, com destaque para as obras da P15 e para iniciativas de eficiência operacional.

No centro da estratégia da CSN Mineração está um produto e uma tese de mercado. O pellet feed produzido pela P15 terá teor de ferro de 67% — um patamar elevado que o torna insumo preferencial para a produção de aço pela rota de redução direta, processo que utiliza gás natural ou hidrogênio como agente redutor, em substituição ao coque derivado do carvão.

A P15 deve iniciar operações no último trimestre de 2027, segundo o planejamento mais recente da companhia. Quando plenamente operacional, está estimado um impacto de aproximadamente R$ 4 bilhões por ano em Ebitda adicional, além de contribuição para a melhoria das margens operacionais. O investimento total alocado ao projeto, como já mencionado, é de R$ 8 bilhões.

A expansão da capacidade produtiva exige, por definição, uma estrutura logística à altura. Assim, a CSN Mineração está ampliando a capacidade de escoamento do TECAR, seu terminal portuário em Itaguaí, de 45 milhões para 60 milhões de toneladas por ano — um salto de 33% que acompanha a trajetória de crescimento planejada para os próximos anos.

No elo ferroviário da cadeia, a companhia consolidou sua posição na MRS Logística S.A. em 2025, por meio da aquisição da fatia anteriormente detida pela CSN, passando a ter participação direta de 29,91% na empresa. A operação ampliou o controle sobre o transporte do minério na principal malha ferroviária que conecta o Quadrilátero Ferrífero aos portos do Sudeste, reforçando a competitividade logística integrada da companhia no escoamento para mercados internacionais.

Essa estrutura verticalizada — mina, ferrovia, porto — é um dos elementos que distinguem a CSN Mineração no setor e que sustentam sua capacidade de competir globalmente. O recorde de embarque do TECAR em 2025, com 41 milhões de toneladas, é uma demonstração concreta dessa eficiência, segundo a empresa.

Circularidade e segurança de barragens

Além da P15, o ciclo de investimentos da CSN Mineração inclui projetos que combinam eficiência produtiva com responsabilidade socioambiental. Um deles é o CMAI B4, voltado ao reprocessamento de rejeitos acumulados na barragem B4 para produção de pellet feed. A iniciativa tem capacidade de produzir até 3,3 milhões de toneladas por ano e está alinhada à diretriz de recuperar recursos valiosos, apoiar a descaracterização de barragens e incorporar princípios de economia circular ao revalorizar rejeitos atualmente dispostos nessas estruturas.

No campo da segurança de barragens — tema que permanece sensível para todo o setor minerário brasileiro após tragédias recentes —, a companhia registrou em 2025 um marco relevante: a descaracterização da Barragem do Vigia, pertencente ao Complexo Pires, foi reconhecida pela Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam). A iniciativa representa avanço concreto no fortalecimento da segurança das operações e na redução estrutural de riscos socioambientais.

A partir de 2028, com o início das operações da P15, a companhia planeja ainda a conversão da planta central, que permitirá ampliar a produção de pellet feed e o processamento de minérios mais finos e silicificados — movimento que estende a transformação iniciada pela P15 para o coração das operações históricas da companhia.

Para 2026, o olhar da CSN Mineração combina a aceleração das obras da P15 com um movimento mais amplo de reorganização do portfólio e da estrutura de capital do grupo. Em janeiro de 2026, a empresa apresentou um plano com objetivo de reduzir a dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ao longo do ano, por meio da venda de ativos considerados relevantes, mas não centrais no novo desenho estratégico. Mas isso não deverá afetar a construção da planta P15 que, quando estiver em plena operação, não apenas elevará a capacidade produtiva da CSN Mineração, mas também mudará a natureza do produto que ela oferece ao mundo — e, com isso, sua relevância em uma indústria do aço que não tem alternativa senão descarbonizar. Convém salientar que a Companhia mantém o Complexo Casa de Pedra e a Operação Engenho-Pires como principais ativos produtivos.

Samarco quer retomar capacidade total

A Samarco, que em 2025 atingiu sua maior produção desde a retomada das operações em 2020, alcançando 15,1 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro durante o ano, pretende voltar à plena capacidade até 2028. O Conselho de Administração da empresa aprovou, em novembro de 2025, um plano de investimentos de R$ 13,8 bilhões para que ela possa alcançar 100% da capacidade produtiva instalada. Este é o maior investimento privado já realizado pela Samarco em sua história.

O volume produzido em 2025 representa um crescimento expressivo em relação aos 9,7 milhões de toneladas produzidas em 2024, consolidando a empresa no patamar de 60% de sua capacidade instalada.

Em termos de posicionamento competitivo global, a Samarco se consolidou como terceiro maior exportador transoceânico de pelotas, atrás apenas da Vale (com aproximadamente 35 milhões de toneladas) e da LKAB (com 16-17 milhões de toneladas).

Os investimentos para retomada da capacidade serão distribuídos entre Minas Gerais e Espírito Santo, com aproximadamente R$ 9 bilhões destinados a Minas Gerais e pouco mais de R$ 4 bilhões ao Espírito Santo. As principais frentes de investimento incluem: Usina de concentração em Minas Gerais, com a reconstrução completa e atualização tecnológica das instalações de britagem, moagem e flotação; Construção de uma nova estrutura (pilha) para disposição de estéril; Reativação das Usinas de pelotização 1 e 2, em Ubu (Espírito Santo), que requer o maior investimento, da ordem de R$ 3,5 bilhões; Instalação de um Transportador de Correias de Longa Distância (TCLD), com 12 quilômetros de extensão, para transporte de minério em substituição a caminhões; Implementação do Sistema de Filtragem 3, a ser instalado no Complexo de Germano.

Sustentabilidade e inovação

A Samarco tem investido também em sustentabilidade de suas operações, mantendo 100% do consumo de energia elétrica prove- niente de fontes renováveis e rastreadas e atingindo 87,7% de recirculação global de água. A unidade de Ubu, no Espírito Santo, operou com recirculação integral e balanço hídrico positivo. A destinação sustentável de resíduos não minerais alcançou 95% no período.

Na agenda climática, a empresa reduziu ainda mais as emissões de gases de efeito estufa e recebeu, pelo quarto ano consecutivo, o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, reconhecendo a qualidade e transparência de seu inventário.

No que se refere aos rejeitos, 89% do rejeito arenoso gerado em 2025 foi reaproveitado nas obras de descaracterização da barragem de Germano. Além disso, a empresa investiu R$ 52,5 milhões em 84 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com foco em automação, inteligência artificial, economia circular e tecnologias de empilhamento a seco.

A descaracterização da barragem do Germano encontra-se em estágio avançado, com previsão de finalização para 2027, antecipando-se ao prazo legal originalmente definido de 2029. Este projeto representa um marco importante na estratégia de operação sem barragens de rejeitos.

Anglo American faz otimizações no Sistema Minas-Rio

A Anglo American, que fez uma aquisição estratégica no final de 2024, quando adquiriu recursos minerais de alto teor da Serra da Serpentina (MG), pertencentes à Vale, dando como contrapartida 15% de participação nas operações do Minas-Rio e a opção, para a Vale, de adquirir mais 15% em caso de expansão futura, tem um programa de investimentos que envolve recursos de US$ 1,12 bilhão até 2027, em dois projetos principais.

O primeiro é a instalação de uma planta de filtragem em Conceição do Mato Dentro, visando aumentar a vida útil da barragem de rejeitos. A planta, que demanda investimentos de US$ 820 milhões, terá capacidade de 24,5 milhões de toneladas/ano, filtrando 85% dos rejeitos. A conclusão está prevista para 2026.

O segundo projeto é a instalação de uma operação de Recleaner e Vertimills, também em Conceição do Mato Dentro, e que objetiva aumentar a capacidade do Minas-Rio em mais 1,7 milhão de toneladas/ano. O investimento é da ordem de US$ 300 milhões, com previsão de conclusão em 2027.

Também faz parte dos planos da Anglo American o alteamento da barragem, elevando a cota de 700 metros para 725 metros, o que assegura a continuidade operacional por mais 50 anos.

Bemisa se consolida como Player Médio

A Bemisa consolidou-se como player estratégico em minério de ferro em Minas Gerais, com capacidade instalada atual de 6,0 milhões de toneladas anuais no Complexo Baratinha (minas Baratinha e Mongais) e na mina Pedra Branca, que começou a operar em 2025.

A mina Baratinha, que opera desde 2014, está localizada em Antônio Dias e tem capacidade para 2,5 milhões de toneladas/ano. A planta opera com beneficiamento a úmido e, segundo a empresa, tem mais de 300 milhões de toneladas de recursos minerais, sendo 100 milhões de toneladas de hematita de alto teor. Mongais, que opera desde 2024, faz parte do Complexo Baratinha, operando com processamento de minério a seco e a capacidade instalada é de 1,5 milhão t/ano. Já Pedra Branca, que fica no município de João Monlevade/Itabira, tem capacidade instalada para produzir 2 milhões de toneladas/ano de minério de ferro, utilizando processamento a seco e úmido. Pedra Branca tem recursos de 130 milhões de toneladas de minério de alto teor.

A meta da Bemisa é atingir uma capacidade de produção superior a 10 milhões de toneladas/ano a partir de 2030. A empresa está conduzindo um revamp na planta de beneficiamento a úmido de Baratinha, para viabilizar o aproveitamento de minérios de baixo teor e reaproveitar rejeitos.

Em termos de logística, a Bemisa conta com dois terminais ferroviários (Terminal Bemisa e Terminal Bemisa João Correia) com capacidade combinada de 4 milhões de toneladas/ano.

Os planos de crescimento da Cedro Mineração

A Cedro Mineração executa atualmente um ambicioso plano de expansão multifacetado que transcende a produção mineral, integrando verticalização logística e transição para minério de alto teor. O grupo projeta crescimento de 7 milhões de toneladas anuais (2025) para 25 milhões de toneladas até 2030, com investimentos totais de R$ 7 bilhões, posicionando-se como a quinta maior mineradora de ferro do Brasil. A estratégia se baseia em três pilares: expansão das operações de beneficiamento em Mariana e Nova Lima, desenvolvimento de infraestrutura logística integrada (ferrovia e porto), e migração para produção de pellet feed de redução direta (PFRD), o "minério verde".

Foto aérea de uma operação de mineração mostrando esteiras transportadoras, pilhas de minério e equipamento pesado sob céu com nuvens.
Operação da Cedro Mineração

A operação em Nova Lima representa o ponto de partida da trajetória da Cedro no setor mineral. Adquirida da Extrativa Mineral em 2017, a mina foi originalmente denominada Mina do Gama e operava com capacidade de apenas 1,3 milhão de toneladas anuais no primeiro ano. Com investimentos de R$ 150 milhões em tecnologias para modernização, a Cedro ampliou significativamente a produção para aproximadamente 4 milhões de toneladas anuais. A mina adota o processo de empilhamento a seco de rejeitos, eliminando completamente o risco de barragens de rejeito.

A outra operação da Cedro está em Mariana, iniciada em outubro de 2022, que representa a primeira expansão significativa do grupo após a aquisição de Nova Lima. A mina de Mariana possui capacidade instalada de 3 milhões de toneladas por ano e produziu 2,87 milhões de toneladas em 2025. A receita desta operação cresceu de R$ 310 milhões, em 2023, para R$ 670 milhões, em 2024, refletindo o ramp-up operacional.

Mariana é o epicentro da estratégia de expansão da Cedro. Atualmente, a mina produz cerca de 3 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com planos de adicionar 2 milhões de toneladas através de investimentos em infraestrutura e equipamentos. A produ- ção será integralmente convertida para pellet feed, minério premium com alto teor de ferro e baixos níveis de impurezas.

O projeto de expansão em Mariana representa a primeira fase do crescimento planejado da Cedro. Com investimento de R$ 4 bilhões, o projeto visa ampliar a capacidade produtiva de 3 para 5 milhões de toneladas anuais de pellet feed. A Cedro também arrendou uma jazida da Vale, cujo direito de exploração foi autorizado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) em setembro de 2024, permitindo aproveitamento máximo da jazida. A conclusão desta fase está prevista para 2027 e o projeto inclui adoção de filtragem e empilhamento a seco, eliminando completamente o risco de barragens de rejeito, e reaproveitamento de 85% da água utilizada.

A operação de Mariana contará com um TCLD (Transportador de Correias de Longa Distância), uma inovação logística crítica integrada ao projeto de expansão. Com investimento de R$ 700 milhões, o sistema terá 20 km de extensão e movimentará entre 1.800 e 2.000 toneladas por hora, com velocidade de 4 m/s e correia de 1.200 mm de largura. O projeto está inserido no plano de expansão de R$ 4 bilhões. A instalação possibilitará a substituição de aproximadamente 5 mil carretas por dia da BR-381, eliminação de emissões de aproximadamente 54 mil toneladas de CO₂ por ano, redução drástica de ruído e poeira para comunidades vizinhas e alimentação por rede elétrica de fontes renováveis com acionamentos regenerativos.

A Cedro também planeja investir aproximadamente US$ 700 milhões em uma planta dedicada à produção de concentrado de altíssimo teor voltado à fabricação de pelotas para siderurgia de baixo carbono. Neste caso haverá uma parceria com a Vale, que comprará integralmente a produção e atuará na operação logística.

Em termos de infraestrutura logística, a Cedro investirá em uma ferrovia de curta distância, que representa um investimento de R$ 1,5 bilhão. Com 26,5 quilômetros de extensão, a ferrovia conectará os municípios de Mateus Leme e São Joaquim de Bicas, em Minas Gerais. O projeto tem potencial de retirar aproximadamente 5 mil caminhões por dia da BR-381, conhecida como "Rodovia da Morte".

A ferrovia terá capacidade para transportar 24 a 25 milhões de toneladas por ano de minério de ferro e carga geral. Cinco trens com capacidade de carregar até 130 toneladas em 132 vagões operarão no ramal, sendo que cada trem substitui o equivalente a 570 carretas. A previsão é que as obras se iniciem em 2028, podendo entrar em funcionamento a partir de 2031.

Ainda em logística, a Cedro investirá no Porto do Meio, que representa o seu ativo logístico mais ambicioso. Em dezembro de 2024, a empresa venceu leilão na B3 e assumiu a concessão de um terminal portuário em Itaguaí por 35 anos, com oferta simbólica de R$ 1 milhão. O investimento previsto é de R$ 2,8 a R$ 3,6 bilhões.

O terminal terá capacidade de movimentação de 25 milhões de toneladas anuais, com expectativa de conclusão dentro de três anos. A área do terminal é de aproximadamente 250 mil m². O terminal será ligado ao Quadrilátero Ferrífero de Minas por ferrovia já existente da MRS Logística. A Cedro estima que cerca de dois terços da movimentação do porto será de produção própria e um terço de terceiros.

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