HAVER & BOECKER NIAGARA
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL MAXIMIZA PRODUTIVIDADE DE PENEIRAS VIBRATÓRIAS
Em operações de processamento mineral, uma falha não detectada em uma peneira vibratória pode desencadear uma série de impactos sobre a produtividade, desde a geração de material fora de especificação até danos estruturais que exigem intervenções corretivas complexas e custosas. Diante desse cenário, sistemas de monitoramento contínuo equipados com inteligência artificial vêm ganhando espaço como uma alternativa para aumentar a confiabilidade dos equipamentos e reduzir paradas não programadas.
A evolução dessas soluções tem permitido que as plantas deixem de atuar apenas de forma reativa e passem a adotar uma estratégia preditiva de manutenção. Utilizando sensores instalados permanentemente nos rolamentos e no corpo vibratório das peneiras, os sistemas coletam informações em tempo real e utilizam algoritmos capazes de interpretar alterações no comportamento dinâmico dos equipamentos. "A tecnologia consegue identificar problemas relacionados à lubrificação, contaminação, desgaste de rolamentos, perda de rigidez estrutural e componentes soltos ou danificados antes que essas ocorrências provoquem impactos significativos na operação", observa Thiago Henrique Buoso, coordenador dos departamentos de Diagnósticos e Engenharia de Processos da companhia.
Além da detecção precoce de falhas, a inteligência artificial permite que o sistema aprenda continuamente com os dados coletados, aumentando a precisão dos diagnósticos e dos alertas emitidos. O monitoramento também contribui para otimizar o planejamento das equipes de manutenção, uma vez que fornece informações claras sobre as condições dos equipamentos e auxilia na identificação das causas mais prováveis dos problemas.
Outro diferencial, de acordo com Buoso, está na possibilidade de acesso remoto às informações, permitindo que operadores e especialistas acompanhem o desempenho das peneiras mesmo à distância – "em operações que funcionam continuamente, processam materiais de alto valor agregado ou contam com equipes enxutas de manutenção, a tecnologia se apresenta como uma ferramenta estratégica para ampliar a disponibilidade dos ativos, reduzir custos operacionais e aumentar a competitividade da planta", conclui o especialista.
MÁQUINAS PESADAS
AOS 40 ANOS, SANY APOSTA EM ELETRIFICAÇÃO E IA PARA REDEFINIR O FUTURO DOS EQUIPAMENTOS
A transformação tecnológica da indústria de equipamentos pesados está no centro da estratégia da SANY ao completar 40 anos de atuação. O marco simboliza não apenas a trajetória de crescimento da companhia, que passou de uma pequena oficina fundada por quatro empreendedores em 1986 para uma empresa global presente em mais de 180 países e regiões, mas também uma nova etapa focada em inteligência artificial, digitalização e eletrificação.
A história da fabricante é marcada por sucessivas reinvenções. Um dos momentos decisivos ocorreu em 1994, quando a empresa decidiu investir no desenvolvimento de suas próprias tecnologias para o mercado de escavadeiras, segmento dominado por grandes marcas internacionais. A aposta em engenharia própria e inovação resultou, décadas depois, na liderança global de vendas desse tipo de equipamento, alcançada em 2020.
Agora, a companhia direciona seus esforços para uma nova transformação industrial. A digitalização das fábricas permitiu a criação de ambientes produtivos cada vez mais conectados e inteligentes, enquanto a aplicação da inteligência artificial passa a ser ampliada para áreas como desenvolvimento de produtos, manufatura, operação e serviços de pós-venda.
Outro eixo estratégico é a eletrificação da frota de equipamentos e veículos pesados. Um exemplo recente foi o envio simultâneo de mais de 800 caminhões pesados elétricos para mercados internacionais, demonstrando que tecnologias antes consideradas emergentes já começam a ganhar escala operacional. Para a empresa, a próxima etapa da evolução industrial passa pela combinação entre automação, inteligência artificial e soluções de baixa emissão, com foco em aumentar a eficiência dos clientes e apoiar modelos de negócio mais sustentáveis.
A visão da fabricante é clara: deixar de ser reconhecida apenas como uma fornecedora de máquinas e consolidar-se como uma empresa de soluções inteligentes para os setores de infraestrutura, construção e mineração.
GEOTECNOLOGIAS
TRANSFORMAR DADOS EM INTELIGÊNCIA É O PRÓXIMO DESAFIO DA MINERAÇÃO DIGITAL

A transformação digital da mineração avança em ritmo acelerado, impulsionada pela expansão do uso de sensores, sistemas de monitoramento, plataformas corporativas e ferramentas de automação. Como resultado, as empresas produzem hoje volumes sem precedentes de informações provenientes de áreas como exploração mineral, geologia, planejamento, meio ambiente, ESG e operação. No entanto, a abundância de dados não significa necessariamente maior capacidade de decisão.
Para Charles Freitas, CEO da GE21 Geotecnologias, um dos principais desafios enfrentados pelas mineradoras está justamente na capacidade de organizar, integrar e transformar esse enorme patrimônio informacional em inteligência aplicada ao negócio. "O nível de maturidade ainda é bastante heterogêneo. Algumas empresas já possuem estruturas consolidadas de governança, integração e disponibilização de dados geoespaciais, enquanto outras ainda trabalham com informações fragmentadas, arquivos dispersos e processos muito dependentes de pessoas”, afirma.
Segundo ele, embora a mineração tenha avançado significativamente na geração de dados, a evolução da gestão dessas informações ainda não ocorreu na mesma velocidade: “de forma geral, a mineração avançou significativamente na produção de dados, mas ainda precisa evoluir na capacidade de organizá-los, integrá-los e transformá-los em informação corporativa confiável”, observa o Executivo.
Essa realidade é consequência direta da forma como as informações costumam ser produzidas dentro das organizações. Cada departamento desenvolve seus próprios processos, utiliza sistemas distintos e adota critérios específicos para armazenamento e tratamento dos dados. Para Freitas, o principal desafio é superar a fragmentação entre áreas, sistemas e fornecedores. Cada departamento costuma produzir dados com estruturas, padrões, escalas, nomenclaturas e níveis de qualidade diferentes.
Na prática, isso significa que informações produzidas por equipes de exploração, geologia, planejamento, meio ambiente e operação nem sempre conversam entre si, dificultando análises integradas e comprometendo a agilidade na tomada de decisões. “A integração exige uma arquitetura corporativa de dados, padrões comuns, responsabilidades bem definidas, interoperabilidade entre sistemas e uma governança que permita que a informação seja compartilhada sem perder sua origem, qualidade e rastreabilidade”, acrescenta Freitas.
O excesso de dados e a escassez de informação
A digitalização da mineração trouxe uma aparente contradição: quanto mais dados são produzidos, maior pode ser a dificuldade de utilizá-los de forma eficiente. Na avaliação do executivo, muitas organizações possuem enormes volumes de informações armazenadas, mas não conseguem identificar claramente quais são as fontes oficiais, onde os dados estão localizados ou quem é responsável por sua atualização. “Produzir dados não significa necessariamente produzir inteligência”, resume.
Segundo Freitas, esse é um dos principais gargalos da transformação digital no setor: “muitas organizações possuem grandes volumes de informações, mas não sabem exatamente onde elas estão, quem é responsável por sua atualização ou qual versão deve ser considerada oficial”. Além disso, problemas relacionados à qualidade das informações também limitam o aproveitamento desse patrimônio digital.
Também existem dificuldades relacionadas à qualidade, duplicidade, falta de metadados e baixa integração entre sistemas. Para apoiar decisões, os dados precisam ser confiáveis, atualizados, contextualizados e acessíveis no momento adequado, observa o especialista.
Para a GE21 Geotecnologias, a transformação digital da mineração não começa pela inteligência artificial nem pela automação. O primeiro passo está na construção de uma estrutura sólida de governança de dados. "Esses elementos constituem a base da transformação digital. Sem dados organizados, atualizados e rastreáveis, qualquer iniciativa de automação, analytics ou inteligência artificial terá resultados limitados", destaca o executivo.
Ele explica que a governança é responsável por estabelecer padrões corporativos, definir responsabilidades e garantir a qualidade das informações utilizadas pelas diferentes áreas da empresa - - "a governança estabelece responsabilidades, padrões, critérios de qualidade e processos de atualização. Já a rastreabilidade permite conhecer a origem da informação, as transformações realizadas e sua confiabilidade para cada tipo de decisão".
Em um setor onde decisões podem envolver investimentos de centenas de milhões de reais, planejamento de minas, licenciamento ambiental e gestão de riscos operacionais, a confiabilidade dos dados torna-se um ativo estratégico. Nesse contexto, as Infraestruturas de Dados Espaciais (IDE), os geossistemas corporativos e as plataformas WebGIS vêm assumindo papel cada vez mais relevante dentro das mineradoras.
Segundo Freitas, essas soluções criam um ambiente corporativo integrado, capaz de reunir informações produzidas por diferentes áreas e disponibilizá-las de forma segura e organizada. "Essas soluções estruturam um ambiente corporativo no qual os dados podem ser organizados, catalogados, integrados e disponibilizados de maneira segura".
O executivo ressalta que uma Infraestrutura de Dados Espaciais vai muito além da simples visualização de mapas – "uma Infraestrutura de Dados Espaciais não é apenas um mapa ou um sistema de visualização. Ela envolve dados, tecnologias, padrões, processos e pessoas". Ao criar uma base única para consulta e análise, essas plataformas ajudam a reduzir retrabalhos, eliminar duplicidades e evitar decisões baseadas em informações desatualizadas.
"Os geossistemas e as plataformas WebGIS permitem que diferentes áreas acessem uma visão comum do território, reduzindo retrabalho, duplicidade de informações e decisões baseadas em dados desatualizados", afirma.
A proposta da plataforma IUBI
Uma das apostas da GE21 para enfrentar os desafios de integração é a plataforma IUBI, desenvolvida para reunir informações oriundas de diferentes sistemas e áreas de negócio. Freitas explica que i IUBI foi concebido para atuar como um ambiente integrado de organização, disponibilização e análise de informações provenientes de diferentes fontes. A proposta é conectar dados geoespaciais, documentos, indicadores, sistemas corporativos e serviços tecnológicos em um único ambiente digital.
A plataforma busca conectar dados geoespaciais, sistemas corporativos, documentos, indicadores e serviços tecnológicos em uma experiência única de acesso. Segundo o executivo, o principal objetivo é facilitar a localização e a utilização das informações por diferentes perfis de usuários dentro da organização – "seu objetivo é facilitar a localização, a compreensão e o uso das informações, permitindo que diferentes perfis da organização trabalhem sobre uma base corporativa comum e confiável", afirma Freitas.
O avanço da inteligência artificial também começa a abrir novas possibilidades para as geotecnologias aplicadas à mineração – ferramentas de GeoAI, sensoriamento remoto e geoanalytics já vêm sendo utilizadas em diversas etapas da cadeia mineral. Essas tecnologias já apresentam aplicações práticas em diversas etapas da cadeia mineral. Entre elas estão a geração de alvos exploratórios, classificação de imagens, identificação de alterações no uso do solo, monitoramento ambiental, acompanhamento de estruturas, detecção de mudanças, análise de riscos, planejamento territorial e apoio à fiscalização. No entanto, o verdadeiro potencial dessas tecnologias surge quando elas deixam de ser utilizadas em iniciativas pontuais e passam a integrar a rotina operacional das empresas. "O maior ganho ocorre quando essas tecnologias são integradas aos processos operacionais e utilizadas de forma contínua, e não apenas como estudos isolados", diz Freitas.
Apesar do entusiasmo gerado pela inteligência artificial, Freitas alerta que muitas empresas ainda precisam realizar etapas fundamentais antes de ampliar o uso dessas tecnologias, estruturar seus dados, definir fontes oficiais, implementar processos de controle de qualidade e estabelecer uma arquitetura de integração. Além disso, é necessário criar mecanismos que garantam rastreabilidade, governança e controle de acesso às informações. "A inteligência artificial potencializa aquilo que já existe: dados bem estruturados geram melhores resultados, enquanto dados inconsistentes ampliam riscos e incertezas", encerra Freitas, afirmando que a verdadeira transformação digital não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na capacidade de transformar dados dispersos em conhecimento acessível e útil para toda a organização.
SEGURANÇA OPERACIONAL
INTELIGÊNCIA CLIMÁTICA GANHA PROTAGONISMO NA GESTÃO DE RISCOS DA MINERAÇÃO
As mudanças no comportamento do clima e o aumento da ocorrência de eventos meteorológicos severos estão ampliando a importância do monitoramento climático nas operações de mineração. O que antes era visto principalmente como uma ferramenta de previsão do tempo passou a ocupar posição estratégica na gestão de riscos, na proteção de ativos e na continuidade operacional das empresas.

De acordo com a Climatempo, a demanda do setor mineral por soluções de monitoramento meteorológico vem crescendo de forma consistente. As mineradoras buscam cada vez mais sistemas capazes de fornecer informações em tempo real, monitoramento contínuo, alertas hiperlocais e suporte à tomada de decisão em ambientes operacionais complexos.
Os desafios são numerosos. Chuvas intensas podem comprometer áreas de lavra, barragens e acessos. Descargas atmosféricas representam riscos para trabalhadores em campo. Ventos fortes e condições de baixa visibilidade afetam a movimentação de equipamentos pesados e o transporte interno. Além disso, fatores atmosféricos influenciam diretamente a dispersão de poeira e outros materiais particulados, tema que tem ganhado relevância crescente em agendas ambientais e de relacionamento com comunidades.
A principal vantagem do monitoramento especializado está na capacidade de antecipar cenários críticos. Com informações mais precisas, as empresas podem planejar paradas preventivas, reorganizar atividades, proteger equipes e minimizar impactos financeiros decorrentes de interrupções inesperadas. A abordagem reduz a dependência de decisões reativas e fortalece uma cultura operacional baseada na prevenção.
Outro movimento observado é o aumento da procura por estudos voltados à resiliência climática. Esses trabalhos combinam séries históricas de dados meteorológicos, indicadores ambientais e projeções futuras para avaliar tendências capazes de afetar a disponibilidade hídrica, a gestão de barragens e o planejamento de longo prazo das operações.
Em um contexto de eventos extremos mais frequentes, a inteligência climática passa a ser considerada não apenas um instrumento de segurança, mas também uma ferramenta de competitividade e eficiência operacional.
JINGJIN
TECNOLOGIA MÓVEL AMPLIA ALTERNATIVAS PARA FILTRAGEM E DISPOSIÇÃO DE REJEITOS
A evolução das estratégias de gestão de rejeitos tem impulsionado o desenvolvimento de soluções capazes de combinar eficiência operacional, flexibilidade e sustentabilidade. Nesse cenário, a JINGJIN aposta em estações móveis de filtragem como alternativa para atender operações que exigem rapidez de implantação e adaptação às diferentes etapas dos projetos minerários.

A tecnologia tem como destaque o Filtro Prensa Mobile, equipamento desenvolvido para atuar principalmente em projetos de descomissionamento de barragens e em operações voltadas ao empilhamento a seco. Instalado sobre skids e configurado para facilitar o transporte entre diferentes áreas, o sistema elimina a necessidade de grandes obras civis e fundações permanentes, reduzindo custos de implantação e aumentando a flexibilidade operacional.
O conceito segue uma lógica semelhante à de uma unidade plug and play. A mineradora pode ampliar ou reposicionar a capacidade de filtragem de acordo com a evolução das frentes de trabalho, sem a necessidade de construir novas estruturas fixas. A configuração apresentada pela empresa pode atingir até 550 m² de área filtrante e processar até 80 toneladas por hora, mantendo os princípios operacionais dos filtros prensa convencionais utilizados em instalações industriais de grande porte.
A adoção de sistemas de filtragem tem ganhado relevância em função da necessidade de reduzir riscos associados à disposição de rejeitos e aumentar a eficiência hídrica das operações. O processo permite retirar parte significativa da água contida na polpa mineral, produzindo uma torta com menor teor de umidade e possibilitando alternativas como o empilhamento de rejeitos filtrados. Além disso, a água recuperada pode retornar ao circuito industrial, reduzindo a necessidade de captação de recursos hídricos adicionais.
A empresa também aproveita o momento para ampliar sua atuação no mercado brasileiro. Além dos filtros prensa móveis, passa a apresentar equipamentos complementares, incluindo bombas de alta pressão, painéis elétricos e sistemas auxiliares destinados à movimentação de materiais. A estratégia busca oferecer soluções mais integradas, permitindo que alimentação, filtragem, transporte e controle operacional sejam tratados de forma conjunta. O objetivo é aumentar a previsibilidade dos processos, reduzir gargalos entre equipamentos e melhorar o desempenho global dos sistemas de tratamento de rejeitos.
BGL
SOLUÇÕES HIDRÁULICAS AJUDAM A REDUZIR TEMPO DE MANUTENÇÃO DE ROLAMENTOS
A confiabilidade dos componentes mecânicos continua sendo um dos fatores mais importantes para garantir a disponibilidade dos equipamentos de mineração. Nesse contexto, sistemas hidráulicos voltados à montagem e desmontagem de rolamentos vêm ganhando espaço por reduzirem esforço operacional, aumentarem a precisão dos procedimentos e diminuírem o tempo de parada das máquinas.
Com atuação voltada para a indústria pesada, a BGL destaca um conjunto de soluções formado por porcas hidráulicas, buchas hidráulicas, bombas e tubos de extensão destinados a aplicações em rolamentos de pequeno, médio e grande porte. Os equipamentos foram desenvolvidos para facilitar intervenções de manutenção em ambientes de alta exigência, contribuindo para maior segurança e produtividade das equipes de campo. Além da linha hidráulica, a empresa oferece componentes complementares como buchas para rolamentos, porcas de fixação e precisão, arruelas de trava e chaves de gancho, itens amplamente utilizados em operações industriais e minerárias.

