Em 2025, o valor da produção mineral brasileira somou R$ 298,8 bilhões, com um crescimento de 10,3% em relação a 2024, segundo os números da ANM (Agência Nacional de Mineração). Essa produção gerou CFEM no total de R$ 7,91 bilhões. Em termos de substâncias minerais, a liderança absoluta se manteve com o minério de ferro, que respondeu por R$ 152,2 bilhões, ou 52,6% do total, apesar de uma queda de 2,2% no faturamento. O minério de ferro também respondeu por 63,3% das exportações do setor mineral, com um total de US$ 28,9 bilhões exportados.
O Brasil embarcou 416 milhões de toneladas em 2025 de minério de ferro, superando a marca de 400 Mt pela primeira vez. A China se manteve como principal destino, respondendo por cerca de 67% do valor exportado (US$ 19,5 bilhões), embora a Índia tenha voltado a importar minério brasileiro em 2025, somando US$ 440 milhões, impulsionada pela expansão de sua siderurgia.
O segundo lugar no valor da PMB em 2025 ficou com o ouro, que registrou faturamento de R$ 39 bilhões, com alta expressiva de 65%, em razão das elevadas cotações do metal, impulsionadas por seu papel de "ativo de proteção" global.
Com um faturamento da ordem de R$ 30 bilhões, o cobre colocou-se em terceiro lugar no valor da produção mineral, com um crescimento de 50%, motivado não apenas pelo aumento da produção, mas também pelas boas cotações do metal, cuja demanda está aquecida em razão da transição energética (principalmente veículos elétricos).
NÚMEROS-CHAVE DE 2025
R$ 298,8 bi valor da produção mineral brasileira
+10,3% crescimento em relação a 2024
R$ 7,91 bi CFEM gerada no ano
Os outros destaques na produção mineral brasileira foram: bauxita, níquel, nióbio (do qual o Brasil segue como líder mundial de produção), grafite, fosfato e calcário.
Em termos regionais, a produção mineral, em valor e não quantidade, continua concentrada nos estados de Minas Gerais (que liderou, com 40% do faturamento), seguido pelo Pará (em segundo lugar, com 34%) e Bahia (4% do total).
No ano de 2025, o setor mineral arrecadou R$ 7,9 bilhões em CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) e gerou cerca de 229 mil empregos diretos.

Participação das 200 Maiores
As 200 Maiores empresas de mineração classificadas no Ranking Brasil Mineral foram responsáveis por aproximadamente 87% do valor da PMB em 2025, com um valor de R$ 261,9 bilhões, e por 93,3% da arrecadação total de CFEM no ano, somando R$ 7,4 bilhões. Os produtores de minério de ferro estão no topo do ranking, tendo sido responsáveis por 52,5% do valor da PMB em 2025, aportando 157,1 bilhões. Os produtores de ouro colocam-se em segundo lugar, com um valor de R$ 35,0 bilhões ou 11,7% do valor total. Em terceiro lugar estão os produtores de cobre, com R$ 30,1 bilhões, ou 10,01%. Na sequência, entre os principais, vêm os produtores de calcário, com R$ 5,83 bilhões (1,80%); bauxita, com R$ 6,15 bilhões (2,06%), fertilizantes, com R$ 3,92 bilhões (1,31%) e agregados, com R$ 3,17 bilhões (1,06%).

MINÉRIO DE FERRO
A liderança na produção brasileira de minério de ferro é da Vale, que em 2025 participou com cerca de 37% do valor da PMB. Além da Vale, na lista dos 10 maiores produtores brasileiros de minério de ferro estão a Anglo American (4,06%), CSN Mineração (3,35%), Samarco (1,41%), Mineração Usiminas (0,77%), Vallourec (0,62%), Ferro+ Mineração/J. Mendes (0,455%), Bemisa (0,42%), Serra da Farofa/Morro do Ipê (0,387%) e ArcelorMittal Brasil (0,386%). Na lista das 200 Maiores há um total de 41 empresas produtoras de minério de ferro.

A Vale festejou 2025 como um ano excepcional de desempenho operacional, alcançando (ou mesmo superando) todos os seus guidances de produção, enquanto avançava simultaneamente em sua transformação para uma mineradora de baixo carbono focada em metais para transição energética. A companhia produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro (maior volume desde 2018), 381 mil toneladas de cobre (também recorde desde 2018) e 177 mil toneladas de níquel (melhor resultado desde 2022), gerando receita líquida de R$ 213,6 bilhões e EBITDA ajustado de R$ 85,9 bilhões, enquanto mantinha rigor na disciplina de custos e investimentos estratégicos em seus principais projetos de crescimento.

Um dos destaques mais significativos da Vale em 2025 foi o avanço da mineração circular, que dobrou em relação a 2024. A empresa produziu 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro por fontes circulares em 2025, um aumento de 107% em relação às 12,7 milhões de toneladas produzidas em 2024. Atualmente, a mineração circular responde por 8% do total produzido pela empresa, com expectativa de chegar a 10% da produção total em 2030.
As principais iniciativas do Programa de Mineração Circular incluem o reaproveitamento de materiais contidos em pilhas e barragens, além da fabricação de coprodutos como a Areia Sustentável Vale, que já ultrapassou 3 milhões de toneladas destinadas desde 2023, e a Fábrica de Blocos da Mina do Pico, que transforma rejeitos em insumos para construção civil. O programa evitou a ocupação de volume para disposição de resíduos equivalente a mais de 300 vagões carregados de minério de ferro e gerou um benefício climático comparável à emissão anual de mais de 40 mil carros.
Os resultados financeiros acompanharam o desempenho operacional robusto. A receita líquida de vendas totalizou R$ 213,6 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado atingiu R$ 85,9 bilhões, com o fluxo de caixa livre recorrente alcançando US$ 4,8 bilhões, representando um aumento de 26% em relação a 2024. O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de R$ 13,8 bilhões, e a companhia fechou o ano com um caixa de R$ 41,6 bilhões.
A Vale demonstrou excelente controle de custos: o custo caixa C1 de minério de ferro (da mina ao cliente, excluindo compras de terceiros) ficou em US$ 21,3/t, mantendo-se em linha com o guidance e representando uma redução de US$ 0,5/t em relação a 2024, consolidando o segundo ano consecutivo de redução.

Os dois principais projetos de crescimento em Minas Gerais atingiram marcos importantes em 2025. Vargem Grande, que começou a operar em setembro de 2024 (um mês antes do previsto), completou seu ramp-up durante 2025, adicionando 15 milhões de toneladas de capacidade anual. Capanema, que iniciou operações no primeiro semestre de 2025, também completa seu ramp-up até o final de 2026, contribuindo com mais 15 milhões de toneladas de capacidade. Juntos, esses projetos foram fundamentais para que a Vale elevasse suas projeções de produção de minério de ferro para 2024 de 310-320 milhões de toneladas para 323-330 milhões de toneladas.
A Vale lançou o Programa Novo Carajás em 2025, uma iniciativa estratégica para dobrar a produção de cobre e aumentar a oferta de minério de ferro de alta qualidade na região de Carajás, no Pará. Este programa representa um pivô significativo na estratégia de crescimento da companhia, refletindo a importância crescente dos metais para transição energética. Estão contemplados no programa o projeto de expansão de S11D (também conhecido como projeto +20) e o Britador de Compactos. O primeiro está avançando conforme o cronograma, com conclusão esperada para dezembro de 2026, adicionando 20 milhões de toneladas de capacidade produtiva a partir do segundo semestre de 2026, demandando investimento de US$ 2,8 bilhões. O Britador de Compactos em S11D, que representa a solução definitiva para a lavra do jaspilito (rocha compacta), também está em andamento, com conclusão prevista para o final de 2026, permitindo que a Vale processe todo o material de contato da mina e gerencie maior volume de rejeito.
A empresa mantém um portfólio robusto de projetos de médio e longo prazo. Entre estes está o projeto Pilha Tamanduá, essencial para as operações de Brucutu em Minas Gerais, que deverá entrar em funcionamento no início de 2028. Para o horizonte até 2030, a Vale projeta alcançar 360 milhões de toneladas de produção de minério de ferro, o que poderia permitir à companhia recuperar a posição de maior produtora mundial, que foi perdida para a Rio Tinto.
Em termos de investimentos, a Vale investiu R$ 30,6 bilhões em 2025 (aproximadamente US$ 5,5-5,9 bilhões), incluindo R$ 24,3 bilhões em CAPEX de manutenção. Para 2026, a companhia programou investimentos entre US$ 5,4 e US$ 5,7 bilhões, dos quais US$ 1,1 bilhão são direcionados a crescimento e o restante a manutenção das operações. Em 2027, a expectativa é que sejam investidos cerca de US$ 5,9 bilhões.
A companhia mantém seu guidance de produção de minério de ferro em torno de 340-360 milhões de toneladas para 2026, com ramp-up completo de Vargem Grande e Capanema até o final do ano.

A Anglo American divulgou que o Sistema Minas-Rio produziu 24,8 milhões de toneladas de minério de ferro premium em 2025 e ficou cerca de 1 milhão de toneladas acima do planejado, refletindo a estabilidade operacional ao longo do ano, apesar do impacto da parada programada de 23 dias para atividades de inspeção do mineroduto.
O EBITDA atingiu US$ 1,137 bilhão, crescimento de 6% em relação ao US$ 1,074 bilhão registrados em 2024, impulsionado principalmente pela elevação dos preços do minério de ferro no período.
As despesas com investimentos de capital (Capex) em 2025 chegaram a US$ 603 milhões, 44% a mais em relação a 2024 (US$ 418 milhões). Os investimentos foram direcionados, sobretudo, à conclusão do projeto da planta de filtragem de rejeito e à substituição planejada de equipamentos na operação.

A projeção de produção para 2026 é de 24 a 26 milhões de toneladas. A projeção de custo unitário para 2026 é de cerca de US$ 36/tonelada — valor superior aos US$ 32/tonelada previstos para 2025 —, refletindo o aumento dos custos de processamento associados à usina de filtragem de rejeitos, bem como a valorização do real brasileiro e a inflação.
Em 2028, prevê-se uma leve redução na produção, para a faixa de 23 a 25 milhões de toneladas/ano, à medida que a mina avança para áreas com maior variabilidade na alimentação de minério, compensando o ganho de vazão de processamento obtido com a implementação das colunas de flotação de relimpeza (recleaner). Estão em andamento trabalhos para aumentar a maturidade de outros projetos de capital, visando otimizar o valor e incrementar a geração de caixa, ao mesmo tempo em que se avaliam opções para integrar e maximizar o valor de longo prazo do Recurso Mineral de minério de ferro de alto teor da área contígua de Serra da Serpentina.
Paralelamente, o Minas-Rio concentra esforços no aumento da capacidade de armazenamento de rejeitos. O projeto da usina de filtragem de rejeitos iniciou sua fase de ramp-up em dezembro de 2025, antes do cronograma previsto, e opções adicionais de disposição continuam sendo estudadas.
A CSN Mineração S.A., segunda maior exportadora de minério de ferro do Brasil e uma das dez maiores do mundo, concluiu 2025 com o melhor desempenho operacional de sua história, com receita líquida ajustada de R$ 15,3 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 6,4 bilhões, com margem de 42,1%, resultados melhores do que 2024.
A Companhia registrou recorde de produção, alcançando 45,5 milhões de toneladas no ano (produção própria mais compra de terceiros), além de volume recorde de vendas de 45,8 milhões de toneladas, crescimento expressivo de 7,7% em relação ao ano anterior. O TECAR (terminal marítimo por onde a CSN embarca suas exportações), alcançou volume de embarque recorde de 41 milhões de toneladas no ano.
Suas principais operações incluem o Complexo Casa de Pedra e a Operação Engenho-Pires, localizados nos municípios de Congonhas, Belo Vale e Ouro Preto. No Complexo Casa de Pedra, a Companhia conta com uma planta central com capaci- dade anual de 22,5 milhões de toneladas de minério de ferro. Essa estrutura é complementada pela operação de Pires, com uma planta de beneficiamento a seco e outra úmida, totalizando uma capacidade adicional de 13,4 milhões de toneladas por ano.
Para viabilizar seus objetivos de crescimento, a CSN Mineração está investindo R$ 13,2 bilhões em Minas Gerais até 2030, em projetos que, segundo a direção da empresa, combinam inovação tecnológica, melhoria de processos e eficiência operacional. O principal projeto desse ciclo é a construção da Planta de Itabiritos P15, no Complexo Casa de Pedra, em Congonhas, Minas Gerais, que representa um marco para a Companhia e que deverá entrar em operação em 2028. Quando em plena capacidade, a planta produzirá 16,5 milhões de toneladas de pellet feed, um minério de alto teor (67% Fe) que possibilita a produção de aço com baixíssimas emissões de carbono, utilizando gás natural ou hidrogênio como agente redutor.
Para sustentar todo o crescimento projetado, a CSN Mineração está ampliando a capacidade de escoamento do TECAR, em Itaguaí (RJ), de 45 milhões para 60 milhões de toneladas por ano. Em 2025, a estrutura logística também foi reforçada com a ampliação da participação na MRS Logística S.A., por meio da aquisição da fatia anteriormente detida pela CSN, passando a ter 29,91% de participação direta da CSN Mineração.
A CSN reviu o CAPEX para mineração de R$ 15,3 bilhões para R$ 13,2 bilhões no período de 2025-2030, relativos à fase 1 do projeto de adição de capacidade. Em janeiro de 2026, a CSN, controladora da CSN Mineração, apresentou um amplo plano de reorganização do portfólio e estrutura de capital, com objetivo de reduzir a dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões ao longo de 2026, por meio da venda de ativos considerados relevantes, mas não centrais no novo desenho estratégico.
SAMARCO
A Samarco consolidou 2025 como um ano de marcos operacionais e financeiros significativos. No ano a empresa atingiu sua maior produção desde a retomada das operações em 2020, alcançando 15,1 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro. Este volume representa um crescimento expressivo em relação aos 9,7 milhões de toneladas produzidas em 2024, consolidando a empresa no patamar de 60% de sua capacidade instalada. As vendas totalizaram 15,9 milhões de toneladas, um crescimento de 68% frente ao ano anterior. A empresa se consolidou como terceiro maior exportador transoceânico de pelotas, atrás apenas da Vale (com aproximadamente 35 milhões de toneladas) e da LKAB (com 16-17 milhões de toneladas).

Em termos financeiros, a Samarco registrou receita líquida de US$ 1,898 bilhão em 2025, com um EBITDA ajustado de US$ 1,087 bilhão, comparado a US$ 834 milhões em 2024.
O Conselho de Administração da Samarco aprovou, em novembro de 2025, um plano de investimentos de R$ 13,8 bilhões para alcançar 100% da capacidade produtiva instalada até 2028. Este é o maior investimento privado já realizado pela empresa em sua história. Os investimentos serão distribuídos entre Minas Gerais e Espírito Santo, com aproximadamente R$ 9 bilhões destinados a Minas Gerais e pouco mais de R$ 4 bilhões ao Espírito Santo. As principais frentes de investimento incluem: a Usina de concentração em Minas Gerais, envolvendo reconstrução completa com atualização tec- nológica de britagem, moagem e flotação; construção de nova estrutura de disposição de rejeitos; reativação das usinas 1 e 2 de pelotização em Ubu (ESP, com investimento de R$ 3,5 bilhões; instalação de 12 quilômetros de correias transportadoras; e implementação do Sistema de Filtragem 3 no Complexo de Germano.
Mineração Usiminas
No ano de 2025, a Mineração Usiminas comercializou 9,6 milhões de toneladas de minério de ferro, sendo 8,9 milhões de toneladas de Sinter Feed, 0,1 milhão de toneladas de Pellet Feed e 0,7 milhão de toneladas de Granulados (em números arredondados), com aumento de 14% em relação a 2024, quando foram comercializadas 8,46 milhões de toneladas. A capacidade nominal de produção da empresa, calculada pela somatória das capacidades individuais das plantas de processamento, é de 12 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. Porém, a capacidade de produção atual do sistema, considerando a disponibilidade de tratamento e disposição de rejeitos, é de aproximadamente 9 milhões de toneladas/ano.
No ano de 2025, 20,6% do volume total comercializado foi vendido para a Usina de Ipatinga, pertencente à Usiminas e 6,5% a demais clientes no mercado interno, comercializado sem intermédio de terceiros, comissionados ou revendedores, sendo o remanescente de 72,9% destinado ao mercado externo.
O negócio de mineração, juntamente com o de logística, gerou uma receita líquida de R$ 3,76 bilhões em 2025, representan- do uma participação de 14,34% na receita líquida total da Usiminas. O aumento da receita líquida, sobre 2024, foi de aproximadamente 27%, já que naquele ano foram gerados R$ 2,96 bilhões. O lucro líquido da operação de mineração e logística, por sua vez, foi de R$ 487,7 milhões, abaixo dos R$ 506,7 milhões gerados em 2024.

A Vallourec produziu, em 2025, um total de 6,247 milhões de toneladas de pellet feed, deu continuidade à implementação do projeto de expansão da Mina Pau Branco, consolidando os resultados da primeira fase da extensão da mina, iniciada ao final de 2024. A iniciativa, segundo a empresa, melhora a qualidade das reservas e reforça a competitividade da operação. A companhia manteve o cronograma previsto para a Fase 2 do projeto, com conclusão estimada para 2027. Os investimentos previstos para a Fase 2 do seu plano de expansão da Mina Pau Branco somam entre 100 milhões e 125 milhões de euros.

A Ferro+ Mineração, controlada pelo grupo J. Mendes, tem produção anual da ordem de 7 milhões de toneladas de minério de ferro, em duas minas nos municípios de Ouro Preto e Congonhas, em Minas Gerais.
Atualmente, a empresa está em fase de licenciamento de seu Projeto de Expansão Fase 3, que prevê a produção de 4 milhões de toneladas adicionais de minério bruto e a adição de 6 milhões de toneladas anuais de capacidade na planta de processamento. Após a conclusão desta expansão, a capacidade total da planta de processamento úmido da Ferro+ deverá atingir 13 milhões de toneladas anuais. O projeto inclui ainda a implementação de pilhas de rejeitos e disposição de resíduos em cava, além do reaproveitamento de 3 milhões de toneladas anuais de estéreis e rejeitos recuperados das pilhas. A empresa afirma que, sem a expansão, terá que paralisar a produção a partir de 2027, devido à exaustão das áreas de lavra atualmente licenciadas.
A estratégia da Ferro+ está alinhada à produção de minério de ferro de alta qualidade com baixas impurezas, especificamente de concentrado premium com teor de ferro superior a 68% e níveis de sílica e alumina inferiores a 2,2%. Este posicionamento visa atender à crescente demanda global por insumos de alta qualidade para a produção de aço verde e processos de redução direta, contribuindo para a descarbonização da siderurgia.

A Bemisa, que já se coloca entre os mais importantes produtores de minério de ferro do Brasil, está indo para uma capacidade instalada de produção de 7 milhões de to- neladas/ano de minério de ferro e planeja chegar a uma capacidade de 10 milhões de toneladas/ano a partir de 2030.
Em 2025, a empresa iniciou as operações na mina Pedra Branca, em João Monlevade (MG), na qual investiu R$ 100 milhões e que terá capacidade para produzir 2 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. Ainda no final de 2025 a empresa obteve a licença ambiental para a Mina Mongais, também em Minas Gerais, onde a Bemisa está licenciando o projeto Piçarrão.
A Mineração Morro do Ipê não divulgou números de produção em 2025, mas estima-se que o volume produzido tenha ficado em torno de 3,4 milhões de toneladas de minério de ferro pellet feed, já que a mina Tico-Tico operou a plena capacidade, segundo a empresa. A mina Tico-Tico tem potencial para produzir a uma capacidade de 6 milhões de toneladas/ano.
Ainda em 2025, a empresa fez um IPO bem-sucedido de debêntures no valor de R$ 1,02 bilhão, que foi destinado ao pagamento de debêntures emitidas anteriormente. Porém, o fato mais relevante para a empresa em 2025-2026 não é operacional, mas estratégico: seus controladores Mubadala e Trafigura iniciaram processo de venda do conjunto integrado formado pela Mineração Morro do Ipê e pelo Porto Sudeste, por US$ 5 bilhões, transação que poderá ser concluída ao longo de 2026. Os grupos Mubadala (fundo soberano de Abu Dhabi) e Trafigura (trading internacional de commodities), donos do negócio, nomearam os bancos Goldman Sachs e UBS BB para estruturar a venda e conduzir negociações com interessados. A estratégia dos acionistas é negociar o pacote completo — mina e porto — de forma integrada, maximizando o valor da transação. Este é um ponto crítico: a sinergia entre a operação mineral e a infraestrutura portuária é o principal driver de valor do negócio.
ArcelorMittal Brasil

A ArcelorMittal Brasil enfrentou um ano desafiador em minério de ferro em 2025, marcado pela transição operacional de sua maior mina e pela conclusão de investimentos estratégicos de longo prazo. A produção de minério de ferro atingiu 2,34 milhões de toneladas, representando uma queda significativa de 18,3% em relação a 2024, resultado direto da implantação da nova planta de pellet feed na Mina de Serra Azul, que iniciou operações em agosto de 2025 e encontra-se em fase de ramp-up para atingir sua capacidade esperada.
A empresa investiu R$ 2,5 bilhões na construção de uma nova planta de beneficiamento de minério, que aumentou a capacidade instalada de 1,6 milhão para 4,5 milhões de toneladas anuais. A produção reduzida em 2025 ocorreu porque a operação anterior foi encerrada para dar lugar à nova infraestrutura, e a planta de pellet feed iniciou suas atividades apenas em agosto, deixando apenas cinco meses de operação no ano.
A nova planta foi oficialmente inaugurada em 18 de março de 2026, consolidando um projeto que estendeu a vida útil da mina até 2056. Este empreendimento representa um salto expressivo na escala produtiva, praticamente triplicando a capacidade anterior e posicionando Serra Azul como um ativo crítico para o suprimento de minério de ferro de qualidade superior destinado às operações da ArcelorMittal no México.

Os investimentos em Serra Azul entre 2022 e 2026 totalizaram R$ 2,5 bilhões, sendo parte do programa maior de R$ 25 bilhões que a ArcelorMittal Brasil executou neste período.
Com a planta de Serra Azul em ramp-up desde agosto de 2025, a ArcelorMittal Brasil projeta recuperação significativa na produção de minério de ferro em 2026.
Outros produtores de minério de ferro

A Cedro Mineração produziu cerca de 7 milhões de toneladas em 2025 e tem um plano de investimento visando aumentar sua capacidade de produção para 20 a 25 milhões de toneladas/ano a partir de 2030. O plano prevê investimentos de R$ 7 bilhões para modernizar suas instalações de produção, sendo R$ 3,5 bilhões destinados à expansão da unidade de Mariana (MG).
Também estão previstos investimentos em logística (ferrovia e porto). Planeja-se a construção de um ramal de 26 km na região de Serra Azul, objetivando eliminar o transporte por caminhões e a construção do Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), com capacidade prevista de embarque de 15 a 20 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.
A Itaminas anunciou que deve investir entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões, ainda em 2026, na expansão do volume de produção e melhoria do teor do minério produzido em Sarzedo, operação da mineradora na Grande BH. A Itaminas já investiu cerca de R$ 300 milhões para ampliar as operações e um novo montante faz parte do pacote de investimentos de R$ 1,5 bilhão projetados pela empresa para o período 2024/2033. Além de ampliar a produção, os aportes pretendem atender à demanda do setor siderúrgico por produtos de maior qualidade e com baixa emissão de carbono.

A Ferro Puro Mineração, empresa controlada pelo grupo Avante, inaugurou um Centro de Distribuição de minério no distrito de Joaquim Murtinho, em Congonhas (MG), que segundo a empresa demandou investimentos de R$ 480 milhões. Denominado Centro de Distribuição Avante (CDA), o terminal intermodal interliga ferrovias, viabilizando a ligação entre Minas Gerais e os portos do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O CDA tem capacidade para movimentar 12 milhões t/ano de minério de ferro por ano e permite conexão com as ferrovias Vitórias a Minas (da Vale), Centro-Atlântica (VLI), MRS e à rodovia BR-040, otimizando o escoamento da produção de minério de ferro da empresa e de terceiros.
A Brazil Iron, com seu projeto Ferro Verde, promete colocar a Bahia e o Brasil no mapa mundial da descarbonização da indústria siderúrgica. Com previsão de início de produção em 2030 e investimento já superior a R$ 1,7 bilhão em pesquisas, a iniciativa deverá ser a primeira no País a fabricar o Hot Briquetted Iron (HBI) — um produto conhecido como ferro verde — com saldo líquido zero de emissões de gases de efeito estufa. O projeto prevê três plantas de beneficiamento: a primeira, localizada em Piatã, produzirá o pellet feed purificado; a segunda e a terceira, no entorno portuário baiano, fariam as etapas finais de transformação até chegar ao briquete de ferro verde. A última unidade será construída com tecnologia licenciada da norte-americana Midrex, líder mundial na produção de HBI.
A LHG Mining, do grupo J&F, informa que registrou recorde histórico de produção e vendas em Corumbá em 2025, com 15,7 milhões de toneladas de minério de ferro e 360 mil toneladas de manganês, obtidas em suas minas de Santa Cruz e Urucum. A empresa comercializou 10,5 milhões de toneladas de produtos, obtendo uma receita de R$ 5,017 bilhões. As exportações somaram 7,6 milhões de toneladas, com receita de US$ 685,4 milhões. A LHG Mining planeja expandir sua capacidade de produção para 25 milhões de toneladas, o que demandará investimentos de R$ 4 bilhões até 2030. Em 2025, os investimentos realizados pela empresa somaram US$ 1,22 bilhão. A empresa expandiu sua frota para transporte fluvial de minério, elevando a capacidade para 11 milhões de toneladas/ano. Também implementou um porto flutuante em Punta Del Arenal, no Uruguai, com capacidade de 5 milhões de toneladas/ano.
A Herculano Mineração, que produziu 5 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, tem três projetos de expansão, todos no estado de Minas Gerais. O primeiro deles é o Projeto Serro, no município de mesmo nome, que deverá ter capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas/ano e requer investimentos de R$ 300 milhões. A expectativa é que o projeto inicie operação em 2027. O segundo é o Projeto João Monlevade, também com capacidade prevista de 1,5 milhão de toneladas/ano e para o qual estão previstos investimentos de R$ 150 milhões. Pelo cronograma planejado, o projeto deve iniciar operação em 2029. O terceiro é o Projeto Pedra Seca, no município de Ouro Preto (MG), que deverá ter capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas, a partir de 2028. Para este projeto, há um investimento previsto de R$ 300 milhões. Em 2025, a Herculano Mineração realizou investimentos de US$ 90 milhões e prevê investir, em 2026, um total de US$ 60 milhões.
OURO
O ouro colocou-se em segundo lugar no valor da Produção Mineral Brasileira em 2025 e o ranking das 200 Maiores de Brasil Mineral inclui um total de 24 empresas, que responderam por cerca de 11,7% da PMB, ou R$ 35,06 bilhões. Importante salientar que não estão incluídas no ranking as DTVMs, que não produzem metal e que arrecadam CFEM pelo ouro adquirido e proveniente das atividades de garimpo.

As dez empresas maiores produtoras do metal no Brasil são a Kinross, AngloGold Ashanti, Jacobina Mineração (Panamerican), Brazauro (G Mining), Mineração Aurizona (CMOC Gold), Mineração Serra Grande (Aura Minerals), Mineração Riacho dos Machados (CMOC Gold), Aura Almas Mineração (Aura Minerals), Santa Luz Desenvolvimento Mineral (CMOC Gold) e Amarillo Mineração (Hochschild Mining).


A Kinross Gold Corporation consolidou um desempenho operacional robusto no Brasil durante 2025, com a operação de
Paracatu (MG) reafirmando sua posição como uma das minas mais produtivas do portfólio global da empresa.
A operação brasileira da Kinross em Paracatu ultrapassou a marca histórica de 600 mil onças de ouro em 2025, marcando o oitavo ano consecutivo com produção superior a 500 mil onças. Este resultado consolidou Paracatu como um dos principais contribuintes para o portfólio global da empresa, impulsionado por teores mais elevados e fortes taxas de recuperação.
A Kinross programou investimentos totais de US$ 195 milhões no Brasil para 2025, sendo que esses gastos se destinaram exclusivamente à sustentação das operações. Para 2026, a empresa mantém seu foco em investimentos de sustaining capital, reforçando a infraestrutura existente em Paracatu.
Globalmente, a empresa projeta uma produção estável de aproximadamente 2,0 milhões de onças equivalentes de ouro atribuíveis (+/- 5%) em 2026 e 2027, globalmente, com Paracatu continuando como operação fundamental. O custo de produção de vendas por onça equivalente de ouro vendida foi estimado em US$ 1.360 (+/- 5%) para 2026, com custo total de manutenção de US$ 1.730 (+/- 5%) por onça vendida.
AngloGold Ashanti

A AngloGold Ashanti, que se coloca como segundo maior produtor de ouro no País, consolidou um desempenho robusto durante 2025, reforçando sua posição estratégica e gerando resultados financeiros recordes.
A produção brasileira da AngloGold Ashanti atingiu 326 mil onças de ouro em 2025, volume que consolidou o Brasil como região crítica para a geração de valor, com a América Latina (Brasil e Argentina) produzindo 505 mil onças no período.
Em termos financeiros, o fluxo de caixa livre global da AngloGold Ashanti atingiu US$ 2,9 bilhões em 2025, triplicando em relação ao ano anterior, enquanto o Ebitda Ajustado saltou 129%, passando de US$ 2,7 bilhões em 2024 para US$ 6,3 bilhões em 2025.
Um dos destaques em 2025 foi a conclusão da descaracterização da Barragem CDS II em Santa Bárbara (MG), que representou um investimento de aproximadamente R$ 253 milhões.
O Complexo Cuiabá permanece como o coração das operações brasileiras, compreendendo as minas subterrâneas de Cuiabá (Sabará) e Lamego (Sabará/Caeté), com toda a produção convergindo para a planta metalúrgica do Queiroz em Nova Lima. Atualmente, Cuiabá detém o título de maior mina subterrânea do Brasil e é o ponto de mineração mais profundo do território brasileiro, com galerias que chegam a 1.600 metros abaixo da superfície.
No final de 2025, a Operação Serra Grande, em Crixás (GO), foi adquirida pela Aura Minerals, por US$ 76 milhões mais royalties de 3% sobre os retornos líquidos de fundição. Em 2024, a operação produziu 80 mil onças de ouro.
Brazauro (G Mining)
A G Mining Ventures Corp. (GMIN), que controla a Brazauro, consolidou-se em 2025 como uma produtora de ouro destacada no Brasil, com a Mina de Tocantinzinho (TZ) no Pará gerando fluxo de caixa robusto de US$ 255 milhões em seu primeiro ano completo de operação comercial, enquanto a empresa avança simultaneamente em dois projetos de expansão estratégica: o Oko West na Guiana (em construção) e o Gurupi, no nordeste brasileiro (em explora-
ção avançada). Para 2026, a GMIN projeta produção entre 160 mil e 190 mil onças de ouro, com concentração de 62% no segundo semestre, mantendo custos competitivos e investimentos totais de até US$ 568 milhões, dos quais a maior parte destinada ao desenvolvimento do Oko West.
A mina Tocantinzinho atingiu 171.871 onças de ouro produzidas em 2025, representando o primeiro ano completo de operação comercial após o início em meados de 2024. Este desempenho refletiu uma trajetória de ramp-up bem executada, com o quarto trimestre de 2025 marcando o pico operacional do ano em todas as métricas principais.
O AISC (custo total) anual de US$ 1.155 por onça manteve-se dentro das projeções, posicionando Tocantinzinho entre os operadores de menor custo do setor. O lucro líquido reportado foi de US$ 288 milhões (US$ 1,27 por ação) para o ano completo, com lucro líquido ajustado de US$ 283 milhões (US$ 1,25 por ação).
A GMIN mantém sua projeção de produção para 2026 entre 160 mil e 190 mil onças de ouro, com aproximadamente 62% da produção anual prevista para o segundo semestre.

Para 2026, a GMIN projeta AISC (All-in Sustaining Costs) entre US$ 1.230 e US$ 1.444 por onça de ouro vendida.
A produção média anual de ouro em Tocantinzinho nos próximos dois anos será de 200 mil onças, com custos operacionais de US$ 750 por onça e AISC de US$ 1.190 por onça, valores líderes entre os concorrentes.
Os investimentos de capital para manutenção em 2026 estão estimados entre US$ 69 milhões e US$ 81 milhões, incluindo US$ 31 milhões a US$ 36 milhões em remoção de resíduos, destinados a sustentar o desempenho e a confiabilidade a longo prazo da operação de Tocantinzinho.

O Projeto Oko West representa o principal vetor de crescimento da GMIN. Os investimentos previstos de capital variam entre US$ 514 milhões e US$ 568 milhões em 2026 para impulsionar o desenvolvimento do projeto, que permanece no caminho certo para alcançar a primeira produção de ouro no segundo semestre de 2027. O Estudo de Viabilidade de 2025 projeta uma vida útil robusta da mina de 12,3 anos, com produção média anual de aproximadamente 350 mil onças.
O Projeto Gurupi, localizado no nordeste do Brasil (Cinturão de Ouro de Gurupi), consolidou-se como o terceiro pilar do portfólio multiativos da GMIN. No final de 2025, o projeto apresentava 1,83 Moz de Recursos Indicados e 0,77 Moz de Recursos Inferidos. A GMIN adquiriu arrendamentos no projeto de subsidiárias integrais da BHP, com o negócio concluído antes do final de 2024.
Jacobina Mineração (Panamerican Silver)
A Jacobina Mineração produziu, em 2025, um total de 190,5 mil onças de ouro e 4,6 mil onças de prata, sendo que a receita com a venda de ouro no período somou US$ 658 milhões.
Os investimentos realizados pela empresa, para sustentação das operações, somaram US$ 77 milhões, enquanto os valores destinados à exploração mineral alcançaram US$ 4 milhões. Para 2026, foram anunciados investimentos entre US$ 127 milhões e US$ 135 milhões, sen-
do US$ 67 milhões a US$ 70 milhões em sustentação das operações e US$ 53 milhões e US$ 57 milhões em otimização e crescimento. Entre os projetos anunciados estão: Otimização da planta de processamento para melhorar a confiabilidade, reduzir gargalos de vazão, diminuir custos operacionais e aumentar a recuperação de ouro; Identificação de restrições por meio de coleta de dados e análise técnica para viabilizar uma capacidade de processamento de 10.000 tpd; projeto de filtragem e empilhamento de rejeitos para solucionar limitações existentes na capacidade de armazenamento de rejeitos a longo prazo; Incorporação de uma alternativa futura de disposição de rejeitos a seco (dry-stack) e fornecimento de material para eventuais necessidades de preenchimento (backfill); projeto de planta de preenchimento em pasta (paste backfill) para aproveitar o circuito de filtragem de rejeitos e aumentar a recuperação em zonas selecionadas de alto teor; Apoio às áreas norte e sul de Jacobina, reduzindo o risco sísmico em zonas profundas e prolongando a vida útil da mina; estudo de demanda de energia para definir as necessidades energéticas futuras para as expansões planejadas da mina e da planta de processamento.
Mineração Aurizona (CMOC Gold)
A Mineração Aurizona, que era controlada pela Equinox Gold, foi vendida para o grupo CMOC, em dezembro de 2025, sendo o negócio concretizado no início de 2026. Juntamente com a Aurizona a CMOC adquiriu todos os outros ativos de ouro que a Equinox Gold possuía no Brasil: Fazenda Brasileiro e Santa Luz (na Bahia), Mineração Riacho dos Machados (em Minas Gerais). Pela aquisição, a CMOC pagou US$ 900 milhões em dinheiro e mais US$ 115 milhões vinculados à produção no primeiro ano pós-aquisição.
A Mineração Aurizona tem um projeto de expansão que objetiva a transição para a lavra subterrânea, que prolongará a operação até 2037, podendo mais 20 ou 40 anos de operação subterrânea. O investimento previsto é de R$ 900 milhões e o início da lavra estava planejado para 2028. Espera-se que a CMOC mantenha o projeto, que é decisivo para a continuidade da operação.
A Aura Minerals encerrou 2025 como uma das mineradoras de ouro de crescimento mais expressivo das Américas, consolidando sua posição no Brasil através de resultados operacionais recordes, expansão significativa de sua base de recursos e execução disciplinada de sua estratégia de crescimento em três frentes: desenvolvimento de projetos greenfield, ampliação de reservas por exploração e crescimento via fusões e aquisições. O desempenho foi marcado pela produção de 280 mil GEO (onças de ouro equivalente) a preços correntes (ou 290 mil GEO a preços de guidance), representando um aumento de 5% em relação a 2024, enquanto o EBITDA Ajustado atingiu um recorde histórico de US$ 547 milhões a um preço médio de ouro de US$ 3.446/oz, posicionando a empresa entre os maiores geradores de valor para acionistas do setor mineral global.
A Aura opera atualmente seis minas em produção no Brasil e no exterior, sendo que o Brasil concentra as operações de maior relevância estratégica para o crescimento futuro. As minas brasileiras tiveram as seguintes produções em 2025: Borborema – cerca de 40 mil onças (em ramp up); Almas (56.979 onças); Apoena – 35.304 onças; Mineração Serra Grande – 4.761 onças (a operação foi adquirida no início de dezembro de 2025.
A Aura Minerals elevou sua projeção de crescimento de produção de 450 mil GEO para mais de 600 mil GEO por ano, respaldada pela plena operação de Borborema, integração da MSG, construção e operação planejadas dos projetos Era Dorada e Matupá, e potencial expansão de capacidade em operações como Almas e Borborema.
Para 2026, a companhia projeta produção de 360.000–390.000 GEO, com preparação da MSG e Apoena para maior produção, busca de oportunidades para aumentar capacidade em Borborema, avanço do desenvolvimento subterrâneo e expansão de capacidade em Almas.
A Aura também aposta fortemente na exploração mineral dentro da sua estratégia de crescimento. Em 2025, a empresa investiu US$ 21,8 milhões em exploração, perfurando mais de 106.500 metros, mantendo um dos menores custos de descoberta da indústria.
Amarillo Mineração (Hochschild Mining)
A Hochschild Mining, que controla a Amarillo, enfrentou problemas com sua operação de Mara Rosa, em Goiás, no ano de 2025, o que fez com que sua produção ficasse em torno de 40 mil onças, bem abaixo das 63,7 mil onças produzidas em 2024. O custo total de produção também teve forte aumento, passando de US$ 1.408/onça para US$ 3.697/onça, devido à queda nos níveis de produção e baixa nos teores do minério extraído. Os custos de remediação também registraram aumento expressivo, atingindo US$ 34 milhões, quando o budget era de US$ 12 milhões.
Agora a Hochschild aposta suas fichas, em termos de Brasil, no projeto Monte do Carmo, em Tocantins, pelo qual desembolsou US$ 60 milhões na aquisição. O ativo possui 1,012 milhão de onças de ouro e a Hochschild deve decidir sobre a implantação no segundo semestre de 2026. A estimativa de investimento é de US$ 250 milhões e o empreendimento pode ter capacidade para produzir cerca de 100 mil onças de ouro por ano.
A NX Gold, controlada pela Ero Copper, produziu, em 2025, um total de 37.291 onças de ouro, a um custo total de US$ 2.081 por onça produzida e custo caixa de US$ 976 por onça, um dos mais baixos no Brasil. Um adicional de 14.999 onças foi embarcado em forma de concentrado, elevando a produção total de Xavantina para 52.290 onças de ouro. A empresa prorrogou o contrato de compra de metais preciosos de junho de 2021 em troca de receitas iniciais de US$ 50 milhões com a RGLD Gold AG, uma subsidiária integral da Royal Gold Inc., sob um contrato adicional de compra de metais preciosos em relação a uma parte da futura produção de ouro das Operações Xavantina em Mato Grosso (Stream Supplement). Sob os acordos de streaming de Xavantina para US$ 160 milhões desde 2021, a Ero Copper estendeu os marcos do limite de entrega de ouro sob o Estágio II e concordou em expandir a área de influência coberta pelo stream para incorporar arrendamentos adicionais adquiridos pela empresa desde que o acordo original foi concluído. A entrega de onças adicionais sob o Stream Supplement deve começar em 2028.
Um relatório de recursos divulgado pela Ero Copper para a mina de Xavantina, com base na norma canadense 43.101, indica que existem na mina recursos totais (medidos e indicados) de 2,359 milhões de toneladas de minério aurífero com teor médio de 8,75 gramas por tonelada, o que equivale a 664 mil onças de ouro.
A Serabi Gold produziu 44.169 onças de ouro em 2025, volume bem superior ao registrado em 2024, quando foram produzidas 37.520 onças de metal. A receita obtida no ano foi de US$ 155,85 milhões, contra US$ 94, milhões no ano anterior. A estratégia de curto prazo da empresa é elevar a produção para um nível entre 53 mil e 57 mil onças já a partir de 2026 e tornar-se um produtor médio de ouro (100 mil a 200 mil onças) nos próximos cinco anos.
COBRE
O aumento da produção e os preços elevados do metal, motivados pela demanda gerada pela transição energética, contribuíram para que o cobre aumentasse sua participação na Produção Mineral Brasileira. As cinco empre- sas produtoras de cobre no País responderam por aproximadamente 10% do valor da PMB em 2025, com um total pouco superior a R$ 30 bilhões. A liderança na produção é da Salobo Metais (leia-se Vale Base Metals), seguida pela Mineração Maracá (Lundin Mining), Mineração Caraíba (Ero Brasil), Mineração Vale Verde e AVB Mineração.


Salobo Metais (Vale Base Metals)
A Vale Base Metals produziu um total de 293,1 mil toneladas de cobre no Brasil, em 2025, sendo 218,7 mil toneladas em Salobo e 74,4 mil toneladas em Sossego. O cobre foi responsável por uma receita de US$ 3,573 bilhões, ou 9,77% das receitas totais da Vale.
A expectativa é que esse aporte aumente expressivamente nos próximos anos, já que os planos estratégicos de longo prazo da companhia, prevêem que a produção de cobre deverá aumentar para 700 mil toneladas por ano até 2035, apoiada por uma sólida carteira de projetos de cobre em Carajás.
Entre os projetos que sustentam a meta de crescimento da VBM estão os projetos Bacaba, em execução, com aproximadamente 23% de conclusão física. O capital do projeto foi reduzido pela metade em relação ao estudo de viabilidade original, sem aumento de custos operacionais. A taxa interna de retorno saltou de cerca de 15% para mais de 60%. Outro projeto de destaque é Alemão, redesenhado de cava a céu aberto para operação subterrânea por subníveis com realces abertos. A mudança gerou cerca de US$ 500 milhões em otimização de CAPEX, com produção estimada em 80 mil toneladas de cobre e 140 mil onças de ouro por ano. A licença prévia foi requerida em outubro de 2025 e a VBM está atuando de forma antecipada para mitigar riscos. No Hub Norte, Paulo Afonso emerge como o próximo grande passo, com cava convencional a céu aberto, planta de 12 milhões de toneladas por ano, produção estimada de 80 mil toneladas de cobre e potencial de 16 anos de vida útil. Em Salobo, a VBM está implantando a tecnologia CPF (Coarse Particle Flotation), que remove estéril mais cedo no processo de beneficiamento, antes da moagem fina, liberando capacidade ao longo de toda a cadeia e que aumentará a capacidade de processamento em cerca de 6 milhões de toneladas por ano, reduzirá o consumo específico de energia em aproximadamente 10% e gerará cerca de 30 mil toneladas adicionais de cobre por ano.
Mineração Maracá (Lundin Mining)
A Lundin Mining, através da Mineração Maracá produziu 43.974 toneladas de cobre e 61.331 onças de ouro na operação de Chapada.
O cash cost da produção de cobre ficou em US$ 0,75 por libra, abaixo do que inicialmente era estimado. Para 2026, a produção prevista para Chapada é de 45 mil a 50 mil toneladas de cobre e 57 mil a 62 mil onças de ouro.
A empresa investiu na operação, em 2025, um total de US$ 96,8 milhões. Já em 2026 a previsão de investimento em Chapada é de US$ 100 milhões.
A Lundin Mining deverá decidir, até o final de 2026, sobre a implantação de uma instalação de capacidade adicional de moagem para aproveitamento do depósito Saúva, localizado a aproximadamente 15 km da mina Chapada e que pode adicionar uma capacidade de 10 mil a 15 mil toneladas/ano de cobre e 35 mil a 45 mil onças de ouro. Um estudo de pré-viabilidade já foi concluído e os trabalhos de engenharia prosseguirão paralelamente ao licenciamento do projeto.
Juntando as operações de Caraíba (na Bahia) e Tucumã (no Pará), a EroBrasil produziu um total de 64.308 toneladas de cobre em 2025, o que a coloca em segundo lugar entre os maiores produtores do metal no Brasil. A receita obtida com a produção das duas operações foi de R$ 3,4 bilhões.
A expectativa é que nos próximos anos a EroBrasil amplie sua participação no segmento, já que a EroBrasil Tucumã deve caminhar para a sua capacidade de produção projetada, ou seja, processamento de 4 milhões de toneladas de minério por ano e a empresa aposta na viabilidade do projeto Furnas, em parceria com a Vale, na Província Mineral de Carajás. Para o empreendimento, prevê-se uma produção média anual de cobre equivalente de aproximadamente 108 mil toneladas nos primeiros 15 anos de operação, incluindo 70 mil toneladas de cobre, 111 mil onças de ouro e 532 mil onças de prata por ano. O Capex para a implantação de Furnas está estimado em US$ 1,3 bilhão, com baixa intensidade de capital de aproximadamente US$ 16 mil por tonelada equivalente de cobre. Os custos operacionais ao longo da vida útil da mina estão previstos em US$ 0,30 por libra de cobre produzida, sustentados por créditos significativos de ouro e prata como subprodutos.
Mineração Vale Verde
A Mineração Vale Verde, que era controlada pelo grupo Appian Capital Advisory, foi adquirida em 2025 pelo grupo chinês Baiyin Nonferrous, por US$ 420 milhões (cerca de R$ 2,39 bilhões). A transação transferiu 100% do capital da empresa, que opera a mina de cobre e ouro Serrote, em Alagoas. Em 2025, a Vale Verde declarou uma produção no valor de R$ 996,7 milhões, mas não se tem dados de quantidade produzida. Em 2024, a produção da MVV havia sido de 18,3 mil toneladas de cobre e 8,2 mil onças de ouro, que proporcionaram uma receita de US$ 184,4 milhões e EBITDA de US$ 83,9 milhões. O custo operacional C1 médio, naquele ano, foi de US$ 1,74/lb de cobre. A mina tem capacidade para produzir 20 mil toneladas/ano e conta com reservas de 52,65 milhões de toneladas. A empresa acredita que a mina tem potencial de expansão. Por enquanto, sua vida útil está estimada em 14 anos.
Avanco do Brasil (AVB)
A Avanco do Brasil, que era controlada pela BHP, teve os seus ativos (projetos de cobre Antas e Pedra Branca, na Província Mineral de Carajás), vendidos para o grupo da Turquia CoreX Holding. Em 2018, a empresa havia sido vendida para a Oz Minerals, que posteriormente, em 2023, passou ao controle da BHP e finalmente foi negociada com a CoreX, em meados de 2025, embora a transação devesse ser completada em 2026. O valor da transação para a CoreX foi de US$ 465 milhões. O grupo turco renomeou a empresa para CoreX Copper Brasil. Com essa aquisição, a operação que nasceu com a Avanco do Brasil agora passa definitivamente para o controle estratégico da holding da Turquia. Em 2025 a Avanco do Brasil produziu 9,4 mil toneladas de cobre.
BAUXITA
Os principais produtores de bauxita (Mineração Paragominas – Hydro, Mineração Rio do Norte, Alcoa, Cia. Brasileira de Alumínio – CBA e Mineradora Santo Expedito, responderam por uma produção no valor de R$ 6,15 bilhões, equivalentes a 2,06% do valor da PMB.

Mineração Paragominas (Hydro)
A Mineração Paragominas, controlada pela Norsk Hydro, através da Hydro Paragominas, segundo maior produtor de bauxita no País (em quantidade produzida), produziu em 2025 um total de 11,4 milhões de toneladas de minério, com uma receita de R$ 2,4 bilhões, enquanto a Hydro Alunorte, que opera em Barcarena a maior refinaria de alumina do mundo, registrou uma produção de 6,09 milhões de toneladas de hidrato de alumina. Apesar do bom volume industrial e do aumento nas vendas, o balanço financeiro global da divisão de Bauxita e Alumina da Hydro sofreu pressão ao longo de 2025. O EBITDA ajustado do segmento caiu em comparação com os períodos anteriores devido a fatores macroeconômicos, especialmente a desvalorização do Real em relação ao Dólar, custos fixos ligeiramente mais elevados e volatilidade nos preços internacionais de venda da alumina.
Mineração Rio do Norte – MRN
A MRN, controlada pelos grupos Glencore (45%), South 32 (33%) e Rio Tinto (22%), ocupa a segunda posição (em valor) na produção nacional de bauxita, embora produza a maior quantidade. A empresa é também um dos maiores produtores do minério de alumínio no mundo, tendo produzido, em 2025, um total de 12,8 milhões de toneladas. A empresa
realizou investimentos de R$ 810 milhões em 2025, principalmente no projeto de uma linha de transmissão com 98 km de extensão, para interligação ao sistema elétrico nacional. A MRN mantém o principal projeto de expansão na produção de bauxita no País, com o projeto Novas Minas, que visa uma capacidade de 12,5 milhões de toneladas/ano, prolongando as atividades de extração por mais 15 anos. O investimento previsto é da ordem de R$ 9 bilhões, a serem desembolsados entre 2027 e 2041.
A Alcoa, terceiro maior produtor de bauxita no Brasil, registrou uma produção de 7,2 milhões de toneladas de minério em 2025, sendo 6,7 milhões de toneladas em Juruti (PA) e 500 mil toneladas em Poços de Caldas (MG). Além disso, a empresa produziu 2,47 milhões de toneladas de Alumina. Em 2025 a Alcoa completou 60 anos de atuação no Brasil, período durante o qual se tornou um dos principais players no segmento de alumínio, com suas unidades de Juruti (PA), Alumar (MA) e Poços de Caldas (MG).
A CBA – Cia. Brasileira de Alumínio, quarto principal produtor de bauxita no País, produziu em 2025 um total de 1,9 milhão de toneladas de minério em suas operações de Miraí (MG), Poços de Caldas (MG) e Barro Alto (GO). A receita líquida, obtida com todas as operações, que incluem produção de alumínio primário e transformados, somou R$ 8,8 bilhões no ano. No início de 2026, a Votorantim, acionista majoritária da CBA, anunciou a assinatura de contrato de compra e venda de suas ações para um consórcio formado pela Chalco, principal subsidiária do Grupo Chinalco, e pela Rio Tinto, que são referências globais nos setores de alumínio e mineração.
A Mineradora Santo Expedito, com operações em Barro Alto (GO), é o quinto maior produtor nacional de bauxita, respondendo por aproximadamente 1,31% do total produzido. Em valor, a produção da empresa em 2025 foi de R$ 3,92 bilhões.
FERTILIZANTES
Os maiores produtores de fertilizantes no Brasil tiveram uma participação, em 2025, de 1,94% no valor da PMB, com um total de R$ 5,80 bilhões. A lista de produtores é liderada pela Mosaic Fertilizantes, que responde por mais de 50% do valor, seguida pela CMOC, Salitre Fertilizantes (EuroChem) e Fosnor (grupo Galvani).


A Mosaic Fertilizantes produziu no Brasil, em 2025, um total de 4,2 milhões de toneladas de rocha fosfática, o que corresponde a aproximadamente 71% da produção brasileira e 166 mil toneladas de potássio. O lucro operacional da empresa em 2025 registrou alta de 16%, alcançando US$ 492 milhões e o EBITDA ajustado ficou em US$ 567 milhões — um crescimento de 65% em relação ao ano anterior. Os investimentos foram de US$ 1.3 bilhão, globalmente. No Brasil, foram investidos US$ 256 milhões em 2025 e estão previstos para 2026 cerca de US$ 239 milhões.
Em outubro de 2025, a Mosaic Fertilizantes completou a venda de uma mina de fosfato em Araxá, para uma empresa controlada por Rodolfo Galvani, pelo valor de US$ 111 milhões, sendo US$ 51 milhões no fechamento do negócio e o restante a ser pago nos próximos quatro anos. Em dezembro de 2025, a Mosaic vendeu a mina de potássio de Taquari, em Sergipe, por cerca de US$ 27 milhões, dos quais US$ 12 milhões foram pagos à vista.
Em 2026, a produção de Superfosfato Simples (SSP) foi paralisada nas unidades Fospar (PR) e Araxá (MG), devido à alta do preço do enxofre.
A Mosaic tem um projeto de expansão no Brasil, porém não no segmento de fertilizantes e sim no de terras raras. Está sendo realizado um estudo de pré-viabilidade, previsto para ser concluído em 2026, para um projeto em parceria com a Rainbow Rare Earths, visando a instalação de uma unidade de processamento em Uberaba (MG). A capacidade de processamento prevista para a planta é 2,7 milhões de toneladas/ano de fosfogesso, podendo gerar 1.900 toneladas/ano de óxido de neodímio e praseodímio separados e 600 toneladas de samário, európio e gadolínio, produto rico em Elementos de Terras Raras médias e pesadas. O início da produção está previsto para 2030.
CMOC
A CMOC registrou no ano de 2025 uma produção de 1,21 milhão de toneladas de fertilizantes e 10.348 toneladas de nióbio, que lhe proporcionaram uma receita operacional de R$ 5,76 bilhões. Como já mencionado na parte referente ao ouro, a empresa ingressou no segmento no Brasil, ao adquirir os ativos da Equinox Gold. Com a transação, a produção de ouro da CMOC pode aumentar para 8 toneladas por ano.
A Galvani fechou o ano de 2025 com a entrega de 726 mil toneladas de fertilizantes, o que representa um crescimento de 2,8% em relação a 2024 e manteve uma participação de mercado de 24,6% nas regiões onde atua.
A Unidade de Mineração de Angico dos Dias superou sua meta anual de produção de concentrado fosfático em 5,5%, totalizando 247,9 mil toneladas. Já o Complexo Industrial de Luís Eduardo Magalhães (CILEM) manteve estabilidade operacional, com produção de 531 mil toneladas de acidulação e 430 mil toneladas de granulação ao longo do exercício. A receita líquida da empresa cresceu 19,9% em relação a 2024, sustentada pela combinação de aumento de volumes, melhora de mix de produtos e efeito cambial favorável. O EBITDA avançou 6,1%, para R$ 233 milhões, apesar do ambiente de custos pressionados, especialmente devido ao enxofre. No ano, a empresa investiu R$ 587 milhões, principalmente na expansão do complexo de Luís Eduardo Magalhães e no projeto de mineração de Irecê. O investimento em ambos os projetos deve superar R$ 1 bilhão até 2027. Juntamente com a INB, a Fosnor pretende implantar um empreendimento no Ceará, de mineração de fosfato, predominante na jazida de Itataia, e urânio. A produção prevista é de 1,05 milhão de toneladas/ano de fertilizantes fosfatados, o que seria suficiente para garantir 25% da demanda do Norte/ Nordeste; 220 mil toneladas/ano de fosfato bicálcico (para ração animal) e 2.300 toneladas/ano de concentrado de urânio.
A EuroChem, que já se coloca como o terceiro maior produtor de fertilizantes no Brasil, tem pautado sua atuação pela consolidação da operação de seu complexo Serra do Salitre, adquirido da Yara por US$ 1 bilhão, visando alcançar a capacidade projetada, que é de 1 milhão de toneladas/ano de fertilizantes fosfatados, representando 15% da produção brasileira nesse segmento. A prioridade tem

sido aumentar a confiabilidade da operação e otimizar custos, mas a empresa também estuda ampliar a capacidade para 1,5 milhão de toneladas/ano.
Os planos da EuroChem incluem: concluir a estabilização operacional de Serra do Salitre; investir em logística e eficiência da cadeia de distribuição; avaliar novos investimentos em produção local de fertilizantes e, eventualmente, em outros nutrientes, caso surjam oportunidades economicamente atrativas.
CALCÁRIO

O ranking Brasil Mineral inclui 42 produtores de calcário, que responderam por uma produção no valor de R$ 5,38 bilhões, equivalentes a cerca de 1,80% da PMB de 2025. A lista é liderada pelos produtores que utilizam o minério para produção de cimento, com a Votorantim Cimentos colocando-se em primeiro lugar e a CSN Cimentos em segundo. Na sequência estão os produtores de calcário para fabricação de cal, como a Belocal, e os que produzem calcário para uso na agricultura, segmento onde se destacam a Emal, Caltins e outras.
A lista dos dez maiores produtores do ranking inclui, além da Votorantim Cimentos, da CSN Cimentos e Caltins, as seguintes empresas: Mineração Belocal, Empresa de Mineração Aripuanã, Ciplan, Intercement, Geocal, Indústria de Calcários Caçapava e Massari Mineração.
A Votorantim Cimentos, em 2025, vendeu globalmente 37 milhões de toneladas de cimento (5% a mais do que em 2024), obtendo uma receita líquida, no Brasil, de R$ 14,5 bilhões e Ebitda de R$ 2,82 bilhões. A empresa está conduzindo um plano de investimentos de R$ 5 bilhões em expansão e melhoria das operações no Brasil, no período de 2024 a 2028. Em 2025, foram investidos R$ 2,7 bilhões e o plano envolve novas moagens em Salto de Pirapora (SP), Edealina (GO) e Nobres (MT), Modernização de fornos em Xambioá (TO), Reativação de forno em Laranjeiras (SE), Reativação de moagens em Esteio (RS) e Laranjeiras (SE), Otimização operacional e logística em Rio Branco do Sul (PR), visando obter capacidade adicional em operação estimada em 3,7 milhões de toneladas/ano de cimento.
A Caltins, líder na produção de calcário agrícola, registrou uma produção de quase 5 milhões de toneladas em 2025 e faturou R$ 367,5 milhões. A empresa investiu em 2025 cerca de R$ 23 milhões em vários projetos, com destaque para abertura de uma nova mina em Xambioá (TO) e instalação de uma nova planta de moagem de finos para aproveitamento de rejeitos. Para 2026, a empresa planeja investir R$ 13,7 milhões, sendo uma parte importante destinada a trabalhos de sondagem para dimensionamento de reservas. O maior investimento será feito na instalação de um filtro de mangas e ampliação da torre.

AGREGADOS
Os maiores produtores de agregados no ranking Brasil Mineral, no total de 30 empresas, tiveram uma participação de pouco mais de 1% no valor da PMB em 2025, somando R$ 3,1 bilhões. A liderança neste segmento é exercida pela Polimix, que sozinha responde por 0,24% da PMB, com um total de 30 operações e um valor de R$ 731,7 milhões. Em segundo lugar está a Embu, com valor de R$ 408,8 milhões. A lista dos 10 maiores produtores inclui ainda a Paupedra, MBL, Mineração Vera Cruz, Construtora Martins Lanna, Brasitália, Mineração Itaipu, Pedreira Irmãos Machado e Britagem Vogelsanger.
Do ponto de vista empresarial, a principal novidade no segmento foi a aquisição, no final de 2024, da Embu S.A. pela chinesa Huaxin Cement, listada na bolsa de Xangai.
CARVÃO
Sete produtores de carvão compõem o ranking Brasil Mineral, com uma participação de 0,44% no total da PMB e produção no valor de R$ 1,325 bilhão. O maior produtor nacional de carvão é a Carbonífera Rio Deserto, com um valor de R$ 304,7 milhões, seguida pela Carbonífera Metropolitana, Copelmi Mineração, Seival Sul Mineradora, Companhia Riograndense de Mineração (CRM), Carbonífera Belluno e Carbonífera Catarinense.
ESTANHO
O segmento do Estanho, que teve grande importância na produção mineral brasileira nos anos 1980, atualmente tem pequena representação, respondendo por cerca de 0,6% do valor total da PMB em 2025. Figuram no ranking seis empresas, que tiveram uma produção no valor total de R$ 1,59 bilhão no ano.

A Mineração Taboca, que lidera de longe a produção, além do estanho produz nióbio e tântalo, teve produção, em 2025, no valor de mais de R$ 1 bilhão. A empresa, que era controlada pelo grupo peruano Minsur, foi vendida, no final de 2024, para a chinesa CNMC (China Nonferrous Mining Metal Company), pelo valor de US$ 340 milhões. A CNMC é uma companhia chinesa com operações de metais não-ferrosos na Ásia e África. Após a aquisição, a Mineração Taboca anunciou um ciclo de investimentos de US$ 100 milhões até 2028, marcando o início de uma nova fase da companhia após a China Nonferrous Trade Co. Ltd. assumir sua gestão. O investimento anunciado visa a modernização das plantas de Pitinga e Pirapora, que estariam defasadas.

e tântalo, teve produção, em 2025, no valor de mais de R$ 1 bilhão. A empresa, que era controlada pelo grupo peruano Minsur, foi vendida, no final de 2024, para a chinesa CNMC (China Nonferrous Mining Metal Company), pelo valor de US$ 340 milhões. A CNMC é uma companhia chinesa com operações de metais não-ferrosos na Ásia e África. Após a aquisição, a Mineração Taboca anunciou um ciclo de investimentos de US$ 100 milhões até 2028, marcando o início de uma nova fase da companhia após a China Nonferrous Trade Co. Ltd. assumir sua gestão. O investimento anunciado visa a modernização das plantas de Pitinga e Pirapora, que estariam defasadas.
Os outros cinco produtores de estanho são a White Solder, Fábrica Auricchio, NFB Mineração, Estanho de Rondônia e Metalmig.
ROCHAS ORNAMENTAIS

As rochas ornamentais vêm ganhando destaque no universo da produção mineral brasileira, tendo aumentado expressivamente suas exportações. No ranking Brasil Mineral, o segmento participa com 8 empresas, que respondem por quase 0,6% do valor total da PMB, com R$ 1,82 bilhão.
A empresa líder no segmento é a Vermont Mineração, que registrou um valor de produção de R$ 486,9 milhões, em 8 frentes de extração. Integram ainda a lista de produtores no ranking as empresas Milgran, Thor Norte, Corcovado Granitos, Mineração Agreste, Guidoni, Granorte e Alain Stephane Riviere Mineração.
NÍQUEL
Apesar do bom potencial do País em termos de reservas, o níquel também ainda tem participação pouco expressiva na produção mineral, tendo respondido por somente 1,2% do valor total da PMB em 2025, com a soma de R$ 3,57 bilhões, aportados por três empresas: A Atlantic Nickel, que explora na Bahia um depósito arrendado da CBPM, a Anglo American Níquel e a Vale Base Metals (através da Mineração Onça Puma).

A Atlantic Nickel, controlada pela Appian Capital Brazil, produziu 122 mil toneladas de concentrado de níquel (16,3 mil toneladas de níquel contido) em 2025, liderando a produção nacional. Além disso, a empresa gerou subprodutos como cobre, cobalto, platina, paládio e ouro, que participaram com 25% de sua receita operacional no ano. A receita da Companhia em 2025 somou US$ 274,5 milhões. A Atlantic Nickel está avançando no desenvolvimento de um grande recurso subterrâneo de maior qualidade, estendendo a vida útil inicial a céu aberto de 8 anos da mina Santa Rita para mais de 30 anos. Em 2024, a empresa realizou seu Estudo de Pré-Viabilidade (PFS) para a expansão subterrânea da mina. O PFS reforçou ainda mais a confiança da Appian no projeto, apontando para uma mina de longa vida útil, com uma produção anual estimada de 30 mil toneladas de níquel equivalente por ano, baixa intensidade de capital e uma estrutura de custos competitiva. A Atlantic Nickel está avançando nesse cenário por meio do Estudo de Viabilidade Definitivo em andamento, com os primeiros trabalhos já começando sobre o desenvolvimento subterrâneo.
A Anglo American Níquel, que tem instalações no estado de Goiás, produziu em 2025 um total de 39,7 mil toneladas de níquel, um pequeno aumento em relação a 2024. O negócio níquel da Anglo American no Brasil (as operações de Barro Alto e Codemin, em Goiás, e os projetos Morro Sem Boné e Jacaré em Mato Grosso e Pará) foi negociado com o grupo chinês MMG no início de 2025, pelo valor total de até US$ 500 milhões, sendo US$ 350 milhões iniciais, mais US$ 100 milhões atrelados ao preço do níquel e US$ 50 milhões condicionados à decisão de investimento nos novos projetos. Inicialmente, o negócio deveria ter sido concluído até o terceiro trimestre de 2025, mas a Comissão Europeia abriu uma investigação, temendo que a venda afetasse a produção de aço inoxidável no bloco europeu. O CADE brasileiro também decidiu realizar um procedimento de averiguação. As empresas adiaram a decisão para junho de 2026, o que ainda não aconteceu.
A Vale Base Metals produziu, no Brasil, um total de 26,1 mil toneladas de níquel e concluiu, em 2025, a implantação do Forno 2 em Onça Puma, no Pará, elevando a capacidade da usina para 40 mil toneladas/ano de ferroníquel. O investimento nesse projeto foi de US$ 555 milhões. Tudo indica que a atuação da VBM no segmento de níquel continuará mais forte no exterior, principalmente no Canadá e na Indonésia, já que a empresa não sinaliza com outros projetos no País. .
No futuro próximo, espera-se que o Brasil tenha posição mais relevante na produção de níquel, considerando os projetos que estão planejados, principalmente os da Piauí Niquel e da Centaurus.
A Piauí Níquel, subsidiária integral da companhia Brazilian Nickel Limited, planeja produzir, em escala industrial, precipitados de níquel e cobalto de alta pureza, adequados para indústrias de alto valor agregado. O principal produto comercializado pela empresa é o Precipitado de Hidróxido Misto (MHP). O projeto em desenvolvimento pela Piauí Níquel prevê capacidade de produção de 27 mil toneladas de níquel e 900 toneladas de cobalto por ano, com início da produção em 2028. Na fase operacional, prevista para 2029, o minério passará por um processo de purificação e precipitação direta, fazendo com que o níquel e o cobalto decantem juntos na forma de um sólido úmido que é o MHP (teor médio entre 48% e 50% de níquel e 2% de cobalto), que será comercializado em mercados globais.
Já a Centaurus Metals tem o projeto Jaguar, no Pará (na região de Carajás), que é atualmente um dos maiores projetos de sulfeto de níquel não desenvolvidos em todo o mundo e considerado uma fonte potencial altamente estratégica de produtos concentrados de níquel livres de ônus, especialmente para a cadeia de fornecimento de baterias de veículos elétricos. O Estudo de Viabilidade, considerando apenas minério de sulfeto de níquel a céu aberto ao longo de uma vida útil inicial de 18 anos da mina, prevê a produção de 3,5 Mtpa para gerar aproximadamente 18.700 toneladas de níquel metálico recuperado por ano, com uma baixa vida útil da mina, custo operacional C1 de US$ 2,30/lb e AISC de US$ 3,57/lb, com base em níquel contido. O projeto poderia iniciar a operação no último trimestre de 2027. O Capex de pré-produção (incluindo crescimento e contingência) é de US$ 371 milhões e o de pré-produção (pré-striping da mina) soma US$ 68 milhões.
OUTROS MINERAIS
O Brasil tem atualmente apenas dois produtores de zinco, que são a Nexa Resources e a Mineração Santa Elina.
A Nexa, controlada pelo grupo Votorantim, que está negociando sua participação com a sueca Boliden, tem duas operações de mineração no País, uma em Minas Gerais (Vazante) e outra no estado de Mato Grosso (Aripuanã). Além disso,

a empresa possui duas plantas metalúrgicas, localizadas em Três Marias e Juiz de Fora, ambas em Minas Gerais. Em 2025 a Nexa produziu 316 mil toneladas de zinco contido em concentrado, 33 mil toneladas de cobre e 63 mil toneladas de chumbo. A receita operacional, no ano, foi da ordem de US$ 3 bilhões.
A Mineração Santa Elina, que opera uma mina em Nova Brasilândia D'Oeste, em Rondônia, participou com 0,128% do total da PMB em 2025, com um valor de R$ 381,5 milhões. Nas demonstrações financeiras, a empresa registrou uma receita de R$ 427,5 milhões. A Santa Elina está desenvolvendo um outro projeto, denominado Pedra Queimada, na mesma localidade, em Rondônia.
Apesar de ocupar posição de liderança no mercado internacional, o Brasil tem apenas duas empresas atuando na produção de nióbio, no caso a CBMM e a CMOC.
A CBMM, que é o maior produtor mundial de nióbio, com mais de 85% do mercado, em 2025 celebrou 70 anos de atuação e alcançou resultados considerados históricos, superando pela primeira vez a marca de venda de 100 mil toneladas de ferronióbio equivalente, com crescimento de 4,7% em relação a 2024. A produção de ferronióbio no ano foi de 103,6 mil toneladas, que lhe proporcionaram uma receita de R$ 14,5 bilhões. Um dos pontos fortes da CBMM tem sido o seu Programa de Tecnologia, com mais de 200 projetos de pesquisa e desenvolvimento em parceria com universidades, centros de pesquisa e clientes ao redor do mundo, no qual a empresa investe anualmente entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões. Em 2025, a CBMM investiu R$ 1,1 bilhão em Capex.
A CMOC, segundo maior produtor de nióbio no País, tem suas operações em Goiás, adquiridas da Anglo American juntamente com as operações de fosfato. Em 2025 a empresa produziu 10,3 mil toneladas de nióbio, totalmente destinadas à exportação. A receita da empresa no ano, incluindo as operações de fosfato, somaram cerca de R$ 6 bilhões, representando um crescimento de 17,6% em relação ao ano anterior. Como já mencionado, a partir de 2026 a CMOC ampliou sua atuação no Brasil, ingressando no segmento de ouro, com a aquisição de ativos da Equinox Gold.

Embora já tenha sido um importante produtor de manganês no passado, hoje o Brasil tem uma produção muito pequena no contexto mundial. A lista atual de produtores de manganês no ranking Brasil Mineral tem somente três empresas, no caso a Buritirama Mineração (que está com falência decretada), a LHG Mining e a Mineração Nogueira Duarte.
A Buritirama Mineração, que está sob gestão do fundo Geribá Investimentos, sendo a massa falida administrada pelo escritório de advocacia Laspro Consultores, registrou uma produção no valor de R$ 302,7 milhões, o que dá uma participação de aproximadamente 0,10% da PMB. As operações da empresa estão concentradas no município de Marabá, no Pará.
A LHG Mining, do grupo J&F, que opera a mina Urucum, em Mato Grosso do Sul, atua mais como produtor de minério de ferro e registrou uma produção de 360 mil toneladas em 2025. A mina também produz minério de ferro, com capacidade instalada de 3,5 milhões de toneladas/ano.
A Mineração Nogueira Duarte, de pequeno porte, tem operações em Conselheiro Lafayete (MG) e informou uma produção no valor de R$ 51 milhões em 2025.

Embora existam duas empresas produtoras de cromita no Brasil, a rigor há um único produtor, porque as duas empresas (Mineração Vale do Jacurici e Ferbasa) são controladas pelo grupo Ferbasa, que tem suas operações na Bahia. No ano passado, o segmento respondeu por 0,21% do valor da PMB, com um total de R$ 643,5 milhões.
Embora com muitos projetos para o futuro, atualmente o Brasil conta com apenas três produtores ativos de minério de lítio, que são a Sigma Lithium, Cia. Brasileira de Lítio (CBL) e AMG.
A empresa com maior capacidade instalada é a Sigma Lithium, que em 2025 não tem produção registrada para fins de recolhimento de CFEM na ANM. A empresa informa que, em outubro de 2025, fez uma reestruturação de suas operações de mineração, envolvendo a internalização das operações, e que durante o período de desmobilização da mina a Planta Industrial Greentech da Companhia manteve suas operações, realizando o reprocessamento de rejeitos.
A AMG produziu, em 2025, um total de 69,2 mil toneladas de espodumênio, no valor de US$ 48,2 milhões. Além disso, a empresa produz concentrado de tântalo e alumínio. A receita operacional total no ano foi de R$ 922,5 milhões. Em meados do ano passado, a AMG concluiu a implantação da planta de concentrado de lítio para aumentar a capacidade de 40 mil toneladas/ano para 130 mil toneladas/ano de concentrado com 5,5% de Li2O, investindo no projeto cerca de US$ 57 milhões. A empresa tem em seu portfólio o projeto de instalação de uma planta de Hidróxido de Lítio, projetada para processar 130 mil toneladas/ano de concentrado de lítio, produzindo cerca de 17 mil toneladas/ano (base seca) de hidróxido de lítio grau técnico usando a rota de sulfatação, para ser enviado à refinaria da AMG na Alemanha. Os investimentos neste projeto estão estimados em US$ 290 milhões. Inicialmente, o start up da planta está previsto para o terceiro trimestre de 2031.
A Companhia Brasileira de Lítio (CBL), que tem capacidade para produzir 45 mil toneladas/ano de concentrado de espodumênio e cerca de 2 mil toneladas de LCE, em 2026 fez um acordo com a empresa indiana Altmin, que fará um aporte de US$ 40 milhões (cerca de R$ 220 milhões) na companhia brasileira, o que lhe dará direito a 33% de participação no controle acionário. Os recursos serão utilizados para ampliação da planta de refino que a CBL possui em Divisa Alegre, no Norte de Minas Gerais, para produção de hidróxido de carbonato de lítio. O investimento viabiliza a expansão da capacidade produtiva da refinaria de 2 mil toneladas anuais para 6 mil toneladas/ano do principal componente químico utilizado em baterias de veículos elétricos e de grandes acumuladores de energia.
No futuro próximo, deverão ser instalados no Brasil novos empreendimentos para produção de lítio. Os que estão em estágio mais avançado são os da Lithium Ionic e Atlas Lithium.
A Lithium Ionic está iniciando a implantação do projeto Bandeira, programado para produzir 177 mil toneladas/ano de concentrado de espodumênio, a um custo de US$ 378/tonelada produzida, durante um período de 18,5 anos e para cuja implantação estão previstos investimentos de US$ 191 milhões.
A Atlas Lithium tem o Projeto Neves, localizado no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, que tem produção anual estimada em cerca de 146 mil toneladas de concentrado de lítio, a um custo operacional de US$ 489 por tonelada de concentrado.
Assim como no lítio, há diversos projetos de produção a serem instalados no Brasil futuramente. No entanto, apenas uma empresa está atualmente operacional, no caso a Serra Verde Mineração, que iniciou operação comercial em 2024 e que tem capacidade projetada, na primeira fase, de 6.500 tonela- das/ano de óxidos de terras raras, que deve ser atingida em 2027. A empresa anunciou um financiamento de US$ 565 milhões com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), incluindo uma opção que confere ao Governo dos Estados Unidos o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na Serra Verde.
Além da Serra Verde, os projetos que já estão em fase de licenciamento, visando a implantação, são os da Aclara Resources (em Goiás), Meteoric, Viridis (ambos em Minas Gerais) e o da Brazilian Rare Earths (BRE), na Bahia, que devem integrar o rol de produtores de terras raras no Brasil nos próximos anos.
A Aclara Resources concluiu recentemente um novo estudo de pré-viabilidade do projeto Carina, em Goiás, para o qual estão previstos investimentos totais de US$ 680,5 milhões. A empresa quer iniciar a construção em 2027 e o comissionamento em 2028. A capacidade de produção prevista e de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras, que devem gerar 1.191 t de neodímio e praseodímio, 156 t de disprósio e 27 t de térbio.
A Meteoric já está licenciando o projeto Caldeira, em Poços de Caldas, Minas Gerais, e projeta iniciar a operação em 2028. O empreendimento, cuja implantação deverá custar cerca de US$ 450 milhões, está programado para uma produção de 24 mil toneladas/ano de carbonato misto de terras raras, gerando 4.228 toneladas/ano de neodímio e praseodímio e 130 toneladas/ano de disprósio e térbio, com uma vida útil estimada estimada em 20 anos, mas que pode aumentar, já que a empresa ampliou as reservas.
A Viridis também está em fase de licenciamento do projeto Colossus, em Minas Gerais, com início de produção previsto para 2028 com investimentos estimados em US$ 356 milhões. Colossus deve processar cerca de 5 milhões de toneladas/ano de argila iônica, produzindo 9,4 mil toneladas/ao de óxidos de terras raras.
A Borborema Recursos Estratégicos, controlada pela BRE (Brazilian Rare Earths), empresa listada na bolsa australiana,
O setor mineral brasileiro deverá investir US$ 76,9 bilhões no período 2026-2030, de acordo com estimativas divulgadas pelo IBRAM. O valor representa um aumento de 12,5% em relação à estimativa anterior, para o período 2025-2029, que somava US$ 68,4 bilhões.
O segmento de minério de ferro lidera as intenções de investimento, com US$ 19,8 bilhões (+ 1,1% em relação ao período anterior), seguido pelo item Projetos Socioambientais, contemplado com US$ 14,7 bilhões (um expressivo aumento de 29,7%). Os outros segmentos com maior volume de investimentos planejados são: Logística, com US$ 11,3 bilhões (+ 3,4%); Cobre, com US$ 8,6 bilhões (aumento de 18%); Fertilizantes, com US$ 6,88 bilhões (+23,3%); Níquel, com US$ 4,7 bilhões (+24,2%), Terras Raras, com 2,4 bilhões (+ 10,4%); Ouro, com US$ 2,4 bilhões (aumento de 14,7%); Bauxita, com US$ 1,2 bilhão (redução de -5,4%); Lítio, com US$ 1,17 bilhão (+7,1%); Titânio, com US$ 900 milhões (+ 7,1%); e Zinco, com US$ 382 milhões (aumento de 981,9%).

