Brasil Mineral

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Comunicação, Relacionamento e Engajamento

AGP Clima

Brasil Mineral 458Páginas 70-74
Cobertura Geral em Muriaé (MG)
Cobertura Geral em Muriaé (MG)

Introdução

O compromisso em produzir alumínio de forma responsável com foco em preservar o futuro está presente na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) desde sua fundação, em 1955. Como única companhia integrada de alumínio do Brasil, e uma das poucas no mundo, a CBA atua desde a mineração da bauxita até a transformação do alumínio em produtos primários e transformados e a reciclagem, destacando-se pela autossuficiência de sua cadeia produtiva com o abastecimento de bauxita e alumina, pela capacidade instalada de gerar 100% de sua demanda de energia elétrica por meio de fontes renováveis e por colocar a sustentabilidade e a inovação no centro de sua estratégia.

Inspirada no propósito de oferecer soluções em alumínio que transformam vidas, a CBA firma parcerias valiosas com clientes, empregados e empregadas, fornecedores, associações setoriais e financeiras, comunidades e investidores. Assim, entrega soluções cada vez mais personalizadas e sustentáveis, que geram impacto positivo na indústria, no meio ambiente e na sociedade, de forma a reafirmar o posicionamento da Companhia de que a mudança precisa gerar valor compartilhado. A Companhia transforma vidas a partir do alumínio e quer ampliar a consciência de todas as pessoas para um mundo melhor, e a sustentabilidade é o caminho para se alcançar esse objetivo.

Com a proposta de apoiar a descarbonização de suas atividades, a Companhia conta com um objetivo específico em sua Estratégia ESG 2030, associado à alavanca de Mudanças Climáticas de reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 (na média dos produtos fundidos, desde a mineração), tendo como ano base 2019. A Companhia possui grandes investimentos em projetos para o atingimento dessa meta, que, em conjunto com ações de melhorias de processos, fez com que a Empresa já reduzisse 33% do indicador de sua meta em apenas 5 anos.

Além de compromissos relacionados à descarbonização e reconhecendo que as mudanças climáticas já vêm impactando — e podem impactar de forma ainda mais intensa — tanto suas operações, quanto a sociedade como um todo, a CBA também possui objetivos para a adaptação.

Para isso, foi desenvolvida a iniciativa “Apoio à Gestão Pública Ação Climática", resultado de uma parceria com o Instituto Votorantim e Instituto Itaúsa, que consiste em uma plataforma de soluções que apoie, fortaleça e impulsione a gestão pública de diferentes municípios, com foco em pequeno e médio porte, a adquirir competências e habilidades que os preparem para atuar contra os efeitos das mudanças climáticas.

Descrição do processo/metodologia

O AGP Ação Climática foi desenvolvido como uma metodologia de fortalecimento institucional para apoiar municípios de pequeno e médio porte na gestão dos riscos associados às mudanças climáticas. A abordagem parte do princípio de que a adaptação climática exige integração entre diferentes áreas da gestão pública, acesso a informações qualificadas e participação de múltiplos atores na construção de soluções para os territórios.

O processo inicia-se com a mobilização institucional do município participante, envolvendo representantes do poder público, instituições locais e organizações da sociedade civil. Essa etapa estabelece uma governança colaborativa e identifica pontos focais responsáveis por acompanhar as atividades e articular a participação das diferentes secretarias da administração municipal.

Na sequência, é realizado um diagnóstico inicial por meio de um checklist de maturidade da gestão territorial em relação à agenda climática. A ferramenta avalia aspectos como governança, gestão de riscos de desastres, disponibilidade de dados e planejamento urbano, além de considerar vulnerabilidades socioambientais e o histórico de eventos climáticos extremos.

Cobertura Geral em Juquiá (SP)
Cobertura Geral em Juquiá (SP)

Com base nos resultados, os municípios participam de trilhas de formação e mentorias voltadas ao fortalecimento das capacidades técnicas das equipes municipais.

Paralelamente, são desenvolvidas atividades práticas voltadas à construção de instrumentos de gestão climática adaptados à realidade local, como o mapeamento de riscos climáticos, a identificação de áreas e populações mais vulneráveis e a organização de bases de dados territoriais que apoiem a tomada de decisão. A metodologia também estimula a articulação entre diferentes Secretarias, como Meio Ambiente, Planejamento Urbano, Saúde, Assistência Social e Defesa Civil, fortalecendo a integração das políticas públicas relacionadas ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Como resultado, os municípios apoiados estruturam e priorizam medidas de adaptação e resiliência climática alinhadas às características e necessidades de cada território. O modelo prioriza o uso de dados públicos, ferramentas acessíveis e soluções de baixo custo, contribuindo para que as administrações municipais fortaleçam suas capacidades institucionais e avancem na construção de territórios mais resilientes diante dos impactos das mudanças do clima.

Resultados obtidos, benefícios gerados e análise destes

A implementação do AGP Ação Climática tem contribuído para fortalecer a capacidade institucional dos municípios participantes na gestão de riscos e na agenda de adaptação às mudanças climáticas. A iniciativa foi apresentada internacionalmente durante a COP28, em 2023, e iniciou sua aplicação em 2024 nos municípios de Juquitiba (SP) e Muriaé (MG), sendo ampliada em 2025 para Niquelândia (GO) e Juquiá (SP).

Ao longo desse período, mais de 370 pessoas participaram diretamente das atividades do programa, incluindo gestores públicos, técnicos municipais e representantes da sociedade civil. Também foram mobilizadas 83 instituições públicas e 55 organizações privadas e da sociedade civil, que participaram de mais de 180 horas de mentorias e formações. Esse processo contribuiu para ampliar o conhecimento técnico das equipes municipais e fortalecer a governança climática nos territórios.

Entre os principais resultados está o aumento das capacidades técnicas e gerenciais dos municípios na gestão da agenda climática. As atividades também estimularam maior integração entre Secretarias Municipais, como Meio Ambiente, Planejamento Urbano, Saúde, Assistência Social e Defesa Civil, favorecendo a atuação transversal no enfrentamento dos riscos climáticos.

O programa também contribuiu para o desenvolvimento de instrumentos de gestão e análise de dados climáticos. Em Muriaé (MG), por exemplo, foi criado um Painel Integrado de Dados de Riscos Climáticos, que reúne informações climáticas, socioeconômicas e de vulnerabilidade do território, apoiando o planejamento de ações de prevenção e resposta. Em Niquelândia (GO), houve avanços na atualização do Mapa Municipal de Riscos Climáticos, enquanto que em Juquiá (SP) foram apoiadas ações relacionadas à organização do Plano de Contingência e ao fortalecimento da Defesa Civil.

De forma geral, os resultados indicam que a metodologia do AGP Ação Climática contribui para qualificar o planejamento público e fortalecer a capacidade dos municípios de prevenir, planejar e responder aos impactos das mudanças climáticas, promovendo avanços na construção de territórios mais resilientes.

Conclusão

As metodologias adotadas têm alto potencial de disseminação, tanto no setor industrial quanto em outras áreas que enfrentam riscos climáticos relevantes. A combinação de projeções climáticas, engajamento interno, planos de ação customizados, Índices de Vulnerabilidade e governança estruturada pode ser replicada em empresas com múltiplos ativos e operações distribuídas.

Vale ressaltar que todas as projeções climáticas realizadas pela Companhia utilizaram ferramentas climáticas gratuitas e disponíveis para todos, e contou com tempo de dedicação de equipes internas, sem a necessidade de contratação de consultorias de apoio.

Tais aspectos também orientaram o desenvolvimento da Iniciativa Ação Climática, com o desenvolvimento e disponibilização pública das ferramentas (Índice de Vulnerabilidade Climática e Checklist de Adaptação Climática para Municípios), bem como a priorização de soluções de baixo custo na implementação do AGP Ação Climática considerando soluções acessíveis e adaptadas às realidades financeiras dos municípios. Essas soluções são baseadas em políticas e recursos públicos existentes, aproveitando dados públicos e plataformas de informações para apoiar o planejamento e a tomada de decisões eficazes.

A continuidade das práticas está garantida por sua integração à Estratégia ESG 2030 e ao modelo de governança da Companhia. Os desdobramentos incluem a ampliação para outras áreas de negócio e fornecedores, bem como o aprofundamento da atuação com municípios e territórios. Para o AGP Ação Climática, a partir do foco no desenvolvimento de competências técnicas e de gestão e a implementação de ferramentas acessíveis e adaptadas de acordo com a capacidade técnica e o interesse de cada município, busca-se que mesmo após a conclusão do projeto os resultados alcançados permaneçam e que, com a capacidade institucional fortalecida, o município continue o processo de desenvolvimento e enfrentamento à mudança do clima.

Além disso, a CBA compartilha suas experiências em fóruns empresariais, participa de grupos de trabalho setoriais e publica os avanços em relatórios e plataformas como o CDP. Isso contribui para a disseminação do conhecimento, incentiva parcerias e inspira outras organizações a adotarem práticas semelhantes.

Autores

Leandro Campos De Faria – Gerente Geral de Sustentabilidade: é formado em Engenharia de Alimentos pela Uni BH e pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FEAMIG, em Engenharia Econômica e Financeira pela CIESA e em Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade pelo SENAC-SP.

Ligia de Lima Carvalho – Coordenadora de Sustentabilidade: é bióloga formada pela Unesp e com MBA em Gestão do Ambiente e Sustentabilidade pela FGV. Possui mais de 15 anos de atuação na área de sustentabilidade e responsabilidade social, tendo atuado em consultorias e nos setores de energia e de mineração e metalurgia.

Daniele de Oliveira Pedrosa – Consultora de Responsabilidade Social: é graduada em Letras (Faculdade Santa Marcelina) e Jornalismo (Faminas) e pós-graduada em Comunicação Empresarial pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Há 17 anos é gestora social das Unidades de Mineração da CBA e já acompanhou mais de 80 iniciativas nos territórios onde atua.

Vivian Martins de Souza – Consultora de Sustentabilidade: formada em Engenharia Ambiental pela UNESP, com pós-graduação em Gestão de Tecnologia e Sustentabilidade pela UFScar, e atua há mais de seis anos na área de Sustentabilidade na CBA.

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