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Brasil Mineral - Edição 457

Maio 2026
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A estratégia para se tornar uma mineradora de baixo carbono

VALE

A estratégia para se tornar uma mineradora de baixo carbono

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 457Maio 2026Páginas 6-9

A Vale está a pleno vapor na implementação da Estratégia Vale 2030, que tem como metas principais transformar a companhia em uma mineradora de baixo carbono, com foco na segurança e eficiência operacional e metais para transição energética.

No seu principal negócio, Soluções Minério de Ferro, a empresa avança com projetos estruturantes, com destaque para Vargem Grande e Capanema (ambos em Minas Gerais) e o Programa Novo Carajás, no Pará. Já na Vale Metais Básicos o foco está na expansão da produção de cobre em Carajás e redesenho estratégico do negócio níquel.

Paralelamente aos projetos que visam aumento da produção e afirmação da companhia como produtora de minerais para transição energética, houve avanços nos programas de reparação de Brumadinho e nas frentes de indenizações, reparação ambiental e reassentamento de populações como parte do programa de reparação de Mariana.

A Vale reporta avanços também na gestão de rejeitos e segurança das barragens, incluindo a implementação do GISTM (Global Industry Standard on Tailings Management) em 100% de suas barragens de rejeitos e atendimento do compromisso público de não ter qualquer estrutura de contenção de rejeitos em nível 3 de emergência.

A área de Inovação tem sido outra a ganhar atenção especial da Vale, com a evolução do programa de Smart Operations, com destaque para as iniciativas envolvendo automação das operações de minas e ferrovias, uso da IA nas atividades de manutenção preditiva e de segurança, processamento avançado, digitalização de cadeias e novos modelos industriais de produção, como as usinas de briquetes e os Mega Hubs.

Segundo o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, o ano de 2025 "foi marcado por resultados consistentes e avanços claros em direção à nossa ambição de liderar a criação de valor na indústria de mineração por meio de práticas éticas e sustentáveis".

Na parte de segurança, ele informa que a empresa reduziu em 21% os acidentes registráveis de alto potencial, comparativamente a 2024, "enquanto os eventos de processo (P1 e P2) tiveram queda de 29%".

No item gestão de barragens, ele menciona a reclassificação da barragem Forquilha III do Nível de Emergência 3 para o 2, garantindo que nenhuma estrutura da Vale permanece no mais alto nível de emergência. "Ao longo de 2025, reduzimos o número de estruturas em algum nível de emergência de 14 para 9, e em 2026 já reduzimos duas estruturas adicionais, representando uma redução total de 80% desde 2020. Também avançamos no programa de descaracterização de barragens a montante, atingindo 63% de conclusão", diz ele, lembrando que todas as barragens de rejeitos da companhia atualmente estão em conformidade com o GISTM.

Ainda de acordo com Pimenta, a produção de minério de ferro proveniente da circularidade dobrou, o que contribui para reduzir a pegada ambiental das operações.

Na parte operacional, a Vale tem mantido os guidances de produção, conforme seu presidente, e mantido rigor na disciplina de custos, tanto em minério de ferro quanto na Vale Metais Básicos.

Bons números em 2025

Legenda da foto mostrando uma pilha de minério de ferro com equipamento de mineração ao fundo, na unidade de Brucutu da Vale.
Pilha de minério de ferro em Brucutu

Para ele, a Vale registrou bons números em 2025, com um total de R$ 213,6 bilhões em receita líquida de vendas, R$ 85,9 bilhões de EBITDA ajustado, R$ 48,8 bilhões de caixa líquido gerado pelas atividades operacionais, além de fechar o ano com a atribuição de R$ 13,8 bilhões de lucro líquido aos acionistas e com um caixa de R$ 41,6 bilhões. A dívida líquida expandida da mineradora fechou o ano em US$ 15,6 bilhões.

Em termos de produção, a companhia produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro (maior volume desde 2018), mais 31 milhões t de pelotas (menos 15%), 381 mil toneladas de cobre (também a maior desde 2018) e 177 mil t de níquel (maior produção desde 2022).

No que se refere a crescimento, a Vale investiu R$ 30,6 bilhões em 2025, incluindo R$ 24,3 bilhões em CAPEX de manutenção. A empresa avançou na aceleração de projetos estratégicos como Capanema, Vargem Grande, Voisey's Bay (no Canadá) e Onça Puma, além de lançar o programa Novo Carajás, que visa dobrar a produção de cobre da Vale e aumentar a oferta de minério de ferro de alta qualidade. "Carajás é uma das melhores regiões do mundo para minerais críticos, incluindo cobre e minério de ferro de alto teor. Por meio desse programa, estamos expandindo os investimentos para acelerar o desenvolvimento dessa importante dotação mineral, diz o executivo.

Para 2026, a Vale programou investimentos entre US$ 5,4 e 5,7 bilhões, dos quais US$ 1,1 bilhão são direcionados a crescimento e o restante a manutenção das operações. . Em 2027, a expectativa é que sejam investidos cerca de US$ 5,9 bilhões.

A Estratégia Vale 2030 (também referida como Visão Vale 2030), referendada pelo Conselho de Administração, é o plano diretor que orienta a transformação da companhia para se tornar uma mineradora de baixo carbono, focada em segurança, eficiência e metais para a transição energética e está consolidada em três pilares principais:

1. Foco em Resultados e Excelência Operacional - A Vale busca acelerar sua transformação cultural com ênfase total em segurança e eficiência. O objetivo é reduzir custos e aumentar a competitividade global, atingindo uma produção estável de cerca de 350 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com foco em produtos de alta qualidade (80% a 90% do portfólio).

2. Portfólio para a Transição Energética -- A empresa está direcionando investimentos para minerais críticos necessários para a economia verde: Minério de Ferro Premium, com foco em pelotas e briquete verde que permitem a descarbonização da siderurgia (aço verde); Metais Base, com expansão agressiva na produção de cobre e níquel, essenciais para baterias de veículos elétricos e infraestrutura de energia renovável.

3. Compromissos ESG e Descarbonização -- Este é um dos eixos mais detalhados da estratégia, com metas quantitativas a serem alcançadas até 2030: Mudanças Climáticas - Reduzir em 33% as emissões absolutas (Escopos 1 e 2) até 2030 (em relação a 2017) e atingir 100% de uso de energia renovável globalmente (meta já batida no Brasil em 2023); Recuperação Florestal -- Proteger e recuperar 500 mil hectares de florestas além das fronteiras operacionais da empresa; Segurança de Barragens -- Eliminar estruturas de alto risco e avançar no programa de descaracterização de barragens a montante; Impacto Social: -- Apoiar negócios de impacto e iniciativas que promovam a geração de renda e inclusão nas comunidades onde opera.

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