Eu vim para Brasília no início do ano de 1982. Anteriormente alocado no Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, fui transferido para a sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em Brasília, eu passaria a coordenar as atividades do CNPq, nas áreas de Geociências.
Nessa atividade, tive o prazer de conhecer diversos pesquisadores que assessoravam o CNPq. Dentre esses conheci o Prof. Onildo João Marini, então chefe do Departamento de Geologia da Universidade de Brasília. Sabendo da minha formação e atividade em Geofísica Aplicada, o Prof. Marini me convidou para fazer parte do quadro acadêmico do Departamento de Geologia, da UnB. Eu, que já havia contribuído academicamente com a UFBa e a UFRJ, passei, em abril de 1982, a ser professor da UnB, onde permaneci até 2012.
Sempre mantendo dois vínculos, CNPq e UnB, estive próximo ao Prof. Marini. No CNPq, foi relevante sua contribuição para a inclusão das Geociências no programa de financiamento da pesquisa acadêmica, coordenado pela FINEP. Na UnB, seu esforço, finalmente atingido, de transformação do Departamento de Geologia no atual Instituto de Geociências.
No início da década de 1990, o Prof. Marini passa a desenvolver atividades junto ao então Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). Inicialmente como Diretor da Divisão de Geologia (1991-92) e posteriormente como pesquisador (1992-96).
Foi nesse período que o Prof.Marini tomou conhecimento da instituição australiana AMIRA, na qual se inspirou para criação da ADIMB, foi criada em julho de 1996. O Prof. Marini foi seu Secretário Executivo e, posteriormente, Diretor Executivo, até 2018.
Com enorme esforço e interação com organismos governamentais e instituições do setor produtivo, o Prof. Marini conseguiu estruturar a ADIMB e colocar a instituição no nível de reconhecimento que possui hoje dentro do Setor Mineral.
Todas atividades desempenhadas pela ADIMB foram concebidas pelo Prof. Marini. Os projetos colaborativos, inicialmente com apoio de órgãos federais de fomento, os cursos de qualificação, as expedições científicas ao exterior e os eventos SIMEXMIN e Encontro de Executivos do Setor Mineral. Por solicitação do Governo Federal, a ADIMB passou a coordenar a participação brasileira no PDAC, maior evento mundial do setor mineral.
Com enorme esforço e interação com organismos governamentais e instituições do setor produtivo, o Prof. Marini conseguiu estruturar a ADIMB e colocar a instituição no nível de reconhecimento que possui hoje dentro do setor minera
Ao longo de sua trajetória, a ADIMB consolidou-se como um dos principais vetores de articulação institucional do setor mineral brasileiro, desempenhando um papel singular na integração entre empresas, academia e governo. Em um ambiente historicamente marcado por assimetrias de informação, interesses difusos e desafios estruturais, a atuação da ADIMB tem sido decisiva para promover convergência técnica e estratégica. Ao reunir, em um mesmo fórum, representantes da indústria, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, a entidade cria um espaço qualificado de diálogo, onde demandas concretas do setor produtivo são traduzidas em agendas estruturantes de pesquisa, inovação e desenvolvimento.
Essa capacidade de organizar, priorizar e entregar soluções com consistência técnica, decorre de um modelo de atuação baseado em governança colaborativa, escuta ativa e rigor conceitual. A ADIMB não apenas identifica gargalos e oportunidades, mas também estrutura respostas efetivas, seja por meio de estudos técnicos, articulação de redes de especialistas ou proposição de iniciativas estratégicas. O resultado é a entrega de produtos e recomendações que refletem as reais necessidades do setor mineral, com qualidade reconhecida e aderência às melhores práticas. Assim, a ADIMB reafirma seu papel como ponte eficiente entre conhecimento e aplicação, contribuindo de forma concreta para o fortalecimento e a competitividade da mineração no Brasil.

Ao me aposentar da UnB, em 2012, o Prof. Marini me convidou para fazer parte da equipe da ADIMB. Assumi a Gerência de Projetos, e procurei dar continuidade às iniciativas do meu amigo e companheiro de muitas lutas.
Ao revisitar essa trajetória, torna-se incontornável reconhecer o papel singular do Prof. Onildo João Marini, cuja visão de futuro foi decisiva para a criação e consolidação da ADIMB. Em um momento em que o setor mineral brasileiro carecia de maior articulação entre seus diversos atores, o Prof. Marini soube antecipar essa lacuna e agir com determinação para preenchê-la, estruturando uma instituição pautada pelo diálogo, pela cooperação e pelo fortalecimento técnico-científico da pesquisa mineral.
Sua atuação não se limitou ao gesto fundador. Ao longo dos anos, ele imprimiu à ADIMB um caráter institucional sólido, capaz de transcender conjunturas e manter-se relevante frente aos desafios e transformações do setor. Seu legado se expressa não apenas na perenidade da entidade, mas, sobretudo, na cultura de integração e inovação que ajudou a estabelecer.
Assim, mais do que celebrar a história da ADIMB, é justo reconhecer que sua trajetória está intrinsecamente associada à liderança, à perseverança e ao compromisso do Prof. Marini com o desenvolvimento do setor mineral brasileiro. Sua contribuição permanece como referência e inspiração para as gerações que seguem construindo o futuro da atividade mineral no país.
Seu legado se expressa não apenas na perenidade da entidade, mas, sobretudo, na cultura de integração e inovação que ajudou a estabelecer

