Há três décadas, um grupo de instituições e lideranças do setor mineral brasileiro vislumbrou algo que, àquela altura, era mais intuição do que certeza: o Brasil carecia de uma entidade dedicada não apenas à representação setorial, mas à construção de um ecossistema capaz de converter nosso imenso potencial geológico em desenvolvimento econômico sustentável, inovação e conhecimento. Dessa visão nasceu a ADIMB — Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro —, e o IBRAM orgulha-se de figurar entre seus membros fundadores.
Olhar para essa trajetória de trinta anos é, ao mesmo tempo, reconhecer a profunda evolução do setor mineral brasileiro e o protagonismo da ADIMB nesse processo. A Agência não foi mera observadora: atuou como agente catalisador de uma cultura mineral mais qualificada, conectada globalmente e preparada para os complexos desafios que o século XXI viria a impor.
A mineração é, por natureza, uma atividade de longo prazo. Quem trabalha com ela sabe que os frutos do que se planta hoje muitas vezes são colhidos por gerações futuras. A ADIMB compreendeu esse princípio desde sua fundação e consolidou linhas de ação com essa perspectiva — da formação de profissionais de excelência ao fomento de eventos técnicos de alto nível como o Simexmin, do estímulo à inovação à projeção internacional do Brasil em fóruns como o PDAC e em missões estratégicas à Austrália. Ao longo desse caminho, a entidade foi acumulando um patrimônio que vai muito além do financeiro: capital humano, capital relacional e capital de credibilidade.
Como diretor do IBRAM e conselheiro da ADIMB, tenho acompanhado de perto essa jornada e posso afirmar com convicção: a sinergia entre nossas instituições é um dos pilares que sustentam a força da mineração organizada no Brasil. Enquanto o IBRAM atua na defesa dos interesses das mineradoras e na construção de um ambiente regulatório favorável ao investimento, a ADIMB desempenha um papel complementar e igualmente essencial — desenvolver competências, fomentar a inteligência técnica e posicionar o Brasil como destino sofisticado e confiável para o capital global voltado à mineração.
Esse posicionamento nunca foi tão estratégico quanto é hoje. Vivemos um momento em que o mundo olha para os minerais críticos como a matéria-prima da transição energética, da mobilidade elétrica e da descarbonização da economia. O Brasil, com sua geologia privilegiada e sua diversidade de depósitos, ocupa um lugar singular nessa nova geopolítica dos recursos naturais. Ocupar esse espaço com responsabilidade, com governança e com visão de futuro exige exatamente o que a ADIMB faz há três décadas: construir pontes entre o setor privado, a academia, o governo e a sociedade. O MBA em Gestão de Recursos Minerais é um exemplo concreto desse compromisso, formando gestores aptos a lidar com a complexidade técnica, ambiental, financeira e social da mineração moderna — um investimento que transcende qualquer ciclo de commodities.
Neste aniversário de 30 anos, manifesto não apenas gratidão pelo que foi construído, mas admiração pela consistência com que a ADIMB soube renovar-se sem perder sua identidade. Em um setor sujeito a tantas oscilações — de preços, de políticas públicas, de percepção social —, manter o foco estratégico é uma conquista em si.
Que os próximos 30 anos sejam tão ricos e produtivos quanto os que passaram. O Brasil mineral precisa da ADIMB, e a ADIMB, tenho certeza, continuará sendo digna dessa confiança.

