Edição 456 - Ver índice

Brasil Mineral - Edição 456

Abril 2026
Ler como:
Revista
Artigo

NOVOS PROJETOS

Corrida aos minerais críticos demanda investimentos de US$ 21,3 bilhões

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 456Abril 2026Páginas 6-25
Planta Industrial CBMM, Araxá/MG

O Brasil está vivenciando uma espécie de boom de projetos visando a produção dos chamados minerais críticos e estratégicos, com foco principal nas terras raras, mas também abrangendo outros minerais como cobre, níquel, grafita, lítio e fertilizantes, principalmente. A expectativa é que sejam investidos, até 2030, nada menos que US$ 21,3 bilhões em projetos para produção desses minerais, uma quantia bastante expressiva.

Nas terras raras, o País ganhou posição de destaque depois que se revelou o potencial que o território brasileiro possui em termos de reservas desse mineral cuja cadeia de produção é dominada pela China. Atualmente, como é sabido, o Brasil detém a segunda posição em termos de reservas potenciais de terras raras, com cerca de 15% das reservas mundiais, segundo o SGB-CPRM, ou 25%, de acordo com o USGS (United States Geological Survey). Ainda muito longe da China, que detém entre 52% e 58% (dependendo da fonte) do total das reservas mundiais, mas à frente da Austrália, que se coloca em terceiro lugar, com 7% das reservas.

Existem atualmente diversos projetos para produção de terras raras no Brasil, a maioria em estágios iniciais, ou seja, ainda na fase de pesquisa mineral, e alguns mais avançados, em fase de licenciamento e/ ou engenharia. Por enquanto, apenas uma empresa está em produção no País.

Como o mercado de terras raras é amplamente dominado pela China, existe atualmente no mundo ocidental uma espécie de “corrida” visando assegurar o suprimento dessas matérias-primas, liderada pelos Estados Unidos, mas também pela Europa e Japão, principalmente. E o alvo dessa “corrida” são justamente os países com maiores reservas afora a China, ou seja, Brasil e Austrália. No caso dos EUA, a participação tem ocorrido através da oferta de recursos financeiros por parte de instituições de governo em parcerias com a iniciativa privada. Com relação à Europa, as negociações têm ocorrido mais entre as próprias empresas.

Caso todos os projetos que estão previstos sejam concretizados, nos próximos anos o Brasil poderá se transformar em um importante produtor de terras raras, obtidas a partir da lavra de argilas iônicas mas também de rochas.

O Brasil também possui reservas importantes de lítio em rocha dura, níquel, cobre e grafita, que assim como as terras raras é produzido majoritariamente pela China.

Concentrado de terras raras
Concentrado de terras raras (Foto: Crédito Divulgação)

Cabe destacar que a grafita é um componente importante na fabricação de baterias de veículos elétricos. Há dois projetos no Brasil que iniciaram produção recentemente, sendo possível prever o surgimento de novos empreendimentos em médio prazo.

No caso do lítio, o território brasileiro contém boas reservas de espodumênio, que é o mineral de lítio de rocha dura. Apesar dos reveses de preços que o lítio sofreu nos últimos dois anos, a previsão é que, além das duas unidades em produção no País, outras sejam implementadas nos próximos anos.

O Brasil também é bem-posicionado em termos de reservas de nióbio, que desempenha um papel importante na descarbonização da siderurgia e está sendo utilizado com sucesso em baterias de veículos elétricos. Lembramos que atualmente o país, principalmente através da CBMM, supre 90% do mercado mundial de nióbio.

Cabe mencionar, ainda, que no caso do cobre, outro mineral essencial para a transição energética, o Brasil tem um potencial ainda sendo pesquisado na Província Mineral de Carajás, que na opinião de geólogos especializados pode revelar boas surpresas futuramente.

A seguir, mostramos os principais projetos em minerais críticos que estão sendo conduzidos pelas empresas no Brasil.

Terras raras

Aclara

A Aclara concluiu recentemente o Estudo de Viabilidade do projeto Carina, em Goiás, com base na norma canadense 43.101, confirmando um projeto com capacidade de produção média anual de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras (REO) contidos em um concentrado misto de terras raras com alto teor de disprósio e térbio (DyTb) e neodímio e praseodímio (NdPr) de 4,2% e 27,2%, respectivamente. O projeto prevê também a produção de outros elementos de terras raras pesados (HREE) estratégicos, como: 173 toneladas de Samário (Sm), 176 toneladas de Gadolínio (Gd), 10 toneladas de Lutécio (Lu) e 1.160 toneladas de Ítrio (Y). Segundo a empresa, a produção futura de Disprósio e Térbio em Carina equivalerá a cerca de 11,8% do que era a estimativa de produção da China em 2024. A vida útil prevista para o empreendimento inicialmente é de 18 anos.

Planta da Aclara Resources
Planta da Aclara Resources

O Custo de capital inicial (Capex de Construção) é de US$ 678,2 milhões, mais uma contingência de US$ 102,7 milhões, totalizando US$ 780,9 milhões. Este valor é US$ 100,4 milhões superior ao Capex de Construção anteriormente divulgado pela empresa em seu Estudo de Pré-Viabilidade, “devido principalmente à variação cambial, à inflação e à maior precisão da engenharia”. O Valor Presente Líquido (VPL) após impostos é de aproximadamente US$ 1,7 bilhão, a uma taxa de desconto de 8,0%, com base nas previsões de preços da Argus Media. A Taxa Interna de Retorno (TIR) após impostos é de 26,9%, com um período de retorno de 2,9 anos. A Receita líquida média anual prevista é de US$ 599 milhões e o lucro médio anual antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de aproximadamente US$ 460 milhões.

A empresa planeja iniciar os trabalhos preliminares no local até o terceiro trimestre de 2026, como parte do investimento em construção. Isso inclui a construção de acampamentos, melhorias nas estradas e determinada infraestrutura auxiliar para preparar o local para a construção acelerada em 2027. O Estudo de Viabilidade incorpora uma estratégia de modularização que permite a fabricação e a preparação do local em paralelo, reduzindo custos. Estima-se que o comissionamento comece no primeiro semestre de 2028, com a produção inicial no segundo semestre do mesmo ano e aumento gradual da produção ao longo de 2029.

Segundo o diretor de operações da Aclara, Hugh Broadhurst, "Concluir um Estudo de Viabilidade apenas seis meses após o nosso Estudo de Pré-Viabilidade é uma conquista significativa, e quero reconhecer o esforço dedicado de nossa equipe e parceiros técnicos que o tornaram possível. O nível de detalhamento de engenharia que estamos apresentando hoje é substancial — e reflete o trabalho considerável que foi investido no Projeto Carina desde o início. Continuamos sendo a única empresa no mundo a relatar reservas de minerais de terras raras pesadas provenientes de argilas iônicas, de acordo com a norma NI 43-101. Demonstramos nosso processo metalúrgico por meio de uma planta piloto de operação contínua. Este Estudo de Viabilidade se baseia nessa fundação com um nível de rigor apropriado à importância do Projeto. Nosso caminho para o mercado, por meio de nossa instalação de separação 100% própria, que está planejada para ser construída na Louisiana, EUA, reduz ainda mais os riscos do Projeto Carina e apoia nossa estratégia de vender terras raras confiáveis e rastreáveis para clientes de alto padrão. Isso estabelece firmemente nossa cadeia de suprimentos inicial inteiramente no continente americano. Nosso produto de alta pureza, O design de processos sustentáveis e a estratégia integrada "da mina ao ímã" agora são sustentados pela engenharia de uma das empresas líderes mundiais. Continuaremos trabalhando para aprimorar nossa tecnologia, que, a médio prazo, também planejamos aplicar no Brasil e em outros países onde operamos. O mundo precisa de um fornecimento concreto, independente e resiliente de terras raras pesadas — e a Aclara foi criada para fornecer exatamente isso."

Equipe de geologia da Aclara
Equipe de geologia da Aclara

Bemisa

A Bemisa está desenvolvendo um projeto de terras raras em Bambuí (MG) que, segundo a empresa, é um exemplo claro de como depósitos aparentemente simples podem exigir soluções tecnológicas sofisticadas. Com centenas de milhões de toneladas já delineadas, a iniciativa aposta na simplicidade geológica e na complexidade do processamento para viabilizar a produção.

O depósito conta com cerca de 600 milhões de toneladas de recursos medidos e indicados a 0,28% TREO, e 1,5 bilhão de toneladas adicionais ainda em avaliação.

O depósito, do tipo iônico, concentra-se principalmente em NdPr (Óxido de Neodímio-Praseodímio) — elementos críticos para a transição energética — com teores médios entre 0,3% e 0,4% TREO. A mineralização ocorre em camadas rasas, com profundidades médias entre 45 e 55 metros, o que favorece a lavra.

A geologia é bastante simples. São camadas horizontais rasas. No entanto, o verdadeiro desafio está no processamento. A empresa já realizou mais de 600 testes metalúrgicos e cerca de 1.500 ensaios de lixiviação, buscando validar o fluxograma até a produção de carbonatos mistos de terras raras. A campanha atual inclui cerca de 210 furos, com o objetivo de suportar uma certificação formal de recursos no curto prazo. A ideia é ter todos os dados necessários para apoiar uma certificação de recursos até o próximo ano.

O cronograma prevê ainda estudos de pré-viabilidade por volta de 2029, refletindo a cautela típica de projetos de terras raras, onde decisões sobre separação e refino impactam fortemente o CAPEX.

Curiosamente, Bambuí não nasceu como projeto de terras raras. Foi originalmente desenvolvido para fosfato e titânio, mas a empresa reavaliou os dados e decidiu avançar no potencial de terras raras.

Com grande escala, mineralização rasa e foco em NdPr, o projeto se posiciona como potencial fonte relevante desses elementos estratégicos, embora ainda dependa da validação tecnológica para avançar.

BRE

A BRE (Brazilian Rare Earths), listada na bolsa australiana, opera no Brasil através da Borborema Recursos Estratégicos e desenvolve o projeto Monte Alto, na Bahia, descrito como provavelmente o depósito de maior teor de terras raras reportado no mundo, com média superior a 15% de TREO.

Segundo o presidente da empresa no Brasil, Renato Gonzaga, a província mineral controlada pela BRE, denominada Rocha da Rocha, na região do Recôncavo Sul da Bahia, abrange mais de 200 direitos minerários em uma faixa de aproximadamente 160 km (de Jiquiriçá/Ubaíra até Jequié), com cerca de 300 mil hectares.

Amostras de minério da BRE
Amostras de minério da BRE

O Projeto Monte Alto, na localidade de Jiquiriçá/Ubaíra, visa a lavra de um depósito em rochas, diferentemente da maioria dos projetos de terras raras no Brasil, que objetivam a mineração em argilas iônicas. Além da elevada concentração de TREO, o projeto tem um outro diferencial, que é a mineralogia do depósito, com altas concentrações de Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio, tendo ainda como coprodutos urânio, tântalo e escândio.

Atualmente, segundo Gonzaga, a empresa está desenvolvendo o Scoping Study, que vai ser publicado provavelmente no terceiro trimestre de 2026 e que “oferecerá ao mercado a primeira visão do que que é a nossa ideia de exploração desse depósito, como vamos conduzir essa mina ao longo do tempo”.

Um aspecto do projeto que o executivo considera importante é que a BRE fechou uma parceria com a empresa francesa Carester, de tecnologia industrial, que se tornou um player estratégico na cadeia de suprimentos de terras raras na Europa. Sediada em Lyon, a empresa foca na reciclagem de ímãs permanentes e na refinação de concentrados minerais para reduzir a dependência ocidental do mercado chinês. Com a empresa francesa, a BRE fechou um contrato de off-take pelo qual os franceses se comprometem a fornecer a tecnologia de separação e ajudar no desenvolvimento do projeto, que prevê, numa primeira fase, a produção de concentrado próximo à mina. “Numa segunda fase, a ideia é que se avance na cadeia de valor e separe os elementos dentro do polo petroquímico de Camaçari. Para isso estamos desenvolvendo a nossa planta piloto. Em Camaçari haveria uma segunda fase, onde poderíamos separar todos os elementos contidos na rocha. Seria uma primeira fase de separação feita no Brasil, com adição de valor, e numa área antropizada, onde se tem reagentes, porto, logística próxima. Assim, temos todas as condições para criar aquilo que o governo fala muito, de não ser um mero exportador de commodities. Queremos separar esses elementos no Brasil e adicionar valor, diz Gonzaga, informando que a BRE está desenvolvendo uma planta piloto no Senai-Cimatec, que deve operar em setembro de 2026.

Ele informa que a BRE foi uma das 56 empresas qualificadas e pré-selecionadas para o programa de apoio financeiro oferecido pelo BNDES/Finep, mas que está bem-posicionada em termos financeiros, porque no final de 2025 contava com cerca de US$ 160 milhões em caixa, o que é raro para uma empresa nesse estágio de desenvolvimento. Além disso, a BRE conta com acionistas do porte da Hancock Prospecting (uma das empresas privadas mais influentes e bem-sucedidas da Austrália, controlada pela bilionária Gina Rinehart) e Whitehaven Coal, que é a maior empresa de carvão do mundo. “Temos capacidade de financiar esse projeto até a construção, o que nos permite ainda trazer algumas outras parcerias estratégicas”, reitera Gonzaga.

Material de sondagem da Meteoric
Material de sondagem da Meteoric (Foto: Crédito: Divulgação)

Em termos de investimentos, ele explica que a empresa assinou um memorando de entendimentos com o governo da Bahia, onde se prevê um investimento da ordem de R$ 600 milhões numa primeira fase, até a etapa do concentrado. Na segunda fase, a previsão é de um investimento na faixa de R$ 3,6 bilhões.

Meteoric

A Meteoric Resources, listada na bolsa da Austrália, já obteve a Licença Prévia para o seu projeto Caldeira, no município de Caldas, em Minas Gerais e ingressou com o pedido de Licença de Instalação. Recentemente, a empresa também instalou uma planta piloto para testar a separação dos Elementos Terras Raras contidos em argilas iônicas do seu depósito Caldeira, que contém recursos de 1,5 bilhão com 2.340 ppm de TREO (Óxidos de Elementos de Terras Raras), segundo a norma JORC, que seriam suficientes para mais de 100 anos de operação. A empresa anunciou que poderá investir até US$ 400 milhões, incluindo contingências, na construção do projeto Caldeira, para iniciar a produçã o, o que pode ocorrer até o final de 2027. A decisão final do investimento deve ocorrer em meados de 2026. A ideia é iniciar com uma capacidade de 10 mil t de Óxidos de Terras Raras, o que equivale a aproximadamente 5% da demanda global de Neodímio/ Prazeodímio. De acordo com a empresa, o projeto é facilmente escalonável, podendo atingir 20 mil t de Óxidos de Terras Raras (cerca de 7 mil t de Neodímio/Prazeodímio) até 2030.

A Meteoric informa que vem consolidando seu papel como agente relevante na estruturação da cadeia de terras raras no Brasil, com o apoio de governos nas esferas federal, estadual e municipal.

Além disso, a Meteoric integra iniciativas nacionais voltadas ao fortalecimento da cadeia de minerais críticos, como a colaboração com o projeto MagBras, que busca desenvolver uma cadeia integrada de produção de ímãs permanentes no Brasil, com financiamento do BNDES e participação de instituições e empresas estratégicas.

Em Minas Gerais, a Meteoric também estabeleceu parcerias institucionais com a FIEMG e a InvestMinas, reforçando o alinhamento do Projeto Caldeira às prioridades de desenvolvimento econômico e industrial do estado.

Serra Verde

O Brasil ingressou no rol de produtores de Elementos de Terras Raras a partir de 2024, quando a Serra Verde Mineração iniciou a produção comercial em seu empreendimento localizado em Pela Ema, no estado de Goiás, dimensionado para produzir inicialmente 5 mil toneladas/ano. Nos próximos três a quatro anos, o País deverá ampliar sua participação nesse mercado, com a entrada em produção de novos empreendimentos.

Instalações da Serra Verde
Instalações da Serra Verde

A Serra Verde explora um grande depósito de argila iônica, com uma vida útil longa e que possui proporção elevada de terras raras pesadas e leves de alto valor, principalmente Neodímio (Nd), Praseodímio (Pr), Térbio (Tb) e Disprósio (Dy), que são essenciais para a transição energética. A mineradora tem desenvolvido estudos para ampliar a capacidade da Fase I na região, por meio da otimização da planta, e está avaliando o potencial para uma nova expansão (Fase II), que poderá dobrar a produção bruta antes de 2030.

Recentemente, a Serra Verde anunciou um acordo de combinação de negócios com a norte-americana USA Rare Earth e um contrato de fornecimento de 15 anos com uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) capitalizada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados, que absorverá 100% da produção da Fase I da mina Pela Ema, em Minaçu (GO).

A fusão resultará em uma companhia multinacional com oito operações distribuídas entre Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, cobrindo toda a cadeia de valor das terras raras — mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs permanentes. As operações de lavra e beneficiamento da Serra Verde em Goiás serão a base upstream da nova empresa, complementadas pelos ativos downstream da USAR, que incluem a Less Common Metals (LCM), no Reino Unido, um dos maiores produtores mundiais de metais e ligas de terras raras, a planta de ímãs em Stillwater (Oklahoma) e o depósito Round Top, no Texas.

A empresa tem garantido um financiamento de US$ 565 milhões com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), incluindo uma opção que confere ao Governo dos Estados Unidos o direito de adquirir uma participação acionária minoritária no empreendimento.

St. George Mining

A St George Mining, também listada na bolsa da Austrália, que adquiriu áreas anteriormente controladas pela Itafós em Araxá, no estado de Minas Gerais, está desenvolvendo um projeto no mesmo complexo carbonatítico da maior mina de nióbio, de propriedade da CBMM, que produz cerca de 80% do nióbio do mundo.

O projeto da St. George, segundo a própria empresa, se destaca pelo alto teor e pela facilidade de processamento – uma combinação de mineralização de alta qualidade, histórico metalúrgico e forte inserção local para avançar rumo à produção.

A empresa anunciou um aumento estimado de 75% do volume de terras raras (que também inclui nióbio) de recursos minerais do Projeto Araxá, em Minas Gerais. A expectativa é que o volume inicial, projetado em 40 milhões de toneladas, com teor aproximado de 4%, atinja 70,91 milhões de toneladas com 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio, considerando teor de corte mínimo de 2% de terras raras. Os estudos de perfuração foram iniciados em julho de 2025. Além desse volume principal, a modelagem específica para nióbio identificou 24,56 milhões de toneladas adicionais, com teor médio de 0,52% (corte de 0,2%), sem dupla contagem.

“O Projeto Araxá passa a contar com aproximadamente 95 milhões de toneladas de recursos minerais, o que eleva o volume total para a categoria dos maiores depósitos de terras raras do mundo”, afirma a empresa”. O estudo também apontou avanço na qualidade da informação geológica. O volume classificado nas categorias de maior confiabilidade — Medido e Indicado — cresceu 300%, passando a 29,49 milhões de toneladas. Na prática, isso significa que uma parcela significativamente maior do depósito já possui elevado grau de confiança técnica para minerar, o que reduz incertezas e fortalece as próximas etapas de estudos econômicos.

A St George informa que recebeu compromissos firmes para levantar A$ 72,5 milhões (cerca de R$ 255 milhões) por meio de uma colocação de ações ordinárias. Os recursos captados deverão ser aplicados no avanço do Projeto Araxá, de terras raras-nióbio de classe mundial, 100% de propriedade da Companhia, para o desenvolvimento de uma mina.

A empresa também avança na construção de parcerias comerciais e tecnológicas. “A REAlloys quer ter 40% das compras das terras raras que serão produzidas”, revelou Amaral, indicando interesse do mercado internacional. A citação faz referência a um Memorando de Entendimento assinado em setembro de 2025 com a norte-americana REAlloys Inc, fornecedora de materiais magnéticos para o governo dos Estados Unidos, para avançar na comercialização de terras-raras. Este é o primeiro memorando vinculante da ST George e a parceria estabelece cooperação em estudos metalúrgicos, otimização de processos e desenvolvimento tecnológico para produção de terras-raras voltadas à fabricação de ímãs de alto desempenho.

“Acreditamos que o Projeto Araxá tem potencial para ser desenvolvido em um cronograma acelerado para se tornar um dos poucos produtores de terras raras e nióbio de última geração em todo o mundo, algo que os investidores desejam fazer parte. O novo financiamento reforçará o programa da St. George de avançar o Projeto Araxá por meio de estudos de viabilidade e rumo a uma decisão de investimento financeiro. Esses fluxos de trabalho complementam um programa agressivo de perfuração em andamento no Projeto Araxá, projetado para expandir e atualizar a Estimativa de Recursos Minerais (MRE), já em escala mundial.

O teor de NdPr (Neodímio: Praseodímio) no Projeto Araxá é de 7.800 ppm (0,78%), com 320 mil toneladas de NdPr2 contido, destacando o potencial da Araxá para ser uma fornecedora significativa para fabricantes de ímãs permanentes no Brasil e em outros lugares.

Conforme a empresa, o Projeto Araxá também abriga grandes quantidades de outros elementos de terras raras – incluindo samário, lutécio, térbio e gadolínio – todos os quais estão na lista dos 10 principais minerais críticos, conforme definido pelo Departamento do Interior dos EUA. O nióbio também está incluído na lista dos 10 principais minerais críticos. O Departamento do Interior dos EUA descreveu qualquer potencial perda de acesso a suprimentos estrangeiros de nióbio e o consequente impacto negativo no PIB dos EUA como a segunda maior perda entre todos os minerais críticos. Em reconhecimento à importância dos suprimentos de nióbio e terras raras produzidos no Brasil para o potencial fortalecimento das cadeias de suprimentos dos EUA para minerais essenciais, os EUA excluíram expressamente o nióbio e as terras raras importados para processamento nos EUA de qualquer aumento de tarifas.

Viridis

A Viridis Mining Minerals, também listada na Austrália, é outra empresa que já conta com a Licença Prévia para o projeto Colossus, em Poços de Caldas, Minas Gerais. A Licença Prévia abrange as Concessões do Norte da Companhia, dentro do Município de Poços de Caldas, e reforça ainda mais a importância da recente aquisição em larga escala de concessões pela Viridis, que expandiu as Concessões do Norte em 46%, consolidando a posição dominante da Colossus em uma região de alto potencial. As Concessões do Norte abrigam um Recurso Mineral de 215 Mt, e a área de expansão recente de 46% fica adjacente à próspera fronteira leste da concessão, onde os valores de óxido de Dy-Tb ultrapassaram 500 ppm, o maior valor já registrado no complexo alcalino de Poços de Caldas. O projeto é adjacente ao depósito Caldeira, da Meteoric Resources. A Viridis recebeu uma Carta de Intenções não vinculativa da EDC, a agência oficial de crédito à exportação do Canadá, sinalizando o interesse previsto da EDC em fornecer um pacote de financiamento direto de até US$ 100 milhões (AU$ 153 milhões) para apoiar a fase de execução do Projeto Colossus.

Segundo a empresa, o seu projeto Colossus foi selecionado para inclusão na Plataforma de Investimentos para a Transformação Climática e Ecológica do Brasil, uma iniciativa do governo brasileiro que visa mobilizar investimentos internacionais em larga escala para projetos prioritários de transição climática e transformação energética no País. A plataforma reúne o governo brasileiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), bancos multilaterais de desenvolvimento e fundos climáticos globais para acelerar investimentos em setores-chave, incluindo transição energética, descarbonização industrial e cadeia de suprimentos de minerais críticos. A inclusão posiciona o Projeto Colossus dentro do pipeline nacional de investimentos em transição climática do Brasil, aumenta a visibilidade entre instituições financeiras internacionais de desenvolvimento, investimentos soberanos e provedores de capital globais. Os projetos-piloto iniciais da plataforma brasileira representam aproximadamente US$ 25,4 bilhões de investimento potencial, destacando a escala de capital que a plataforma visa mobilizar.

A Viridis afirma que continua a receber forte reconhecimento estratégico na cadeia de suprimentos de minerais críticos do Brasil, incluindo a seleção pelo BNDES/ FINEP no âmbito do Plano Conjunto de Apoio de aproximadamente US$ 1 bilhão, apoiado pelo governo brasileiro, e pelo consórcio Ore Investments e Regia Capital, selecionado pela Vale e pelo BNDES para investir no Fundo Brasileiro de Minerais Estratégicos. Espera-se que a plataforma apoie estruturas de financiamento inovadoras e amplie o acesso ao capital global, fortalecendo a estratégia de financiamento multifontes da Companhia à medida que o Colossus avança rumo à Decisão Final de Investimento no segundo semestre de 2026.

O Diretor-Geral, Rafael Moreno, comentou que “a Viridis tem o prazer de ver o Projeto Colossus Rare Earth incluído na Plataforma de Investimento para a Transformação Climática e Ecológica do Brasil, juntamente com outros projetos de transição energética de importância global, reforçando sua relevância estratégica como fornecedora de longo prazo de elementos de terras raras essenciais. À medida que avançamos com uma estratégia de financiamento multifonte junto às principais agências de crédito à exportação ocidentais, bancos de desenvolvimento e investidores estratégicos, a inclusão na plataforma BIP proporciona acesso adicional a fontes globais de capital, enquanto a Viridis se prepara para a Decisão Final de Investimento prevista para o segundo semestre de 2026.

A Viridis informa que estabeleceu, ainda, uma base de financiamento sólida para o Projeto de Terras Raras Colossus, com o apoio formal de importantes agências de crédito à exportação ocidentais e instituições de financiamento para o desenvolvimento, incluindo a Bpifrance Assurance Export, a Export Development Canada, a Export Finance Australia e o BNDES/FINEP, em relação ao apoio ao financiamento do projeto. No âmbito do capital próprio, a Viridis garantiu US$ 30 milhões em investimento estratégico da ORE e da Regia, o consórcio selecionado pela Vale e pelo BNDES para implementar o Fundo Brasileiro de Minerais Estratégicos. A empresa está atualmente avaliando uma série de opções de investimento estratégico para suprir os US$ 72 milhões restantes do componente de capital próprio do projeto, tendo recebido forte interesse de diversos investidores estratégicos. A inclusão do Projeto Colossus na Plataforma de Investimento Bilateral amplia ainda mais o leque de potenciais provedores de capital disponíveis para a empresa.

Lítio

Sigma Lithium - Vale do Lítio
Sigma Lithium - Vale do Lítio

Atualmente, a produção de lítio no Brasil é feita por apenas três empresas (Sigma Lithium, CBL e AMG) e a expectativa é de que haja um crescimento da produção nos próximos anos, tendo em vista os projetos que estão programados.

A AMG Brasil planeja instalar uma planta de Carbonato de Lítio, em Minas Gerais, projetada para processar cerca de 130 mil t/ano de Carbonato de Lítio com teor de 5,5% de Li2O, que deve gerar aproximadamente 17 mil t/ano (base seca nominal) de hidróxido de lítio grau técnico, usando a rota de sulfataçã o. O produto da planta deverá ser destinado à refinaria que a AMG possui na Alemanha para refino adicional e conversão em hidróxido de lítio. Os investimentos previstos são da ordem de US$ 290 milhões e o projeto pode ser viabilizado até 2029.

Atlas Lithium

A Atlas Lithium, está concluindo a implantação da Fase 1 do seu Projeto Neves, no estado de Minas Gerais, onde possui 54 direitos minerários de lítio nos municípios de Araçuaí, Itinga, Coronel Murta, Rubelita, Taiobeiras e Virgem da Lapa. Orçada em US$ 49,5 milhões, esta fase prevê a produção de 150 mil toneladas de concentrado de espodumênio para bateria. Na fase 2, ainda não definida em termos de cronograma e investimentos, a capacidade de produção deverá aumentar para 300 mil t/ano. A empresa tem ainda os projetos Clear e Salinas, também em Minas Gerais, em fase de exploração.

CBL

A Companhia Brasileira de Lítio (CBL) tem planos visando à duplicação de sua capacidade de produção de concentrado de espodumênio, passando de 45 mil t/ano para 90 mil t/ano. A empresa opera a mina Cachoeira, a mais antiga em operação no País, localizada nos municípios de Araçuaí e Itinga, próximas às áreas da Sigma Lithium (em operação) e Lithium Ionic (em projeto). Também está prevista, nos estudos, a ampliação da planta química, localizada no município de Divisa Alegre, na fronteira de Minas Gerais com a Bahia, que poderá alcançar uma capacidade de até 6 mil t/ano de LCE (Carbonato de Lítio Equivalente). Os investimentos no projeto deverão se situar em torno de US$ 70 milhões. Porém, segundo o CEO da empresa, Vinícius Alvarenga, o valor do investimento pode variar para mais ou para menos.

A CBL foi a primeira empresa a industrializar lítio no Brasil, operando desde 1991, de forma integrada. A empresa opera uma mina subterrânea, utilizando o método sublevel stoping, com produção anual de 45 mil t/ano de concentrado de espodumênio, com 5,5% de Li2O. A planta química, em Divisa Alegre, produz atualmente 1.700 t/ ano de compostos químicos de lítio (LCE), exportando cerca de 2/3 de sua produção, principalmente para a China. Aproximadamente 30% do que é produzido destina-se ao mercado brasileiro, sendo utilizado nas indústrias farmacêutica, metalúrgica, cerâmica, de lubrificantes (graxas), de vidros especiais.

A CBL deverá triplicar a capacidade de produção de sua refinaria de lítio, que é atualmente a única refinaria fora da China que processa espodumênio até chegar ao composto químico de alta pureza para utilização na fabricação de baterias de veículos elétricos. Para realizar a ampliação, que elevará a capacidade de produção de 2 mil t/ano para 6 mil t/ano, a CBL contará com recursos da US$ 40 milhões que foram aportados pela indiana Altmin, em troca de uma participação de 33% no controle acionário da CBL Refinaria.

Lithium Ionic

A Lithium Ionic prevê investir cerca de US$ 190 milhões para implantação do seu projeto Bandeira, localizado no denominado Vale do Lítio, em Minas Gerais. A produção estimada é de 177 mil toneladas/ ano de concencentrado de espodumênio de alta qualidade, com 5,2% de Li2O. A expectativa é que o projeto possa iniciar operação em 2027.

A concepção do Projeto Bandeira reflete uma preocupação central: a necessidade de resiliência em um mercado historicamente volátil. Nos últimos anos, o preço do lítio oscilou de picos próximos a US$ 8.000 por tonelada, em 2022, para níveis inferiores a US$ 500, antes de voltar a patamares próximos de US$ 2.500 no início de 2026. Esse comportamento impõe disciplina na engenharia de projetos.

A atualização do estudo de viabilidade, concluída em setembro de 2025, teve como foco justamente a otimização de custos e a simplificação operacional. O resultado é um projeto de baixa complexidade, com CapEx estimado em US$ 191 milhões — incluindo contingências — e custos operacionais competitivos, na ordem de US$ 378 por tonelada.

PLS

A Pilbara Minerals, que adquiriu a Latin Resources por US$ 370 milhões, criando a PLS, pretende ser outro player importante na produção de lítio de rocha dura no Brasil, também no chamado Vale do Lítio, em Minas Gerais. Seu principal projeto é o Colinas, na região de Salinas. Um Estudo Econômico Preliminar (PEA), realizado pela Latin Resources, indicou que Salinas pode produzir 500 mil t/ano de concentrado de espodumênio com 5.2% Li2O, com um investimento total de US$ 303 milhões, sendo US$ 253 milhões na primeira fase e US$ 55 milhões na segunda.

Sigma Lithium

A sigma Lithium, que atualmente lidera a produção de lítio no Brasil, começou a investir na Fase 2 do seu empreendimento localizado em Minas Gerais, para o qual a empresa já tem assegurado um financiamento de aproximadamente US$ 87 milhões. A Fase 2 aumentará a capacidade de produção em 250 mil toneladas/ano de concentrado de espodumênio. A Sigma já recebeu a licença tripla (LP, LI e LO) para o projeto de expansão.

A Sigma Lithium adotou uma estratégia de comercialização que amplia as suas receitas, fornecendo ao mercado, além do concentrado de lítio de alta pureza, os finos de lítio com teor de 1% de óxido de lítio e produtos de baixo teor, transformando em produtos o que seria rejeitos.

A empresa espera elevar seu volume total de produção para 920.000 toneladas de concentrado, ou 125.000t LCE, até 2027. Para a CEO e copresidente da empresa, Ana Cabral, a empresa está em uma posição competitiva muito vantajosa, o que motiva o seu plano de expansão.

Cobre

Chapas de cobre
Chapas de cobre

A cada ano que passa, o cobre ganha mais relevância na produção mineral brasileira, principalmente devido aos projetos na região Norte do País, particularmente na região de Carajás. E as perspectivas é que nos próximos anos essa participação aumente, tendo em visto os projetos que estão sendo implementados e outros que se tem em perspectiva.

Atualmente existem cinco empresas produzindo cobre no Brasil, com liderança da Vale, através da Vale Base Metals, seguida pela Mineração Maracá (Lundin Mining), Mineração Caraíba (Ero Copper), Mineração Vale Verde e AVB (CoreX Holding).

Ero Brasil

A Ero Brasil, controlada pela Ero Copper, avançou com os trabalhos de prospecção no projeto Furnas, cujos direitos minerários pertencem à Vale e com a qual a Ero mantém uma parceria: investe na pesquisa em troca de uma possível futura participação na mina, caso esta se viabilize. As pesquisas até agora realizadas indicam a possibilidade de que Furnas possa vir a ser uma mina subterrânea de grande porte e alto teor.

Os resultados da Avaliação Econômica Preliminar do Projeto de Cobre-Ouro Furnas descrevem o potencial para uma operação de cobre-ouro em grande escala e longa vida útil, com um perfil de produção robusto e economia excepcional, reforçando Furnas como um ativo fundamental dentro do pipeline de crescimento orgânico da Empresa. Furnas está sendo desenvolvido em parceria com a Vale Base Metals (VBM) de acordo com um acordo de aquisição de participação, no qual a Ero Copper obterá uma participação de 60% após a conclusão dos programas de trabalho prescritos.

A vida útil para o projeto é estimada em 24 anos, com base na estimativa atualizada de recursos minerais, que permanece aberta em profundidade e lateralmente ao longo da direção da jazida.

Para o empreendimento, prevê-se uma produção média anual de cobre equivalente de aproximadamente 108.000 toneladas nos primeiros 15 anos de operação, incluindo aproximadamente 70.000 toneladas de cobre, 111.000 onças de ouro e 532.000 onças de prata por ano.

O Capex para a implantação de Furnas está estimado em US$ 1,3 bilhão, “com baixa intensidade de capital de aproximadamente US$ 16.000 por tonelada equivalente de cobre”, segundo a empresa. Os custos operacionais ao longo da vida útil da mina estão previstos em US$ 0,30 por libra de cobre produzida, “sustentados por créditos significativos de ouro e prata como subprodutos”.

Lundin Mining

A Mineração Maracá, controlada pela Lundin Mining, está investindo em um estudo de pré-viabilidade visando o aproveitamento do depósito Saúva, próximo à mina Chapada. O minério a ser extraído em Saúva seria transportado para alimentação da atual planta de Chapada. A expectativa é que o projeto esteja concluído em 2026.

Vale Base Metals

A Vale Base Metals pretende, nos próximos anos, chegar ao nível de 380 mil t/ano, mas os planos de mais longo prazo (até 2035) prevêem que a produção evolua para 700 mil t/ ano, através da expansão de ativos de cobre já em operação e colocando em produção outros que ainda estão em fase de prospecção mineral ou desenvolvimento de engenharia. Estão nos planos da empresa projetos como Salobo CPF, Alemão, Cristalino, Bacaba, 118, Barão, Visconde, Paulo Afonso e Furnas. Salobo CPF prevê a flotação de partículas de cobre, com potencial de 30 mil t/ano adicionais de cobre. Alemão deverá produzir 80 mil t/ano, mesma capacidade prevista do projeto Cristalino, enquanto o 118 poderá produzir 60 mil t/ano e Paulo Afonso (ainda em fase de pré-viabilidade), deve ter uma escala de 70 a 100 mil t/ano. Destes projetos, o mais adiantado é Bacaba, para o qual a empresa obteve a Licença Prévia em meados de 2025. O investimento previsto é de US$ 290 milhões.

Níquel

Embora o Brasil não seja atualmente um produtor relevante de níquel, este é um segmento que está atraindo investimentos, sobretudo em projetos para produção do metal voltado ao uso em baterias de veículos elétricos. O foco, portanto, são projetos de níquel sulfetado, dentre os quais se destacam os empreendimentos da Atlantic Nickel, Brazilian Nickel e Centaurus Metals.

Atlantic Nickel

A Atlantic Nickel, controlada pelo fundo Appian Capital, iniciou a expansão da mina Santa Rita, localizada na Bahia, que atualmente é minerada a céu aberto. O projeto visa a transição para produção subterrânea, devendo atingir a capacidade de aproximadamente 30 mil t/ano de níquel equivalente, com vida útil estimada em mais de 30 anos. A operação produz níquel, cobre e cobalto e foi escolhida como primeiro investimento do novo fundo de US$ 1 bilhão criado pela parceria entre Appian Capital Advisory e International Finance Corporation (IFC). (Veja matéria nesta edição)

Centaurus Metals

A Centaurus Metals pretende iniciar a implantação do projeto Jaguar, na Província Mineral de Carajás, que prevê a produção de 980 mil t/ano de concentrado, um empreendimento que demanda investimentos de US$ 270 milhões. A empresa já obteve a Licença Prévia e já está negociando os recursos necessários à implantação de uma mina a céu aberto e instalações de processamento.

A empresa anuncia que solicitou recentemente propostas de financiamento de um grupo de financiadores internacionais do setor de recursos naturais para viabilizar a construção do projeto, tendo recebido forte interesse de dez financiadores líderes, incluindo a Carta de Intenções recentemente anunciada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As ofertas não vinculativas recebidas somam até US$ 320 milhões, com múltiplas propostas acima de US$ 250 milhões.

Brazilian Nickel

Brazilian Nickel
Brazilian Nickel

A Brazilian Nickel tem sob seu controle o projeto Nickel Piauí, que visa a exploração de um depósito com reservas de 99 milhões t de mineral de níquel sulfetado contendo 0,84% de níquel e 0,05% de cobalto. O minério permite o seu processamento por lixiviação e o seu alto teor de sílica, que não é reativa, minimiza o consumo de ácido. A implantação demandará um investimento total da ordem de US$ 1,4 bilhão, incluindo custos financeiros.

Grafita

O Brasil pode se tornar um importante produtor global de grafite, já que possui reservas substanciais do mineral grafita. Dos novos projetos visando à produção de grafite, os principais são os da Graphcoa e da South Star. Além destes, o Brasil tem um produtor antigo, a Nacional de Grafite, que opera há várias décadas em Minas Gerais.

Graphcoa

A Graphcoa, controlada pela Appian Capital Brazil, começou a produção comercial, com capacidade inicial de 5.500 toneladas por ano. O ativo, especializado em concentrado de grafite, requereu investimentos de cerca de R$ 400 milhões no desenvolvimento de suas operações. A Mina de Boa Sorte, no município de Itagimirim (BA), está em processo de ramp-up da operação desde dezembro de 2024. Este é o primeiro projeto de grafita da Appian e marca um passo relevante para posicionar a Graphcoa entre os principais produtores de grafite no Brasil. Os investimentos totais na Graphcoa devem alcançar a cifra de R$ 2 bilhões.

Planta da Graphcoa na Bahia
Planta da Graphcoa na Bahia

Com o volume inicial, a Graphcoa pretende atender tanto clientes especializados na produção de ânodos para baterias, um mercado estratégico em expansão, quanto setores tradicionais como refratários, lubrificantes e agricultura, incluindo o mercado doméstico. Além da transição energética, a empresa aposta nos segmentos de refratários, siderurgia e agronegócio como motores da sua expansão no mercado nacional. Para isso, a Graphcoa desenvolveu três linhas de produtos, cada uma focada em características do grafite e nas demandas do mercado, composta por: Graphcoa Flakes, Graphcoa Fines Flakes e Powders. Assim, a Appian Capital Brazil faz importante movimento em sua estratégia de negócios no Brasil. O projeto é um marco importante não apenas para a empresa, mas também para a Bahia e para o Brasil, ao reforçar o papel de destaque do país na rota dos minerais críticos para a transição energética. A conclusão do ramp-up da planta estava prevista para o final de 2025. Além da Bahia, a Graphcoa planeja expandir suas operações para outras localidades no Nordeste de Minas Gerais.

A planta da Graphcoa já realizou exportações iniciais, principalmente para os Estados Unidos, focadas na validação do produto junto a clientes estratégicos.

Em janeiro de 2026, a empresa anunciou a entrada do projeto em regime de care and maintenance, após cerca de um ano de operação da planta de demonstração, com o objetivo de realizar ajustes estratégicos, alinhamento com parceiros comerciais e avaliação de expansão para escala maior.

Além do projeto Boa Sorte, a Graphcoa possui outro ativo, localizado em Minas Gerais, que avança com estudos mais detalhados. A empresa está trabalhando para concluir o DFS e avançar com o licenciamento. A região oferece vantagens logísticas importantes, incluindo proximidade com infraestrutura e mão de obra especializada.

South Star

A South Star Battery Metals Corp. está operando a Mina de Grafite Fase 1 de Santa Cruz, na Bahia, com capacidade inicial de 5 mil t/ano.

Santa Cruz é a primeira nova produção de grafite nas Américas desde 1996. A empresa tem permissão para para expandir para 50.000 toneladas/ano de produção de concentrado de grafite, pois os mercados e clientes precisam de mais material.

Para Pierce, a South Star tem orgulho de suas realizações em Santa Cruz como a primeira nova produtora de grafite nas Américas desde 1996. “Nossa equipe está comprometida com operações seguras e com a execução do plano estratégico da empresa de trazer produção verticalmente integrada, em fases, modular nas Américas de produtos midstream e downstream em um plano de negócios disciplinado, tecnicamente viável e lucrativo com uma estratégia comercial de entrada no mercado”.

Fertilizantes

Devido a sua elevada dependência de importações para suprir o consumo interno, o Brasil tem necessidade de ampliar a produção de fosfato e potássio, o que insere os projetos visando ao aumento da produção interna dessas matérias primas na categoria de minerais críticos e estratégicos.

Dentre os projetos que estão em implantação ou previstos, destacam-se os da Fosnor/Galvani, Brazil Potash e South Atlantic Potash.

Brazil Potash

A Brazil Potash Corp., através de sua subsidiária Potássio do Brasil, está implementando o seu projeto Autazes, no Amazonas, para o qual obteve todas as autorizações e licenças necessárias para a construção. Estão previstos a perfuração de dois poços (‘shafts”) da mina subterrânea, uma planta de processamento de lixiviação à quente, um porto de barcaças fluviais e a construção de aproximadamente 13 km de uma estrada ligando a planta de processamento ao porto. A capacidade será de até 2,4 milhões t/ano e o investimento está estimado em US$ 2,5 bilhões.

Fosnor/Galvani

A Fosnor/Galvani tem um programa de investimentos superior a US$ 185 milhões em dois projetos no estado da Bahia para aumentar sua capacidade de produção para 1,3 milhão t/ ano de fertilizantes fosfatados. Os investimentos estão sendo feitos na planta de fertilizantes que a empresa possui em Luís Eduardo Magalhães e numa nova unidade de mineração em Irecê, em parceria com a CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral). Como resultado, a Galvani dobrará sua capacidade produtiva em Luís Eduardo Magalhães. O projeto de Irecê deve ser implementado a partir de 2026.

A Galvani também tem um outro projeto Greenfield, em Santa Quitéria, no estado do Ceará, em parceria com a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), estatal, que prevê a instalação de uma mina e planta de fertilizantes, orçado em aproximadamente US$ 460 milhões. O projeto, em fase de licenciamento, deverá produzir 99,8% de fosfato e 0,2% de urânio (este destinado para a INB).

South Atlantic Potash

A South Atlantic Potash (SAP) tem um projeto na Bacia de Sergipe (ver matéria nesta edição) visando uma produção inicial de 2 milhões t/ano de potássio a partir de reservas offshore localizadas próximo à costa, através da tecnologia de solution mining. O projeto tem potencial para alcançar uma produção de até 14 millhões t/ ano, de forma modular. O Capex previsto para a fase inicial é de US$ 2.5 bilhões. (Ver artigo nesta edição)

Artigos da edição

    NOVOS PROJETOS | Corrida aos minerais críticos demanda investimentos de US$ 21,3 bilhões | BRASILMINERAL.COM.BR