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Brasil Mineral - Edição 456

Abril 2026
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PDAC 2026

Brazilian Mining Day: Brasil apresenta portfólio estratégico de minerais críticos no PDAC 2026

Do cobre ao grafite, passando por terras raras e lítio, oito projetos revelam escala, diversidade geológica e crescente maturidade do pipeline mineral brasileiro.

Por Mara Fornari

Brasil Mineral 456Abril 2026Páginas 66-69
Apresentação do portfólio de projetos

O Brasil subiu ao palco do PDAC 2026 com um recado claro ao mercado internacional: o país não é apenas um fornecedor tradicional de minério de ferro, mas um território cada vez mais estratégico para minerais críticos.

Durante o Brazilian Mining Day, oito projetos distribuídos entre Minas Gerais, Bahia, Tocantins e Mato Grosso evidenciaram uma combinação rara de atributos: escala geológica, diversidade de commodities e avanço técnico. Mais do que ativos isolados, os projetos formam um mosaico que reflete o reposicionamento do país na cadeia global de suprimentos — especialmente em um momento de pressão por eletrificação, descarbonização e segurança mineral.

A agenda reuniu desde iniciativas em estágio exploratório até projetos com testes metalúrgicos avançados e estudos econômicos em andamento. Em comum, todos compartilham uma lógica que vem se consolidando na mineração brasileira: integração entre geologia, tecnologia e mercado.

Marcos André Gonçalves, presidente da ADIMB
Marcos André Gonçalves, presidente da ADIMB

“Estamos trabalhando durante anos para construir essas perspectivas e agora estamos perfurando para ver se elas se transformarão em algo real”, afirmou Rob Smakman, CEO da Alvo Minerals, sintetizando o momento vivido pelo setor.

Terras raras: escala, teor e desafio tecnológico

Entre os destaques, os projetos de terras raras tiveram abordagens distintas — da escala ao alto teor — mas igualmente relevantes. Em Bambuí (MG), o projeto da Bemisa apresentado por Marcos André Gonçalves impressiona pelo volume: “temos cerca de 600 milhões de toneladas de recursos medidos e indicados e mais de 1,5 bilhão de toneladas adicionais em avaliação”, afirmou. Com mineralização rasa e geologia simples, o desafio se desloca para o processamento. “Tem sido 20% geologia e 80% processo”, resumiu, destacando o esforço em testes metalúrgicos.

Já em Araxá (MG), o projeto da St. George aposta em teor elevado e rapidez de desenvolvimento. São 7 milhões de toneladas com mais de 2% de terras raras, garantiu Thiago Amaral, ressaltando a competitividade do ativo.

Na Bahia, o projeto Monte Alto eleva ainda mais o patamar. “Estamos desenvolvendo o projeto de terras raras de maior qualidade do mundo”, disse Renato Gonzaga, referindo-se a teores que podem ultrapassar 30% em zonas específicas.

Cobre: nova fronteira em consolidação

O cobre aparece como protagonista em mais de um projeto, reforçando o potencial do Brasil para atender à crescente demanda global.

Em Tocantins, região com infraestrutura em evolução, a Alvo Minerals apresentou o cinturão VMS do projeto Palma. “Não estamos procurando um mineral difícil. Estamos procurando cobre e zinco”, afirmou o CEO da empresa. A descoberta de Touro surge como novo vetor de crescimento. “Nosso primeiro furo apresentou 4,5 metros com 1,7% de cobre equivalente”, destacou, indicando continuidade da mineralização.

Thiago Amaral, da St Georges
Thiago Amaral, da St Georges

Já no Mato Grosso, o sistema Jaca amplia a escala da discussão: “estamos falando de um sistema hidrotermal muito grande, com centenas de milhões de toneladas”, afirmou Roque Coelho. Com potencial regional superior a 1 bilhão de toneladas, o projeto se posiciona como candidato a novo polo de cobre no país.

Roberto Xavier, diretor Executivo da ADIMB
Roberto Xavier, diretor Executivo da ADIMB
Jim Mckay, da Lithium Ionic
Jim Mckay, da Lithium Ionic
Renato Gonzaga, da Brazilian Rare Earths
Renato Gonzaga, da Brazilian Rare Earths
Rob Smakman, da Alvo Minerals
Rob Smakman, da Alvo Minerals

Grafite: Brasil mira cadeia de baterias

O grafite também ganhou protagonismo, impulsionado pela demanda por baterias e tecnologias limpas. Projetos apresentados destacam desde operações piloto até ativos em fase de expansão.

“Já processamos mais de 30 mil toneladas e produzimos mais de 400 toneladas de concentrado”, destacou Ricardo Alves, da Graphcoa, evidenciando validação industrial.

Na Bahia, o projeto Rafa, da Bahia Graphite Corp, combina base inicial de recursos com potencial de crescimento: “temos 4,9 milhões de toneladas com recuperação acima de 88%”, indicou Thales Tandel.

Além da geologia, os projetos buscam diferenciação por custos e práticas ambientais, como empilhamento a seco.

Ricardo Alves, da Graphcoa
Ricardo Alves, da Graphcoa
Roque Coelho, da Fides Mining
Roque Coelho, da Fides Mining
Marcos Vale, da Apex
Marcos Vale, da Apex
Thales Tandel, da Bahia Graphite
Thales Tandel, da Bahia Graphite

Lítio: projetos avançam com foco em viabilidade econômica

O lítio, já consolidado como um dos pilares da transição energética, também esteve presente. Com recursos estimados em dezenas de milhões de toneladas e teor competitivo, projetos no Vale do Jequitinhonham(MG) avançam com engenharia em andamento e cronogramas definidos.

Mencionando indicadores como TIR (Taxa Interna de Retorno) elevada e CAPEX competitivo, Jim Mckay, CEO da Lithium Ionic, apresentou o Projeto Bandeira – “estamos falando de um projeto com retorno robusto e potencial de produção relevante”. A produção inicial está prevista para 2026, com foco em concentrado de espodumênio.

A combinação de mineralogia favorável e rotas de processamento mais simples reforça a atratividade desses ativos.

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