O Brasil subiu ao palco do PDAC 2026 com um recado claro ao mercado internacional: o país não é apenas um fornecedor tradicional de minério de ferro, mas um território cada vez mais estratégico para minerais críticos.
Durante o Brazilian Mining Day, oito projetos distribuídos entre Minas Gerais, Bahia, Tocantins e Mato Grosso evidenciaram uma combinação rara de atributos: escala geológica, diversidade de commodities e avanço técnico. Mais do que ativos isolados, os projetos formam um mosaico que reflete o reposicionamento do país na cadeia global de suprimentos — especialmente em um momento de pressão por eletrificação, descarbonização e segurança mineral.
A agenda reuniu desde iniciativas em estágio exploratório até projetos com testes metalúrgicos avançados e estudos econômicos em andamento. Em comum, todos compartilham uma lógica que vem se consolidando na mineração brasileira: integração entre geologia, tecnologia e mercado.

“Estamos trabalhando durante anos para construir essas perspectivas e agora estamos perfurando para ver se elas se transformarão em algo real”, afirmou Rob Smakman, CEO da Alvo Minerals, sintetizando o momento vivido pelo setor.
Terras raras: escala, teor e desafio tecnológico
Entre os destaques, os projetos de terras raras tiveram abordagens distintas — da escala ao alto teor — mas igualmente relevantes. Em Bambuí (MG), o projeto da Bemisa apresentado por Marcos André Gonçalves impressiona pelo volume: “temos cerca de 600 milhões de toneladas de recursos medidos e indicados e mais de 1,5 bilhão de toneladas adicionais em avaliação”, afirmou. Com mineralização rasa e geologia simples, o desafio se desloca para o processamento. “Tem sido 20% geologia e 80% processo”, resumiu, destacando o esforço em testes metalúrgicos.
Já em Araxá (MG), o projeto da St. George aposta em teor elevado e rapidez de desenvolvimento. São 7 milhões de toneladas com mais de 2% de terras raras, garantiu Thiago Amaral, ressaltando a competitividade do ativo.
Na Bahia, o projeto Monte Alto eleva ainda mais o patamar. “Estamos desenvolvendo o projeto de terras raras de maior qualidade do mundo”, disse Renato Gonzaga, referindo-se a teores que podem ultrapassar 30% em zonas específicas.
Cobre: nova fronteira em consolidação
O cobre aparece como protagonista em mais de um projeto, reforçando o potencial do Brasil para atender à crescente demanda global.
Em Tocantins, região com infraestrutura em evolução, a Alvo Minerals apresentou o cinturão VMS do projeto Palma. “Não estamos procurando um mineral difícil. Estamos procurando cobre e zinco”, afirmou o CEO da empresa. A descoberta de Touro surge como novo vetor de crescimento. “Nosso primeiro furo apresentou 4,5 metros com 1,7% de cobre equivalente”, destacou, indicando continuidade da mineralização.

Já no Mato Grosso, o sistema Jaca amplia a escala da discussão: “estamos falando de um sistema hidrotermal muito grande, com centenas de milhões de toneladas”, afirmou Roque Coelho. Com potencial regional superior a 1 bilhão de toneladas, o projeto se posiciona como candidato a novo polo de cobre no país.




Grafite: Brasil mira cadeia de baterias
O grafite também ganhou protagonismo, impulsionado pela demanda por baterias e tecnologias limpas. Projetos apresentados destacam desde operações piloto até ativos em fase de expansão.
“Já processamos mais de 30 mil toneladas e produzimos mais de 400 toneladas de concentrado”, destacou Ricardo Alves, da Graphcoa, evidenciando validação industrial.
Na Bahia, o projeto Rafa, da Bahia Graphite Corp, combina base inicial de recursos com potencial de crescimento: “temos 4,9 milhões de toneladas com recuperação acima de 88%”, indicou Thales Tandel.
Além da geologia, os projetos buscam diferenciação por custos e práticas ambientais, como empilhamento a seco.




Lítio: projetos avançam com foco em viabilidade econômica
O lítio, já consolidado como um dos pilares da transição energética, também esteve presente. Com recursos estimados em dezenas de milhões de toneladas e teor competitivo, projetos no Vale do Jequitinhonham(MG) avançam com engenharia em andamento e cronogramas definidos.
Mencionando indicadores como TIR (Taxa Interna de Retorno) elevada e CAPEX competitivo, Jim Mckay, CEO da Lithium Ionic, apresentou o Projeto Bandeira – “estamos falando de um projeto com retorno robusto e potencial de produção relevante”. A produção inicial está prevista para 2026, com foco em concentrado de espodumênio.
A combinação de mineralogia favorável e rotas de processamento mais simples reforça a atratividade desses ativos.

