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Brasil Mineral - Edição 456

Abril 2026
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ADIMB 30 ANOS

A história de uma das entidades mais influentes do setor mineral no Brasil

Por Francisco Alves

Brasil Mineral 456Abril 2026Páginas 78-86
A história de uma das entidades mais influentes do setor mineral no Brasil

Neste ano de 2026, a ADIMB (Agência para o Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro) completa 30 anos, período ao longo do qual firmou como uma das entidades mais influentes do setor mineral no País.

Fundada em 1996, a ADIMB atua como um braço de inteligência e técnica entre empresas, governo e academia. Ao longo de três décadas, a agência se consolidou em frentes estratégicas, como a organização do SIMEXMIN, o maior evento técnico em exploração mineral no País, realizado tradicionalmente em Ouro Preto (MG), que reúne milhares de técnicos e empresários de várias partes do mundo. A entidade também coordena, há vários anos, a participação brasileira na convenção anual da PDAC (prospectors and Developers Association of Canada), organiza missões internacionais para conhecer a geologia de outros países, como Austrália, visando fortalecer o sistema global de mineração e participa do esforço de atração de investimentos para o setor mineral, através de iniciativas como o Invest Mining

Mas talvez a principal atuação da ADIMB seja na formação de especialistas na área de exploração mineral, através dos vários cursos que oferece, dos quais um destaque é o curso oferecido em conjunto com o Ibmec e os projetos colaborativos com empresas do setor, com participação de instituições acadêmicas.

Não é exagero dizer que a história da ADIMB, nestas três décadas, perpassa a história de evolução da mineração no período.

“Mantendo-se fiel aos objetivos originais estabelecidos na fundação

Roberto Xavier, que assumiu a diretoria executiva da ADIMB em maio de 2018, afirma que sua gestão tentou dar continuidade ao que foi construído nos 22 anos anteriores, mantendo a essência estratégica da entidade, que é focar no desenvolvimento técnico-científico do setor mineral.

Segundo ele, o plano estratégico atual, consolidado a partir de 2018, reflete essa história, visando contribuir para a competitividade do setor mineral brasileiro por meio de capacitação profissional, projetos técnico-científicos, fomento à inovação e articulação entre academia, empresa, governo e sociedade. Assim, “a ADIMB se posiciona como referência nacional e internacional, sendo seu DNA técnico-científico”, diz ele.

Xavier explica que, embora a atuação da ADIMB se concentre historicamente na pesquisa mineral, cobrindo desde a descoberta até a abertura da mina (upstream), atualmente seu escopo se expandiu para incluir a produção, a geometalurgia, a identificação de subprodutos econômicos ou deletérios, e o melhor aproveitamento de rejeitos minerais. Além disso, a ADIMB se posiciona essencialmente em aspectos técnicos para subsidiar políticas públicas.

A entidade potencializou a articulação entre empresas e universidades por meio de projetos colaborativos, os quais são uma fonte de recursos externos para a sua sobrevivência orçamentária. Atualmente, informa o diretor executivo, a ADIMB coordena quatro projetos colaborativos, incluindo um grande projeto de 5 anos com a Vale, além de projetos com a Oz Minerals/ Corex e Centaurus, todos focados em cobre, níquel e ouro em Carajás, e um recente com a Meteoric Resources sobre terras raras em Poços de Caldas. “Estes projetos revelaram-se importantes para avanços no conhecimento geológico e na extração de metais, além de auxiliar na capacitação profissional”, ressalta.

Reconhecimento internacional

Um ponto forte da ADIMB é o seu amplo reconhecimento internacional, por sua presença no PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), onde já realizou 24 missões e, em seu evento mais recente, mobilizou uma delegação de 130 pessoas e realizou o Brazilian Mining Day com 520 participantes. Porém, de acordo com Xavier, a entidade não deseja ser rotulada apenas pelo PDAC e está buscando presença em outros eventos importantes, como o IMARC (International Mining and Resources Conference), que é considerado o maior e mais influente evento de mineração da Austrália, assim como na promoção de expedições internacionais. “A ADIMB também está retomando visitas internacionais com foco ampliado, englobando toda a cadeia de valor mineral, incluindo as áreas tecnológica, econômica e ambiental, e não apenas a pesquisa mineral”, destaca Xavier.

Roberto Xavier
Roberto Xavier

Para isso, a ADIMB também tem trabalhado para estabelecer parcerias com entidades internacionais diversas, que possam se traduzir em capacitação profissional e tecnológica, e projetos colaborativos. Como exemplos principais, a ADIMB tem tido ações conjuntas positivas com a Câmara de Comércio Austrália-Brasil, AUSTRADE, AusIMM e CSIRO da Austrália, Embaixada da Alemanha e Consulados da Finlândia e Canadá.

Mas, segundo Xavier, a ADIMB está aberta a oportunidades de internacionalização e sintonizada com elas, visando suprir a crescente demanda por recursos humanos qualificados, especialmente no segmento de minerais críticos, uma demanda atual do setor mineral brasileiro.

Capacitação profissional

A capacitação profissional tem sido um pilar da ADIMB, sendo oferecidos de dois a três cursos por ano, para atender a demandas das empresas ou tendo por base temas identificados pela própria entidade como relevantes para o contexto atual do setor mineral do país. Um grande avanço nesse quesito, destaca o diretor-executivo, é o MBA em Gestão de Recursos Minerais, oferecido em parceria com o Ibmec, com 360 horas de duração e turmas de 30 profissionais.

Do ponto de vista da estrutura de governança e membros associados, a ADIMB conta atualmente com 53 empresas associadas (entre patronos e plenos), que variam em tamanho e incluem majors, intermediárias, júniors e fornecedores de serviços e produtos, incluindo escritórios de advocacia. Os associados natos, que participaram da fundação da ADIMB, permanecem membros do Conselho, como é o caso do Ministério de Minas e Energia, Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, ANM (antigo DNPM) e Ibram. A governança é estruturada pelo Conselho Superior, composto por 12 membros (quatro natos e oito eleitos por empresas), que a cada dois anos se renova, definindo Presidente, Vice-Presidente, dois Diretores e o Diretor Executivo. Quanto às áreas de atuação, a ADIMB tem atuado historicamente em projetos e capacitação profissional relacionados a sistemas de minerais metálicos, conforme Xavier, não abrangendo o setor de materiais industriais como argilas, areia, brita, calcário, ou pedra ornamental.

Articulação com a Academia

A ADIMB defende a articulação entre academia e empresas, mas reconhece que a universidade, com seu foco interno e diversas responsabilidades, tende a se isolar da realidade do setor mineral. Da mesma forma, as empresas do setor mineral brasileiro têm dificuldades em compreender o grande ganho em pesquisa, desenvolvimento e inovação que podem adquirir em seus projetos em parceria com universidades, o que dificulta a aproximação com as empresas.

Quanto à atuação da entidade junto ao Serviço Geológico do Brasil (SGB), ele informa que a instituição já participa indiretamente da ADIMB por meio do Ministério de Minas e Energia e que tem sido um parceiro fundamental na gestão atual. A parceria tem se consolidado participando de eventos, como o Simexmin e o PDAC, em projetos colaborativos e em cursos de capacitação profissional. Ele acrescenta que a ADIMB está em conversas com o SGB para transformar o plano de levantamentos aerogeofísicos em um consórcio de empresas, onde os parceiros alocarão recursos, auxiliarão na escolha de regiões e terão prioridade na avaliação dos dados.

Como informa o seu Diretor-Executivo, a ADIMB não tem utilizado recursos públicos via editais da Finep ou CNPq, e sua constituição jurídica impede que ela atue como instituição principal em tais projetos. No entanto, nada impede que a ADIMB seja participante nesses projetos. No passado (por volta de 2003-2005), a ADIMB participou ativamente do apoio e captação de recursos da FINEP para levantamentos aerogeofísicos e estudos metalogenéticos, como no Quadrilátero Ferrífero.

Tendências e Desafios nas Geociências

Segundo Roberto Xavier, a ADIMB observou uma diminuição na procura por cursos de geociências e na atração de graduados para o setor mineral em países como Austrália, Estados Unidos e Canadá, embora acredite que o Brasil não esteja totalmente nessa rota, já que o país possui 32 cursos de geologia e engenharia geológica, que formam profissionais de alta qualidade. O principal desafio, em sua opinião, é atrair esses profissionais qualificados para o setor mineral.

Ele acrescenta que a ADIMB apoia a integração de capítulos estudantis de geologia econômica no Brasil, apoiados pela Society of Economic Geologists (SEG) ou Society for Geology Applied to Mineral Deposits (SGA), que são vistos como uma fonte de futuros profissionais de excelente qualidade para as empresas do setor. “O Brasil é o país com o maior número de Capítulos Estudantis da SEG no mundo, com 15 capítulos”, informa, acrescentando que a ADIMB não atua diretamente nas universidades, mas trabalha com os grupos estudantis voltados para o setor mineral.

A ADIMB busca atrair ações que aumentem a visibilidade de jovens talentos no setor mineral, o qual necessita de profissionais não apenas em geologia e engenharia geológica, mas também em engenharia de minas e metalúrgica. Como exemplo desse esforço, o dirigente cita um grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que foi finalista em uma competição no PDAC 2026, fato que foi destacado pela ADIMB.

Marcos André Gonçalves
Marcos André Gonçalves

Fidelidade aos objetivos

Roberto Xavier reafirma que a ADIMB permanece fiel aos objetivos estabelecidos em 1996, com a meta de ser uma referência no setor mineral nacional. Apesar de contar com um número pequeno de profissionais atuando em seu cotidiano, a entidade cresceu muito em importância e visibilidade, sendo muito procurada tanto nacional quanto internacionalmente. “O crescimento da ADIMB tem sido altamente qualitativo, apesar do tamanho da equipe”, diz Xavier.

E explica que o trabalho contínuo da ADIMB, ou "serviço de casa", concentra-se em projetos colaborativos, na manutenção da qualidade dos cursos de aperfeiçoamento, na constante melhoria do Simexmin e da participação do Brasil no PDAC, “100% sintonizada na busca de oportunidades para transformá-las em benefícios para o setor mineral brasileiro”, finaliza o diretor-executivo da ADIMB.

O êxito dos projetos colaborativos com empresas

Marcos André Gonçaves, presidente do Conselho da ADIMB e diretor da Bemisa, que está na entidade desde 2001/2002, afirma que inicialmente a ADIMB era pequena e talvez não estivesse à altura do conceito que representava. Uma mudança significativa ocorreu quando houve as alterações e atualizações no decreto do Código de Mineração, o que inclusive levou ao surgimento da ABPM, a partir de uma divergência de interpretações dentro do Conselho Superior da ADIMB. “Este momento serviu como um divisor de águas, posicionando a ADIMB como uma entidade de cunho mais técnico, focada em atrair diversos segmentos, como indústria, academia e instituições de ciência e tecnologia”, diz ele.

Até 2016, a ADIMB, que até então dedicava-se mais à oferta de cursos e viagens técnicas, deu início ao Simexmin, que rapidamente se transformou no mais importante evento internacional da área de exploração mineral na América Latina e à liderança na organização da participação brasileira no PDAC.

Um importante legado deixado pela ADIMB, segundo Marcos André, inclui a busca por soluções de financiamento para o setor e a capacitação de profissionais através de cursos de curta e média duração em áreas como geologia e economia mineral. Com isso, a entidade permitia que empresas menores tivessem acesso a conteúdo e conhecimento que, de outra forma, só estariam disponíveis em grandes estruturas como Vale, Anglo American ou BHP.

Planejamento Estratégico

Após 2016, a ADIMB adotou um planejamento estratégico robusto, contratando a Fundação Dom Cabral para auxiliar no processo, que foi essencial para o futuro da entidade. “A pandemia impactou fortemente a ADIMB, que enfrentou um período financeiramente difícil, mas o planejamento estratégico ajudou a identificar prioridades. E a internacionalização da ADIMB se concretizou através da delegação brasileira no PDAC e outras expedições internacionais, com o Brasil sendo agora muito demandado por parceiros como os australianos.

Atualmente, de acordo com o presidente do Conselho, a situação financeira da ADIMB está organizada e possui previsibilidade, embora o plano estratégico precise ser atualizado pela próxima gestão. “Um desafio significativo que perdura é a baixa conscientização sobre a ADIMB no público em geral e até mesmo no setor, o que ficou evidenciado em um evento recente da empresa Datamine, em que menos da metade dos profissionais demonstraram conhecer a entidade. Para combater isso, a ADIMB tem se dedicado à divulgação proativa, buscando parcerias de mídia e aumentando sua proximidade com veículos de comunicação, conforme o dirigente.

Para Marcos André, um dos maiores êxitos recentes da ADIMB foi a realização de projetos colaborativos com empresas como Meteoric, Centaurus e Vale, demonstrando que a entidade pode operar como um polo confiável de gestão de projetos técnicos. “O desafio interno para a próxima gestão inclui adequar a carga de trabalho e o quadro de profissionais, e aumentar o compromisso e a participação do Conselho Superior. Outro desafio é aumentar a participação feminina nos eventos e na entidade”, sentencia.

O Tripé da ADIMB

Sobre a relação entre o governo, a academia e a iniciativa privada, que formam o tripé da ADIMB desde sua origem, o dirigente considera que funciona melhor hoje, embora sempre haja espaço para melhorias. “A interlocução com fundações, Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) e universidades funciona bem, mas o desafio é replicar isso em todo o país”, diz ele, acrescentando que a entidade valoriza ter portas abertas com os governos, mantendo a credibilidade por evitar questões políticas e se posicionar como um polo neutro para discussões técnicas.

Mudança de status?

Com relação ao futuro da ADIMB, Marcos André opina que uma das possibilidades seria a transformação da entidade em Fundação, o que proporcionaria a oportunidade de firmar convênios mais duradouros e específicos, ressalvando que isso depende de uma discussão estratégica sobre a conversão do seu estatuto atual para o de uma fundação. “Alterar o status para fundação, por exemplo, permitiria à ADIMB promover bolsas de estudo em geologia econômica e atuar em maior escala, além de facilitar a participação em programas de financiamento de organismos públicos como o Banco Mundial. Essa mudança seria essencial para dar o próximo passo no aumento da robustez e no patamar de operação da entidade”, enfatiza o dirigente.

Ele acredita também que a ADIMB pode contribuir significativamente na área de minerais críticos através da caracterização mineralógica e rotas de processo, utilizando sua agilidade para intermediar trabalhos entre empresas e universidades. “O projeto colaborativo recente com a Meteoric é um exemplo de como a ADIMB consegue gerenciar com sucesso trabalhos complexos de forma ágil e com governança, o que é altamente valorizado pelas empresas”.

Por fim, o presidente do Conselho afirma que a ADIMB necessita de renovação, exigindo a participação de mais profissionais e de "sangue novo" no Conselho Superior, inclusive atraindo a participação feminina. “A ADIMB funciona como um amortecedor para os ruídos e incertezas de prazo que as empresas enfrentam ao lidar diretamente com instituições públicas. O desafio é evitar a estagnação e continuar a promover o desenvolvimento de recursos e mão de obra profissional no setor de geologia econômica, incluindo o incentivo aos jovens”, conclui.

Sempre um olhar para o futuro”

Dalmo Pereira
Dalmo Pereira

Para Dalmo Pereira, vice-presidente da Geosol e diretor do Conselho da ADIMB, a grande importância da entidade, além de promover o intercâmbio entre a academia e as empresas, está nos encontros que realiza, como o Simexmin e a participação brasileira no PDAC. “Vejo a ADIMB como um grande salão de encontros da geologia e mineração”, diz ele, acrescentando que a ADIMB oferece uma janela de oportunidades para jovens profissionais se atualizarem sobre projetos de investimento e possibilidades de emprego. “O Pavilhão Brasil no PDAC funciona como ponto de encontro de quem trabalha ou tem interesse na mineração brasileira. Os eventos funcionam também como fóruns de negócios, conectando empresas, investidores e profissionais em busca de soluções integradas”.

Outro ponto forte da entidade são as missões técnicas ao exterior, sendo Austrália o exemplo mais marcante. São atividades que promovem o intercâmbio e a comparação com mineralizações de outros países.

No que se refere aos cursos, Dalmo destaca o curso de mestrado que a ADIMB realiza em parceria com o Ibmec, que reúne docentes de alto nível das principais escolas de Geologia do Brasil. A Geosol, inclusive, em épocas anteriores colaborou para a realização de alguns cursos e debates, cedendo o espaço da Fundação Victor Dequech. Um exemplo foram os eventos sobre temas regulatórios, como o marco regulatório da mineração em 2012-2013. O dirigente, inclusive, expressa o desejo de que voltem a ocorrer parcerias entre a ADIMB e a Geosol/FVD para a oferta de cursos sobre exploração mineral, mais especificamente na parte de pesquisa e sondagem.

Para o diretor do Conselho da ADIMB, a instituição articula academia, iniciativa privada e órgãos governamentais (ANM, Serviço Geológico, Ministérios) de forma equilibrada, sem viés político, já que os membros “participam pelo interesse do setor mineral, não por agendas corporativas ou governamentais”.

Ele ressalta que as atividades técnicas da ADIMB têm o respaldo e a presença das principais academias, notadamente as escolas de Geologia do Brasil. “Nós temos um nível de excelência muito bom”, afirma.

Sobre a onda atual dos minerais críticos, Dalmo afirma que embora cuide de minerais como lítio e terras raras, por exemplo, a ADIMB não deixa de lado outros como o minério de ferro, “que é o carro-chefe da nossa economia mineral”, nem do ouro e do cobre. Para ele, a entidade sempre tem um olhar para o futuro.

Conectando o setor produtivo, a academia e o setor tecnológico

Luiz Antonio Vessani, que integrou a diretoria da ADIMB ainda no início da entidade, afirma que naquela época sua participação contribuiu para ajudar a fornecer clareza sobre o papel da ADIMB em relação à geopolítica e à política partidária, acrescentando que o tripé original que formava a ADIMB (universidade, órgãos governamentais e empresas privadas), evoluiu consideravelmente, embora enfrentasse desafios.

Para ele, a equipe da ADIMB está fazendo um trabalho “heróico”, mas poderia fazer mais, se contasse com melhores condições. Em sua visão, as empresas ainda demonstram dificuldade em abordar o relacionamento no desenvolvimento de conhecimento, especialmente com o uso da academia; esta, por sua vez, ainda é muito fechada em si mesma; e o lado governamental enfrenta a dificuldade de ciclos e falta de clareza em uma política de estado, resultando em descontinuidade e dificultando a gestão.

Vessani diz que, em sua atuação, a ADIMB recebe apoio total das entidades do setor, pois o trabalho é visto como altamente relevante. É o caso da ABPM, que participa ativamente nos eventos organizados pela ADIMB, inclusive na forte ação relacionada à participação no PDAC. “O apoio e a disponibilidade das entidades são essenciais para o trabalho da ADIMB”, afirma o executivo, acrescentando que a função principal da entidade é conectar tecnologias exploratórias e processos de beneficiamento com as empresas brasileiras, já que a evolução tecnológica nesses temas é muito rápida. “É missão da ADIMB buscar essa modernidade internacionalmente, por meio de visitas técnicas, parcerias e convênios, para evitar que o setor mineral brasileiro fique para trás e as empresas se tornem frágeis. Outro lado da missão é fortalecer a parceria com a academia, pois a objetividade no trabalho acadêmico precisa ser questionada e turbinada com convênios colaborativos”, afirma.

Porém, segundo Vessani, a ADIMB precisa urgentemente de mais financiamento para desenvolver projetos e cumprir plenamente sua missão. Ele considera o orçamento anual da ADIMB “ridículo” e que este deveria ser pelo menos cinco vezes maior. Assim, ele recomenda como necessário que se crie uma força-tarefa agressiva para buscar recursos em fundos de base tecnológica, BNDES e fundos de investimento, para “não depender apenas do governo”. Vessani observou que a falta de recursos é a razão pela qual a ADIMB pode ter se desviado de sua rota inicial, pois a falta de dinheiro os força a gastar muita energia na busca por financiamento e a adaptar suas atividades para facilitar o acesso a recursos. “O trabalho da ADIMB é vital para conectar o setor produtivo, a academia e o setor tecnológico. É possível que as entidades ajudem em uma força-tarefa para trazer mais recursos, permitindo que a equipe da ADIMB, que é muito boa, realize mais”, opina.

Luiz Antonio Vessani
Luiz Antonio Vessani

Ele também incentiva a internacionalização da ADIMB, para buscar tecnologia e processos (citando como exemplo a viagem à Finlândia, programada para junho de 2026), que considera fundamental e precisa ser dinamizada, incluindo o acompanhamento de desenvolvimentos na América Latina. “Também é crucial unificar o trabalho das universidades, que geralmente atuam isoladamente, e incrementar a relação e os convênios internacionais, para que o Brasil se beneficie de tecnologias de países como Austrália e Canadá. A ADIMB deveria considerar incluir na sua equipe uma pessoa dedicada a buscar recursos e a trabalhar a diplomacia para acordos internacionais”, diz Vessani.

Para o empresário, o envolvimento dos órgãos governamentais precisa ser revisto, pois a participação governamental na ADIMB sofreu modificações. “Há um ceticismo em relação ao apoio governamental, mas os participantes concordaram em incluir a questão da ADIMB (participação governamental e acesso a recursos) nos temas a serem apresentados aos candidatos à presidência”.

Ele acrescenta que o ambiente de debate no setor é considerado pobre em alternativas e a ADIMB poderia abordar temas cruciais que atualmente não consegue, devido à falta de recursos. Exemplos de temas incluem a criação de um programa para transformar o garimpo em mineração industrializada e a abordagem tecnológica para a mineração em terras indígenas. “Esses temas são de grande relevância, mas atualmente não se encaixam no escopo da ADIMB, devido às suas limitações de recursos”.

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