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PESQUISA MINERAL

Grupo Geopar amplia portfólio de serviços com novas tecnologias e expande atuação internacional

Incorporação da Geoscan reposiciona o grupo Geopar como provedor completo de soluções em exploração mineral, unindo geologia, geofísica, sondagem e tecnologia para enfrentar os novos desafios do setor.

Por Mara Fornari e Francisco Alves

Brasil Mineral 455Páginas 22-29
Atividade de perfuração geológica da Geosol em minério de ferro

A incorporação da Geoscan pela Geosol, anunciada no fim de 2025, marca um movimento estratégico do grupo Geopar que vai além do crescimento corporativo, com grande impacto no mercado brasileiro de serviços em mineração. Trata-se de uma inflexão clara na direção de um modelo de exploração mineral cada vez mais integrado, orientado por tecnologia, inteligência geológica e redução de riscos técnicos e financeiros ao longo de toda a cadeia de valor. Ao reunir geologia, geofísica, sondagem, gestão de dados e, agora, até a articulação com financiamento e certificação de reservas, o Grupo Geopar busca reposicionar seu papel no mercado como um provedor completo de soluções para a mineração moderna.

O movimento ocorre num momento em que a indústria mineral enfrenta transformações profundas. A queda gradual dos teores médios, a ampliação da mineração subterrânea, o aumento da complexidade regulatória, a pressão por eficiência econômica e a exigência crescente por dados confiáveis e rastreáveis tornam cada decisão técnica mais crítica. Nesse cenário, a fragmentação da cadeia de serviços deixa de ser apenas ineficiente e passa a representar um risco concreto à viabilidade dos projetos.

“Desde 2020, a Geosol vem apresentando o que chamamos de soluções integradas de pesquisa mineral. Isso nasce de uma demanda muito clara do mercado, mas também de uma reflexão interna nossa, de voltar ao DNA original da empresa, que é a geologia”, afirma Dalmo Pereira, vice-presidente da Geosol.

Segundo ele, ao longo das últimas décadas a cadeia da exploração mineral se especializou excessivamente. Grandes mineradoras internalizaram equipes, empresas de serviços se concentraram em etapas isoladas e o diálogo entre geologia, geofísica e sondagem foi sendo enfraquecido. “O resultado disso é perda de agilidade, aumento de custo e, muitas vezes, decisões técnicas tomadas com base em dados incompletos”, observa Dalmo.

Para ele, a incorporação da Geoscan simboliza um retorno estratégico da geologia ao centro do processo decisório. “Hoje existem projetos que as grandes empresas não conseguem atender, por falta de velocidade. E quando falo de velocidade, estou falando de coisas básicas: alocação correta do furo, mapeamento geológico rápido, entendimento inicial do alvo”, explica.

Na visão de Dalmo, as empresas já em operação, especialmente as grandes produtoras, nem sempre conseguem mobilizar seus recursos internos com a agilidade exigida pelas fases exploratórias. “O corpo técnico de terceiros, quando bem integrado, permite exatamente isso: cobrir a cadeia inicial de forma muito mais eficiente”, afirma. A integração com a Geoscan fortalece justamente essa etapa. “A sondagem passa a ser muito mais objetiva, com menos furos ‘queimados’ e mais informação de qualidade”, resume o Executivo.

O processo de aproximação entre Geosol e Geoscan foi construído ao longo de pelo menos três anos. Segundo Dalmo Pereira, o alinhamento de visões sempre foi evidente. “A Geoscan é uma empresa extremamente dinâmica, com uma capacidade técnica muito grande em geologia e geofísica. Isso sempre nos chamou atenção”, afirma.

A decisão de avançar para uma incorporação mais estruturada amadureceu quando ficou claro que a soma das competências permitiria cobrir toda a cadeia da exploração mineral, do greenfield ao brownfield, incluindo fases avançadas e monitoramento.

“É importante deixar claro que a Geoscan não atua apenas na fase inicial. Ela cobre toda a gama, inclusive métodos geofísicos aplicados ao monitoramento de taludes, pilhas e estruturas, algo cada vez mais relevante do ponto de vista de segurança operacional”, ressalta Dalmo.

A lógica é simples e direta: geologia e geofísica bem executadas são a base de uma sondagem eficiente. “Costumamos brincar que, depois de um bom escaneamento, você sabe exatamente onde colocar a ‘agulha da acupuntura’. Isso significa definir melhor a malha de sondagem, otimizar recursos e evitar furos fora do objetivo”, afirma.

Ferramenta fabricada pela Geobit, do grupo Geopar
Ferramenta fabricada pela Geobit, do grupo Geopar

Para Eduardo Capelo, diretor Comercial da Geoscan, a incorporação ao Grupo Geopar representa um divisor de águas e amplia não apenas o portfólio de serviços, mas também o horizonte tecnológico da empresa. “A Geoscan sempre foi uma empresa de geologia com forte viés tecnológico. Nosso corpo técnico é majoritariamente formado por geólogos, com geofísicos e engenheiros de mina, mas sempre trabalhamos com tecnologia aplicada à geologia”, afirma.

Segundo Eduardo, a integração com a sondagem cria um ciclo virtuoso de aprendizado. “Quando se começa a correlacionar diretamente os dados geofísicos com os resultados de sondagem, isso retroalimenta os modelos matemáticos, melhora os processamentos e até a interface com inteligência artificial, aumentando a acurácia das interpretações”, explica.

Nesse contexto, Capelo cita projetos em andamento voltados à inovação. “Estamos desenvolvendo, por exemplo, um projeto com a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial e Inovação), voltado à aplicação de IA na exploração mineral a partir de métodos geofísicos. A Embrapii utiliza recursos do BNDES, o que reforça nosso DNA de inovação. Isso é extremamente relevante, porque permite acelerar a tomada de decisão e reduzir incertezas”, afirma.

Para o mercado, a principal consequência dessa integração é a ampliação do leque de soluções. “O cliente ou investidor passa a ter opções que vão do básico até a sondagem, sem ficar preso a um único viés metodológico. Dentro do nosso porte, passamos a ter acesso às principais tecnologias geofísicas do mundo, trazendo isso para o Brasil”, observa Capelo. “É uma relação de ganha-ganha, mas quem mais ganha é quem contrata o Grupo Geopar”, garante Eduardo

Demanda de mercado e consolidação da solução integrada

A consolidação do conceito de solução integrada não surgiu apenas como uma estratégia interna do Grupo Geopar, mas como resposta direta a uma demanda cada vez mais explícita do mercado. Para Thiago Sillman Borges, responsável pelo desenvolvimento de novos negócios e pela expansão internacional do grupo, o setor mineral vem passando por uma mudança clara de mentalidade.

“O mercado está cansado de soluções fragmentadas. O cliente não quer mais gerenciar quinze contratos diferentes, cada um com uma visão parcial do projeto”, afirma Thiago. Segundo ele, a Geosol percebeu essa demanda de forma muito concreta em projetos recentes.

“Um exemplo emblemático foi o projeto da LHG Mining. Executamos cerca de oitenta mil metros de sondagem em menos de um ano, dentro de um conceito integrado. A repercussão foi extremamente positiva e deixou muito clara que o mercado estava pronto para esse modelo”, lembra.

Thiago informa que essa experiência evidenciou a necessidade de um corpo técnico dedicado à geologia e à geofísica. “Sentimos claramente essa lacuna, e a Geoscan veio preencher esse espaço. É uma parceria construída com base em um modelo de negócio bem compreendido por ambos os lados, e a experiência até agora tem sido extremamente positiva”, afirma.

Dalmo Pereira, vice-presidente da Geosol
Dalmo Pereira, vice-presidente da Geosol

Dalmo Pereira reforça essa leitura: “aquele projeto mostrou que quando você integra as etapas, o ganho não é só operacional, é estratégico. O cliente passa a enxergar o projeto como um todo, não como um conjunto de serviços desconectados”, afirma ele, acrescentando que a solução integrada também abre portas para a expansão internacional do grupo. “Já estamos avaliando oportunidades no Oriente Médio, México, Argentina e Chile. Em muitos desses países, conseguimos atender com a solução integrada ou em parceria com players locais”, diz. Nesse contexto, a parceria histórica com a SGS aparece como um diferencial estratégico. “Desde a preparação física da amostra até a definição da rota metalúrgica e análises de geoquímicas e ambientais, temos a SGS como parceira. Isso nos permite fechar todo o ciclo, inclusive na certificação de recursos e reservas”, explica Dalmo.

A partir daí, o grupo começa a avançar também para a etapa de financiamento. “Estamos estudando, junto a parceiros, veículos financeiros para apoiar projetos já certificados. A ideia é não ficar restrito apenas à geologia ou à exploração, mas ajudar o projeto a avançar para a fase de desenvolvimento”, completa Dalmo.

Para Eduardo Capelo, a demanda por soluções integradas também está ligada à necessidade de reduzir vieses técnicos. “Quando uma empresa trabalha apenas com um método, ela tende a enxergar o projeto sob aquela ótica. No nosso modelo, o cliente tem acesso a um leque muito mais amplo de tecnologias, o que permite decisões mais equilibradas”, explica.

Segundo ele, essa abordagem é especialmente relevante em projetos exploratórios iniciais. “Você consegue sair do básico, evoluir para a sondagem com muito mais informação e evitar decisões tomadas no escuro”, diz.

Perfuratriz Geosedna Epiroc
Perfuratriz Geosedna Epiroc

Thiago acrescenta que a solução integrada também dialoga melhor com investidores. “Quando você apresenta um projeto estruturado, com dados integrados, rastreáveis e uma visão clara de risco, isso muda completamente a percepção de quem vai financiar”, observa.

Visão do cliente: mitigação de riscos e redução de custos

Do ponto de vista do cliente, a integração entre geologia, geofísica e sondagem se traduz diretamente em mitigação de riscos e melhor alocação de capital. Em um cenário de margens mais apertadas e maior rigor técnico, errar menos deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser uma exigência básica.

Eduardo Capelo é enfático ao afirmar que o objetivo não é reduzir a sondagem, mas saber onde fazê-la, torná-la mais eficiente e qualificada ao aumentar o discernimento na definição dos alvos – “a sondagem é o principal custo da exploração mineral e sempre vai ser necessária. A grande questão é saber onde investir esses metros. Em vez de furar para tentar descobrir algo, você já chega ao furo com hipóteses bem construídas. Isso muda completamente a eficiência do projeto”, explica. Segundo ele, os métodos geofísicos permitem um nível de discernimento muito maior na definição dos alvos e mudam completamente a lógica do projeto.

Dalmo Pereira complementa com uma visão prática, construída ao longo de décadas de atuação. “O cliente não quer fazer menos sondagem, mas fazer sondagem melhor. Quer extrair o máximo de informação de cada metro perfurado. Ele pode fazer os mesmos dez mil metros de sondagem, mas com muito mais informação: dados geotécnicos, hidrogeológicos, melhor descrição geológica. Isso significa menos incerteza e geração de valor lá na frente, quando o projeto entra em fase de engenharia ou operação”, ressalta.

Segundo Dalmo, a integração também permite um melhor aproveitamento do furo. “No Brasil, costumamos dizer que o furo tem que ser igual boi: aproveitar até o chifre. Se o furo está pronto, você precisa extrair o máximo de informação possível dele”, afirma.

Para Thiago Sillman Borges, além do ganho técnico, há um impacto direto na estrutura de custos e na gestão do projeto. “Quando o cliente reduz o número de fornecedores e passa a trabalhar com uma solução integrada, ele reduz custo administrativo, risco contratual e simplifica a tomada de decisão. Ou seja, a redução de quinze contratos em média para um único contrato, reduz custo, minimiza risco e simplifica a gestão”, afirma.

Ele destaca que essa simplificação é especialmente valorizada por empresas juniores e projetos greenfield. “Esses clientes muitas vezes não têm estrutura interna para gerenciar múltiplos contratos técnicos. Ter um único parceiro responsável pela integração faz toda a diferença. Isso é muito significativo para o cliente. Ele passa a ter um único ponto de contato, um fornecedor responsável pela gestão técnica do projeto como um todo”, observa.

Baixos teores, mineração subterrânea e novos desafios

A queda gradual dos teores médios e o avanço da mineração subterrânea impõem novos desafios técnicos à indústria mineral e tornam a assertividade geológica cada vez mais crítica. Nesse contexto, a qualidade da informação gerada nas fases iniciais do projeto passa a ser determinante para sua viabilidade econômica.

Uso de drone em pesquisa geológica pela Geoscan
Uso de drone em pesquisa geológica pela Geoscan
Eduardo Capelo, Diretor Comercial da Geoscan
Eduardo Capelo, Diretor Comercial da Geoscan

Para Dalmo Pereira, esse cenário exige uma mudança de mentalidade: “errar menos deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica de viabilidade. Com teores mais baixos, qualquer erro custa muito caro. Não existe mais espaço para decisões baseadas em suposições frágeis. A viabilidade de um projeto depende do momento do mercado. Ouro, lítio, minério de ferro — tudo isso muda rapidamente”, observa.

Segundo ele, a sondagem passa a ter um papel ainda mais estratégico. “A sondagem não serve apenas para encontrar minério. Muitas vezes ela serve para não encontrar minério. É a chamada sondagem condenatória, que evita que você construa infraestrutura em cima do corpo mineral. Por exemplo, para definir onde não construir uma planta, um britador, uma correia. Isso evita problemas futuros de estabilidade e planejamento. Erros estruturais que só apareceriam anos depois”, explica Dalmo, citando experiências práticas ao longo de sua carreira.

No caso do minério de ferro, Dalmo aponta para um cenário de maior competitividade global. “Simandou, na África, está entrando em operação com 100 milhões de toneladas. O diferencial será o minério de ferro verde, com menor custo e menor geração de rejeitos. A sondagem bem-feita é fundamental para isso”, afirma Dalmo, que também defende a ampliação da cultura de mineração subterrânea no Brasil – “minas subterrâneas têm menor impacto visual e ajudam inclusive na percepção social da mineração. Projetos como os de ouro, cobre e até minério de ferro já estão avançando nessa direção”.

Thiago Silmann Borges
Thiago Silmann Borges

Eduardo Capelo ressalta que a mineração subterrânea eleva o nível de exigência técnica. “Quando você vai para o subsolo, precisa entender profundamente a geologia, a geotecnia, a hidrogeologia e o comportamento do maciço rochoso. Não dá mais para trabalhar com modelos simplificados e informações incompletas”, afirma.

Para Eduardo, os métodos geofísicos de maior profundidade ganham ainda mais relevância nesse contexto. “Trabalhamos hoje com tecnologias que investigam alvos a até dois mil metros de profundidade. Isso é fundamental para o avanço da mineração subterrânea”, diz.

Já Thiago Sillman Borges observa que a mineração subterrânea também traz implicações econômicas e sociais. “Uma mina subterrânea tem impacto visual muito menor do que uma mina a céu aberto. Isso ajuda na percepção pública da mineração. Embora seja mais complexa do ponto de vista técnico, ela pode reduzir impactos ambientais e melhorar a aceitação social dos projetos”, observa.

Ele destaca que essa mudança exige maior rigor desde a exploração. “Quando você erra no início, o custo explode lá na frente. Por isso, integração e qualidade de dados deixaram de ser discurso e passaram a ser condição de sobrevivência”, conclui.

Nesse contexto, um dos pilares da estratégia do Grupo Geopar é a criação de um Centro de Desenvolvimento em Geofísica, com previsão de consolidação até 2027. Segundo Eduardo Capelo, o objetivo é integrar hardware, software e dados de sondagem para desenvolver métodos cada vez mais precisos: “queremos testar tecnologias, validar metodologias e melhorar continuamente a acurácia dos dados”, explica.

O debate sobre minerais críticos, terras raras, elementos nucleares e bacias sedimentares também ocupa espaço central na estratégia do grupo: “o desafio não está apenas na pesquisa, mas no beneficiamento e na segregação desses minerais”, afirma Dalmo, observando que os métodos de pesquisa mineral não mudam radicalmente entre diferentes commodities, mas que os desafios de beneficiamento e aproveitamento aumentam: “no caso das terras raras, por exemplo, estamos falando de concentrações em PPM. A capacidade analítica do laboratório SGS Geosol é um diferencial importante nesse aspecto”, destaca.

Instalações da SGS Geosol
Instalações da SGS Geosol

Eduardo Capelo complementa dizendo que o grupo já atua em projetos envolvendo terras raras (especialmente em análises em concentrações muito baixas), argilas iônicas e elementos nucleares. “O Brasil tem ocorrências similares às da China, especialmente em argilas iônicas, o que desperta grande interesse internacional. Temos tecnologia geofísica, capacidade analítica e know-how para atuar nesse contexto”, afirma. Já no caso do urânio, os entraves são majoritariamente regulatórios: “o Brasil tem enorme potencial, mas ainda enfrenta desafios de segurança jurídica”, avalia o diretor Comercial da Geoscan.

Em relação às bacias sedimentares, Eduardo lembra que o grupo já possui experiência tanto em óleo e gás quanto em estudos hidrogeológicos. “Água, em algumas regiões do Brasil, vale tanto quanto ouro. Entender as bacias sedimentares é estratégico, e temos plena capacidade de atuar nesse campo”, diz.

Para Dalmo Pereira, além da excelência técnica, é fundamental investir em educação. “A mineração ainda é confundida com garimpo ilegal. Precisamos mostrar o que é mineração responsável”, afirma.

Eduardo Capelo complementa: “Hoje o Brasil pode competir de igual para igual em qualquer lugar do mundo. Somos exportadores de capacidade intelectual na mineração”.

Caminho aberto para novas aquisições

Com oportunidades no México, Argentina, Chile e Oriente Médio, o Grupo Geopar aposta na solução integrada como diferencial competitivo. Provocado sobre a possibilidade de novas aquisições, a resposta de Dalmo é direta. “Sim. Já estamos conversando com empresas que complementam essa cadeia, especialmente na transição de um projeto mineral certificado para uma mina em operação. Esse é um dos focos estratégicos que já estão em andamento”, conclui.

Hoje o Grupo Geopar consolida um modelo que responde às novas exigências do mercado mineral: mais tecnologia, mais integração, mais eficiência e menos risco. Um movimento que reposiciona o grupo não apenas como fornecedor de serviços, mas como parceiro estratégico no desenvolvimento de projetos minerais no Brasil e no exterior.

Equipamentos tecnológicos avançados da Rede
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